Treze à Mesa

Treze à Mesa, Nova Fronteira

Treze à Mesa, Nova Fronteira

Sinopse da quarta capa: Poirot estava presente quando Jane, envaidecida, falara de seu plano para “livrar-se” do marido, de quem estava separada, mas não oficialmente, como ela desejava. Agora o homem estava morto. Mesmo assim, o grande detetive belga não podia deixar de sentir que alguém estava tentando iludi-lo. Afinal, como se explica que Jane tivesse esfaqueado Lord Edgware na biblioteca exatamente na hora em que era vista jantando com amigos? E qual seria o motivo agora, já que o aristocrata finalmente lhe dera o divórcio?

Lord Edgware Dies (ou Thirteen at Dinner, 1933)
(A Morte de Lorde Edgware, em Portugal)

Citações e referências
Referências à vida pessoal, humor e métodos de Hercule Poirot:

Meu amigo Hercule Poirot nunca foi mencionado abertamente em relação ao caso. É bom frisar que isso estava perfeitamente de acordo com seus desejos. Não quis que seu nome aparecesse. Outra pessoa levou o mérito – era exatamente o que ele desejava. Ademais, na singular opinião de Poirot, o caso constituiu um de seus fracassos. (pág. 7)

Mon cher, estará me confundindo esta noite com o vidente que lê as mãos e adivinha o caráter?
– Não conheço ninguém mais indicado – respondi.
– Hastings, você tem uma confiança admirável em mim. Chego a ficar comovido. Então não sabe, meu caro, que cada um de nós é um negro mistério, um labirinto de paixões, desejos e talentos antagônicos? Mais oui, c’est vrai. Vive-se tirando conclusões… que 90% das vezes são errôneas.
– Não Hercule Poirot – afirmei, sorrindo.
– Mesmo Hercule Poirot! Oh! Sei perfeitamente que você sempre me acha um pouco pretensioso, mas de fato, garanto-lhe, sou até muito modesto. (pág. 11-12)

– Já notei que, quando trabalhamos juntos em algum caso, você está sempre me impelindo à ação física, Hastings. Quer que eu examine pegadas, analise cinzeiros, deite de barriga para baixo para examinar minúcias. Nunca compreende que, espichando-se numa poltrona de olhos fechados, se possa chegar mais rápido à solução de qualquer problema. A gente então enxerga com os olhos da inteligência. (pág. 13)

– Acho que é o famoso bigode – insisti. – Está fascinada por ele.
Poirot cofiou-o dissimuladamente.
– Não há que negar que é notável – reconheceu. – Ah, meu caro, o bigode à escovinha que você usa… é um horror… uma atrocidade… uma deturpação proposital das leis da natureza. Desista dele, meu amigo, por favor. (pág. 13)

– Tenho uma ou duas ideiazinhas que gostaria de lhe expor – disse Poirot.
– O senhor e suas idéias! De certo modo, sabe, é um “pavor”. Não que eu não queira ouvi-las. Quero, sim. Sempre sai algo aproveitável dessa sua cabeça de formato tão engraçado.
Poirot recebeu o cumprimento com certa frieza. (pág. 141)

– Pretende ir ao Palácio de Buckingham? – perguntei, sarcástico.
– Não. Porém vi hoje de manhã no jornal que o duque de Merton já regressou a Merton House. Ao que sei, é um dos principais membros da aristocracia inglesa. Desejo prestar-lhe todas as honras.
Poirot não tem nada de socialista. (pág. 158 )

Poirot me fez parar com o gesto mais extravagante que jamais o vira fazer. Os dois braços giraram no ar.
– Pelo amor de Deus, Hastings! Agora não! Por favor!
Feito o quê, pegou o chapéu, enfiando-o na cabeça como se nunca tivesse ouvido falar em ordem ou método, e saiu correndo da sala. (pág. 181)

Referências a personagens recorrentes

Não nutria por Japp a mesma indulgência de Poirot. Não tanto por me importar com a exploração intelectual que fazia de meu amigo. Afinal de contas, Poirot gostava desse procedimento, implicava uma lisonja sutil. O que me aborrecia era a hipocrisia do inspetor, fingindo não ter a menor intenção nesse sentido. (pág. 47)

– Meu bom amigo – disse -, você não sabe quanto dependo de você.
(…)
– Sim – continuou devaneando -, talvez você nem sequer compreenda até que ponto é assim… mas cada vez, com maior freqüência, é você quem me oferece a solução.
(…)
– Não, não. Você possui um equilíbrio maravilhoso, perfeito. É a sanidade mental personificada. Compreende o que isso significa para mim? Quando o criminoso se dispõe a cometer um crime, a primeira coisa com que se preocupa é em ludibriar. Quem ele procura ludibriar? A imagem que tem na cabeça é a do homem normal. No fundo, é provável que tal coisa não exista… que seja uma abstração matemática. Você, porém, se aproxima mais do que ninguém dessa definição. (pág. 128 )

– (…) Havia uma moça de cabelos ruivos que teria logo cativado o seu coração suscetível.
Poirot sempre tem a impressão de que sou especialmente vulnerável às ruivas. (pág. 209)

Referências a outros casos de Poirot:

– Você parece alguém que lê um romance policial e começa a dar palpite sobre os personagens, um por um, sem eira nem beira. Certa vez, confesso, também tive de proceder assim. Era um caso excepcional. Qualquer dia desses eu lhe conto. Foi um motivo de orgulho para mim. (pág. 129)

– Foi Lady Yardly quem me recomendou o senhor. Pelo modo como se exprimiu a seu respeito, e pela gratidão que demonstrou, achei que era a única pessoa capaz de me ajudar. (pág. 164)

– Pelo que vejo, Holmes – observei -, você localizou as botas do embaixador.
Spoiler –> – Era um caso de contrabando de cocaína. Engenhosíssimo. Passei a última hora num salão de beleza feminina. <– Fim do spoiler (pág. 209)

Referências a outros autores:

Eu tinha examinado os volumes das prateleiras mais próximas. Tinha as Memórias de Casanova, além de um volume sobre o Marquês de Sade e um outro sobre torturas medievais. (pág. 41) Giacomo Casanova, escritor e aventureiro italiano, e Donatien Alphonse François de Sade, marquês francês, escritor. Ambos são conhecidos pelo comportamento libertino e pelo desprezo aos valores religiosos.

– Eu estava brincando de Carmen – explicou Poirot, sem se perturbar. (pág. 72) Carmen, ópera de Georges Bizet a partir de novela de Prosper Mérimée. A presonagem principal é uma cigana sedutora.

– (…) A bela Lady Edgware desconhece a história, a geografia e os clássicos, sans doute. O nome de Lao Tse lembrar-lhe-ia um cão pequinês campeão, o de Molière uma maison de couture. (pág. 108 ) Lao Tse, filósofo chinês autor do “Tao Te Ching”. Jean-Baptiste Poquelin ou Moilére, dramaturgo francês autor de “Escola de mulheres”.

Referências curiosas:

– Meu nome é Hastings.
– Não diga. Ora, eu seria capaz de jurar que você era um sujeito chamado Spencer Jones. O bom Spencer Jones. Conheci-o em Eton e Harrow e tomei-lhe emprestada uma nota de cinco. (pág. 25) Eton College, escola para meninos fundada em 1440 por Henrique 6º. Harrow School, escola para meninos fundada em 1572 por Elizabeth 1º. Ambas são rivais e competem acadêmica e esportivamente entre si.

Há muito tempo que desisti de fazer perguntas a Poirot que comecem com: “Por quê?” Que nem a Brigada Ligeira: “Não me compete discutir, mas apenas obedecer ou sucumbir”, embora felizmente ainda não chegara a hora de sucumbir! (pág. 71) No original: “Mine not to reason why, mine but to do or die”, trecho do poema “A carga da Brigada Ligeira”, de Tennyson, a respeito de fatos ocorridos na Guerra da Criméia que também inspiraram o filme homônimo.

Um chapéu cloche de 1931

Um chapéu cloche de 1931

Aqui devo intercalar uma rápida explicação: pois não sei em que época esta história será lida. Tenho visto várias modas em matéria de chapéu durante a minha vida – o chapéu cloche escondia o rosto tão completamente que a gente desistia, em desespero, do trabalho de identificar as amigas. (pág. 100)

Enquanto bebíamos, Sir Montagu não parava de falar. Dissertou sobre gravuras japonesas, goma-laca chinesa, tapetes persas, os impressionistas franceses, música moderna e as teorias de Einstein. (pág. 134)

– De modo algum – Sir Montagu acenou, graciosamente, a mão. – O homicídio pode ser uma obra de arte. O detetive, um artista. Não me refiro, é lógico, à polícia. Hoje esteve aqui um inspetor. Sujeito estranho. Nunca tinha ouvido falar em Benvenuto Cellini, por exemplo. (pág. 135) Benvenuto Cellini, pintor, escultor, músico, ouriveseiro e soldado renascentista, é autor da famosa estátua de Perseu com a cabeça de Medusa em Florença.

Alguém – não me lembro quem – usara a expressão “julgamento de Páris” e, no mesmo instante, a voz delicada de Jane se fez ouvir:
– Paris? – disse. – Ora, hoje em dia Paris não tem a mínima importância. Londres e Nova York é que interessam. (pág. 206) Em inglês, Páris e Paris são pronunciados da mesma maneira. Na mitologia grega, o mortal Páris foi escolido para julgar qual deusa era a mais bela. Cada uma ofereceu-lhe um suborno; Páris escolheu Afrodite, que lhe ofereceu Helena. Páris a tomou e deu início à Guerra de Tróia.

– Hastings falou de várias coisas numa determinada seqüência. Mencionou o fato de que Donald Ross havia sido um dos 13 à mesa em casa de Sir Montagu Córner e fora o primeiro a se levantar. (pág. 241) Superstição que no Brasil caiu no esquecimento: se treze pessoas sentam-se à mesa numa refeição, o primeiro a levantar-se morrerá em breve.

– Contei para Hastings. Ele, que nem a Rainha Vitória, não achou graça. (pág. 241) Citação atribuída à Rainha Vitória; no original “We are not amused”.

P.S.: O senhor acha que vão me botar no museu de Madame Tussaud? (pág. 254) Museu londrino que expõe imagens feitas em cera de personalidades mundiais. A estátua de Agatha Christie foi exposta em 1972 e seu autor é Lyn Kramer. (V. foto)

Dedicatória: “To Dr. and Mrs. Campbell Thompson”

Lista de personagens: Hercule Poirot, Inspetor Chefe Japp, Capitão Hastings
Também: Carlotta Adams, Alton, Alice Bennet, Miss Carroll, Sir Montague Corner, Jenny Driver, Ellis, Dr. Heath, George Alfred St. Vincent Marsh (4th Baron Edgware), Geraldine Marsh, Capitão Ronald Marsh (5º Barão Edgware), Brian Martin, Dowager Duquesa de Merton, Duque de Merton, Donald Ross, Mrs. Wilburn, Jane Wilkinson

Observação: As citações e respectivas páginas foram extraídas da edição brasileira de Treze à Mesa
Ed. Nova Fronteira
Tradução: Milton Persson
Ano: 2005
Páginas: 254

Precedido pelo livro A Casa do Penhasco, que li fora da seqüência.

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4 pensamentos sobre “Treze à Mesa

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