Os Quatro Grandes

Sinopse de Antonio Geremias: Um dos mais discutidos livros de Agatha Christie, onde o que se questiona é o próprio texto, além do roteiro algo desencontrado e do uso de expressões racistas relacionadas a chineses. Agatha Christie nunca teve maiores pretensões literárias e sempre, coerentemente, assumiu sua herança de mulher de classe alta e endinheirada na Inglaterra da virada do século. É possível encontrar sinais de racismo em outros livros seus; ela também nunca negou o contexto do Império Britânico. Isso não deve diminuir a qualidade de seus livros e o efeito que buscava – divertir, entreter e criar. E o encontro de grandes mentes criminosas – o embrião decadente do atual crime organizado – é tema recorrente na literatura policial. No caso, muito bem tratado, com diálogos surpreendentes, bons perfis e um final de primeira linha.

The Big Four (1927)
(As Quatro Potências do Mal, em Portugal)

Citações e referências
Referências à vida pessoal, humor e métodos de Hercule Poirot:

Deveria ficar por lá alguns meses, tempo suficiente para rever velhos amigos e um grande amigo em particular: um baixinho, cabeça de ovo e olhos verdes – Hercule Poirot. (pág. 8 )

O homem mexeu os lábios e falou com uma voz estranhamente mecânica.
– Sr. Hercule Poirot, rua Farraway 14.
– Sim, sim, sou eu mesmo. (pág. 12)

Poirot adora ser misterioso. Nunca daria uma única informação até o último momento possível. (pág. 24)

– Acho, acho mesmo, que devo pedir ajuda a meu irmão.
– Seu irmão?! – exclamei estupefato. – Não sabia que você tinha um irmão.
– Você me surpreende, Hastings. Não sabe que todo detetive famoso tem irmãos que poderiam ser muito mais famosos do que ele, se não fosse por uma indolência constitucional?
Às vezes, Poirot emprega uma maneira de falar tão peculiar, que é praticamente impossível saber se ele está brincando ou se ele está falando sério. Isto era evidente naquele momento.
– Qual é o nome de seu irmão? – perguntei, tentando coordenar minhas idéias.
– Achille Poirot – respondeu gravemente. – Vive perto de Spa, na Bélgica.
– O que ele faz? – perguntei com uma certa curiosidade, evitando conjecturar sobre o caráter e temperamento da falecida Sra. Poirot e seu gosto clássico por nomes cristãos.
– Não faz nada. Ele é, como já disse antes, um homem de indolente personalidade. Mas suas habilidades não são menores do que as minhas… o que já é uma grande coisa.
– E fisicamente, se parece com você?
– Um pouco, mas não tão vistoso. Além disso, não usa bigodes.
– É mais velho ou mais moço?
– Nascemos no mesmo dia.
– Gêmeos! – exclamei.
– Exatamente, Hastings. Você conclui as coisas com uma precisão infalível. (pág. 158)

Foi aí que Poirot se enfureceu.
– Eu mereço tudo o que aquela mulher me disse. Sou triplamente imbecil, um animal miserável, trinta e seis vezes um idiota. (pág. 70)

Referências a Hastings na Argentina:

Sem dúvida alguma, muitos haviam atravessado o canal apenas para o fim de semana, enquanto eu havia passado um ano e meio numa fazenda na Argentina. Lá venci, e minha mulher e eu aprendemos a gostar da maneira livre e desinibida de viver do continente sul-americano. (pág. 7)

Referências a casos anteriores:

– Estes “Quatro Grandes” fazem com que eu me mexa, mon ami. Estou sempre correndo para cima e para baixo, como nosso velho amigo, o “cão de caça humano”.
– Talvez você o encontre em Paris – disse, sabendo que ele se referia a Giraud, um dos melhores detetives da Sûreté, o qual Poirot havia conhecido em uma outra ocasião. (pág. 50)

Novamente, nosso mensageiro partiu. Desta vez, a jovem senhora veio junto. Atravessou o salão e nós a seguimos. Voltou-se e levantou o véu que encobria seu rosto. Para meu assombro, reconheci nossa velha inimiga – a Condessa Rossakoff, uma condessa russa que havia planejado um engenhoso furto a uma joalheria em Londres. (pág. 56)

– Sonia Daviloff – murmurei. – Que nome bonito.
Poirot parou e lançou-me um olhar de desprezo.
– Sempre procurando um romance! Você não tem remédio mesmo. Seria bem feito para você que Sônia Daviloff fosse nada mais nada menos que nossa amiga e inimiga Condessa Vera Rossakoff. (pág. 107)

Referências a outros autores:

– Perdoe-me, meu amigo, como é possível que você esteja lendo O Futuro da Argentina, O Espelho da Sociedade, Como Criar Vacas, A Pista de Crimson, Esportes em Rockies, tudo ao mesmo tempo? (pág. 121) A Pista de Crimson (The Crimson Clue), livro de George Harmon Saxe.

– Está equivocado. Ainda existe uma maneira para podermos escapar e, como Sansão, destruir nossos inimigos ao mesmo tempo. (pág. 196) Sansão, personagem de passagem da Bíblia.

Referências curiosas:

– Como a escada de Jacob? Hastings, sei que você tem uma imaginação fértil mas, por favor, mantenha-a dentro dos limites. (pág. 38 ) A escada de Jacó pode referir-se a uma questão teológica (improvável, neste caso), a um dispositivo mecânico (pouco provável) ou a um dispositivo elétrico (provável).

Sabe o que significa desaparecer em Paris, não? Ou foi morto e não há mais nada a fazer, ou é desaparição voluntária, que é mais comum. Como o caso de Gay Parée, está entendendo? Gay Parée, ou Alegre Paris, é um termo que teve origem na Belle Epoque.

(pág. 45)

– Tudo que ordenou foi executado com precisão. Os governos da Itália, França e Inglaterra estão com você, trabalhando juntos, harmoniosamente.
– É, de fato, uma nova Entente – observou Poirot, secamente. A Tríplice Entente foi uma aliança feita entre a Inglaterra, França e o Império Russo para lutarem na Primeira Guerra Mundial contra o pangermanismo e as expansões alemãs e austro-húngaras pela Europa. (pág. 185)

Dedicatória: Não há.

Lista de personagens: Hercule Poirot, Capitão Arthur Hastings, Inspetor-Chefe Japp.
Também: Joseph Aarons, Betsy Andrews, Coronel Appleby, Sydney Crowther, Claud Darrell, Monsieur Des-Jardeaux, Robert Grant, Mr. e Mrs. Halliday, John Ingles, Capitão Kent, Li Chang Yen, Miss Martin, Mr. Mayerling, Mr. Mcneil, Inspetor Meadows, Flossie Monro, Madame Olivier, Mabel Palmer, Mr. Paynter, Mrs. Pearson, Achille Poirot, Dr. Ridgeway, Condessa Vera Rossakoff, Abe Ryland, Dr. Teeves, Mr. e Mrs. Templeton, Jonathan Whalley, Gilmour Wilson.

Observação: As citações e respectivas páginas foram extraídas da edição brasileira de Os Quatro Grandes
Ed. Record
Tradução: Maria Marta de Miranda
Ano: 1987
Páginas: 202

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2 pensamentos sobre “Os Quatro Grandes

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