A cozinha das escritoras – Stefania Aphel Barzini

Agatha Christie na cozinha de sua casa, na Inglaterra, em 1950. Ela era fã de pratos simples, como pães e omeletes

Agatha Christie na cozinha de sua casa, na Inglaterra, em 1950. Ela era fã de pratos simples, como pães e omeletes


Uma matéria da revista Época comenta o lançamento do livro da jornalista italiana Stefania Aphel Barzini, que analisa oa hábitos e as habilidades culinárias de escritoras e sua relação com a obra literária de cada uma.

Agatha amava cozinhar desde a infância – algo incomum para uma moça classe alta britânica, que cresceu cercada por cozinheiras. Em 1901, quando seu pai morreu, ela tinha apenas 11 anos. Enquanto toda a família foi para o funeral, ela procurou conforto na cozinha. Foi lá que Agatha passou o dia, ajudando a empregada da família a preparar o jantar. A comida também trouxe conforto quando seu primeiro marido pediu o divórcio. Nos primeiros dias após a separação, ela perdeu o apetite. Pouco depois, fez uma viagem à cidade turística de Harrogate e passou dez dias comendo tudo o que pôde. A depressão foi derrotada a golpes de garfo.

Link para a matéria completa aqui
Livro no Submarino aqui

Séries | Novos episódios de Poirot e Marple

Confirmando rumores lançados pelo ator David Suchet, o canal de TV britânico anunciou as gravações dos cinco últimos trabalhos do detetive belga para 2012: Os Trabalhos de Hércules, A Extravagância do Morto, Os Quatro Grandes, Elefantes Não Esquecem e Cai O Pano, o derradeiro caso de Poirot. Ainda não se tem certeza se Hugh Fraser retornará para o papel do Capitão Hastings em Cai O Pano, mas Suchet espera que sim:

A ITV também anunciou mais três episódios de Marple estrelados por Julia Mckenzie: Mistério no Caribe, Noite Sem Fim e O Mistério dos Sete Relógios. Dos três, apenas Mistério no Caribe é um livro originalmente centrado em Jane |M|arple, os outros dois serão adaptações livres. Isso já vem sendo feito há algumas temporadas.

Fonte: The Stage

A Noite das Bruxas versus Hallowe’en Party

David Suchet e Zoe Wanamaker em Hallowe'en Party

David Suchet e Zoe Wanamaker em Hallowe'en Party

“- O senhor sabe o que é uma festa de Halloween, na véspera de Todos os Santos?
– Eu sei o que é Halloween – disse Poirot. – É o dia 31 de outubro. – Piscou os olhos ligeiramente, ao dizer: – Quando as bruxas voam em cabos de vassouras.”
Agatha Christie, A Noite das Bruxas, trad. Edilson Alckmin Cunha. L&PM. 2010.

George: Not enjoying it, sir?
Hercule Poirot: It is the subject matter, George. It is distasteful. Poirot, he has seen much evil in this world. It should not be the subject of such mockery. Halloween is not a time for the telling of the stories macabre, but to light the candles for the dead. Come, mes amis, let us do so.
Agatha Christie’s Poirot: Hallowe’en Party, episódio 3, temporada 12. ITV. 2010.

Agatha Christie em artigos acadêmicos [7]

Dissertação apresentada ao Centro de
Ensino Superior de Juiz de Fora – MG (Mestrado em Letras), Área de
Concentração: Literatura Brasileira. Linha de Pesquisa: Literatura brasileira: tradição e ruptura. [2007]


Mistério e suspense na narrativa policial de Marcos Rey – Gilda Maria das Graças Gomes

Resumo:
“Este trabalho propõe-se a fazer uma pesquisa teórica sobre o romance policial, sua gênese, sua evolução e suas transformações pelo tempo, a fim de conhecer seus precursores no Brasil. Inicialmente, aborda-se o surgimento desse gênero,
caracterizando-se cada tipo de romance. Apresenta-se o primeiro romance policial brasileiro, os precursores, peculiaridades nacionais significativas para o estudo e evidencia-se uma visão geral da obra do autor objeto desta pesquisa. Analisa-se a obra O mistério do cinco estrelas, de autoria de Marcos Rey, identificando-se personagens, tramas, a importância do tempo e do espaço, como fator determinante em sua obra. Focaliza-se, ainda, a literatura juvenil policial, como gênero ficcional mais apurado, ressaltando-se a participação do escritor na estimulação da consciência crítica de seus leitores por meio do prazer do texto. Por fim, demonstrar a importância desse gênero e a contribuição ímpar de Marcos Rey no cenário literário, referente ao prazer do texto infanto-juvenil.”

Esse artigo encontra-se disponível online [PDF] no site da instituição através deste link.

Agatha Christie em artigos acadêmicos [6]

Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza – CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de 2010.


A literatura e as Ciências Penais – Isolda Lins Ribeiro e Lucas Moraes Martins

Resumo:
“O processo de racionalização do ensino do direito, ocorrido durante os últimos séculos, tratou de apartá-lo das demais ciências. O ensino jurídico, assim como toda o modelo educacional do século XX, tornou-se tecnocrático e disciplinar, afastando seu conteúdo de sua aplicação no mundo real. A literatura, por traduzir todas as nuanças da vida humana, oferece inúmeras formas para se instrumentalizar o ensino jurídico. Através da literatura policial, não somente o conhecimento acerca do direito e processo penal se populariza, como se transforma em uma ferramenta apta ao ensino do Direito. Destarte, propusemo-nos a analisar a possibilidade de haver interdisciplinaridade com a Literatura, demonstrando, através de exemplos retirados das obras de Sir Arthur Conan Doyle e Agatha Christie, que a conjugação de ciência e arte pode atuar em favor do ensino jurídico, de acordo com os novos rumos da Educação.”

Esse artigo encontra-se disponível online [PDF] no site da instituição através deste link.

Agatha Christie em artigos acadêmicos [5]

Artigo acadêmico publicado na Revista Eletrônica n. 7 do Curso de Letras da Universidade Tuiuti do Paraná [UTP], publicado em janeiro de 2004.

Investigando M. Poirot: A lógica do detetive determinada pelo enigma clássico do tempo e do espaço – Cleverson Ribas Carneiro

Reesumo:
“O romance policial de enigma ou clássico constitui a gênese do moderno e popular romance policial. Como esse gênero caracteriza-se por ser altamente formalizado, a análise do espaço e do tempo na narrativa permite a observação de algumas de suas estruturas básicas. Este estudo sustenta-se nas teorias de Mikhail Bakhtin sobre tempo e espaço (cronotopo) e analisa algumas premissas ideológicas de produção do romance de enigma clássico, especialmente a abstração dos planos temporais e espaciais e suas influências no desenvolvimento dos personagens.”

Esse artigo encontra-se disponível online [DOC] no site da instituição através deste link.

Agatha Christie em artigos acadêmicos [4]

Artigo acadêmico apresentado na XVI Semana de Humanidades do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Grupo de Trabalho 29 [“A crítica literária pós-estruturalista”], em 2008.


As Imagens da Morte em Agatha Christie, Oscar Wilde e Edgar Allan Poe – Luciana de Freitas Bernardo

Reesumo:
“O espelho é um objeto que sempre esteve carregado de diferentes simbologias, comumente ligadas ao auto-conhecimento e à verdade, devido ao fato de mostrar, a quem se olha nele, uma imagem tão próxima da real quanto possível. Por outro lado, o espelho também é associado ao misticismo e ao sobrenatural, pela “mágica” de conseguir duplicar aquele que olha através dele. Esse caráter ambíguo torna o espelho um elemento fantástico por excelência e de recorrência comum nos textos deste gênero, além de ponto alto de interesse para nossa discussão. Pretendemos, neste trabalho, analisar os textos In a Glass Darkly de Christie, The Oval Portrait de Poe e The Picture of Dorian Gray de Wilde a partir de uma metodologia comparativa, e, a seguir discutir as relações entre eles apontando as similaridades e diferenças no tratamento do espelho como objeto que introduz o sobrenatural e a morte nas tramas tomando como base as discussões de Barthes, Santaella, Aumont e Eco sobre as imagens.”

Esse artigo encontra-se disponível online [PDF] no site da instituição através deste link.

Adaptações televisivas de cinco romances policiais de Agatha Christie podem estar a caminho

David Suchet, 22/6/11

Imagem: BBC

O ator David Suchet, famoso por interpretar o detetive belga Hercule Poirot, foi agraciado com a medalha de Commander of the Order of the British Empire [CBE], que recebeu em 22/6 das mãos do Príncipe Charles.

“Conhecido por sua atuação como o bigodudo detetive belga Hercule Poirot, Suchet foi homenageado por sua contribuição ao teatro e recebeu o prêmio das mãos do Príncipe Charles no Palácio de Buckingham.

O astro disse: “Tenho tido uma carreira fantástica. Embora eu seja lembrado por Poirot eu nunca fui escalado para fazer sempre o mesmo papel. Eu sou raramente eu mesmo. Sou um ator que representa tipos diferentes e essa é a alegria e o desafio.”

Ele acrescentou que esperava realizar o sonho de uma vida inteira ao filmar os romances de Poirot de Agatha Christie que faltam. “Fiz todos exceto cinco das histórias. Meu sonho de vida seria lançar o box de todos os livros que ela escreveu,” disse.

“Pode acontecer. A luz verde está piscando e estou no aguardo para que se acenda de vez. Pode acontecer no próximo outono.”

Outros inúmeros papeis de Suchet incluem atuações como o Cardeal Wolsey no Henrique 8º da ITV e Robert Maxwell numa dramatização televisa de seu ocaso. Ele também está na série Oppenheimer.

Suchet foi nomeado para os prêmios Olivier e Tony pelo seu trabalho de palco, particularmente por sua interpretação de Antonio Salieri no Amadeus de Peter Shaffer.” [Tradução livre de reportagem do Telegraph.]

David Suchet como filho Robert, esposa Sheila e fiha Katherine

Imagem: The Daily Telegraph

Outro homenagenado, Jonathan Sands, declarou: “Depois que ele [Príncipe Charles] me presenteou o prêmio eu fui para a minha cadeira assistir ao resto da cerimônia e sentei ao lado de um homem que achei que conhecia de algum lugar. Era David Suchet – o ator de Hercule Poirot – e ele foi um homem adorável de conversar.” [Trad. livre Ripon Gazette]

Poirot meets the Prince


Link http://www.youtube.com/watch?v=EZ_bhP58j2Y

Agatha Christie em artigos acadêmicos [3]

Artigo acadêmico apresentado no 1º Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários / 4º Colóquio de Estudos Linguísticos e Literários ocorrido na Universidade Estadual de Maringá/PR [UEM], Departamento de Letras / Centro de Ciências Humanas – Letras e Artes / Programa de Pós-Graduação em Letras,  em 2010.

O discurso autobiográfico de Agatha Christie – Caroline Wilt Araújo e Fábio Augusto Steyer

Reesumo:
” Este trabalho é parte de um projeto de pesquisa e extensão que pretende, entre outros estudos, analisar as marcas de Agatha Christie.
Quando pensamos em mulheres que conseguiram conquistar o espaço da literatura policial, com toda certeza nos vem em mente o nome da incrível Rainha do Crime, Agatha Christie. Ela ficou conhecida mundialmente por sua perspicácia e genialidade na criação de livros com alto nível de mistério, tramas intrigantes que levam os leitores, desde os mais jovens até os seguidores fanáticos, a cogitar inúmeras possibilidades para desvendar os tão bem elaborados crimes de seus romances.
Ela, mais do que qualquer outra mulher, ganhou muito dinheiro com o crime. Seus editores perderam as contas da vendagem de seus livros, tamanho foi seu sucesso. Além das obras publicadas com o sobrenome usual Christie, produziu ainda peças com o pseudônimo de Mary Westmacott, além de escrever narrativas sobre suas inúmeras viagens com o nome de casada, Agatha Christie Mallowan”

Esse artigo encontra-se disponível online [PDF] no site da instituição através deste link.

Agatha Christie’s Murder in the Making – Stories and Secrets from her Archives

Agatha Christie: Murder in the making

Na sequência de Agatha Christie’s Secret Notebooks, o arquivista e especialista na obra de Christie John Curran conduz o leitor através das seis décadas da carreira de Agatha como escritora, revelando algumas pistas extraordinárias para o seu sucesso e alguns trechos dos seus arquivos e contos nunca publicados antes.

Iniciando suas investigações pelos anos 1920, John Curran examina os costumes convencionais dos romances de detetive como eram na época e revela como o editor de Agatha Christie a convenceu a alterar o final do seu primeiro livro, O Misterioso Caso de Styles, uma ação que quase certamente mudou os destinos não apenas da carreira dela mas também do futuro da ficção policial. Pela primeira vez, este livro publica o final original de Agatha, dolorosamente transcrito do rascunho escrito à mão em um de seus cadernos de notas mais antigos.

Assim como revela mais de uma dúzia de ideias de livros não publicados, Agatha Christie’s Murder in the Making contém dois contos nunca vistos dos seus arquivos – The Man Who Knew e um rascunho inicial de Miss Marple, The Case of the Caretaker’s Wife.

[Tradução livre de post no site oficial.]

Post relacionado
Sugestão de leitura | Agatha Christie’s Secret Notebooks: Fifty Years of Mysteries in the Making

O desaparecimento de Agatha Christie

Agatha Christie

“Esta série investiga em detalhes o desaparecimento dos personagens mais famosos do século XX, desde Amelia Earhart até Agatha Christie. Em alguns casos, as explicações surgem através de investigações ou por puro acidente. No entanto, a maioria dos desaparecimentos não tem explicação lógica, e embora grandes quantidades de provas sejam apresentadas, eles continuam sendo um mistério até hoje.”

O documentário de 21 minutos exibido pelo Biography Channel está disponível online no Terra TV [clique aqui para assistir].

Via: Grandes Detetives

Agatha Christie em artigos acadêmicos [2]

Artigo acadêmico apresentado no II Congresso Internacional de Leitura e Literatura Infanto-Juvenil ocorrido na Pontifícia Universidade Católica PUC-RS em maio de 2010

Assassinato no Expresso do Oriente de Agatha Christie: Horizonte de expectativas e recepção envolvendo obra impressa e virtual – Paola Natacha Bogusz

Reesumo:
“As obras que costumamos ver e analisar são impressas e facilmente encontradas em bibliotecas e lojas especializadas em livros. Porém, com o advento da tecnologia, é possível encontrar estas mesmas obras em meios, como o eletrônico e em variadas formas, como jogos de computador e e-books.
Com este trabalho tentaremos mostrar um pouco deste universo multimidial, pois utilizaremos o livro Assassinato no expresso do oriente de Agatha Christie e o jogo, em inglês, criado a partir da obra da autora para analisar a recepção e o horizonte de expectativa envolvendo um indivíduo que foi contatado no site de relacionamentos Orkut.”

Esse artigo encontra-se disponível online [PDF] no site da instituição através deste link.

BOGUSZ, Paola Natacha. Assassinato no Expresso do Oriente de Agatha Christie: Horizonte de expectativas e recepção envolvendo obra impressa e virtual. 8f. 2010.

Agatha Christie em artigos acadêmicos [1]

Dissertação de Mestrado apresentada ao Departamento de Linguística, do Programa de Pós Graduação em Linguística e Língua Portuguesa da Faculdade de Ciências e Letras – UNESP/Araraquara

A configuração dos romances policiais mais vendidos no Brasil no século XXI: canônica ou inovadora? – Fernanda Massi

Reesumo:
“Este trabalho foi elaborado em continuação de um projeto de iniciação científica, financiado pela FAPESP e sob a mesma orientação, que analisou os romances policiais mais vendidos no Brasil na década de 1970, a partir de um levantamento realizado por Cortina (2006), em sua constituição narrativa sob uma perspectiva semiótica. O embasamento teórico de nossa pesquisa foi a semiótica discursiva, ou semiótica greimasiana, que estabeleceu o esquema narrativo canônico, composto por quatro programas narrativos, quais sejam a manipulação, a competência, a perfórmance e a sanção, e que se manifesta em todo e qualquer texto. Nos romances policiais, os programas narrativos são realizados por dois sujeitos do fazer indispensáveis à trama: o criminoso e o detetive. Cada um deles traça seu percurso, paralelamente ao outro, e eles se cruzam no último programa narrativo, o da sanção, no qual o detetive sanciona o criminoso negativamente e é sancionado positivamente pela sociedade. Nesta pesquisa de mestrado, analisamos as obras mais vendidas no Brasil nos primeiros anos do século XXI, que corresponde ao período de janeiro de 2000 a fevereiro de 2007, selecionadas a partir da mesma fonte usada por Cortina em seu levantamento, qual seja o Jornal do Brasil, e classificadas como romances policiais pelos próprios autores e pela crítica. Estabelecemos um corpus de vinte e dois romances policiais e fizemos uma análise dos elementos constituintes da narrativa em cada um deles. Posteriormente, comparamos os romances da década de 1970 (tradicionais) – cujo foco da narrativa é o percurso do detetive – com os romances do século XXI (contemporâneos) – cujo enfoque foi modificado, a fim de elencar as mudanças ocorridas no gênero policial. Nosso objetivo foi ampliar o conceito de gênero policial a partir dessas diferenças, destacando a expansão do modelo proposto por Edgar Allan Poe no século XIX, e mostrar em que medida os romances policiais contemporâneos se distanciaram dos romances policiais clássicos sem, no entanto, descaracterizar o gênero.  Com isso, apresentamos neste trabalho uma conceituação mais ampla para o gênero policial, elaborada não como regra a ser seguida pelos autores contemporâneos, mas sim formulada a partir do que esses autores escreveram.”

Os livros de Agatha Christie compõem o corpus. Essa dissertação encontra-se disponível online [PDF] no site da instituição através deste link.

MASSI, Fernanda. A configuração dos romances policiais mais vendidos no Brasil no século XXI: canônica ou inovadora?. 144f. 2010. Dissertação de Mestrado (Pós Graduação em Linguística e Língua Portuguesa). Faculdade de Ciências e Letras, UNESP/Araraquara, 2010.

A Casa Torta ganhará primeira adaptação cinematográfica

Neil LaBute em Cannes (16/5/11)

O diretor Neil LaBute [Morte no Funeral] anunciou no Festival de Cinema de Cannes seu novo projeto, a adaptação do romance policial A Casa Torta [Crooked House, 1949], de Agatha Christie. O filme terá roteiro de Julian Fellowes [Assassinato em Gosford Park, A Jovem Rainha Vitória] e já tem participações confirmadas de Julie Andrews, Gemma Arterton, Matthew Goode e Gabriel Byrne.

Abaixo está a tradução livre da entrevista concedida por LaBute para a Total Film:

Como você se envolveu nesse projeto?
“A cada década eu gosto de pegar um autor inglês consagrado e adaptar sua obra e ficar pronto para me apedrejarem. Primeiro foi A. S. Bayatt e agora Agatha Christie. Chegarei a Coward e Wilde um dia.

Mas a sério, vi o roteiro de Julian Fellowes e eu gosto de um mistério e achei que tudo desde o título era intrigante.”

Do que você gostou?
“Este aqui nunca foi tocado na TV ou cinema; era meio que fora da zona de conforto para ela por ter um romance além dos assassinatos de praxe.

E quando me dei conta que o final era moralmente questionável, eu pensei ‘Espere, estão cantando o que me atrai”. Foi o 49º livro dela, eu acho, mas ela ainda enfrentou dificuldades em relação a A Casa Torta com seus editores, que não queriam que terminasse do jeito que terminou.

Tem aquela ótima zona cinza de moralidade em que gosto de trabalhar.”

Matthew Goode e Gemma Arterton são seu par romântico, então…

“Ela é uma herdeira cujo avô falece. Ela acredita que ele foi assassinado e chama um namorado do passado que atualmente trabalha na Scotland Yard para o caso, então aquela tensão arrepiante que nunca alcançaram quando eram um casal vem à tona.”

Os whodunnits não são o reino do esquisito em matéria de televisão atualmente?

“Eu não quero torná-lo esquisito mas tenho de ser exato quanto ao seu espírito. Não planejo reiniciar o gênero. Será um bom pedaço de diversão.

O último filme que teve esse significado foi Gosford Park mas o mistério foi mínimo ali. Porém, da mesma forma que Altman trouxe um novo olhar para isto [o whodunnit], e Sidney Lumet trouxe para Assassinato no Expresso Oriente, quero fazer a mesma coisa.

Meu trabalho agora é quão bem posso construir o que Agatha Christie já construiu tão bem, e o fazer de forma visual.

Espero não estragar tudo.”

Atualmente o filme está em pré-produção, com as filmagens previstas para se iniciar em junho ou julho próximo. Acompanhe pelo iMDB.

Storyline
An engaged woman holds off on marriage until the identity of the person who poisoned her grandfather is found.

O livro A Casa Torta encontra-se esgotado, mas está na lista de próximos lançamentos [em nova tradução] da Editora L&PM.

Contos inéditos no catálogo da Avon

Campanha 09/2011, p. 161

Para quem não tem intenção de adquirir o livro Os Diários Secretos de Agatha Christie, de John Curran, a editora Leya publicou os contos inéditos A Captura de Cérbero e O Incidente da Bola de Cachorro separadamente. Cada conto é acompanhado das anotações de Curran e de três ou quatro capítulos do Diários…, e os dois volumes estão à venda no catálogo 09/2011 da Avon por R$22.

http://www.folhetoavon.com.br/

Livros em promoção [Submarino e Avon]

Campanha 06/2011

O folheto da campanha 06/2011 da Avon traz dois livros de Agatha Christie:

 

[1] E Não Sobrou Nenhum – Anteriormente Publicado Como O Caso Dos Dez Negrinhos [trad. Renato Marques, Ed. Globo] R$ 14,99

[2] Vira-Vira O Misterioso Caso de Styles + O Caso do Hotel Bertram + conto Enquanto Houver Luz [Ed. Best-Seller] R$ 21,99.

http://www.folhetoavon.com.br/

Já o Submarino está com descontos nos romances policiais:

[1] A Teia da Aranha; O Misterioso Caso de Styles; O Caso do Hotel Bertram; Poirot e o Mistério da Arca Espanhola & Outras Histórias; Um Brinde de Cianureto; Enquanto Houver Luz E Outros Contos de Suspense; Cinco Porquinhos; O Inimigo Secreto; Os Relógios; A Testemunha Ocular do Crime; O Segredo de Chimneys R$ 10,00 cada

[2] Punição Para A Inocência R$ 12,90

[3] E Não Sobrou Nenhum; O Homem do Terno Marrom R$ 14,90 cada

[4] Seguindo A Correnteza R$ 16,90

[5] Morte na Mesopotâmia; Elefantes Não Esquecem R$ 26,90 cada

[6] HQ Assassinato no Expresso Oriente + Morte no Nilo R$ 42,00

[7] Agatha Christie Edição Especial [Assassinato no Expresso do Oriente, Morte no Nilo, A Mansão Hollow e Cai o pano] R$ 59,90

Sugestão de leitura | Agatha Christie’s Secret Notebooks: Fifty Years of Mysteries in the Making

Sinopse
Agatha Christie: 66 romances policiais, 20 peças de teatro, 6 romances sob um pseudônimo e mais de 150 contos. Quais são os mistérios que explicam tamanho sucesso?

Em 2004, um incrível legado foi revelado: Descobertos entre outros objetos deixados na casa da família de Christie estavam seus diários – 73 cadernos escritos à mão com notas, listas e desenhos que apresentavam seus planos para diversos livros, peças e contos. Entre essas relíquias, observações, pistas e notas sobre seus famosos livros, que fascinam gerações de leitores.

Repleto de detalhes que a modesta autora jamais revelou, Os Diários Secretos de Agatha Christie inclui dois contos inéditos de Poirot. Imperdível! [Extraído da edição brasileira]

Capa

Quando a escritora inglesa Agatha Christie faleceu, ela deixou sua propriedade Greenway House para a filha Rosalind. Greenway era a casa de verão da família no Devon desde 1938 e após o falecimento de Rosalind passou para o National Trust para ser reformada, entrando no circuito de jardins abertos à visitação pública.

O neto de Agatha então convidou um dos conselheiros da fundação que cuida do legado da autora para um fim de semana na casa, antes da reforma. Num dos quartos-depósitos, John Curran encontrou uma caixa de papelão repleto de cadernos: durante o resto do fim de semana ele só saiu do depósito para dormir [pouco] e comer [arrastado por Mathew Pritchard, seu anfitrião].

Curran trabalhou durante quatro anos nos cadernos de notas [e não “diários”, como aparece em alguns sites e traduções] decifrando, interpretando, organizando e relacionando as anotações ao seu respectivo romance/conto/peça teatral. As duas maiores dificuldades que ele mesmo aponta em seu livro foram decifrar a caligrafia de Agatha Christie e ordenar cada anotação cronologicamente.

O livro traz alguns fac-símiles de páginas dos cadernos de notas e, cara, vou te contar, não é fácil mesmo! Talvez porque os cadernos funcionassem como uma Penseira em que ela despejava suas ideias para analisá-las mais criticamente depois ou porque o pensamento é mais rápido do que a mão, a caligrafia da Dama do Crime parece de médico. Um médico que escreve em pé, sem apoio, entre uma corrida e outra.

Quanto à cronologia, Agatha não seguia os conselhos de sua criação: o detetive Hercule Poirot recomendava trinta e três vezes que a pessoa deve ter ordem e método, mas sua criadora preferia o “método caótico”: ela sempre tinha meia dúzia deles espalhados pelas casas, na bolsa, etc., voltando a usá-los após intervalos de meses ou anos; as ideias para um livro específico podem se espalhar em vários cadernos, variando entre uma linha a vinte páginas, sequenciais ou não; ela raramente datava as entradas.

The best time for planning a book is while you’re doing the dishes.
Agatha Christie

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Agenda de TV

Não há exibição de episódios ou filmes baseados nos livros de Agatha Christie programados para o mês de fevereiro de 2010 nos canais HBO.

No canal Film&Arts apenas uma exibição no domingo, dia 6, de um episódio não especificado de Poirot à 0h00 e às 14h00.

Atualização: Nossa leitora Mell, do blog Maria Letras, avisa que o canal TCM exibirá Testemunha de Acusação [Witness for the Prosecution, EUA/1957] na próxima sexta-feira 04/02 às 15h [Horário Brasileiro de Verão].

V. resenha.

They Do It With Mirrors / Murder With Mirrors / Um Passe de Mágica

Miss Marple: Helen Hayes, Joan Hickson, Julia Mckenzie

Muitos criticam a postura conservadora e, por vezes, até mesmo preconceituosa demonstrada pela escritora inglesa Agatha Christie em sua obra. Para essas pessoas, o romance policial Um Passe de Mágica [They Do It With Mirrors] deve ser um exemplo perfeito e conjugado do tradicionalismo e da intolerância contra estrangeiros praticados pela autora.

Quanto ao tradicionalismo, não há muito o que argumentar. Na trama do livro, a escritora põe em dúvida a eficácia da abordagem humanista dos métodos de recuperação de delinquentes juvenis praticados na instituição Stonygates, de Lewis e Carrie-Louise Serrocold, uma velha amiga de Miss Marple da época em que eram jovens em turnê pela Itália junto com a irmã de Carrie-Louise, Ruth. As três fizeram o Grand Tour juntas.

Miss Marple critica os métodos de Stonygates e, mais ainda, a condescendência que considerava excessiva na disciplina de jovens infratores, preferindo que a filantropia se dedicasse aos jovens que, passando pelos mesmos problemas, não caíam no crime. Tanto ela quanto Ruth demonstram ter uma visão menos idealista da vida.

As palavras de Mrs. Van Rydock vieram a propósito.
– Carrie Louise sempre viveu completamente fora da realidade – disse. – Não conhece nada do mundo. Talvez seja isso que me preocupe.
– Quem sabe o meio – começou Miss Marple, mas parou logo, sacudindo cabeça. – Não – disse.
– Não, é ela mesma – afirmou Ruth Van Rydock. De nós duas, Carrie Louise sempre foi a que tinha ideais. Lógico que quando éramos moças isso estava na moda – todo mundo tinha ideais, ficava bem ter. Você queria cuidar de leprosos, Jane, e eu ia ser freira. A gente se cura dessas tolices. [Agatha Christie, Um Passe de Mágica, trad. Milton Persson. L&PM Editores, 2006]

Já sobre a intolerância, de fato há menções pouco honrosas contra personagens norte-americanos, italianos e russos, porém a maior parte – se não a totalidade – dos comentários preconceituosos é dita por uma personagem de mentalidade estreita, rancorosa e amargurada, o que retira muito da sua credibilidade.

O próprio talho rígido dos lábios possuía um ascético ar eclesiástico. Personificava a Paciência Cristã e, possivelmente, a Retitude Moral. Mas não, segundo Curry, a Caridade. [idem]

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Guy Fawkes – A Noite da Fogueira

O inspetor-chefe estava acompanhado por um homem maduro, pequeno, de testa larga e grandes bigodes à militar, que agora sorria consigo mesmo.
Très bien, Japp. Meus parabéns. Foi um belo sermão.
– Essa história de pedir dinheiro para fazer o espantalho do Guy Fawkes não passa de uma desculpa esfarrapada para mendigar – disse o inspetor, ainda indignado.
– Uma tradição interessante – refletia Hercule Poirot. Os fogos de artifício continuavam a explodir – bang, bang – , mas o homem e seu crime já foram esquecidos.
O detetive da Scotland Yard concordou.
– A maioria desses garotos nem sabe quem foi Guy Fawkes.
– E a confusão só tende a aumentar. Daqui a pouco vai haver quem não saiba se esses feu d’artifice de 5 de novembro celebram um dia de honra ou a vergonha nacional. Afinal, tentar dinamitar o Parlamento inglês terá sido pecado ou virtude? (Agatha Christie, Assassinato no Beco, Nova Fronteira/2005, pág. 7)

 

Guy Fawkes

Guy Fawkes

 

É engraçado, pensando agora, no quanto eu era desligada na adolescência. Li esse livro da Duquesa da Morte lááá aos 16 anos pela primeira vez. Depois vi mais uma referência em Jane Eyre quando tinha uns 17 ou 18 e não liguei um ao outro. Só muito tempo depois, quando Alan Moore jogou-me na cara em V de Vingança, é que fui me interessar por Guy Fawkes.

Guido ou Guy Fawkes era um católico inglês que participou da Conspiração da Pólvora em 1605, junto com outros 12 jovens. O objetivo era assassinar o rei protestante James 1º [sucessor de Elizabeth 1ª e filho de Mary Stuart ou Mary Rainha da Escócia, católica], ao explodir a Casa dos Lordes durante a Abertura do Parlamento. A Casa dos Lordes e a Câmara dos Comuns funcionam no mesmo local, o Palácio de Westminster.

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4.50 from Paddington / What Mrs. McGillicuddy Saw/ Murder She Said / A Testemunha Ocular do Crime

Agatha Christie em 1957, aos 67 anos

Fui passar um fim de semana com Rosalind, no País de Gales, e voltei a Londres num trem tardio, domingo à noite. Era um desses trens que tivemos que agüentar durante a guerra, frios como geladeiras, e, claro, quando chegávamos à estação de Paddington, não existiam quaisquer meios de locomoção. Tomei outro trem algo complicado, que, finalmente, me deixou numa estação de Hamp­stead, não muito distante do Lawn Road Flats, e da estação fui a pé para casa, carregando alguns peixes defumados e minha mala. [Agatha Christie, Autobiografia, trad. Maria Helena Trigueiros. São Paulo: Círculo do Livro, 1989]

Agatha Christie gostava muito de trens, tanto que mais de uma vez cometeu assassinatos dentro deles ou usou a tabela de horários, estações e baldeações em suas histórias. A associação entre Agatha Christie e trens é tão forte que até o grupo humorístico Monty Python criou um sketch para o tema [v. final do post].

Em Testemunha Ocular do Crime, Mrs. Elspeth McGillicuddy apanha o trem das 4:54 na estação de Paddington, em Londres, rumo a Milchester. Durante parte do percurso, seu trem corre paralelo a um outro comboio e Mrs. McGillicuddy olha pela janela a tempo de testemunhar uma mulher sendo estrangulada por um homem. Abalada, ela chega à casa de sua amiga e conta-lhe tudo. A amiga é Miss Jane Marple.

Miss Marple já está com mais de oitenta anos, reumática, proibida de jardinar – o que a deixa de mal-humor – mas a mente continua afiada. Depois de informar à polícia, que não encontra nenhum cadáver, Miss Marple passa a estudar as possibilidades. O corpo só pode ter sido jogado do trem e há apenas um ponto da ferrovia em que isso poderia ser feito: os terrenos de Rutherford Hall, a propriedade da família Crackenthorpe.

Para ajudá-la a procurar o cadáver, Miss Marple contrata uma ajudante, a maravilhosa Lucy Eyelesbarrow. Lucy tem mestrado em Matemática obtido em Oxford, mas seu espírito prático a fez perceber que uma boa empregada doméstica é mais valiosa e ganha muito mais do que uma acadêmica. Miss Marple a convence a empregar-se em Rutherford Hall e proceder às investigações sob sua orientação.

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The Mirror Crack’d from Side to Side / A Maldição do Espelho

Daiquiri

Encha uma coqueteleira com cubos de gelo, adicione duas doses de rum Bacardi [branco], uma colher de sopa de açúcar e o suco de um limão. Agite bem. Coe e despeje sobre gelo raspado ou triturado num copo curto [o de martini serve], que deverá ter sido deixado gelando meia hora antes.

Existem variações feitas com o rum escuro, com licor no lugar do açúcar ou com frutas – morango, maracujá, banana – mas não se recomenda adicionar remédios, drogas ou venenos. Os efeitos colaterais dessa mistura são indesejáveis.

Marina Gregg: Elizabeth Taylor (1980), Claire Bloom (1992) e Lindsay Duncan (2010)

“Fora a teia se abria e esvoaçava;
O espelho quebrou de lado a lado:
‘A maldição se abateu sobre mim’,
gritou a Lady de Shalott.”

Agatha Christie foi educada em casa pela própria mãe, uma mulher que seguia as tendências da época, mas sempre teve contato com os clássicos [Charles Dickens era um de seus autores favoritos]. Além do poema A Lady de Shalott de Alfred Tennyson, que abre o post, a autora faz referência a outras obras culturais e personagens históricos neste livro, como Maria Rainha dos Escoceses, Elizabeth Imperatriz da Áustria, um quadro do pintor renascentista Giacomo Bellini.

O primeiro livro estrelado por Miss Jane Marple foi Assassinato na Casa do Pastor [1930]. Miss Marple já era, então, uma solteirona de cabelos brancos e faces rosadas que entretinha-se tricotando, cuidando do jardim e observando pássaros: passatempos muito úteis para bisbilhotar a vida no povoado de St. Mary Mead onde morava. Seu método de investigação é parecido com o de Hercule Poirot – ouvir e observar – mas ela acrescenta a experiência de vida na solução dos casos.

Miss Marple não poderia ser uma detetive amadora jovem ou mesmo de meia-idade. Seu conhecimento acumulado da natureza humana é que permite estabelecer paralelos entre as espécies de pessoas e os tipos de comportamento e crimes que são propensas a cometer. Segundo ela,  as pessoas tendem a seguir um padrão.

Miss Marple: Angela Lansbury (1980), Joan Hickson (1992), Julia McKenzie (2010

Miss Marple: Angela Lansbury (1980), Joan Hickson (1992), Julia McKenzie (2010

Tinha-se que encarar o fato: St. Mary Mead não era mais o mesmo lugar. Em certo sentido, naturalmente, todas as coisas tinham mudado. Você poderia culpar a guerra (as duas) ou a nova geração, ou as mulheres trabalhando fora, ou a bomba atômica, ou apenas o governo, mas o que realmente fazia sentido era o simples fato de que se estava envelhecendo. [Agatha Christie, A Maldição do Espelho, trad. Ana Maria Mandim. Nova Fronteira, 2005]

Algumas pessoas chegaram a sugerir que Agatha Christie teria se inspirado em si mesma para criar Miss Marple – talvez baseados nas fotos mais divulgadas da escritora, já idosa – mas quando o primeiro livro da velhinha mexeriqueira foi publicado em 1930 Agatha tinha apenas 40 anos. Ela também negou ter se inspirado completamente na figura da avó, embora admita que Miss Marple se parece em alguns pontos com a avó e as amigas dela.

A Maldição do Espelho é o último caso de Miss Marple em St. Mary Mead e se passa de novo em Gossington Hall, a maior propriedade do vilarejo, que já teve um cadáver em Um Corpo na Biblioteca. Dolly Bantry, a antiga dona, vendeu a propriedade após a morte do marido e a atual dona é uma atriz de cinema e seu novo marido diretor, Marina Gregg e Jason Rudd.

O casal oferece uma festa para arrecadar fundos e a secretária da associação beneficiada é envenenada durante a recepção. A essa altura todo mundo se lembra que a escritora trabalhou em dispensários farmacêuticos de hospital durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, ocasiões em que aprendeu muito sobre venenos e drogas, certo?

Agatha Christie com a filha Rosalind (1930)

Assim como aconteceu em Assassinato no Expresso do Oriente, Agatha Christie usou um caso real como pano de fundo na criação da trama, o caso do bebê Daria, filha da atriz Gene Tierney  e do designer de moda Oleg Cassini. E, assim como em Orient Express e outros livros da autora, a vitimologia é importante na solução do caso – a dúvida que fica aqui é saber quem é a vítima.

Miss Marple já “nasceu” velha, conforme comentei acima, e sua carreira transcorreu por mais de 45 anos, então Agatha Christie teve de fazer o tempo andar mais devagar para ela – mas, mesmo lentamente, o tempo não deixava de passar. Em A Maldição do Espelho, Miss Marple medita sobre as mudanças que duas guerras mundiais e a revolução dos costumes provocaram na sociedade e nos hábitos.

A seu modo, Agatha Christie foi uma boa cronista de uma determinada classe social de um determinado lugar em uma determinada época – ela escrevia sobre sua vila.

Este romance policial foi dedicado à atriz Margaret Rutherford, que interpretou Miss Marple em cinco filmes na década de 1960 – sendo que apenas um, Quem Viu Quem Matou? [adaptação de A Testemunha Ocular do Crime], antes do lançamento do livro A Maldição do Espelho.

Miss Marple não era, de modo algum, um retrato de minha avó; era muito mais atarantada e tinha suas manias de solteirona, o que não era o caso de minha avó. Havia entre elas, porém, algo comum: apesar de serem pessoas alegres, esperavam sempre o pior de todo mundo e de tudo, o que, com quase assustadora exatidão, sempre se provava certo. [Agatha Christie, Autobiografia, trad. Maria Helena Trigueiros. São Paulo: Círculo do Livro, 1989]

Madonna and the child, 1980

Madonna with the child, Giacomo Bellini, no filme de 1980 (Kim Novak)

The Mirror Crack’d / A Maldição do Espelho

Essa foi a terceira das quatro adaptações produzidas pelo genro de Lord Mountbatten [as outras foram Assassinato no Expresso Oriente 1974, Morte Sobre o Nilo 1978 e Assassinato num Dia de Sol 1982, todas estreladas por Hercule Poirot]. O roteiro de Jonathan Hales e Barry Sandler é pouco fiel ao livro, muitos nomes de personagens foram modificados, personagens e situações desapareceram. Agatha Christie descreveu Jason Rudd como o homem mais feio que já tinha visto, e o ator escalado para o papel foi o galã Rock Hudson.

Angela Lansbury, que participara de Morte Sobre o Nilo, interpreta uma Miss Marple fumante, segura de si e de suas conclusões, mas o filme é um veículo para Elizabeth Taylor, é ela quem domina o tempo de tela como Marina Gregg. Na verdade, a trama toda é uma batalha entre os famosos olhos de Elizabeth Taylor e os globos não-oculares de Kim Novak, num figurino bastante decotado.

Diz a lenda que o departamento de publicidade dos estúdios EMI cometeu uma falha imperdoável na divulgação do filme ao anunciar que determinada estrela do elenco interpretaria pela primeira vez uma pessoa que comete assassinato.

Esta foi a única vez que Angela Lansbury interpretou Miss Marple, mas a partir de 1984 ela homenageou Jane Marple no papel da escritora de romances policiais e detetive amadora Jessica Fletcher em dois episódios da série Magnum que depois ganhou série própria: Murder, She Wrote [Assassinato por Escrito, no Brasil] – uma brincadeira com o título do livro 4.50 from Paddington, que nos EUA foi lançado com o título Murder, She Said.

[Se tudo der certo, 4.50 from Paddington será o próximo desta série de posts.]

Eu assisti a A Maldição do Espelho pela primeira vez na TV Bandeirantes, dublado, na década de 1980. Em algumas lojas ainda é possível comprar o DVD – com a mesma ausência de material extra e legendas em inglês dos outros filmes lançados pela Universal.

Madonna with the child ou Greek Madonna, Giovanni Bellini, no episódio de 1992

Agatha Christie’s Miss Marple: The Mirror Crack’d from Side to Side

[Rosalind Hicks] kept a firm distance from “merchandise” and, like her mother, disapproved of most film dramatisations, though she felt that David Suchet as Poirot and Joan Hickson as Miss Marple had come closer to the looks and spirit of their characters than any other actors. [Memory Of – Rosalind Hicks (1919-2004)]

O roteiro de T. R. Bowen neste episódio da série da BBC estrelada por Joan Hickson é extremamente fiel ao livro e a mais longa das três adaptações abordadas neste post [1h55min, contra 1h45min em 1980 e 1h20 em 2010]. Para quem leu o livro, chega a ser reconfortante reconhecer tanto os personagens quanto a atmosfera geral com a luz do interior rural.

A atriz Margaret Courtenay interpretou Mrs. Bantry na versão de 1980 e retornou aqui no papel de Miss Knight, a dama de companhia que o escritor Raymond West arranjou para sua Tia Marple, que estava convalescendo de uma doença. O próprio roteirista Bowen apareceu numa ponta como Raymond West.

Barbara Hicks participou dos filmes Morte Sobre o Nilo 1978 e Assassinato num Dia de Sol 1982, e ela repetiu o papel de Miss Hartnell duas vezes na série da BBC.

Este foi o último episódio da série da BBC, que se iniciou em 1984. Das três adaptações deste post, é a que resolveu melhor o conflito ético do final do livro.

Madonna and child 4, Giovanni Bellini, no episódio de 2010

Madonna and child 4, Giovanni Bellini, no episódio de 2010

Agatha Christie’s Marple: The Mirror Crack’d from Side to side

Eu não havia assistido a nenhum episódio da nova fase da série da ITV com a atriz Julia McKenzie no papel de Miss Marple, substituindo Geraldine McEwan. De modo geral, acho que as adaptações da ITV tomam liberdades modernizadoras que não combinam com o gênero cosy da escritora, além de apelar para uma fotografia sombria nos episódios recentes.

Ao assistir a esse episódio [o segundo da quinta temporada], tive a impressão que o roteiro de Kevin Elyot baseou-se mais no filme de 1980 do que no livro em si. Nomes diferentes, foco concentrado em Marina Gregg em vez de Miss Marple, personagens e tramas ignoradas.

Das três adaptações que assisti para escrever este post, foi a mais fraquinha. Vale pela participação de Lindsay Duncan [a Servilia dos Junii da série Roma] e Charlotte Riley [a Cathy da versão 2009 de O Morro dos Ventos Uivantes].

Curiosidade: As duas adaptações também se iniciam do mesmo jeito, usando metalinguagem. Cenas de filme abrem cada adaptação. Em 1980 é “Murder at Midnight” e a cena lembra o dénouement dos trabalhos anteriores em que Poirot reúne todos os suspeitos numa sala e passa a acusar um por um. Em 2010 é uma cena do filme “Marie Antoinette”, estrelado por Marina Gregg. As três versões usam reproduções de Giacomo Bellini [que pintou diversos quadros com o mesmo tema] para a cena da Virgem com a Criança, mas nenhuma parece ser a da Madonna Risonha mencionada no livro.

Comparativo de elenco
Os números após o nome de cada artista x indicam alteração do nome do personagem em relação ao livro.

Personagem 1980 1992 2010
Miss Marple Angela Lansbury Joan Hickson Julia McKenzie
Cherry Baker Wendy Morgan Anna Liland Olivia Darnley
Mrs. Bantry Margaret Courtenay Gwen Wartford Joanna Lumley
Miss Knight não existe Margaret Courtenay não existe
Miss Hartnell não existe Barbara Hicks não existe
Raymond West não existe T. R. Bowen não existe
Reverendo Hawes Charles Lloyd Pack Christopher Good não existe
Dr. Haydock Richard Pearson não existe Neil Stuke
Inspetor Craddock Edward Fox John Castle Hugh Bonneville 1
Superintendente Slack não existe David Horovitch não existe
Sargento Lake não existe Ian Brimble Samuel Barnett 2
Heather Badcock Maureen Bennett 1 Judy Cornwell Caroline Quentin 3
Arthur Badcock não existe Christopher Bancock não existe
Marina Gregg Elizabeth Taylor Claire Bloom Lindsay Duncan
Jason Rudd Rock Hudson Barry Newman Nigel Harman
Ella Zielinsky Geraldine Chaplin Elizabeth Garvie Victoria Smurfit 4
Hailey Preston não existe não creditado Brennan Brown
Giuseppe Charles Gray 2 John Cassady não creditado
Gladys Dixon Carolyn Pickles 3 Rose Keegan Lois Jones 5
Dr. Gilchrist não existe Norman Rodway não existe
Margot Bence Marella Openheim Amanda Elwes Charlotte Rilley
Lola Bewster Kim Novak Glynis Barber Hannah Waddingham
Ardwick Fenn Tony Curtis4 Constantine Gregory Martin Jarvis 6
“Jamie” Pierce Brosnan não existe não existe

1980 [1] Miss Babcock; [2] Bates; [3] Miss Giles; [4] Martin N. Fenn

2010 [1] Inspetor Hewitt; [2] Sargento Tiddler; [3] Miss Badcock; [4] Ella Blunt; [5] Primrose Dixon; [6] Vincent Hogg 

O duelo de palavras entre Marina Gregg e Lola Brewster [1980]:

Link: http://www.youtube.com/watch?v=PudXY9dYvjs

Versão de 2010, completa:

Link: https://www.youtube.com/watch?v=FFirpPvOCQg

 
Veja também:

Verbete na Wikipedia
Quadro Madonna With the Child [presente em 1980 e 1992]

Agradecimentos especiais à @lukytuk e à @ratobiblioteca pelos links.

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Vira-Vira Agatha Christie

Volume único

A editora Best Seller lançou dois volumes da coleção Vira-Vira com livros de Agatha Christie. São livros que contém duas ou mais histórias em cada volume por um preço único.

No catálogo da campanha 18.2010 da Avon tem um desses volumes por R$19,99, com três histórias: os romances O Misterioso Caso de Styles e O Caso do Hotel Bertram e o conto Enquanto Houver Luz. O volume tem 406 páginas [foto].

“O Misterioso Caso de Styles”
No meio da madrugada, a rica proprietária da mansão Styles é encontrada morta em sua cama, aparentemente vítima de um ataque cardíaco. As portas do quarto estavam trancadas por dentro e tudo indicava morte natural. Mas o médico da família levanta uma suspeita: assassinato por envenenamento. Todos os hóspedes da velha mansão tinham motivos para matar a Sra. Inglethorp e nenhum deles possuía um álibi convincente. Para solucionar o crime entra em ação o detetive Hercule Poirot, irresistível personagem criado por Agatha Christie, que faz a sua estréia neste caso intrigante. Um marco da literatura policial e um dos maiores romances do gênero.

“O Caso do Hotel Bertram”
O luxuoso hotel Bertram é um dos poucos edifícios de Londres a conservar o charme da Inglaterra do início do século XX e, mesmo freqüentado por duquesas e barões arruinados, ainda é um dos símbolos da aristocracia britânica. Quando Miss Marple se hospeda no hotel Bertram, sua única intenção é recordar os bons momentos da juventude passados lá. O que a simpática velhinha de Saint Mary Mead não pode imaginar é que está para se envolver com uma série de crimes e roubos misteriosos: uma ameaça à reputação do tradicional hotel e à própria vida de Miss Marple.

Esse mesmo livro está em promoção no site da Saraiva por R$15,90. No site tem também um segundo volume contendo o romance Assassinato no Campo de Golfe e a seleção de contos Poirot Investiga, por R$19,90 – ambos estrelados por Hercule Poirot [esse volume não está à venda no catálogo da Avon da campanha 18].

Evil Under The Sun / Morte na Praia

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There is an evil which I have seen under the sun, and it {is} common among men [Eclesiastes 6.1, Bíblia versão King James]
Vi um mal debaixo do sol, que calca pesadamente o homem. [Eclesiastes 6:1, Bíblia versão católica]

A escritora inglesa Agatha Christie foi batizada na Igreja Anglicana, mas teve contato com o catolicismo, unitarismo, teosofia, zoroastrismo e o espiritismo em sua vida graças à mente avançada de sua mãe. Seu segundo marido, o arqueologista Max Mallowan, era católico romano. Em seus livros a autora costuma apresentar os princípios éticos cristãos ao punir o criminoso, o agente do Mal.

Sua personagem Miss Marple é anglicana, Hercule Poirot é católico; embora a autora defenda a punição do mal supremo que é o homicídio, ela também criticava a severidade exagerada dos fanáticos religiosos que expulsavam jovens grávidas de casa, por exemplo. Para ela, o único pecado imperdoável é tirar a vida de outra pessoa – tanto que se debate em dúvida sobre o que fazer com o criminoso apanhado.

Os romances de Agatha Christie demonstram a gradual mudança de percepção da autora sobre o assunto: se nos primeiros livros o assassino ia diretamente para a forca ou se justificava alguns casos de homicídio, ela passa a dedicar mais atenção à vítima nos livros posteriores.

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Agatha Christie 120 Anos | Death on the Nile / Morte no Nilo

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– Vaidade? Como motivo para um assassinato? – perguntou a Sra. Allerton, duvidosa.
– Os motivos dos crimes são, às vezes, muito triviais, Madame.
– Quais os mas frequentes?
– O dinheiro. Isto é, para obtê-lo mais rapidamente. Em seguida, a vingança… o amor, e a filantropia.
– Monsieur Poirot! [Agatha Christie, Morte no Nilo, trad. Newton Goldman. Rio de Janeiro: Altaya, n/d]

A terceira regra de S. S. Van Dine para escrever histórias de detetives proclama que “Não deve haver interesse amoroso no entrecho. A questão a ser deslindada é a de levar o criminoso ao tribunal e não a de levar um casal ao altar.”

Agatha Christie obedece a maioria das vinte regras estabelecidas por Van Dine em 1928 na maior parte das vezes, mas a terceira regra é a que ela quebra mais constantemente desde O Misterioso Caso de Styles, seu primeiro romance policial. Hercule Poirot, o detetive belga que ela criou, é um solteirão, sim, porém um solteirão pronto a reunir maridos e esposas afastados pela suspeita ou mesmo unir jovens enamorados no decorrer das investigações. Até o casamento do Capitão Arthur Hastings foi arranjado por Poirot em Assassinato no Campo de Golfe!

A escritora inglesa não aprovava o amor excessivo, entretanto. Manifestações muito efusivas de afeto eram creditadas a personagens de sangue latino e devidamente ridicularizadas, e mais de uma vez ela expôs a condição trágica da mulher que idolatra o marido, quase sempre sem retribuição. Para ela, um homem que seja o alvo desse amor se sente aprisionado, sufocado. “Um que ama, um que se deixa ser amado”, como diz Poirot em Morte no Nilo [“Un qui aime et un qui se laisse aimer“].

Neste livro publicado pela primeira vez em 1937 Christie quebrou ainda a regra n. 9: “Cada história deve ter unicamente um detetive”. Além de Hercule Porot, o Coronel Johhny Race do Serviço Secreto Britânico participa das investigações. Essa é a segunda vez que se encontram, a primeira foi em Cartas na Mesa [em que também participaram Ariadne Oliver e o Superintendente Battle].

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