Sócios no Crime

Capa da edição de banca, 1987

Sinopse da quarta capa: Agência Internacional de Detetives: Tommy Beresford e sua mulher Tuppence, transformados nos Brilhantes Detetives de Blunt, se vêem envolvidos na mais inacreditável série de aventuras. E, para cada caso a ser solucionado, usam o estilo de um famoso e grande detetive: as artimanhas do padre Brown, a irônica e bem-humorada inteligência e a vasta cultura de Sherlock Holmes, a inigualável sutileza do genial Hercule Poirot. Tudo isso, é claro, conduzidos pela inconfundível habilidade de Agatha Christie em criar, a partir do banal e o corriqueiro, as situações mais extraordinárias.

Partners in Crime (1929)
(O Homem que era o nº 16, em Portugal)

Citações e referências

A Fairy in the Flat (Uma Fada na Sala)

Tuppence suspirou e fechou os olhos, sonhadora.
– E então Tommy e Tuppence se casaram – disse, como que declamando – e viveram felizes para sempre. Seis anos depois ainda viviam juntos e felizes. É extraordinário – continuou – como as coisas sempre são diferentes do que se imagina. (pág. 9)

– Eu lhe aconselharia um curso sobre Schopenhauer ou Emmanuel Kant. (pág. 10) Filósofos alemães.

Tommy entregou-lhe uma lente de aumento. Tuppence estudou a fotografia atentamente. Vista assim, com um pingo de imaginação, o arranhão do filme bem podia representar uma pequena criatura alada.
– Tem asas! – exclamou Tuppence. – Que graça, uma fada de verdade no nosso apartamento. Vamos escrever a Conan Doyle sobre isso? (pág. 12) Em 1920, Sir Arthur Conan Doyle publicou artigo a respeito de uma fotografia que pretendia mostrar duas fadas num jardim de Cottingley.

Agência Internacional de Detetives, Theodore Blunt, gerente. Investigações particulares. Grande quadro de agentes altamente treinados e de confiança. Maior discrição. Consultas grátis. Haleham St. 118, W. C. (pág. 13)

A Pot of Tea (Um Bule de Chá)

– Se necessário eu mesmo cometo um crime para você solucionar.
– Qual seria a vantagem disso? Pense nos meus sentimentos quando lhe disse adeus em Bow Street – ou é Vine Street?
– Você está pensando em seus dias de solteiro – disse Tuppence, mordaz.
Old Bailey, é isto o que eu queria dizer – disse Tommy. (pág. 16)

– Ela tem um cabelo maravilhoso – de um dourado profundo, como um lindo crepúsculo; é isso, um lindo crepúsculo. Sabe, nunca reparei no crepúsculo até há pouco tempo. Poesia, também, há muito mais poesia do que podia imaginar.
– Ruiva – disse Tuppence, imparcial, fazendo anotações. (pág. 20-21)

The Affair of the Pink Pearl (O Caso da Pérola Rosa)

– E afinal, que livros são estes? – perguntou Tuppence, apanhando um volume. – O Cão dos Baskervilles. Não me incomodaria de ler este livro de novo, algum dia. (pág. 24) Livro da série Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle.

– Acho – disse, pensativo – que hoje serei Thorndyke.
– Garanto que não há nenhum aspecto médico-legal neste caso – observou Tuppence. (pág. 26-27) Dr John Evelyn Thorndyke é um médico-legista, detetive forense ficcional criado pelo escritor R. Austin Freeman (1862-1943).

The Adventure of the Sinister Stranger (A Aventura do Desconhecido Sinistro)

– Neste caso – disse Tommy, abrindo o armário e passando os olhos ternamente pela fileira de livros – é fácil escolher nosso papel. Somos os irmãos Okewood! E eu sou Desmond – acrescentou com firmeza.
Tuppence deu de ombros.
– Está bom. Faça como quiser. Prefiro ser Francis, era o mais inteligente dos dois. Desmond sempre se atrapalha e Francis aparece na hora H como um jardineiro, ou outra coisa qualquer, e salva a situação. (pág. 43) O autor inglês Valentine Williams (1883-1946) tem três livros digitalizados no Projeto Gutenberg, em inglês, inclusive o The man with the clubfoot.

– Um erro de diagnóstico – murmurou ele. – Tuppence e eu demos o nome errado a esta aventura. Não é uma história de Clubfoot; é de Bull-dog Drummond, e você é o inimitável Carl Peterson. (pág. 49) Bulldog Drummond é um detetive ficcional ao estilo dos detetives noir norte-americanos, criado pelo escritor inglês Herman Cyril McNeile (1888-1937).

Finessing the King / The Gentleman Dressed in Newspaper (Passando o Rei / O Cavalheiro Vestido de Jornal)

Tommy suspirou e uniu as pontas dos dedos, bem ao gosto de Sherlock Holmes. (pág. 53)

Tuppence soltou uma risada franca.
– Seja bonzinho, Tommy. Tente esquecer-se de que tem trinta e dois anos e um fio branco na sobrancelha esquerda. (pág. 55)

Espalhados em cima da cama os apetrechos completos de um bombeiro e um reluzente capacete.
(…)
– Espere um pouco – disse Tommy. – Começo a entender. Há uma segunda intenção por trás disso. O que vai usar, Tuppence?
– Um terno velho seu, um chapéu americano e óculos de tartaruga.
– Grosseiro – disse Tommy. – Mas já entendi. Incógnito McCarty. E eu sou Riordan. (pág. 55) Os detetives ficcionais Tommy McCarty (ex-policial) e Dennis Riordan (bombeiro) são personagens da escritora norte-americana Isbael Ostrander (1883-1927).

The Case of the Missing Lady (O Caso da Moça Desaparecida)

Quando o visitante deixou o escritório, Tuppence apanhou o violino e, colocando-o dentro do armário, trancou a porta.
– Se quiser ser Sherlock Holmes – observou ela -, eu lhe arranjo uma linda seringuinha e uma garrafa com cocaína mas, pelo amor de Deus, deixe esse violino. (pág. 68 )

Blindman’s Buff (O Jogo de Cabra-cega)

Tommy apanhou de dentro da gaveta uma enorme venda verde escuro e cobriu ambos os olhos. (…)
– Acho – disse Tuppence – que você é Thornley Colton, não é?
– Isso mesmo – disse Tommy. – O cego solucionador de problemas. E você é a fulana de tal, secretária de cabelos pretos e maçãs salientes… (pág. 77) Thornley Colton, personagem do escritor norte-americano Clinton H. Stagg (1890-1916).

– Tenho uma porção de coisas para lhe contar. Já estou indo. E a primeira coisa que vou fazer é preencher um cheque bem gordo para o St. Dunstan. Meu Deus, deve ser horrível ser cego! (pág. 84) Saint Dunstan é uma instituição fundada em 1915 que auxilia ex-combatentes com perda total ou parcial de visão.

The Man in the Mist (O Homem no Nevoeiro)

Chamados em caráter profissional para esclarecer o mistério do roubo de um colar de pérolas em Adlington Hall, Adlington, os Brilhantes Detetives de Blunt não lograram êxito. (pág. 85) Adlington Hall é uma mansão localizada em Cheshire e data da era dos saxões (entre os séculos 4 e 6). Pertence à mesma família desde 1315 e seus jardins e halls são abertos à visitação pública.

Enquanto Tommy, na pista de uma Condessa viciada em jogo, a seguia disfarçado de padre da Igreja Católica (…).
Tommy ainda vestia o disfarce eclesiástico.
– Isto não foi bem característico do Padre Brown – observou ele, sombrio. – E, no entanto, o guarda-chuva que consegui é perfeito. (pág. 85) Padre Brown, personagem do escritor inglês Gilbert Keith Chesterton (G. K. Chesterton, 1874-1936).

The Crackler (O Estalador)

– É claro que se você realmente pensa que é Sherlock Holmes, Thorndyke, McCarty e os irmãos Okewood reunidos num só, não posso dizer mais nada. Pessoalmente prefiro toda a sorte do mundo do meu lado do que habilidade.
– Talvez você esteja com a razão – disse Tommy. – Mesmo assim, Tuppence, precisamos de um escritório maior.
– Por que?
– Os clássicos – disse Tommy. – Precisamos de alguns metros a mais de prateleira se quisermos representar condignamente Edgar Wallace. (pág. 99) O escritor inglês Richard Horatio Edgar Wallace (1875-1932) escreveu 175 romances e 24 peças teatrais.

The Sunningdale Mystery (O Mistério de Sunningale)

– Por que de repente essa paixão pela vida simples? – perguntou Tuppence.
Você vê, Watson, mas não observa. Será que alguma dessas orgulhosas moças terá a bondade de notar a nossa presença? Esplêndido, lá vem uma. É claro que parece estar pensando em outra coisa, mas sem dúvida seu subconsciente se ocupa de coisas como presunto com ovos e xícaras de chá. Costeletas com batatas fritas, por favor, senhorita, uma xícara grande de café, pão com manteiga e um prato de língua para a senhora.
A garçonete repetiu o pedido com desdém mas Tuppence inclinou-se e interrompeu-a.
– Não, não traga costeleta nem batata frita. Este cavalheiro vai querer torta de queijo e um copo de leite.
– Uma torta de queijo e leite – disse a garçonete com maior desprezo ainda, como se fosse possível. Ainda pensando em outra coisa ela se retirou.
– Isto foi desnecessário – disse Tommy friamente.
– Mas eu estou certa, não estou? Você é Old Man in the Corner? Onde está o barbante? (pág. 110) Bill Owen, detetive ficcional do livro de contos Old man in the corner da escritora britânica de origem húngara, a Baronesa Emma Magdalena Rosalia Maria Josephina Barbara Orczy (Baroness Orczy, 1865-1947), autora da série Pimpinela Escarlate.

– Seja um artista – disse Tuppence. – Veja como vou atacar a língua fria. Que coisa deliciosa, língua fria. Pronto, agora já estou pronta para assumir o papel da Srta. Polly Burton. Faça um nó grande e comece. (pág. 111) Idem.

The House of Lurking Death (Morte à Espreita)

– Uma coisa adorável – disse Tommy. – Parece dessas garotas sobre quem Mason escreve, sabe, tremendamente compreensiva, bonita, muito inteligente e sem ser petulante. Acho que vou ser o grande Hanaud esta manhã. É isso mesmo.
– Hummm… se há um detetive que não tem nada a ver com você é Hanaud. Você pode mudar a personalidade? Pode ser um grande comediante, o menininho abandonado, o amigo sério e compreensivo – tudo em cinco minutos? (pág. 122) Hanaud, inspetor francês criado pelo escritor inglês Alfred Edward Woodley Mason (A. E. W. Mason, 1865-1948), autor do romance que deu origem ao filme Honra & Coragem – As quatro plumas, com o ator Heath Ledger.

The Unbreakable Alibi (O Álibi Perfeito)

O Sr. Montgomery Jones soltou um suspiro de alívio, tirou um maço de papéis do bolso e escolheu um.
– Está aqui – disse ele. – Ela diz: “Estou lhe mandando uma prova de que estive em dois lugares diferentes ao mesmo tempo. De acordo com uma versão da história, jantei no restaurante Bom Temps, no SoHo, fui ao Teatro Duke sozinha e ceei com um amigo, Sr. le Marchant, no Savoy – mas também fiquei no Castle Hotel, Torquay e só voltei a Londres na manhã seguinte. Você tem que descobrir qual história é a verdadeira e como consegui a outra.” (pág. 140)

– Inspetor French – disse Tuppence.
– O quê?
– Inspetor French, é claro – disse Tuppence. – Ele sempre lida com álibis. Sei como é o método. Temos que estudar todos os dados e comprová-los. A princípio tudo parecerá certo, mas quando exminarmos mais profundamente acharemos o defeito. (pág. 140) Detetive Inspetor Joseph French, criação do escritor irlandês Freeman Wills Crofts (1879-1957)

The Clergyman’s Daughter / The Red House (A Filha do Clérigo / A Casa Vermelha)

– Talvez você já tenha se esquecido mas eu fui filha de um clérigo também. Lembro-me bem de como era. Daí este ímpeto altruísta, este espírito de consideração pelos outros, este…
– Você já está no ponto para ser Roger Sheringham, pelo que vejo – disse Tommy. – Se me permite uma crítica, você fala tanto quanto ele, mas não tão bem. (pág. 151) Detetive Roger Sheringham, criado pelo escritor inglês Anthony Berkeley Cox (1893-1971), membro do Detection Club com Agatha Christie, Dorothy L. Sayers e outros.

The Ambassador’s Boots (As Botas do Embaixador)

– Meu caro rapaz, meu caro rapaz – disse Tuppence, agitando na mão um pãozinho barrado com muita manteiga.
Tommy olhou-a durante um ou dois minutos; um largo sorriso apareceu-lhe no rosto e ele murmurou:
– Realmente temos que ter muito cuidado.
– É isso mesmo – disse Tuppence, satisfeita. – Você adivinhou. Sou o famoso Dr. Fortune e você o Superintendente Bell.
– Por que quer ser Reginald Fortune?
– Bem, na verdade é porque estou com vontade de comer muita manteiga derretida. (pág. 165) Dr Reginald Fortune, detetive ficcional criado pelo escritor inglês Henry Christopher Bailey (H. C. Bailey, 1878-1961).

The Man Who Was No. 16 (O Homem de no. 16)

Mon ami – disse ele -, estamos diante de um fato da maior gravidade. Você se lembra, não se lembra? Do homem de nº 4. —> [Spoiler do livro Os Quatro Grandes Aquele que esmaguei como se fosse casca de ovo nas Dolomitas – com a ajuda de poderoso explosivos, bien entendu. Mas ele não estava morto, realmente – ah, não, eles nunca morrem de verdade, estes supercriminosos.Fim do spoiler] <— Este é o homem, ele é o 4 ao quadrado – em outras palavras, agora ele é o Nº 16. Você compreende, mon ami?
– Perfeitamente – disse Tuppence. – Você é o grande Hercule Poirot.
– Exatamente. Não tenho bigodes mas tenho muita massa cinzenta.
– Tenho o pressentimento – disse Tuppence – de que esta aventura vai se chamar “O Triunfo de Hastings”.
– Nunca – disse Tommy. – Uma vez o amigo idiota, sempre o amigo idiota. Há uma etiqueta que rege estes assuntos. A propósito, mon ami, não poderia repartir o cabelo ao meio em vez de reparti-lo do lado? O efeito atual é sem simetria e deplorável. (pág. 181) Referência ao livro Os Quatro Grandes estrelado pelo detetive belga da própria Agatha Christie.

Extras: Artigo de Mike Grost publicado em A Guide to Classic Mystery and Detection contendo as diversas referências de Sócios no Crime (em inglês).

Dedicatória: Não há.

Lista de personagens: Tommy e Tuppence Beresford
Também: Albert, Mr Carter, outros

Observação: As citações e respectivas páginas foram extraídas da edição brasileira de Sócios no Crime
Ed. Record
Tradução: Regina Saboya de Santa Cruz Abreu
Ano: 1987
Páginas: 190

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3 pensamentos sobre “Sócios no Crime

  1. Adorei este livro,eu acho muito melhor quando os contos tem algum tipo de ligação entre eles. Eu também tenho esta edição da editora Record de 87

  2. Ulisses, seu comentário é bem interessante!

    Os treze problemas
    Os trabalhos de Hercules
    O misterioso sr. Quin
    O detetive Parker Pyne

    Esses são do mesmo estilo?

  3. Estou lendo agora o O Misterioso Sr. Quin e estou adorando as ligações entre os contos, as pistas para saber quem é Sr. Quin , nem sei se isso vai ser revelado.
    Por isso que eu não gostei de Poirot Investiga são contos que não tem nenhum tipo de ligação, mais eu sei que a maioria dos livros que tem contos são histórias que ela escreveu ao longo dos anos e depois reuniu em um livro. 😦

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