A paixão de Agatha Christie pelos trens

Victoria Station, Londres, 1960

Victoria Station, Londres, 1960

Querida Victoria — portão para o mundo para lá da Inglaterra — como eu gosto da sua plataforma continental! E como eu gosto de trens, de qualquer maneira! Sorvendo em êxtase o cheiro sulfuroso — tão diferente daquele, leve, amorfo e distantemente oleoso de um navio, que sempre me deprime com a sua profecia de nauseosos dias por vir. Mas um trem — grande, barulhento, apressado e amistoso, com sua enorme locomotiva fumacenta soltando nuvens de fumaça, que parece dizer, impacientemente: “Eu tenho que ir, eu tenho que ir, eu tenho que ir!” — é um amigo! Está no mesmo estado de espírito que você, já que você também está dizendo: “Eu estou indo, estou indo, estou indo…” (Agatha Christie, Desenterrando o passado, Nova Fronteira)