Almanaques

Deixei o quarto numa expedição estratégica e voltei carregada de livros de referências. Quem é Quem, o Whitacker, um dicionário geográfico, uma História dos Lares Ancestrais Escoceses e um dicionário biográfico das Ilhas Britânicas. (O Homem do Terno Marrom, Ed. Record, pág. 35)

Capa do almanaque inglês Who s Who “Quem é Quem” é o livro de referências Who’s Who, publicado anualmente desde 1849 na Inglaterra contendo os dados biográficos de cidadãos britânicos proeminentes. A lista não se restringe aos nobres: além dos pares do Reino e membros do Parlamento, incluem-se juízes, cidadãos antigos, escritores, atores, advogados, cientistas, pesquisadores, artistas e acadêmicos de Oxford e Cambridge. A publicação goza de grande prestígio porque a inclusão de novos nomes não pode ser comprada nem é cobrada, seja monetariamente ou com a obrigação de adquirir um exemplar por parte de quem é citado. Um nome só é retirado da lista após o falecimento, não com a aposentadoria. Quando uma pessoa listada no Who’s Who morre, seu nome entra no compêndio Who Was Who, lançado a cada cinco anos.
Who’s Who 2008 à venda na Amazon.UK por £140,00 (aproximadamente R$486,75).

Capa do almanaque inglês WhitackerO Whitaker é um almanaque, também anual, publicado desde 1868. Pelo que eu li a respeito, parece-se muito com o nosso Almanaque Abril. Editado em um único volume, inclui dados biográficos dos pares do Reino, da família real britânica, do parlamento, verbetes atualizados dos acontecimentos do ano anterior (no mundo todo, com ênfase na Grã-Bretanha), diretórios dedicados à geografia, história, economia, meio ambiente, educação, saúde, religião, etc. As instalações da editora que publica o Whitaker foram destruídas durante a Blitz alemã, na Segunda Guerra Mundial. O Primeiro-Ministro Winston Churchill envolveu-se pessoalmente para que continuasse sendo publicado.
Whitaker 2008 à venda na Amazon.UK por £26,00 (aproximadamente R$90,40). A edição 2009 já está na pré-venda. (Os links referem-se à edição integral; existe uma edição resumida.)

Bien! – disse Poirot, finalmente, com uma curiosa expressão. – A trama vai-se ampliando. Por gentileza, pegue aquele livro do “Pariato” que está na última prateleira. (Poirot Investiga, Ed. Record, pág. 14)

Capa do almanaque inglês Pears CyclopaediaAqui eu confesso que fiquei em dúvida quanto ao livro que Poirot solicitou. Minha primeira opção foi o The Peerage of England, editado por Arthur Collins; o problema é que trata-se de uma obra em nove volumes, o que não faria sentido na fala do nosso pequeno detetive meticuloso. Se fosse o Peerage de Collins ele teria determinado também qual volume. Minha segunda opção, então, foi o The Pears Cyclopaedia, enciclopédia publicada quase anualmente desde 1897 em um único volume. Cada edição contém uma lista de eventos em ordem cronológica, uma mini-enciclopédia com informação geral, um atlas, informaões geográficas e uma lista de pessoas importantes (os pares do Reino). Para ter certeza se era a esse livro que Poirot se referia, só lendo a versão original, em inglês. Em todo caso, há bastante material para diversão nesse assunto.
Pears Cyclopedia 2007-2008 à venda na Amazon.UK por £13,00.
Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Peerage_of_the_United_Kingdom
The Peerage: http://www.thepeerage.com/

– Já sei que veio expressamente para falar com o Conde Foscatini.
– Ele não era nenhum conde – resmungou o italiano.
– Também já verifiquei que o nome dele não consta do Almanach de Gotha. (Poirot Investiga, Ed. Recod, pág. 140)

Capa do Almanach de GothaA imagem ao lado é da capa da atual edição do Almanach de Gotha, publicado na Inglaterra a partir do ano 2000. O Almanach de Gotha original, consultado por Poirot, foi editado em francês no ducado de Frederick 3º, duque de Saxe-Gotha-Altenburg, entre 1763 e 1944 anualmente, na cidade alemã de Gotha, ao norte do país. O objetivo de seu editor Justus Perthes era nomear e listar as famílias e títulos nobiliárquicos da Europa. A reputação do Gotha era tão sólida que foi utilizado como fonte de referência após o fim da Primeira Guerra Mundial para confirmar se determinado título era mesmo real ou fôra criado para aproveitar-se da confusão, quando famílias reais inteiras desapareceram do mapa.

Já a Segunda Guerra Mundial foi responsável pelo fim do Almanach, visto que a cidade de Gotha ficava do lado oriental da Alemanha, atrás da Cortina de Ferro. Alguns exemplares antigos da publicação original estão à venda na Amazon.UK com o preço médio de £1.300,00 (aproximadamente R$4.500,00). Em 1999 um editor britânico adquiriu os diretos do Gotha e voltou a publicá-lo, desta vez em inglês.

Quanto Tommy voltou, Tuppence consultava uma página do Debrett.
– Tenho todos os detalhes – disse lacônica. – Lawrence St. Vincent, sobrinho e herdeiro do Conde de Cheriton. Se conseguirmos resolver este caso, ficaremos famosos nas mais altas rodas. (Sócios no Crime, Ed. Record, pág. 21)

O Debrett Peerage & Barotenage é um guia genealógico aristocracia britânica, publicado desde 1769. Para as figuras ilustres porém sem título de nobreza, a editora oferece o anuário Debrett’s People of Today – ao contrário do Who’s Who, quando os editores consideram que determinada não é mais considerada adequada, seu nome é retirado do anuário. O Debrett publica também uma série de guias de etiqueta para as mais diversas ocasiões.
Debrett Peerage & Barotenage à venda na Amazon.UK por £194,70.

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7 pensamentos sobre “Almanaques

  1. Sempre ouvia falar ou encontrava em livros o tal “Who’s Who”. Ei-lo de fato ! Legal ! Gosto também dos guias genealógicos.

  2. Interessante este artigo. Alguém se deu ao trabalho de pesquisar e nos informar com precisão quais são as obras citadas (e seus conteúdos) em muitas das passagens dos livros de Agatha Christie.

    Tenho cerca de 65 livros da autora (acabei de contar 60 aqui no armário, tem pelo menos 3 na casa de praia e mais uns dois com uma filha) – todos foram lidos, muitos em um dia – e nunca havia me dado ao trabalho de realizar tal pesquisa, embora em diversas ocasiões tencionei fazê-lo.

    Muito interessante!

  3. Jane, nos posts individuais de cada livro (estamos lendo/relendo todos os romances policiais de AC na ordem cronológica) eu tento selecionar todas as referências que a autora espalha na história. No caso das obras de referência como os almanaques e que tais, valia a pena um post especial.

    Que bom que também gostou!
    🙂

  4. Pingback: Guia Baedeker « A Casa Torta

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  6. Há um livro com a genealogia do rei português D. Miguel até aos anos 40 do séc ulo XX. Ainda hoje é interessante ver aquelas antiguidades (fotografias, cenários de fotografia, roupas, penteados e bigodes).

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