O Assassinato de Roger Ackroyd

Sinopse de Antonio Geremias: Este romance policial, que a genial escritora inglesa localiza, tipicamente, na Inglaterra rural do começo deste século, gira em torno da morte de um industrial e proprietário de terras, no pequeno lugarejo chamado King’s Abbot. Todos seus personagens podem ser o assassino; a seu turno, todos tornam-se suspeitos, todos são interrogados. E o fantástico detetive belga, Hercule Poirot, radicado na Inglaterra, usando apenas suas “pequenas células cinzentas”, deve resolver o mistério. Escrito na primeira pessoa – James Sheppard, o médico local, é o narrador – O Assassinato de Roger Ackroyd é fascinante pelo tema, pela estrutura e pela maneira como envolve o leitor do começo ao fim. Este foi de seus primeiros contos e, dele, Agatha Christie tinha particular orgulho. Dizia que era o mais “conhecido de meus livros”.

The Murder of Roger Ackroyd (1926)
(O Assassinato de Roger Ackroyd, em Portugal)

Citações e referências
Referências à vida pessoal, humor e métodos de Hercule Poirot:

A casa ao lado, The Larches, foi recentemente alugada a um homem vindo de fora. Com grande desgosto, Caroline até agora não conseguiu descobrir nada a respeito do recém-chegado, a não ser que é estrangeiro. (…) Parece chamar-se Mr. Porrot, um nome que dá uma singular impressão de irrealidade. A única coisa que sabemos a seu respeito é que se interessa pela cultura de abóboras. (pág. 18 )

Um rosto apareceu no muro divisório, à minha esquerda. Uma cabeça oblonga como um ovo, em parte coberta por cabelos de um negro suspeito, um bigode imenso e um par de olhos perscrutadores. Era o nosso misterioso vizinho, Mr. Porrot. (pág. 19)

– Que está dizendo? Pois é Hercule Poirot, o famoso detetive particular! Conta-se que tem feito prodígios, como os que a gente lê nas novelas policiais. Há um ano deixou a profissão e veio viver aqui. Titio sabia quem ele era, mas prometeu não revelar a ninguém, pois M. Poirot queria viver tranqüilo, e sem ser importunado por ninguém. (pág. 61)

– As pequenas células do cérebro – explicou o belga.
– Ah! Sim, claro. Bem, todos nós as usamos, suponho.
– Em maior ou menor grau – murmurou Poirot.- E há também diferenças de qualidade. Depois temos a psicologia de cada crime. É preciso estudá-la. (pág. 77)

O superintendente soltou uma risada.
– Quantas vezes ouvi o Inspetor Japp dizer isso! “M. Poirot e as suas pequenas idéias! Fantasiosas demais para o meu gosto”, dizia ele, “mas sempre tinham algo de aproveitável.” (pág. 168 )

As palavras de minha irmã despertaram-me uma lembrança.
– Não sabia que Poirot tinha um sobrinho deficiente – disse com curiosidade.
– Ah! Não sabia? Pois ele contou-me tudo. Pobre rapaz! É um grande desgosto para a família. Até agora tiveram-no sempre em casa, mas seu estado chegou a tal ponto que receiam ter de enviá-lo para um sanatório. (pág. 188 )

– Não lhe disse, pelo menos trinta e seis vezes, que é inútil ocultar coisas a Hercule Poirot? Que ele sempre acaba descobrindo a verdade? (pág. 211)

Neste livro conhecemos o o destino do Capitão Arthur Hastings.

– Também tinha um amigo… um amigo que durante muitos anos esteve sempre ao meu lado. De vez em quando dava mostras de uma imbecilidade que chegava a ser assustadora, mas apesar disso gostava muito dele. A ingênua honestidade com que encarava todas as coisas, o prazer de surpreendê-lo e encantá-lo com os meus talentos superiores… tudo isso me faz tanta falta que nem lhe posso dizer.
– Morreu? – perguntei, penalizado.
– Oh, não! Está vivo e próspero, mas do outro lado do mundo. Reside agora na Argentina. (pág. 20)

Poirot foi ficando por ali até que o inspetor se afastou na direção da casa. Virou-se então para mim.
– O senhor deve ter sido enviado pelo céu para substituir o meu amigo Hastings – disse, com um brilho malicioso nos olhos. – Vejo que não sai do meu lado. Que diz, doutor, de uma investigação nessa espécie de quiosque? (pág. 81)

– Há momentos em que tenho saudades de meu amigo Hastings. É aquele de que lhe falei, sabe? O que reside atualmente na Argentina. Todas as vezes que eu tinha um caso importante, ele estava ao meu lado. E me ajudava… sim, muitas vezes sua cooperação foi valiosa. É que esse rapaz tinha o dom especial de acertar com a verdade… sem dar ele mesmo por isso, bien entendu. Acontecia-lhe, às vezes, dizer alguma coisa particularmente absurda, e não é que aquela tolice me revelava a verdade? (pág. 201)

Referências a casos anteriores:

– Compreendo – disse Mr. Porrot. – Monsieur especulou?
Sacudi lastimosamente a cabeça, mas no fundo estava achando graça. O ridículo homenzinho tinha um ar tão solene!
– Não teria sido na Porcupine Oilfields? – perguntou ele de repente.
Encarei-o, atônito. (pág. 21)

– Sabe aquele príncipe Paulo de Mauritânia, o que se casou com uma dançarina?
– Que tem ele?
– No outro dia li um comentário muito interessante sobre essa moça nas “Notas Sociais”, insinuando que ela era na realidade uma grã-duquesa russa, uma das filhas do czar que conseguiu escapar dos bolcheviques. Pois fiquei sabendo que M. Poirot desvendou um crime de homicídio aparentemente insolúvel, que ameaçava envolver o casal. O príncipe Paulo ficou-lhe imensamente reconhecido. (pág. 107)

Referências a outros autores:

A divisa da família dos mangustos, segundo nos informa Mr. Kipling, é “Vai e descobre.” (pág. 5) Rudyard Kipling, escritor e poeta inglês (1865-1936)

– Seja como for – continuou ela -, essa veneração pelas coisas que passam por ter pertencido a grandes figuras do passado, me parece o maior dos absurdos. Eles não as usam mais. A pena com que George Elliott escreveu O moinho sobre o rio, e coisas desse gênero… Afinal de contas, é uma pena e nada mais. Quem realmente gosta de George Elliott, por que não compra uma edição barata de O moinho sobre o rio e lê o livro? (pág. 29) George Elliott, pseudônimo da escritora inglesa Mary Ann Evans (1819-1880)

– Lembra-se daquele sujeito que vendeu a alma ao Diabo para voltar à juventude? Há uma ópera sobre esse assunto.
– Refere-se a Fausto? (pág. 84) Fausto é um personagem mítico alemão, retratado por diversos autores e compositores

– Talvez uma coroa – sugeriu Flora. – Como aquela que Mélisande viu na água.
– Mélisande – repetiu Blunt, pensativo. – É personagem de uma ópera, não? (pág. 87) Pélleas et Mélisande, ópera de Maurice Maeterlinck (1892).

– Foi a Providência – declarou Mrs. Ackroyd. – Creio devotamente na Providência, uma divindade que dá forma aos nossos desígnios, como diz o magnífico verso de Shapespeare. (pág. 117) There’s a divinity that shapes our ends, frase proferida pelo personagem Hamlet.

Como estou dizendo, até a noite de segunda-feira a minha narrativa poderia ter sido a do próprio Poirot. Ele era Sherlock e eu fui o seu Watson. (pág. 127) Sherlock Holmes e Dr. Watson, personagens do escritor inglês Sir Arthur Conan Doyle.

Dedicatória: “To Punkie, who likes an orthodox detective story, murder, inquest, and suspicion falling on every one in turn!”

A edição do Cículo do Livro que tenho em mãoes não tem dedicatória, mas segundo o site Wikipedia a autora o dedicou à sua irmã Margaret, apelidada Punkie.

Lista de personagens: Hercule Poirot
Também: Os Ackroyds: Mrs. Cecil, Flora e Roger, Ursula Bourne, Major Hector Blunt, Coronel Carter, Mrs. Ferrars, Mrs. Richard Folliott, Miss Ganett, Mr. Hammond, Charles Kent, Parker, Captain Ralph Paton, Inspetor Denis Raglan, Geoffrey Raymond, Miss Russell, Dr. James e Caroline Sheppard

Observação: As citações e respectivas páginas foram extraídas da edição brasileira de O Assassinato de Roger Ackroyd
Ed. Círculo do Livro
Tradução: Leonel Vallandro
Ano: n/d
Páginas: 252

Quiz em inglês de The Murder of Roger Ackroyd

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7 pensamentos sobre “O Assassinato de Roger Ackroyd

  1. -Gostei..muitoo..desse livro…pra mim foi..
    um do romançes..poliçiais melhores..q..eu ja li..
    gostei..muitoo..queria..q alguem mim indicaçe.
    outo livro da autora..?

  2. Ah, eu comecei a ler hoje!
    Ah, indicação de livros da Agatha: Os crimes ABC, Poirot perde uma cliente, Assassinato no campo de golfe (meu favorito!) o misterioso caso de styles, encontro com a morte (o primeiro livro da Agatha que eu li!) e o homem do terno marrom, mas esse não tem o Poirot.

  3. eu recomendo “o misterio do trem azul”, “o assassinato no campo de golfe”, “e nao sobrou nenhum” (antes se chamava o caso dos dez negrinhos). foram meus finais preferidos.

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