Inspirações da vida real

Uma vez, também, tive uma idéia depois de assistir a um espetáculo de que Ruth Draper participava. Estava pensando em como era boa atriz e como eram excelentes suas interpretações das personagens, a forma maravilhosa como se transformava de esposa insuportável em moça camponesa ajoelhada numa catedral. Pensar nela levou-me a escrever o livro A morte de Lorde Edgware. (Autobiografia, Ed. Círculo do Livro, trad. Maria Helena Trigueiros)

Ruth Draper (1884-1956)

Ruth Draper (1884-1956)

Um número de termos aplicou-se a Ruth Draper e à arte que ela exerceu profissionalmente de 1920 a 1956, incluindo monologuista, recitalista e diseuse (monologuista, em francês). Ela preferia ser conhecida como atriz de caracterização. “Meu Deus, como ela é genial!” exclamou Katherine Hepburn para a biógrafa de Draper, Dorothy Warren. “Com a sua essência, seu enorme destaque pessoal. O que me fascinava era ver essa criatura enormemente distinta transformar-se em camponesa, instantaneamente!” Para alguém com o comportamento e o background “enormemente distinto” de Draper, sua carreira como atriz tão inesperada quanto triunfante.

Ruth Draper nasceu em Manhattan em 1884, filha de William H. Draper, um médico proeminente e professor de clínica médica no College of Physicians and Surgeons, e de Ruth Dana Draper, filha de Charles Dana. Dana fez parte do Brook Farm em Massachussets, e mais tarde trabalhou com Horace Greeley no The New York Tribune antes de tornar-se editor do The New York Sun. Ele também trabalhou como secretário assistente de guerra para Abraham Lincoln.

A sétima das oito crianças do Dr. Draper (as duas primeiras foram de um casamento anterior), Ruth cedo demonstrou talento para a mímica. A inspiração para o seu primeiro esquete plenamente executado foi um costureiro judeu que costumava prestar serviço à família Draper. Anos depois, ela o descreveu como “um homem patético e adorável. Posso vê-lo agora. ‘Isto pode ser arrumado’, ele diria. ‘Isto pode ser arrumado. Um pouco de enchimento nos ombros. Botões de pérola aqui. Colarinho de veludo.’ Discutindo seu processo criativo mais tarde, ela reconheceu que sua habilidade para descrever palavras imaginárias era a mesma que ela tinha quando era pequena. “Eu acho que o que eu faço é algo que, desde criança, nunca perdi”, ela disse a Studs Terkel em 1955. “Que é a capacidade das crianças de se atirar completamente no que elas pretextam ser… [e] se você se doa completamente àquilo que você está tentando retratar, convencerá as outras pessoas também.”

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