O que é romance policial – Sandra Reimão [3/3]

Capa do livro

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Continuação do post O que é romance policial – Sandra Reimão [2/3].

Agatha Christie foi, sem dúvida, um dos autores de romance enigma a abandonar mais radicalmente o campo do verossímil. Nessa questão, podemos ver, entre outros “Um Destino Ignorado”, narrativa em que os principais cientistas do mundo ocidental são seqüestrados por Contém spolier –> um homem que os mantém em um recinto, ocultado por um sistema de portas blindadas invisíveis a olho nu, numa colônia de leprosos. A coisa toda só consegue ser provada pelo depoimento de um desses cientistas, que colore (por pigmentação) a sua pele e faz e faz inchar seus lábios (com injeção de parafina) e assim se faz passar por criado marroquino e tem contato com autoridades visitantes. Isso tudo acompanhado de pérolas falsas numeradas, luvas que deixam marcas fosforescentes etc. <– Fim dos spoilers

Retornando às obras de Agatha Christie em que Poirot aparece como personagem central, é interessante perceber que Agatha Christie mantém a tradição da presença dos jogos intertextuais.

Em “Os Crimes ABC”, por exemplo, há uma referência crítica a Sherlock Holmes, quando Poirot, depois de blefar com uma dedução fantasiosa, diz a Hastings:

“— Mas o que quer, mon ami? Você me encara com um ar de devoção canina, e exige de mim um procedimento à la Sherlock Holmes! Agora falemos a verdade: Eu não sei como é o assassino, nem onde vive e nem como pôr as mãos nele.”

As referências a obras da própria dupla também são freqüentes. Logo no primeiro parágrafo do conto “O Caso do Baile da Vitória”, vemos “O Misterioso Caso Styles” ser referido; no capítulo 11 de “Assassinato no Campo de Golfe”, Hastings refere-se à descrição que ele tinha feito de Poirot em “O Misterioso Caso Styles” etc.

Mesmo em obras posteriores, em que Hastings já não é narrador, Poirot freqüentemente se refere a ele, como, por exemplo, em “A Morte da Sra. McGinty”, onde, ao ser acusado de romântico, Poirot diz:

“Nada disso /… / Meu amigo Hastings, ele é que era romântico e sentimental, eu nunca! Eu, eu sou severamente prático /… /.”

Ou ainda em “Os Relógios”, quando, por associação com a dupla Holmes-Watson, Poirot murmura:

“— Ce cher Hastings! Meu amigo Hastings, de quem você me ouviu falar tantas vezes. Há muito tempo que não tenho notícias dele. Que absurdo ir enterrar-se na América do Sul, onde estão sempre tendo revoluções. “

O que é romance policial – Sandra Lúcia Reimão
Ed. Brasiliense, 1983
(Fora de catálogo)

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2 pensamentos sobre “O que é romance policial – Sandra Reimão [3/3]

  1. Professora Lúcia,

    Gostaria de trocar mensagem com você. Sou estudante de Comunicação Social-Jornalismo e tenho interesse de preparar meu Trabalho de Conclusão de Curso tratando do tema romance policial.

    Abraço

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