Curare

– Receio que não. Há o curare, é claro.
Alonguei-me bastante sobre os efeitos do curare, mas a governanta parecia ter perdido novamente o interesse. (O Assassinato de Roger Ackroyd, Círculo do Livro, pág. 16)

Curare tem sido utilizado por muitos séculos nas florestas tropicais da América do Sul como um veneno extremamente forte, e utilizado em flechas. O nome provém de palavras indígenas woorari, woorali, urari, que significa veneno. O pesquisador Walter Raleigh e diversos outros exploradores da América do Sul registram o uso de curare entre os índios, que teria sido registrada inicialmente pelo geógrafo Alexander von Humboldt em 1807. (Inova Unicamp)

O curare é extraído de algumas espécies de lianas pelos índios que vivem no Brasil, Bolívia, Peru, nas Guianas, Equador, Panamá e Colômbia. As espécies mais usadas são a “Strychnos toxifera”, a “Strychnos guianensis” e a “Chondrodendron tomentosum”, às quais é retirada a casca castanha para fazer o curare. Na casca existem numerosos alcalóides, uns muito tóxicos, como a tubocurarina, a protocurarina e a toxiferina, e outros menos tóxicos, como a curina, a protocurina e a protocuridina e a neoprotocuridina. (Público)

A manipulação que resulta no Curare é sofisticada e complexa. Várias plantas são fervidas juntas durante três dias, provocando uma fumaça letal. O resultado final necessita uma peça tecnológica, um “cachimbo de sopro” para a retirada dos gases mortíferos. Quarenta tipos de Curare são usados na Amazônia e há a necessidade, às vezes, da substituição de algumas das plantas, pois não crescem todas no mesmo local. (Ordem Aplicada)

A morte por curare é causada por asfixia, uma vez que os músculos esqueléticos ficam relaxados e então paralizados. Contudo o veneno, somente funciona no sangue, o envenenamento de animais não causava efeitos nocivos, caso fosse ingerido (oralmente).

Seus vapores não eram venenosos, embora alguns nativos acreditassem que o fossem. Em 1811, Benjamin Brodie notou que durante o envenenamento de curare o coração continuava a bater, mesmo quando a respiração cessava, o que significava que a função cardíaca não era bloqueada pelo curare.

O horror do envenamento por curare é que a vítima permanece consciente do que está acontecendo, podendo sentir progressivamente a paralisia sem nada poder fazer. Se respiração artificial for realizada a vítima se recupera sem lesões.

O curare foi patenteado nos anos 40 pelos EUA como anestésico e relaxante muscular; no site brasileiro Bulas estão listados os bloqueadores musculares que contém curare em sua formulação (requer registro, gratuito).

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Um pensamento sobre “Curare

  1. “O horror do envenamento por curare é que a vítima permanece consciente do que está acontecendo, podendo sentir progressivamente a paralisia sem nada poder fazer.”

    Caramba…

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