Ainda que a palavra não seja explicitamente usada na maioria das obras, os leitores de Dame Agatha Christie conhecem muito bem o significado de “atmosfera” – ainda que seja quase impossível descrever seu significado.
Imersa em pensamentos, cheguei até a porta baixa e antiquada da Casa do Moinho. Abri-a com a chave e entrei. O vestíbulo baixo e escuro recendia a mofo e a coisas que estavam em abandono. Involuntariamente, estremeci. Será que a jovem “a sorrir a si mesma” não sentiu ao entrar na casa um arrepio de pressentimento ? Acredito que sim. Teria o sorriso desaparecido dos lábios, o coração a oprimi-la como num pesadelo medonho ? Ou subiu a escada, ainda sorridente, sem tomar consciência da desgraça que se ia abater sobre ela ? As pulsações do meu coração aceleravam-se. E se houvesse alguém na casa à minha espera também ? Pela primeira vez, entendi o significado da palavra tão corriqueira – “atmosfera”. Havia atmosfera nesta casa, atmosfera de crueldade, de ameaça, de maldada.
(”O Homem do Terno Marrom”, 1924, último parágrafo do capítulo 6, tradução de Maria Antonietta Brand Corrêa, editora Círculo do Livro)
Muito bom, este trecho!
A autora consegue transmitir sensações apenas com palavras, um feito raro.
Em fevereiro, li livros de 3 detetives diferentes (1 de Poirot, 1 de Miss Marple e1 do Mr. Quin) e é nítida a mudança de ares: dá pra sentir o ar, a luz do sol, os sons, tudo o que varia de um pro outro!