Assassinato no Campo de Golfe

Sinopse de Hamilton dos Santos: Tudo começa no vagão de um trem que marcha de Paris a Londres. O velho Capitão Hastings lê tranquilamente o seu jornal quando começa a ser estranha e irresistivelmente assediado por uma mulher que diz adorar histórias de crime. Hastings não hesita e lhe conta que é amigo e espécie de secretário daquele que talvez seja o maior detetive de todos os tempos. Hastings, claro, está falando de Hercule Poirot, com quem divide um apartamento em Londres. A viagem chega ao fim e tudo que Hastings fica sabendo da tal mulher é que ela se autodenomina Cinderela. Na manhã seguinte, enquanto toma café e conversa com o perfeccionista homenzinho de bigode militar, Hastings apanha a correspondência e logo percebe que há uma carta pedindo o socorro e os serviços de Poirot. Em seguida começam a aparecer os cadáveres. A pergunta é: que ligação terão essas mortes com a encantadora Cinderela por quem, claro, Hastings ficou apaixonado? Qual a relação entre um cano de chumbo e um campo de golfe? As respostas para todas essas perguntas, o leitor só fica sabendo na penúltima página desta que é uma das mais divertidas hsitórias da Dama do Crime, Agatha Christie.

The Murder on the Links (1923)
(Poirot, O Golfe e O Crime, em Portugal)

Citações e referências
Referências à vida pessoal, humor e métodos de Hercule Poirot:

Já descrevi Hercule Poirot anteriormente. Que homenzinho extraordinário! Altura 1,63m, cabeça em formato de ovo, um pouco espichada para um lado, olhos que tinham um extraordinário brilho verde quando estava excitado, um bigodinho militar impecável, um ar de imensa dignidade! A aparência era impecável, puxando para o dândi. Diga-se de passagem que Poirot possuía uma paixão absoluta por ver tudo impecável. Ver um ornamento torto, poeira ou algum desalinho, por menor que fosse, nos trajes de outra pessoa, era uma verdadeira tortura para o homenzinho. (pág. 12)

– Estou surpreso por constatar que não fez nenhum investimento em alguns vidros de remédio contra enjôo, Poirot – comentei, maliciosamente, recordando a conversa na hora do café.
Meu amigo, que estava ansiosamente verificando o tempo, virou-se para me fitar com ar de censura.
– Por acaso esqueceu o excelente método de Laverguier? Sempre pratico o sistema dele. Se está lembrado, basta manter o equilíbrio, virando a cabeça da esquerda para a direita, respirando fundo, contando até seis entre cada respiração. (pág. 17)

Poirot ficou parado por um momento à entrada da sala, falando. Depois avançou com rapidez, passou a mão pelas costas das poltronas de couro, pegou uma revista em cima da mesa redonda e cautelosamente passou um dedo sobre o aparador de carvalho. Seu rosto indicava completa aprovação.
– Não tem poeira? – indaguei, sorrindo.
Ele fitou-me com uma expressão radiante, satisfeito com meu conhecimento de suas peculiaridades. (pág. 32)

– Não joga golfe, M. Poirot? – perguntou Bex.
– Eu? Jamais! Que jogo horrível!
Ele ficou subitamente excitado e acrescentou:
– Cada hole está a uma distância diferente. Os obstáculos não são arrumados simetricamente. Até mesmo os greens são freqüentemente inclinados de um lado! Só há realmente uma coisa aprazível: os… como é mesmo que se chamam? … tee-boxes! Eles são pelo menos simétricos. (pág. 47)

Poirot fez uma breve pausa. Assumiu de súbito a sua atitude professoral e passou a dirigir-se a todos nós, coletivamente:
– Estou me referindo à psicologia do crime. M. Giraud sabe perfeitamente que cada criminoso possui seu método particular. A polícia, quando é chamada a investigar… um caso de assalto, por exemplo… pode muitas vezes adivinhar quem foi o criminoso pelo estudo do método específico utilizado. (pág. 68)

Fiquei irritado. O hábito de Poirot, de fazer mistério a propósito de tudo, quase sempre me deixava furioso. (pág.85)

– O dinheiro não é o único motivo para um assassinato, Poirot.
– Tem razão – concordou Poirot, placidamente. – Há dois outros. Um deles é o chamado crime passionnel. E há um terceiro motivo, mais raro: o assassinato por uma idéia, o que implica em alguma forma de distúrbio mental do assassino. A mania homicida e o fanatismo religioso pertencem a essa categoria. (pág. 117)

Ta-ta-ta! – disse Poirot, repetindo a sua exclamação predileta de impaciência. (pág. 119)

Referências a outros casos de Poirot:

– Está se recordando do caso Styles, Poirot, quando…
– Quando você se apaixonou por duas mulheres encantadoras e acabou não ficando com nenhuma? Claro que me lembro. (pág. 55)

Referências mitológicas:

E ela virou-se e saiu correndo pela estrada, como se fosse uma moderna Atalanta. Atalanta é uma figura da mitologia grega, única mulher admitida por Jasão para sua expedição no Argos. Jurou a seu pai aceitar por marido apenas aquele que a vencesse numa corrida. E ela era muito rápida. (pág. 55)

Referências sobre o Capitão Arthur Hastings:

– Esteve na guerra?
– Estive. Fui ferido e considerado incapaz de voltar ao combate. Durante algum tempo, continuei no Exército, em funções burocráticas. E agora sou uma espécie de secretário particular de um membro do Parlamento. (pág. 9)

Reconheço que sou um impulsivo e Poirot vive deplorando meu hábito de tirar conclusões precipitadas. (pág. 116)

– Poirot, quem é essa Miss Robinson?
Ele virou a cabeça, fitando-me com uma expressão afetuosa.
– Estou lhe arranjando um casamento, Hastings. (pág. 174)

Dedicatória: “TO MY HUSBAND. A fellow enthusiast for detective stories and to whom I am indebted for much helpful advice and criticism”.

Esta era a dedicatória original quando do lançamento do livro. Na época, a escritora era casada com o aviador Archibald “Archie” Christie, de quem se divorciou em 1928. A dedicatória foi suprimida das reedições desde então.

Lista de personagens: Hercule Poirot, Capitão Hastings
Também: Joseph Aarons, Francoise Arrichet, Lucien Bex, Madame e Marthe Daubreuil, Bella Duveen, Monsieur Giraud, Dulcie Duveen, M. Hautet, Mrs. Renauld, Jack e Paul T. Renauld, Gabriel Stonor

Observação: As citações e respectivas páginas foram extraídas da edição brasileira de Assassinato no Campo de Golfe
Ed. Record
Tradução: A. B. Pinheiro de Lemos
Ano: n/d
Páginas: 186

8 pensamentos sobre “Assassinato no Campo de Golfe

  1. Capitão Hastings e a Cinderela estavam ótimos neste livro,eu percebi que você esta lendo os livros na ordem eu também to lendo assim ,fica melhor para conhecer os personagens principais e as referências de outros livros.Eu já estou no Assassinato na Casa do Pastor o primeiro livro da Miss Marple.

  2. Seja bem-vindo, Ulisses ! Também gostei muito de “Assassinato no Campo de Golfe”, e doido para reler “Assassinato na Casa do Pastor”. A idéia de ler na ordem foi minha, mas além de Lady Lucy tem mais gente aderindo: legal ! Volte sempre que quiser a “O Mundo de Agatha Christie” e indique a seus amigos. Um abraço.

  3. Ulisses, seja bem-vindo! Eu não lembro direito, mas depois desse livro Cinderela só é mencionada, né? Fica lá, tomando conta da fazenda na Argentina…
    😉
    Eu vou começar Roger Ackroyd agora, morrendo de vontade de pular todos os outros pra chegar logo na Miss Marple e na família do pastor e da Griselda (adoro a Griselda!).

  4. Acabei de reler! Tinha esquecida o quão maravilhoso é este livro.

    Lembro só de ja ter lido o próprio Poirot mencionar Cinderela em algum outro livro, mas não me recordo qual.

    Bom mesmo seria se ela tivesse participado de mais alguns. Acho que ela e o belga dariam uma ótima dupla de detetives…

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