O Misterioso Caso de Styles

“O Misterioso Caso de Styles”, 1920Sinopse de Hamilton dos Santos: Recém-casada pela segunda ou terceira vez, a rica e ambiciosa Sra. Cavendish, uma mulher impetuosa de setenta anos, enfrenta problemas com o novo marido que, tudo indica, é um grande patife. A Sra. Cavendish tem uma fortuna pessoal invejável, que inclui uma grande casa em Essex, conhecida como Mansão Styles, por estar localizada na aldeia Styles St. Mary. Cheia de filhos, enteados, secretários de caráter duvidoso e inimigos do mundo dos negócios, a Sra. Cavendish deixa tudo isso para trás numa madrugada em que seu coração não resiste e pára. Mas o médico da família acha tudo muito estranho e levanta a hipótese de envenenamento. Chamado pelo Capitão Hastings, seu ajudante e amigo da família Cavendish, Hercule Poirot entra em cena e começa a destrinchar as suspeitas do médico. Sim. Tudo não passou de um crime. O problema de Poirot é que, naquela mansão, todos tinham um bom motivo para mandar a velha dessa para uma melhor, inclusive o médico que levantou a hipótese de crime. Mas, se o criminoso é o médico, por que ele lenvantou a suspeita? A resposta está atrás dos bigodes irretocáveis do detetive belga. Escrito em 1920, este é o primeiro livro protagonizado por Hercule Poirot.

The Mysterious Affair at Styles (1920)
(A Primeira Investigação de Poirot, em Portugal)

Citações e referências
Referências à vida pessoal, humor e métodos de Hercule Poirot:

Poirot era um homenzinho de aparência extraordinária. Tinha, aproximadamente, um metro e cinqüenta de altura, mas seu porte transpirava grande dignidade. Sua cabeça tinha exatamente a forma de um ovo, e ele a conservava sempre ligeiramente inclinada para o lado. O bigode era firme e à moda militar. A elegância de suas vestes era qualquer coisa de incrível: acredito que uma mancha de poeira lhe causaria mais pesar do que um ferimento a bala. Todavia, esse baixinho e estranho pelintra, que, lamento dizê-lo, agora coxeava visivelmente, tinha sido, a seu tempo, um dos mais afamados membros da polícia belga. (pág. 26)

A sua mente está confusa, não está? Espere um pouco, mon ami. Você está agitado, nervoso, isso é natural. Quando estivermos mais calmos, arrumaremos os fatos com perfeição, cada um em seu próprio lugar. Vamos examinar e rejeitar. Os de importância colocaremos de um lado; os que não tiverem importância, puf! – Poirot contraiu seu rosto de anjo, e assoprou de modo bastante cômico – assopre-os fora! (pág. 40)

Poirot sacudiu a cabeça com energia. Estava arrumando os bigodes com primoroso cuidado.
– Não é assim. Voyons! Um fato leva a outro e assim vamos andando. Será que o próximo casa com este? Que merveille! Bom! Então prosseguimos. Este pequeno fato seguinte… não! Ah, isso é curioso! Há alguma coisa faltando… um elo da corrente não está no lugar. Examinamos. Investigamos. E esse pequeno fato curioso, um pequeno detalhe possivelmente insignificante, que não vai se ajustar, nós o colocamos ali! – Poirot fez um gesto extravagante com a mão. – Isso é mais que significativo; é tremendo. (pág. 40)

Mon ami – disse ele, voltando-se para mim – alguém pisou naquela xícara, transformando-a em pó, e a razão disso é ou porque ela continha estricnina ou – o que é muito mais sério – porque não continha estricnina!
Não respondi. Eu estava perplexo, mas sabia que de nada adiantaria pedir-lhe explicações. (pág. 46)

“Um homem metódico” era, na conceituação de Poirot, o louvor mais elevado que se podia conceder a um indivíduo. (pág. 58)

Milles tonnerres! (“com mil raios!”) (pág. 76)

Poirot aproximara-se da cornija da lareira. Aparentemente mostrava-se calmo, mas percebi que suas mãos, devido a antiga força do hábito, estavam ajeitando mecanicamente os vasos de enfeite sobre a cornija, tremendo de modo violento. (pág. 76~77)

Poirot sorriu.
– Você deu excessiva rédea à sua imaginação. A imaginação é boa servidora e mestre ruim. A explicação mais simples é sempre a mais provável. (pág. 82)

Poirot deu um suspiro.
– Que foi que eu lhe disse? Tudo deve ser tomado em consideração. Se o fato não se ajusta à teoria, deixa-se a teoria de lado. (pág. 84)

Tínhamos chegado a Leastway Cottage, e Poirot levou-me escada acima até seu quarto. Ofereceu-me um dos pequeninos cigarros russos, que costumava fumar ocasionalmente. Diverti-me ao perceber que tinha o cuidado de guardar os palitos de fósforos num pequeno vaso chinês. (pág. 84)

Com uma longa exclamação de êxtase, Poirot seguiu na frente, de volta para a sala de reunião matinal.
– Veja você, não precisamos de provas dos outros. Não, a razão é suficiente. Mas a carne é fraca; é reconfortante sabermos que estamos na pista certa. Ah, meu amigo, sinto-me como um gigante recuperado. Corro! Pulo!
E, com absoluta verdade, correu e pulou, rebolando de modo indescritível pela extensão do gramado, ao longo da comprida janela. (pág. 148)

Segui-o. Ainda com a testa enrugada, ele foi até a escrivaninha e tirou um jogo de paciência. Em seguida, puxou uma cadeira para junto da mesa e, para minha grande surpresa, começou a construir um castelo de cartas.
Abri a minha boca imediatamente, e ele falou de imediato.
– Não, mon ami, não estou na minha segunda infância! Acalmo meus nervos, apenas isso. Este trabalho exige precisão dos dedos. Esta acompanha a do cérebro. E nunca necessitei tanto disto como agora! (pág. 174)

– Percebo seus pensamentos, mon ami – acrescentou Poirot, com um sorriso. – Ninguém, senão Hercule Poirot, seria capaz de tentar tal coisa! E você está errado em condená-lo. A felicidade de um homem e uma mulher é a maior coisa que há em todo o mundo. (pág. 198)

Apresentação de personagens recorrentes:

– A atividade militar é sua profissão normal, Sr. Hastings?
– Não, antes da guerra eu trabalhava no Lloyd. (pág. 15) O Lloyd é uma seguradora londrina fundada no século 17, em 1688.

Nesse momento, Poirot cutucou-me gentilmente, apontando para dois homens que se achavam sentados juntos, perto da porta. Um era de pequena estatura, cara de furão e semblante triste e severo (…).
– É o Inspetor-Detetive James Japp, da Scotland Yard, Jimmy Japp. (pág. 99) A Scotland Yard inglesa corresponde à Policia Federal brasileira.

Referências a outros autores:

– Bem, eu sempre acalentei o secreto desejo de ser detetive!
– Verdade? Scotland Yard ou Sherlock Holmes?
– Oh, Sherlock Holmes, sem dúvida. Mas, na verdade, estou terrivelmente voltado para isso. Na Bélgica, certa vez, conheci por acaso um homem, detetive muito famoso, e ele me entusiasmou completamente. Era um baixinho extraordinário. Costumava dizer que todo o trabalho de um bom detetive era simples questão de método. Meu sistema baseia-se no dele, embora, naturalmente, eu tenha progredido muito mais. Era um baixote gozado, grande janota, mas excepcionalmente arguto. (pág. 15) Sherlock Holmes é o detetive ficcional criado por Sir Arthur Conan Doyle.

Mas, para minha grande surpresa, Poirot acenou sério.
– “Falar ou não falar”, como diz o grande Shakespeare, “eis a questão.”
Não me preocupei em corrigir a citação. (pág. 153) William Shakespeare, dramaturgo inglês, imortalizou a frase “ser ou não ser, eis a questão” (To be or not to be, that is the question), pronunciada pelo príncipe dinamarquês Hamlet na peça homônima.

Dedicatória: Para minha mãe

Lista de Personagens:
Hercule Poirot, Capitão Arthur Hastings, Inspetor-Chefe Japp.
Também: Dr. Bauerstein, Os Cavendishs: John, Lawrence e Mary, Mr. Denby, Sir Ernest Heavyweather, Evelyn Howard, Alfred e Emily Agnes Inglethorpe, Manning, Cynthia Murdoch, Mrs. Raikes, Superintendente Summerhaye.

Observação: As citações e respectivas páginas foram extraídas da edição brasileira de O Misterioso Caso de Styles
Ed. Círculo do Livro
Tradução: Sylvio Monteiro
Ano: n/d
Páginas:202

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12 pensamentos sobre “O Misterioso Caso de Styles

  1. A partir deste livro, me rendo e passo a ler pela ordem de publicação!
    😆

    Eu não tinha lido Styles antes (e nem o livro subseqüente, O Inimigo Secreto), foi a primeira vez. Tem um elemento que é dos meus favoritos de Agatha Christie: a vida rural na Inglaterra o começo do século 20.

    Por ter sido o primeiro livro, a quantidade de citações que achei interessantes é bem maior – e juro que tentei não repetir os que o jovem Tommy já publicou anteriormente!

    (Para ler os posts de Tommy para o livro, digite “styles” no campo de busca no alto ou à direita do blog.)

    Quanto à introdução dos personagens, achei traços de Watson em “Um Estudo em Vermelho”, traços bem tênues, é verdade. Preciso reler para ter certeza, mas se não me engano Watson também retornara da guerra com esgotamento nervoso no livro em que é apresentado a Sherlock Holmes. Isso não diminui em nada o valor de Styles, não é isso o que quero dizer! A própria Agatha menciona Holmes e Watson em diversos livros!

  2. É um livro muito interessante e que vale a pena ler, apresentando aos leitores da Agatha nosso querido Mr. Poirot (mais tarde surgiria um “Os Primeiros Casos de Poirot”, que ainda não li). Gosto muito deste “O Misterioso Caso de Styles”, recomendo.

  3. Lady Lucy, o Hastings foi feito baseado no Watson mesmo, a própria Agatha em sua autobiografia afirma isso. Que o Misterioso Caso de Styles foi escrito em razão de uma aposta que ela fez com a irmã sobre ser capaz de escrever um livro policial.
    =^.^=

  4. Anne, eu tou com a Autobiografia pendente pra ler faz meses (que vergonha…).
    Em vez disso, fui reler “O Mundo Maravilhoso de Agatha Christie”, do Jeffrey Feinman, vê se pode.
    😆
    Muito obrigada pela dica!

  5. Mary Shelley criou Frankenstein depois de uma aposta parecida… Eu queria era conhecer alguém com quem fazer esse tipo de aposta. Isso e um mordomo.

  6. Um mordomo pra você,
    um mordomo fazendo a aposta
    ou um mordomo Frankestein, Linha ? 🙂

    Uma Feliz Páscoa pra você e todos os nossos amigos visitantes.

  7. Um mordomo como George é sempre útil… Eu gostaria de alguém com as qualidades de Lucy Eyelesbarrow também, mas o problema é que os contratos dela não excedem duas semanas.
    😦
    Ah, uma editora portuguesa está com um concurso para novos escritores, de qualquer nacionalidade desde que os livros esteja redigidos em português. O grupo desta editora é o mesmo que engloba a ASA, que edita os livros de Agatha Christie em Portugal.
    Seria o máximo se um dos nossos leitores vencesse. Que tal, Linha?

    Mais informações:
    http://www.leya.com/

  8. Quero parabenizar todos desse site q é referência em Agatha Christie…
    Parabéns e eu me sinto privilegiada do nosso site Amantes de Agatha Christie poder estar no blogroll dessa ótimo projeto…

    bjks

  9. Pingback: CSI: Crime no gelo « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

  10. Pingback: [Off-Topic] CSI: Morte no gelo « A Casa Torta

  11. Eu tenho esse livro, e simplesmente AMO! Não me canso de relê-lo, por mais que já o tenha decorado… hehehe
    Primeiros Casos de Poirot eu também tenho, também gostei muuuuitooo…
    Mas Styles… aahh Styles… é o meu favorito!
    Boa noite,
    bjs!
    ;*

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