O Mistério do Trem Azul

Sinopse de Antonio Geremias: A autora, conhecedora de seu legítimo eleitorado, usa neste romance uma boa quantidade de ingredientes que já fizeram sucesso anteriormente. Lá estão a jovem de bom caráter, aventurosa e herdeira inesperada de uma fortuna; a viagem no Blue Train, que passeia ao longo da costa mediterrânea, numa noite de luar, em direção à Riviera. E o amor e o crime. A bordo, uma mulher misteriosa é assassinada em sua cabine, de onde desaparece uma jóia, dona de uma história repleta de paixão. Também embarcado, Hercule Poirot, o detetive belga que vive aposentado na Inglaterra, envolve-se no drama. Este segue seu curso em hotéis de luxo, narrado em sotaques franceses, britânicos e norte-americanos. Sim, pois estes, emergentes na sociedade mundial no início do século, marcavam presença nos romances e na vida real. É nova mondanité, observada pelos olhos argutos da Velha Dama do Crime

The Mistery of the Blue Train (1928 )
(O Mistério do Comboio Azul, em Portugal)

Citações e referências
Referências à vida pessoal, humor e métodos de Hercule Poirot:

Seu vis-à-vis agora era de natureza completamente diversa – um homem pequeno, de aspecto nitidamente estrangeiro, com bigodes rigidamente encerados e uma cabeça em feitio de ovo que trazia um pouco para um lado. Katherine havia levado consigo um livro; e, de repente, descobriu os olhos do homenzinho com um incontestável brilho de divertimento. (pág. 84)

– Meu nome é Hercule Poirot – disse tranqüilamente -, e sou provavelmente o maior detetive do mundo. (pág. 148 )

Poirot levantou-se repentinamente de sua cadeira. Uma vaga luz verde brilhava em seus olhos. Ficou extraordinariamente parecido com um gato astuto e bem alimentado. (pág. 149)

– Mademoiselle é jovem; mas precisa saber que há três coisas que não se pode apressar: le bon Dieu, a Natureza e os velhos. (pág. 250)

– Mil vezes obrigado por sua hospitalidade, Mesdemoiselles – exclamou Poirot – foi um almoço encantador. Ma foi, estava bem precisando dele! – Estufou o peito e bateu fragorosamente nele. – Agora sou um leão – um gigante! Ah, Mademoiselle Katherine, a senhorita nunca me viu como, às vezes, consigo ser. Só conhece o Hercule Poirot gentil e calmo, porém, existe um outro Hercule Poirot. Parto agora para gritar, ameaçar, lançar o mais santo terror nos corações daqueles que me irão ouvir. (pág. 251)

Referências a personagens recorrentes

Alguns instantes mais tarde, Mr. Goby entrava na sala. Era um homem pequeno, idoso, muito modestamente vestido, cujos olhos vasculhavam cuidadosamente todo o cômodo porém jamais encaravam seu interlocutor. (pág. 31)

– É um homem muito útil – disse o milionário quando Goby havia saído e o secretário entrado. – Em seu próprio campo, é um especialista.
– E qual é o campo dele?
– Informação. Se lhe der um período de vinte e quatro horas, terá à sua frente toda a história da vida particular do Arcebispo de Canterbury. (pág. 32)

– Já esteve antes na Riviera, George? – disse Poirot a seu criado de quarto na manhã seguinte.
George era intensamente inglês, um indivíduo totalmente destituído de expressão facial.
– Sim, senhor. Estive aqui há dois anos, quando servia a Lorde Edward Framptom.
– E agora – murmurou seu patrão -, está aqui com Hercule Poirot. Como se sobe na vida!
O criado não respondeu a tal observação. (pág. 141)

– É muita bondade sua – disse Poirot. – Eu disse a mim mesmo, “quando se quer saber alguma coisa a respeito da profissão teatral, só existe uma pessoa que sabe de tudo o que há para se saber e essa pessoa é o meu amigo Mr. Joseph Aarons.”
– E não ficou muito longe da verdade – disse Mr. Aarons complacentemente -, seja do passado, do presente ou do futuro, Joe Aarons é a melhor pessoa para se procurar. (pág. 268 )

Referências a outros autores:

Kettering acenou a cabeça sem prestar muita atenção. Sentia um profundo desinteresse por Claude Ambrose e sua adaptação para a ópera do Peer Gynt, de Ibsen. Na verdade, Mirelle também não tinha qualquer interesse, a não ser na oportunidade de sua apresentação no papel de Anitra. (pág. 44) Peer Gynt, peça do autor norueguês Henrik Ibsen, de 1867. A personagem Anitra é filha de um chefe beduíno.

– Ele se apresenta como Comte de la Roche – continuou Van Aldin -, porém duvido que tenha direito ao título.
– Jamais encontraria seu nome no Almanac de Gotha – concordou o comissário. (pág. 126) Almanach de Gotha, obra de referência que listas as cabeças coroadas e famílias nobres da Europa.

Dedicatória: “To the two distinguished members of the O.F.D. – Carlotta and Peter”.

OFD, ou Order of Faithful Dogs (Ordem dos Cães Fiéis) em oposição à Order of Rats, continha os seres que permaneceram fiéis a Agatha Christie após os eventos que culminaram no seu desaparecimento em 1926. Carlotta ou Carlo (Charlotte Fischer) era a nurse de Rosalind (filha de AC) e Peter era seu cão terrier.

Lista de personagens: Hercule Poirot
Também: Joseph Aarons, Alice, Msr. Carrege, Msr. Caux, Comte Armand De La Roche, Olga Demiroff, Ellen, Charles “Chubby” Evans, Mr. Goby, Katherine Grey, Boris Ivanovitch, Derek e Ruth Kettering, Major Richard Knighton, Ada Beatrice Mason, Pierre Michel, Mirelle, Demetrius e Zia Papopolous, Honourable Lenox Tamplin, Viscountess Rosalie Tamplin, Rufus Van Aldin, Amelia Viner

Observação: As citações e respectivas páginas foram extraídas da edição brasileira de O mistério do trem azul
Ed. Abril Cultural
Tradução: Barbara Heliodora
Ano: 1984
Páginas: 202

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10 pensamentos sobre “O Mistério do Trem Azul

  1. Haha, a capa é um tanto bizarra mesmo, eu teria até medo.
    Esse é um dos livros que ainda não tenho, e não lembro da história… Acho que vou fazer um tour em sebos meio logo, fiquei com vontade de reler.

  2. Bel, se você encontrar alguma edição com uma capa menos medonha me avise, por favor!
    O meu livro está em excelente estado, mas a capa me irrita… Por enquanto eu encapei com papel pardo.
    😆

  3. Hahaha, boa alternativa, e pode deixar que eu aviso sim.

    Aliás, falha minha, eu tenho sim O Mistério do Trem Azul, mas só no original em inglês, de uma daquelas editoras meio quase-livro-de-bolso-que-não-cabe-em-bolso, papel jornal e tudo mais, mas não deu tempo de reler ainda e por isso esqueci que tinha.

    A capa desse meu é até bonitinha 🙂
    Um tanto azulada demais, mas acho que a situação pedia 😛

  4. Lady Lucy,
    O meu O Mistério do Trem Azul é do Círculo do Livro e tem uma capa bem simpática. Também em tom de azul como da Bel… E a foto da capa, tudo a ver com o enredo. Trem, uma senhora… duas mãos segurando algo… por aí vai. Gosto muito.

  5. Marcelo e Lady Lucy, eu sonho de consumo é ter todos os livros com essa capa dura e esse layout de capa do Circulo do Livro. Nunca vou ter, claro, pois (a) nem todos os livros de Agatha foram lançados pelo Circulo, (b) nem todos os lançados tinham esse layout – e tamanho? alguns eram ligeiramente menores, outros eram mini – e (c) nem Circulo do Livro tem mais (tem ?)… 😦

    Lady Lucy, thanks pelas ediçoes genéricas de Os Quatro Grandes e O Mistério do ‘Comboio’ Azul. Vou tirar meu atraso, afinal eu é que comecei essa história de ler na ordem, né ?

    Meleca de ter que fazer concursos públicos. 😦

  6. Tommy, infelizmente não são todos os títulos da AC que foram editados pelo Circulo do Livro….
    Eu dei prioridade por comprar todos os que encontrasse em ótimo estado… Consegui diversos títulos…
    E mesmo sendo do Círculo, tem alguns títulos que não encontrei em bom estado… vou pesquisando.
    Os preços também mudam bastante, até por ter a ótima encadernação.
    O Círculo do Livro não existe mais, pesquisei bastante e não achei nada…. Esses dias uma amiga me disse que existe alguma coisa estilo Círculo do Livro… Estou esperando resposta pra ver se encontro algo da AC.

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