Estricnina

Rejeitando a fraseologia médica e termos médicos, concluía que a Sra. Inglethorp tinha encontrado a morte como conseqüência de envenenamento por estricnina. Baseando-se na quantidade recuperada, ela deveria ter tomado nada menos do que três quartos de um grão de estricnina, mais provavelmente um grão ou pouco mais. (O misterioso caso de Styles, Círculo do Livro, pág. 88 )

Sthrychnus nux vomicaA estricnina (fórmula química C21H22N2O2) é um veneno alcalóide, cristalino e incolor, geralmente extraído da planta Nux vomica (imagem ao lado). Era utilizada na forma de raticida e proibida na maioria dos países porque, por ser muito tóxica, acabava matando outros animais e o próprio homem, acidentalmente. Entretanto, o Canadá revogou a proibição e voltou a vender estricnina aos fazendeiros para controlar a população de um tipo de esquilo, em 2008.

A estricnica também foi utilizada como substância para dopagem de atletas no início do século 20, porque aumenta as contrações musculares, e como laxante, pelos mesmos motivos.

– A estricnina não é usada para finalidades domésticas, como acontece com alguns venenos, e há restrições quanto à sua venda. (pág. 88 )

Os sintomas iniciais de envenenamento por estricnina são ansiedade, temor, movimentos bruscos, reflexos exagerados, rigidez de músculos da perna e do rosto e vômitos. As convulsões violentas começam na forma de espasmos na cabeça e no pescoço, de 10 a 20 minutos após a ingestão. A morte ocorre por asfixia causada pela paralisia do sistema de controle da respiração do sistema nervoso central, ou por exaustão devido as convulsões. (Wikipedia)

– (…) a estricnina é droga de ação bastante rápida. Os sintomas aparecem dentro de uma a duas horas depois de ter sido ingerida. Podem ser retardados sob certas condições, entretanto, nenhuma parece ter ocorrido neste caso. (pág. 89)

O antídoto deve ser ministrado imediatamente: diazepam (pentobarbital) intravenoso, para controlar as convulsões, respiração artificial e o uso de carvão ativado. O problema é identificar corretamente os sintomas de envenenamento por estricnina, visto ser proibido há tantos anos. Mesmo assim, em fevereiro de 2008 ocorreram duas mortes na Austrália, de dois jovens de 19 e 21 anos, que podem tê-la utilizado como “droga recreativa“, talvez por causa da lenda urbana que diz que a estricnina é parte dos componentes do LSD e do peyote.

PralinesNo mesmo mês, um político sofreu um atentado na Áustria, provocado por um vinicultor insatisfeito que lhe enviou um praliné (doce de amêndoa) com estricnina na cobertura. Eu estranhei um pouco a notícia, que li logo após terminar Styles, porque o sabor amargo não é disfarçado pelo chocolate, conforme explicaram Poirot e o site Wikipedia.

– Simplesmente porque a estricnina tem gosto excepcionalmente amargo. Ela pode ser detectada numa solução de um por setenta mil, e só pode ser disfarçada numa substância de sabor muito forte. (pág. 89)

Observação: As citações e respectivas páginas foram extraídas da edição brasileira de O Misterioso Caso de Styles
Ed. Círculo do Livro
Tradução: Sylvio Monteiro
Ano: n/d
Páginas:202

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5 pensamentos sobre “Estricnina

  1. Aproveitamos para lembrar aos nossos visitantes ocasionais (e aos assíduos também) que “O Mundo de Agatha Christie” não faz qualquer apologia ao uso de estricnina e afins. 🙂

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