Entre Facas e Segredos 2: Glass Onion ganha trailer

Não é um “filme de Agatha”, mas ganhou seu primeiro trailer a sequência bastante esperada de “Knives Out“, um filme de mistério que fez sucesso em 2019. “Glass Onion: Um Mistério Entre Facas e Segredos” chega na Netflix no segundo semestre de 2022.

Tommy e Tuppence: 100 anos de O Inimigo Secreto em 2022

Primeira capa no Reino Unido

2022 já vai longe e não podemos deixar de celebrar o segundo livro lançado por Agatha. “The Secret Adversary”, lançado em janeiro de 1922, recebeu no Brasil o título de “O Inimigo Secreto” (*). É a primeira obra de Thomas Beresford e Prudence Cowley, quando ainda não eram casados; a dupla Tommy e Tuppence Beresford participaria deste e de mais quatro livros da autora de 1922 até 1973:

A escritora inglesa Agatha Christie, nascida em 1890, é uma das romancistas mais renomadas do mundo. Conhecida também como a Rainha do Crime, ela se destacou por seus romances policiais, como O Assassinato no Expresso do Oriente, Morte no Nilo e Os Crimes ABC, assim como personagens marcantes como Hercule Poirot e Miss Marple. Há 100 anos, em 1922, Christie lançou o livro O Inimigo Secreto, um thriller que marcou a estreia de dois de seus personagens mais emblemáticos: o casal de detetives Tommy e Tuppence.

Enquanto Tommy é analítico, sempre pensando de forma lógica, Tuppence confia em sua intuição. Juntos, a dupla se tornou o único casal da autora a aparecer em mais de um livro, em narrativas cheias de espionagem, mensagens cifradas, segredos de Estado, fugas, perseguições, reviravoltas. As histórias da dupla são retratadas nos livros O Inimigo Secreto, Sócios no Crime, N ou M?, Um Pressentimento Funesto e Portal do Destino, que acompanham a dupla desde sua primeira investigação, a formação de sua agência de detetives, até depois de sua aposentadoria.

Leia mais no site da UFMG, clicando aqui.

Leia mais posts deste nosso A Casa Torta sobre a dupla clicando aqui:
https://acasatorta.wordpress.com/category/tommy-tuppence/

(*) “O Inimigo Secreto” é o título original no Brasil e “O Adversário Secreto” o das traduções atuais. Em Portugal, a situação é a inversa, sendo “O Adversário Secreto” o título original e “O Inimigo Secreto” o das edições mais novas. Há registros também de “Mr. Brown”…

Por falar em títulos, relembrando aqui um post de 2020:
Livros de Agatha: Títulos em traduções curiosas

No Wikipedia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tommy_e_Tuppence_Beresford
https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Secret_Adversary

Veja também:
https://pt.frwiki.wiki/wiki/Tommy_et_Tuppence_Beresford

Livros com Tommy e Tuppence:

O Inimigo Secreto

Lançamento: janeiro de 1922
Título original: “The Secret Adversary”
Título em Portugal: “O Adversário Secreto” – veja (*) acima

Sócios no Crime

Lançamento: 1929
Título original: “Partners in Crime”
Título em Portugal: “O Homem que Era o nº 16” ou “Unidos pelo Crime”

M ou N?

Lançamento: 1941
Título original: “N or M?”
Título em Portugal: “Tempo de Espionagem” ou “N ou M?”

Um Pressentimento Funesto

Lançamento: novembro de 1968
Título original: “By the Pricking of My Thumbs”
Título em Portugal: “Caminho para a Morte” ou “A Premonição”

Portal do Destino

Lançamento: outubro de 1973
Título original: “Postern of Fate”
Título em Portugal: “Morte Pela Porta das Traseiras” ou “A Porta do Destino”

Em Portugal:

Alguns dos atores e atrizes que interpretaram o casal:

– Tommy: Carlo Aldini, James Warwick, André Dussollier, Anthony Andrews, David Walliams
– Tuppence: Eve Gray, Francesca Annis, Catherine Frot, Greta Scacchi, Jessica Raine

Agatha Christie: The best selling fiction writer of all time (como já sabíamos)

Com o título “Agatha Christie: Nine recent adaptations of the Queen of Crime’s novels to watch”, a matéria do site BT fala sobre os lançamentos em torno de Agatha dos últimos anos no cinema e no streaming:

It’s no surprise that Agatha Christie is the best selling fiction writer of all time and that her books are ripe for TV and film adaptation.

Whether they’re set in an exotic location like Egypt or in a quiet country village, Christie’s timeless tales of greed, love and murder still provide thrilling escapism – and a gripping finale as the killer – or killers – are revealed.

Since the publication of her first book, The Mysterious Affair at Styles, in 1920, demand for her quintessentially English mysteries has always been high. In 1928 the first film adaptation of a Christie story, The Passing of Mr Quin, was released and they’ve kept coming ever since. (…)

Why Didn’t They Ask Evans? (2022) = (…) The three-part drama stars Will Poulter and Lucy Boyton and includes cameos by Emma Thompson, Jim Broadbent and an aptly chosen part for Paul Whitehouse as the landlord of the Angler’s Arms.

Ao final, a matéria também cita as produções antigas. Leia o artigo completo clicando aqui.

Trailer de “Why Didn’t They Ask Evans?” (2022):

Portal do Destino: Plantas dos jardins dos Beresford e seus vizinhos

Várias plantas com nomes curiosos e algumas não muito comuns por aqui são citadas em “Portal do Destino”, a última participação de Tommy e Tuppence Beresford nos livros de Agatha Christie (“Postern of Fate”, de 1973). Algumas delas estão listadas aqui:

— RAINHA-CLÁUDIA

“Greengage” = The greengages are a group of cultivars of the common European plum. The first true greengage came from a green-fruited wild plum which originated in Iran (Persia). Greengages are grown in temperate areas and are known for the rich, confectionery flavour. They are considered to be among the finest dessert plums. [Fonte: Wikipedia]

No site Amelia Palmela:

Nome científico: Prunus Sátiva.
Nomes populares: Ameixeira Rainha Claudia Verde, pruna.
Variedade: Rainha ClaudiaVerde.
Família: Rosaceae.
Origem: Espanha.

Generalidades: As ameixeiras são da zona temperada (Rainha Claudia Verde, Stanley e President), e por isso precisam do frio no inverno, embora se adaptem melhor a altitudes entre 600 e 1000 m. Embora a floração seja tardia, também pode ser afetada pelas geadas da primavera. As ameixas japonesas são árvores da zona quente-temperada (Golden Japan, Red Beauty, Black Gold, Santa Rosa e Black Diamond), elas também sofrem muito com invernos amenos, após os quais a vegetação começa com dificuldade.

No InfoPedia:

1. BOTÂNICA variedade de ameixeira (Prunus domestica) que produz frutos pequenos, doces, de coloração esverdeada ou amarelada; caranguejeira
2. fruto dessa variedade de ameixeira; carangueja, caranguejeira

Do francês reine-claude, «idem», a partir da expressão prune de la reine Claude, «ameixa da rainha Cláudia», rainha consorte de França por casamento com Francisco I (1494-1547), que viveu entre 1499 e 1524

No site SerrAlves:

A variedade Rainha Cláudia parece ter sido introduzida em França no Séc. XVI pelo botânico Pierre Belon. A esta variedade de ameixeira, a esposa do rei François I, grande apreciadora dos seus frutos, deu o seu próprio nome: “Reine Claude”. A sua origem é no entanto muito mais antiga remontando provavelmente à antiga Grécia. Muito cultivada em França desde então, a ameixeira Rainha Cláudia deu origem a numerosos híbridos e mutantes, constituindo uma grande diversidade de cultivares, que os agricultores foram propagando ao longo dos anos.

Sobre a Rainha Claudia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cl%C3%A1udia_de_Fran%C3%A7a

— ERVA-DEDAL

“Digitalis purpurea” = A Digitalis purpurea L., comummente chamada dedaleira, pelo formato de suas flores que lembram dedais, é uma erva lenhosa ou semilenhosa da família Scrophulariaceae, nativa da Europa. É usada como planta ornamental, com inúmeras variedades hortícolas de flores róseas ou brancas. É excelente para bordaduras e maciços, jardineiras ou vasos. Se impedida de terminar o ciclo através do corte de uma inflorescência murcha, a dedaleira torna a florescer. [Fonte: Wikipedia]

No InfoPedia:

Digitalis purpurea: planta herbácea, venenosa, de que se extrai a digitalina, pertence à família das Escrofulariáceas e tem flores tubulosas em forma de dedal, de coloração rósea ou branca, sendo também conhecida por abeloira, digital, dedaleira, tróculos, etc.

Um post sobre ela de 2008:
https://acasatorta.wordpress.com/2008/11/14/digitalina/

A digitalina, aliás, é um dos posts mais visitados (sobre venenos, junto com estricnina e ricina) deste nosso A Casa Torta desde a sua criação. Veja a seção Crimes Reais & Venenos:
https://acasatorta.wordpress.com/category/crimes-reais-venenos/

— HELÉBORO-BRANCO

No site Ervas e Insumos:

O Heléboro Branco é uma planta bulbosa e que possui um caule robusto. Ela apresenta uma altura de aproximadamente 60 a 120 centímetros. O rizoma é pequeno e cilíndrico. As folhas basais são verticiladas, largas, variando de elípticas para lanceoladas e com nervuras. A inflorescência é disposta em racemo medindo de 30 a 60 centímetros de comprimento e as flores são de cor branco-amareladas.

No WikiSpecies:

Planta medicinal, tóxica, da espécie Veratrum album:
https://species.wikimedia.org/wiki/Veratrum_album

No InfoPedia:

Planta herbácea, perene e rizomatosa, encontrada na Europa e na Ásia, tem caules eretos e pubescentes que atingem cerca de 1,75 metros de altura, folhas basais grandes de formato lanceolado ou obovado e flores alvacentas em panículas densas, sendo as raízes e as sementes ricas em alcaloides utilizados medicinalmente e como pesticida.

— CAPIM-DOS-PAMPAS

No site da revista Casa e Jardim em 2021:

O capim-dos-pampas (Cortaderia selloana) ficou conhecido por suas inflorescências, que parecem grandes plumas de coloração branca, amarelada ou arroxeada. Além do uso em arranjos, a espécie é indicada para criar maciços em jardins e até cercas-vivas. Isso graças a seu impressionante tamanho: suas folhagens podem atingir até 3 m de altura.

No site Flores e Folhagens:

O Capim dos Pampas – Cortaderia selloana é uma herbácea rizomatosa, pertence à família Poaceae, nativa do sul do Brasil e Argentina, perene, ereta, entouceirada, de 1,5-3 metros de altura e com o mesmo em largura. Possui numerosos colmos e densa folhagem. Folhas lineares, longas com 1-2 metros de comprimento e 1 cm de largura, com arestas bem afiadas que podem cortar, de cor verde azulada ou cinza-prateado. Inflorescências constituidas por plumas grandes, densas, branco-prateadas. Ocorre uma forma de plumas arroxeadas e outra rara amarelada. Surgem no verão e outono.

— LOURO-RAJADO

“Freijó” = Cordia goeldiana é uma árvore da família Boraginaceae, nativa da América do Sul. Possui diversos nomes populares tais como: freijó, frei-jorge, freijó-branco, freijó-preto, freijó-rajado, freijó-verdadeiro, louro-freijó, brazilian-walnut (USA), laurel-blanco (América Latina), salmwood (UK). [Fonte: Wikipedia]

Wagatha Christie: Um caso estranho (cujo trocadilho a Dama do Mistério não merece)

Tudo começou com uma briga entre esposas e um julgamento…

“WAGatha Christie” chega a julgamento. A intriga e o glamour que opõe as mulheres de dois futebolistas – Rebekah Vardy está a processar Coleen Rooney por difamação depois desta a ter acusado no Twitter de ter enviado informações sobre a sua vida pessoal para o The Sun e não ter pedido desculpas. Um caso cheio que está a atrair os olhares públicos no Reino Unido.

Leia mais no site Sábado (de Portugal) clicando aqui.

Também no F5 brasileiro:
‘Wagatha Christie’: Briga entre mulheres de jogadores de futebol vai parar na Justiça

Um trecho:

Um julgamento por difamação está tomando conta dos tablóides da Grã-Bretanha. Apelidado de “Wagatha Christie”, o julgamento entre Coleen Rooney, 36, e Rebekah Vardy, 40, começou nesta terça [10.05.2022], mas os problemas entre as duas influenciadoras se iniciaram há três anos.

Em 2019, Rooney divulgou que alguém estava assistindo seus Stories privados no Instagram — na lista de melhores amigos — e vazando detalhes de sua vida pessoal para a imprensa. Após uma longa operação de investigação, a esposa de Wayne Rooney, ex-astro do futebol, descobriu que a culpada era Vardy.

A esposa de Jamie Vardy, também uma estrela do futebol, negou qualquer envolvimento e afirmou que a acusação trouxe uma corrente de abuso verbal do público, o que poderia prejudicar sua gravidez na época. Em 2020, ela iniciou um processo civil por difamação.​

O caso está em julgamento no Supremo Tribunal de Londres, que supervisiona os processos civis mais importantes na Grã-Bretanha, e deve durar uma semana. Segundo o jornal The New York Times, Hugh Tomlinson, advogado de Vardy, disse no tribunal que a influenciadora acredita que a culpada poderia ter sido sua agente, Caroline Watt.

No site da BBC:

Today the “Wagatha Christie” trial starts in the High Court, with Rebekah Vardy suing Coleen Rooney for libel. Set to last for seven days, it has also been described as “Wags at war”.

Mrs Rooney, 36, and Mrs Vardy, 40, are now both successful brands in their own right, but first became famous through their footballing husbands – Wayne Rooney, 36, England and Manchester United’s all-time leading goalscorer and Jamie Vardy, 35, who famously fired Leicester City to the Premier League title. He actually made his England debut in 2015, coming on as a substitute for Rooney against the Republic of Ireland.

Leia mais (e entenda quem são essas personagens) em
https://www.bbc.com/news/entertainment-arts-61349184

O caso gerou a tal expressão criada por Phoebe Roberts:

One person who will be following the case very closely is Phoebe Roberts, the original creator of the phrase “Wagatha Christie”.

She now lives in Belgium where she is a film curator, but back in October 2019 she was a new mum in London, holding her three-month old baby in one arm while scrolling on her phone with the other, when she saw Coleen Rooney tweet about her online detective work.

“It was this amazing story with the dot dot dot ending,” she recalls. “It had a lot of drama in it. So, I was just like, this is a detective novel or something, and that’s when I came up with Wagatha Christie.

E uma série de vídeos:

https://www.bbc.co.uk/sounds/brand/p0c4ks17

No site da CBS, em 12.05.2022:
‘Wagatha Christie’ explained: Everything to know about the ongoing Rebekah Vardy, Coleen Rooney libel case

Enfim… não sabemos como será o fim deste novelo. Só sabemos que Agatha Christie não merece essa “citação”…

Saudades (e receitas) de Luciana Naomi…

Luciana Naomi Hikawa

Sempre que 29 de abril se aproximar, dia em que nossa inesquecível Luciana Naomi Hikawa faria aniversário, nos retornarão à mente muitas das belas recordações de seu carinho, talento, amizade… Mais um motivo para homenagear nossa eterna Lady Lucy Angkatell que, entre tantas ideias luminosas, deu o start em janeiro de 2008 a este blog (que tentarei manter para sempre, enquanto o WordPress existir): trago aqui um Top 10 de alguns dos posts mais visitados deste nosso A Casa Torta, com receitas deliciosas que remetem a livros de Agatha. A ordem não é cronológica, é baseada nas estatísticas do blog:

1. Como servir o chá da tarde ao estilo de Miss Marple
2. Bolo de café
3. Charutos de repolho
4. Pudim de Yorkshire & Puddings
5. As refeições inglesas
6. Café-da-manhã continental versus britânico
7. Pudim de Natal & Puddings
8. Ovos poché
9. Torta de rins
10. Hors-d’oeuvre

Aproveitem e deleitem-se com os acepipes, pitéus, merendas e repastos.

Boxes de Agatha: Links para Amazon, incluindo a caixa 9

O site da Rolling Stone publicou matéria sobre os boxes (agora 9, com o lançamento da nova caixa em setembro de 2021) com links para a Amazon:

Coleção Agatha Christie: Box 1 (2019)
https://amzn.to/3se2XQD

Coleção Agatha Christie: Box 2 (2019)
https://amzn.to/3HsmG5o

Coleção Agatha Christie: Box 3 (2019)
https://amzn.to/3HCsTM8

Coleção Agatha Christie: Box 4 (2019)
https://amzn.to/3HpTZWN

Coleção Agatha Christie: Box 5 (2019)
https://amzn.to/3roZPCs

Coleção Agatha Christie: Box 6 (2019)
https://amzn.to/3J45Bz5

Coleção Agatha Christie: Box 7 (2019)
https://amzn.to/3ATM69R

Coleção Agatha Christie: Box 8 (2019)
https://amzn.to/3rp040k

Coleção Agatha Christie: Box 9 (2021)
https://amzn.to/3shl08w

Veja os títulos de cada caixa em:
https://rollingstone.uol.com.br/vitrine/misterios-e-crimes-9-boxes-colecionaveis-de-agatha-christie-para-voce-garantir/

A Morte de Mrs. McGinty: Boa hora para reler

No site da PublishNews, um texto sobre a edição de “A Morte de Mrs. McGinty” da HarperCollins:

Com 80 obras lançadas, Agatha Christie (1890-1976) é uma das maiores vendedoras de livros da história. São poucos trabalhos dela que podem ser considerados fracos, e nenhum é desprezível. Mas vários selos que têm ou já tiveram a escritora no catálogo apresentam uma insistência em focar nos maiores campeões de vendas dela, como Assassinato no Expresso do Oriente ou Morte no Nilo, que podem ser encontrados em inúmeras edições diferentes. Por isso, é interessante ver agora nas livrarias “A Morte de Mrs. McGinty” (HarperCollins, 240 pp, R$ 49,90; Trad.: Stefano Volp). Escrito em 1952, é leitura rara até entre fãs declarados da autora. Tem uma trama intrincada, sobre o assassinato de uma senhora e as suspeitas dirigidas a seu inquilino. É um título que reúne dois personagens recorrentes em seus romances: o famoso detetive belga Hercule Poirot (que aparece em mais de 40 livros) e Ariadne Oliver, uma escritora de romances de mistério que volta e meia ajuda os investigadores principais do universo criado por Agatha Christie.

Veja em
https://www.publishnews.com.br/materias/2022/04/22/uma-agatha-christie-que-ninguem-le-muito

Galeria de Fãs: Olga de Mello, De Frente Para Agatha Christie

Olga de Mello

No site Diário do Porto, um texto de Olga de Mello sobre Agatha:

Em criança, nas férias, toda tarde eu mergulhava nos livros policiais que meu pai havia guardado desde os anos 1940, e me sentia como se vivesse intensamente aqueles dias de folga. Amadureci como leitora, mas preservei o imenso prazer que thrillers oferecem, voltando, vez por outra a clássicos de Dashiell Hammett, Raymond Chandler, Patricia Highsmith, James M. Cain, e, claro, Agatha Christie, a mais bem-sucedida autora do gênero – e devidamente desprezada por muitos críticos.

Para reviver a sensação de folga que a leitura me proporcionava naquelas distantes férias da infância, reli, ao longo de dez dias, diversos policiais, a maioria de Dame Agatha, nos últimos dias. E, sim, sua obra é irregular mesmo. Ao lado de tramas bem cuidadas e farsas urdidas com maestria, estão diversas obras sem tantas maquinações, concluídas apressadamente.

Com 93 livros e quase vinte peças para teatro, é compreensível que nem toda a produção alcance tanta qualidade – até porque Agatha não mantinha um grupo de pesquisadores e colaboradores, prática corriqueira nos escritores de bestsellers da atualidade, mas inaugurada por Alexandre Dumas, o rei dos folhetins, que empregou pesquisadores e redatores, entre eles Auguste Maquet, hoje visto como um coautor de suas principais obras. (…)

Leia o artigo completo clicando aqui.

Encontro com a Morte: Relembrando Carrie Fisher

Muita gente se lembra da saudosa Carrie Fisher como a icônica Princesa Leia Organa de “Star Wars”. A atriz, falecida aos 60 anos em 2016…

Carrie Fisher (1956-2016)

… estreou em “Shampoo” (1975) e fez dezenas de outros filmes para cinema e TV. Entre eles, deu vida, em 1988, a Nadine Boynton em “Appointment with Death”, versão cinematográfica de nosso velho conhecido “Encontro com a Morte”, livro lançado por Agatha Christie em 1938 (o filme, no Brasil, foi chamado de “Encontro Marcado com a Morte”).

O elenco era de peso: Peter Ustinov (Hercule Poirot), Lauren Bacall, Piper Laurie, John Gielgud, entre outros.

Ficha do filme no IMDB:
https://www.imdb.com/title/tt0094669/

The World of Agatha Christie: Um quebra-cabeça em homenagem à Dama do Mistério

O site Literatura Policial conta que os fãs de Agatha Christie agora têm à sua disposição “The World of Agatha Christie”, um quebra-cabeça com referências a vários clássicos da Rainha do Crime:

São 1000 peças que, juntas, fazem alusão a livros como Morte no Nilo e Assassinato no Expresso do Oriente e momentos da vida da autora.

A própria Christie aparece no centro da imagem, diante de sua inseparável máquina de escrevera e rodeada pelos detetives Poirot e Miss Marple.

Leia mais diretamente no blog:
https://literaturapolicial.com

Veja na Amazon clicando aqui.

E nem é o primeiro, veja este de 600 peças:
Agatha Christie The Plymouth Express Jigsaw Puzzle

Leia também:
O presente especial de Agatha Christie para o neto Mathew

The Sydney Morning Herald: Mistérios mundo afora (e as influências de Agatha)

Trecho inicial de uma interessante matéria de Benjamin Stevenson no The Sydney Morning Herald em 07.04.2022 com o título “True blue detective: Poirot meets bush noir as COVID rewrites the plot”:

Looking at the Australian bestselling fiction charts, it’s not hard to see that crime fiction is having a moment in the sun. The stratospheric rise of rural Australian noir (or ruro-noir) – written by the likes of Jane Harper, Chris Hammer, Kyle Perry and Candice Fox – has led the charge, but in the past couple of years another style of crime novel has crept up the charts – and that’s thanks to a Brit rather than an Aussie: Agatha Christie.

You won’t see her name on the spines, but she’s there, pulling the strings, as Christie-inspired mystery novels make an energetic comeback. If you don’t know what type of book I’m talking about, let’s play bingo with the following assets: 1) A cast of reprobates; 2) Characters who are trapped somewhere; and 3) A genius detective (a bonus 4 is if the genius detective waxes lyrical about their solution in front of said reprobates in said location).

Recent hits along these lines include the excellent The Guest List by Lucy Foley, the charming Thursday Murder Club by Richard Osman, and the wry modern take in the film Knives Out. Of course, it could be argued that Christie and her Golden Age compatriots inspired much of the modern crime genre anyway – so why the current explosion? Let’s use a time-honoured crime-novel technique to answer that: the flashback.

The Detective (I’ve capitalised here as I’m literally talking about anyone you see when you close your eyes on hearing the word: hat-stand, cigar, moustache – you’ve got it) went out of fashion in the 1990s and early 2000s. Instead of erudite sleuths pacing a library full of suspects, we had down-on-their-luck – alcoholic, divorced – cops chasing serial killers across grungy cities in books such as Along Came A Spider and The Bone Collector or films like Seven and Saw. Crime novels got more and more violent, the body counts rose and the villains were more sadistic.

Then came the birth of the “psychological thriller”, with Gone Girl and The Girl on the Train leading the trend of novels without a firm moral ground to stake the reader’s faith on. The unreliable narrator flourished. Books started, shockingly at the time, having unhappy endings. The killer started getting away.

Saying the world’s changed a lot in the last decade is like saying that the ice-cream machines at McDonald’s are occasionally unreliable: a major understatement. And it’s no coincidence that while it feels like the world is getting darker outside, crime novels are tacking back to being escapist again. Of course, it’s silly to refer to a book in which a murder takes place as light relief, but the tenets of Golden Age mystery fiction – that the victim is often foul, and that the villain will get their comeuppance in the end – are a comfort in a world where the ground keeps shifting underneath us. If we feel unbalanced in the real world, at least we can stake our faith in Poirot or Marple. (…)

Leia o artigo completo clicando aqui.

Kenneth Branagh: Mais Poirot na telona em breve

De acordo com matéria do site Omelete, depois de…

Assassinato no Expresso do Oriente [2017]
e
Morte no Nilo [2022]

…Kenneth Branagh continua desejando construir uma filmografia extensa com as obras de Agatha Christie:

De acordo com o presidente da 20th Century Studios Steve Asbell, o roteiro do terceiro filme já está pronto e vai adaptar “um dos livros menos conhecidos” da autora.

“É uma mudança bastante ousada de gênero e de tom. É ambientada em Veneza, no pós-guerra. […] Então acho que vocês verão o bigode de novo”, afirmou ao Hollywood Reporter.

Vale dizer que a referência a um dos traços característicos do detetive Poirot, o protagonista vivido por Branagh, se deve ao desfecho de Morte no Nilo, último lançamento da franquia, e sugere que a nova história será anterior a este mistério.

Leia mais clicando aqui.

Grand Tour de Agatha Christie: 100 anos em 2022

Matéria no site da Forbes fala sobre os 100 anos do Grand Tour de Agatha Christie… dá vontade de fazer, não?

Mesmo os fãs obstinados de Agatha Christie podem se surpreender ao saber que sua prolífica obra de 66 romances – que inclui o lendário “Morte no Nilo”, cuja última adaptação cinematográfica estreou no dia 10 de fevereiro nos cinemas brasileiros – é o mais vendido de todos os tempos, superado apenas pela Bíblia e as obras de William Shakespeare.

Outro fato indiscutivelmente pouco conhecido sobre a mente misteriosa por trás dos super detetives Hercule Poirot e Miss Marple: 2022 marca o centenário do Grand Tour, a viagem de dez meses de Agatha ao redor do mundo, que partiu de Londres em janeiro de 1922 e, depois, escreveu os contos que a tornaram a rainha do crime.

Para comemorar este aniversário singular, os aficionados em Agatha e aventureiros intrépidos podem agora seguir seus passos notáveis ​​- começando no Reino Unido e passando pela África, Oceania e América do Norte – graças a três itinerários épicos recém-revelados pela empresa de viagens de luxo Black Tomato.

“Para mim, a literatura sempre forneceu algumas das melhores inspirações de viagem”, diz Tom Marchant, cofundador da Black Tomato. “Eu adorava ler os romances de Agatha Christie nas férias quando era jovem – mesmo que eu não estivesse nos lugares fabulosos onde eles eram ambientados – eles faziam tudo parecer exótico. Foi fascinante aprender como seu épico Grand Tour inspirou seu trabalho e traduzir essa paixão em uma aventura moderna que realmente lembra as pessoas do poder das viagens.”

Leia a matéria completa clicando aqui.

The New York Times: Qual o melhor Poirot?

Uma pergunta batida, mas o texto é do The New York Times traduzido por Paulo Migliacci na Folha de São Paulo em 02.03.2022:

“Qual é o melhor Hercule Poirot? Veja versões do detetive de Agatha Christie”
Personagem retorna na visão de Kenneth Branagh em ‘Morte no Nilo’

[02.mar.2022 às 17h00 – THE NEW YORK TIMES]

Hercule Poirot é um daqueles heróis literários, como James Bond ou Sherlock Holmes, cuja imagem brilha intensamente na imaginação popular. Desde sua estreia no romance “O Misterioso Caso de Styles”, de Agatha Christie, em 1920, até sua aparição final em “Cai o Pano”, publicado em 1975, o detetive belga sempre foi uma figura simples e distintiva.

“Um homenzinho pitoresco e engomado”, como escreveu Christie, “com pouco mais de 1,60 metro”, e uma cabeça “com o formato exato de um ovo”, um “nariz de ponta rosada” e “um enorme bigode, curvado para cima” –provavelmente o apêndice capilar mais famoso da literatura inglesa, e que a escritora mais tarde caracterizaria como o mais magnífico bigode da Inglaterra.

Christie escreveu mais de 80 romances e contos sobre Poirot, e quase todos eles foram adaptados para o cinema e televisão. Muitos atores interpretaram o papel ao longo dos anos, cada qual tentando imprimir sua marca pessoal ao personagem, como um ator de teatro buscando um novo ângulo para interpretar o rei Lear.

Tony Randall, em “Os Crimes do Alfabeto”, mistério cômico dirigido por Frank Tashlin em 1965, brincou com o personagem, exagerando o comportamento pomposo de Poirot em busca de risadas. Em contraste, Alfred Molina fez uma versão para a TV de “Assassinato no Expresso do Oriente”, em 2001, com um toque mais sutil e discreto, atenuando a extravagância às vezes quase caricatural do personagem. Hugh Laurie chegou a usar o emblemático bigode, para uma participação especial em “Spice World – O Mundo das Spice Girls”, e deixou que Baby Spice (Emma Bunton) escapasse impune de um assassinato.

Mas das dezenas de versões de Poirot que vimos nos últimos 100 anos, só algumas perduraram de fato e deixaram uma marca permanente no personagem. Essas são as interpretações que as pessoas têm em mente quando pensam sobre Hercule Poirot, e à sua maneira cada uma dessas versões parece definitiva, a seu modo. A chegada de “Morte no Nilo”, de Kenneth Branagh, aos cinemas nos oferece um pretexto para avaliar algumas das versões mais famosas e mais queridas.

— 1931-1934: Austin Trevor

Porque ele era jovem, alto e (imperdoavelmente) glabro, o elegante galã Austin Trevor representa um abandono conspícuo –ou imperdoável, diriam alguns– da descrição original. Ele estrelou em três adaptações das aventuras de Poirot entre 1931 e 1934, das quais apenas uma, “Lord Edgware Dies”, está disponível hoje (no YouTube). O retrato de Trevor, embora agradável dentro de seus limites, diferia o suficiente da descrição de Christie quanto ao protagonista para justificar um editorial desancando os filmes na revista Picturegoer Weekly, com o título “Má Escalação de Elenco”. A mudança mais flagrante foi alterar a nacionalidade de um dos belgas mais famosos do planeta: o Poirot dos filmes era inexplicavelmente parisiense.

“Lord Edgware Dies” tinha por base o romance “Treze à Mesa”, de Christie, e envolve uma atriz e socialite americana endinheirada (Jane Carr), que contrata Poirot para ajudá-la se se divorciar de seu obstinado marido, o lorde Edgware (C.V. France). Edgware não demora a concordar com o divórcio, mas em seguida aparece morto. Poirot, intrigado, investiga o homicídio. Filmes de detetive eram populares no começo da década de 1930, e o Poirot de Trevor parece dever muito a outros dos investigadores charmosos e bem apessoados da era, em particular os interpretados por William Powell em filmes como “A Ceia dos Acusados” e “The Kennel Murder Case”. As adaptações são adequadas, se bem que infiéis, mas é um alivio saber que a criação de Christie viria a ser retratada com mais fidelidade no futuro.

— 1974: Albert Finney

Entre outras virtudes, o retrato de Poirot por Albert Finney em “Assassinato no Expresso do Oriente”, de Sidney Lumet, em 1974, disponível no serviço de streaming Paramount+, é um grande feito de maquiagem e próteses: uma máscara que cobre praticamente todo o rosto de ator com o objetivo de tornar o esbelto Finney, 38, parecido com o robusto Poirot, em plena meia-idade. A adaptação de Lumet para um dos mais célebres livros de Christie é uma carta de amor da nova Hollywood à era dourada do cinema, com Finney comandando um elenco que inclui luminares como Ingrid Bergman e Lauren Bacall. Um drama de câmara que se passa em um trem, estruturado em torno de longas e loquazes cenas de interrogatório, o filme é uma aula de atuação ao modo clássico. (E, incidentalmente, a única interpretação de Poirot que valeu ao ator uma indicação para o Oscar.)

O Poirot de Finney é brusco e rígido, seu sotaque é forte e bruto, e sua voz é rouca. Embora personifique muitas das qualidades que caracterizam o original de Christie –astúcia, persistência, preocupação obsessiva com a própria aparência—, ele é mais sério e veemente, e esquadrinha as provas com severidade e grande intensidade, como um predador encurralando sua presa. O clímax do filme é explosivo, com Finney recitando suas conclusões sobre o caso em rimo frenético e intenso.

— 1978-1988: Peter Ustinov

O ator inglês Peter Ustinov interpretou Poirot meia dúzia de vezes, começando pelo magnífico “Morte no Nilo”, em 1978 (disponível em streaming no Criterion Channel). Seu Poirot é brincalhão, juvenil, até mesmo um pouco fantasioso. Ustinov o imbui de um ar leve e provocante, e encontra motivos de diversão latente até mesmo nos assuntos mais diabólicos. Os fãs que preferem Ustinov no papel tendem a responder ao seu imenso calor humano: ele tem um jeitão de avô que o torna instantaneamente querido, e também serve como uma forma inteligente de ocultar seu brilhantismo e sua perspicácia. O espectador mais ou menos espera que o Poirot de Finney descubra a verdade sobre as coisas, mas com Ustinov as deduções súbitas e penetrantes parecem mais surpreendentes.

Continue a leitura da matéria completa clicando aqui.

Morte no Nilo 2022, por Tommy Beresford

Durante todos esses anos de siri cascudo nessa indústria vital, uma máxima para mim sempre foi essencial: “Nunca espere que uma adaptação cinematográfica seja fiel à obra literária original”. Bem óbvio: são formas bem distintas de contar a mesma história; ainda assim, “expectativas são criadas”, e muita gente quer ver na telona tuuuudo que leu no livro (please, não façam isso). Em adendo a essa frase fatal, há também outras duas necessárias: “Há adaptações muito fiéis que não se tornam grandes filmes; algumas são um espantoso fiasco” e “Há adaptações não muito fiéis que são excelentes”. Em meio a isso tudo, há excelentes exceções onde tudo deu certo; preciso citar “A Cor Púrpura”, um excelente livro que, em 1985, se tornou um filme maravilhoso nas mãos de Steven Spielberg e Menno Meyjes, bem diferente dos inesquecíveis escritos premiados de Alice Walker; recentemente, se tornou um musical inesquecível através da adaptação para o teatro feita por Tadeu Aguiar e Artur Xexéo em cima da adaptação de Marsha Norman. Três obras incríveis e totalmente diferentes, as três unidas pelo mesmo fio, as mesmas ideias, em mídias e formatos diferentes.

Kenneth Branagh

Nem sempre a conjunção de excelências acontece. Em minha resenha de “Assassinato no Expresso do Oriente”, em dezembro de 2017, deixei clara uma dualidade curiosa: a versão de 2017 de Kenneth Branagh para o clássico de Agatha Christie era um bom filme, mesmo sendo pouco fiel ao original da Dama do Mistério. Como fã de Agatha desde longínquos 1982, eu não poderia deixar de fazer as críticas necessárias, já que algumas situações jamais foram escritas pela autora, e algumas nem sequer eram aceitáveis. Ainda assim, o filme era uma produção caprichada e que não chegava a causar repulsa: leitores menos exigentes e cinéfilos que não conheciam o livro tinham à sua disposição um entretenimento policial de qualidade.

Armie Hammer

Chegou 2020 e veio a ansiedade de todo fã pela nova adaptação de “Death On The Nile”, que já havia inclusive sido anunciada ao final do “Expresso”. Com as filmagens já terminadas, os planos de lançamento foram adiados não somente por conta da pandemia de Covid-19, mas também pela “polêmica canibalesca” envolvendo o protagonista Armie Hammer (de “Me Chame Pelo Seu Nome”). Somente a partir de 10 de fevereiro de 2022, os brasileiros corajosos puderam correr aos cinemas para finalmente conferir a adaptação de Branagh.

Antes de comprar o ingresso, aproveitei e, como me é habitual, reli a obra lançada em 1937 alguns dias antes de assistir ao novo filme na telona. Ingênua e positivamente, fiquei com a esperança de que as principais diferenças fossem apenas uma “questão de tintura”. Logo na primeira página, Agatha descreve Linnet como “uma moça de cabelos dourados e feições autoritárias, muito bonita.”. Poucas páginas depois, aparece Jacqueline como “uma criatura pequena, delgada, de cabelos negros volumosos.”. Afinal, é tão comum e não é pecado inverter as características (Gal Gadot tem cabelos negros e Emma Mackey é quem aparece com os cabelos dourados, ambas lindas por sinal)… Tolinho.

Gal Gadot

Daqui pra frente, spoilers “discretos” são necessários. A primeira sequência é tão patética e inesperada que por algum tempo achei que a sala havia começado e exibir o filme errado. De repente, Poirot aparece e… meu Deus, Deus meu, pra quê aquilo? Por quê? Porcausdiquê essa historinha desnecessária como entrada de “Morte no Nilo”, se o que é mostrado não tem qualquer importância com o que virá?

Daí pra frente, é susto atrás de susto. A sequência logo em seguida, em que Linnet e Simon se encontram pela primeira vez, não reflete como eles se conheceram de fato, e nem havia Poirot presente, nem a cantora que conhecia Linnet e… como assim uma cantora? Como assim uma cantora que conhecia Linnet? Okay, vamos engolir o choro, comer um biscoito por baixo da máscara e seguir adiante…

Russell Brand

Nessas adaptações, sempre é possível nos depararmos com personagens “alterados” e, gato escaldado com a obra anterior de Branagh, já esperava algumas mudanças fortes, só não imaginei que dessa vez fossem tantas e tão sensíveis. No livro original, o personagem vivido no atual filme por Ali Fazal é Andrew Pennington; agora, com novas características e participação bem mais discreta, o advogado e “Tio Andrew” ganhou o sobrenome de… Katchadourian. Já o Dr. Bessner virou Dr. Linus Windlesham, interpretado por Russell Brand, que seria ex-noivo de Linnet… oi? Calma lá que fiquei confuso. No filme, o médico é portanto uma mistura de Bessner com Lorde Windlesham, que no livro era sim pretendente de Linnet, citado nas primeiras páginas mas que, no decorrer da trama literária, nem aparece mais. No filme, o novo Linus Windlesham, além de demorar a ter uma fala e de “acudir mortos e feridos”, nutre sua paixonite ciumenta (e suspeita) por Linnet. Eita… Okay, a essa altura ainda estou bastante paciente, aceitei mais estas alterações, embora não tenha visto necessidade.

Tom Bateman

Mas, pelamor, quem é Monsieur Bouc mesmo? Aí precisamos forçar a memória e lembrar que é um personagem vivido por Tom Bateman no “Assassinato no Expresso do Oriente” de Branagh (Bouc era diretor da Compagnie Internationale des Wagons-Lits) que NÃO EXISTE na história do Nilo… pra quê, gente? Devolvam o Coronel Race (um dos melhores personagens da bibliografia de Agatha e que, este sim, está nas páginas de “Death On The Nile” e com destaque)! Bouc surge no Nilo soltando pipa (oi?) e ainda colocaram Annette Bening como sua mãe, outra personagem que não existe na trama original, para… para… não sabemos para quê… Annette, sempre talentosa, faz uma personagem desnecessária, patética e cujo “tubo de tinta vermelha” entra na trama principal… Affff… tragam de volta os vidros de esmalte!

Ainda assim, a questão do esmalte não é o que estraga a principal cena da história (uma de minhas preferidas de todos os livros de Agatha). No livro, é Jacqueline quem insiste para “ter plateia”; no filme, não. No livro, é Jacqueline quem chuta a arma (ato essencial na trama); no filme, não. O timing da cena é ruim, porque induz o espectador ao erro quanto à permanência de Simon sozinho. E, posteriormente, Simon fica realmente mal, a perna está tão ferida que ele não tem condições de sair da cabine e chega a ter febre; no filme, ele é carregado de um lado para o outro com a melhor cara do mundo. Outra situação crucial na trama é o encontro e a conversa de Simon com Jacqueline depois do tiro que, no livro, é um pedido dele. No filme, é um bilhetinho en passant. Me poupem.

Annette Bening

Esqueçam cleptomania, garrafas jogadas do convés, a história de Joanna Southwood, o “J” escrito a sangue na parede, crucifixo, Mr. Ferguson, Jim Fanthorp, Cornelia Robson, Signor Richetti, Tim Allerton e sua mãe… muitas situações e personagens foram suprimidos. O destino de Louise Bourget é… melhor nem co(me)ntar. A terceira vítima do livro é outra, a original passa ilesa no filme… Até o colar de pérolas vira outra joia… A relação entre Miss Bowers e Miss Van Schuyler surpreenderá muita gente. Aliás, no filme Linnet já conhecia todo mundo anteriormente… ela até paga para que todos a acompanhem em sua lua de mel fluvial, jizuismariajosé… Para citar só mais uma escalafobetice, a aparição de Jacqueline no Karnac é em momento diferente da chegada contada no livro, e quase precedida de uma tempestade de areia… Tá puxado.

Há coisas boas? Claro que sim. Visualmente, é um filme deslumbrante. Bela direção de arte, fotografia arrasadora, uma ótima trilha de Patrick Doyle, a protagonista Gal Gadot como sempre magnetizante e uma direção eficiente de Kenneth Branagh. Mas nada disso é suficiente para um roteiro tão “deturpador” da obra original de Agatha. Afinal, se não bastasse todo o resto, como suportar Poirot apontando arma pra todo mundo, correndo atleticamente por escadas e convés, escapando de tiroteio… epa… tiroteio? Que tiroteio, Branagh? E aquelas cicatrizes gigantes? Pelamor.

Emma Mackey

E há Emma Mackey. A Jacqueline de Bellefort de Emma Mackey (de “Sex Education”) é a personagem mais interessante do filme mas, cataploft, quase some da metade pro fim. Ainda assim, Emma brilha intensamente. Menção também para o Simon de Armie Hammer; pena que Branagh tenha perdido tanto tempo explicando o bigode de Poirot ao invés de apresentar melhor o “homem que troca de noiva”. Uma pena. A Linnet da supracitada magnetizante Gal Gadot é menos poderosa, mais frágil que a do livro, um pouco mais ousada, mas “no conjunto da obra” os três compõem um bom trio. Branagh perde tempo demais com outras tramas inventadas, com escolhas equivocadas que às vezes cansam o espectador. E com Annette Benning: pra quê, meu bem?

Até então, para mim, a versão cinematográfica “definitiva” era a que foi lançada em 1978, Oscar de Melhor Figurino em 1979. No Brasil, esta versão (de John Guilhermin) recebeu o título de “Morte Sobre o Nilo” e, como a atual, também tinha um elenco estelar: Lois Chiles, Mia Farrow, Simon MacCorkindale, Bette Davis, George Kennedy, Olivia Hussey, entre muitos outros, além de duas grandes atrizes que foram indicadas ao BAFTA como coadjuvantes: Angela Lansbury e Maggie Smith (Peter Ustinov, que fazia Poirot, também concorreu ao BAFTA de Melhor Ator pelo filme, e o Coronel Race existia no filme de Guilhermin, sob a batuta do inesquecível David Niven). Há outras versões e, nos últimos anos, qualquer adaptação agathachristiana com David Suchet como Poirot é digna de menção. Continuarei com a de 1978, e tentarei revê-la em breve para superar esta decepção de fã e cinéfilo. O livro de Agatha Christie é um de meus favoritos de sua excepcional obra e é, por muitos, considerado uma de suas melhores histórias. Não basta, porém, capricho na produção e uma fotografia impressionante: falta tudo ao filme de Branagh. Infelizmente.

Tommy Beresford

Publicado originalmente em
https://cinemagia.wordpress.com/2022/02/12/resenhas-morte-no-nilo/

Por Que Não Pediram a Evans: Primeiras cenas

O perfil do Facebook do Literatura Policial publicou as primeiras imagens da adaptação de Hugh Laurie para “Por Que Não Pediram a Evans?”, com estreia em breve:

Leia também:
First Look at Will Poulter, Emma Thompson in ‘Why Didn’t They Ask Evans?’

Emma Thompson

David Suchet: Novo cavaleiro da Ordem do Império Britânico

O ator David Suchet, nosso icônico Poirot, virou cavaleiro da Ordem do Império Britânico em cerimônia em janeiro de 2022. As fotos são do Daily Mail (no link há também um vídeo):

https://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-10439257/
David-Suchet-arrives-Windsor-Castle-knighthood-investiture-ceremony.html

Morte no Nilo 2022: Cartazes individuais da nova versão

Como era esperado, não foi lançado um poster com Armie Hammer… A nova previsão de estreia no Brasil é 10 de fevereiro de 2022.

Os cartazes foram divulgados pela 20th Century Fox. Clique nas figuras para abrir em tamanho maior.

O Desaparecimento de Agatha: Mais uma versão, unindo realidade e ficção

Matéria da Veja de 30.12.2021 fala sobre o lançamento do livro “O Mistério de Agatha Christie”, da Editora Planeta:

No dia 4 de dezembro de 1926, um calhambeque Morris Cowley foi encontrado às margens de uma estrada na reserva de Newlands Corner, em Surrey, sudoeste da Inglaterra. No banco traseiro, um casaco feminino e uma carteira de motorista denunciavam a dona: a escritora Agatha Christie (1890-1976), rainha da literatura policial. Procurado pelos investigadores, o marido Archibald Christie (1889-1962) disse desconhecer o paradeiro da esposa. Nos dias que se seguiram, a polícia se debruçou sobre um mistério que parecia saído diretamente da mente engenhosa de Agatha. Os tabloides noticiaram tudo como se fosse uma grande novela, e até Arthur Conan Doyle (1859-1930), criador de Sherlock Holmes, se uniu às buscas.

O desfecho, porém, deixou pontas soltas: Agatha foi encontrada onze dias depois, hospedada em um hotel com um nome falso e desmemoriada. Agora, o livro O Mistério de Agatha Christie, lançado este mês pela Editora Planeta, tenta preencher as lacunas com uma boa dose de ficção. “Ninguém realmente sabe o que aconteceu. Ela disse que teve amnésia e se recusou a falar sobre o assunto. Há vários registros sobre o desaparecimento, mas Agatha não comentou praticamente nada”, disse a autora Marie Benedict em entrevista a VEJA.

Leia mais clicando aqui.

Update 11.01.2022 – Mais uma matéria a respeito, desta vez no Estadão: clique aqui para ler.