Hercule Poirot: Salvo por…

Uma matéria publicada na Folha Online em 04.01.2019 fala sobre a edição brasileira da versão atualizada de “Agatha Christie – Uma Biografia”, da britânica Janet Morgan, e conta que a biógrafa aponta Miss Marple como a personagem favorita da autora. Morgan revela inclusive que Agatha desejava matar Poirot desde os primeiros livros:

“Miss Marple, sem dúvida. Agatha ficou refém de Poirot e passou a odiá-lo. Numa carta que ela escreve a si mesma, que reproduzo no meu livro, ela desejava matá-lo, mas não podia ‘porque ele é minha principal fonte de renda’. Então ela escreveu nos anos 1940 ‘Cai o Pano’, em que Poirot morre, para ser publicado só após a morte dela.”

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Janet Morgan: O eterno mistério do sumiço de Agatha Christie

O site da revista Isto É fala sobre “Agatha Christie – Uma Biografia”, de Janet Morgan, da editora BestSeller:

É raro decifrar o segredo de um gênio. Para explicá-lo, especialistas revolvem as origens familiares e a formação do indivíduo especial. No caso da escritora inglesa Agatha Christie (1890-1976), nada parece indicar que se tornaria a senhora do romance de detetive e a maior vendedora de livros da história, ao lado do dramaturgo William Shakespeare. Agatha, como Shakespeare vendeu 2 bilhões de exemplares desde que publicou o primeiro romance policial, “O Misterioso Caso de Styles”, em 1920, protagonizado por seu herói mais célebre, o detetive Hercule Poirot, com sua cabeça de ovo, bigodes encerados e alta capacidade cognitiva. A criadora de mistérios saborosos não passava de uma dona de casa conservadora amante da vida serena, especialmente da jardinagem e da gastronomia. Descobrir de onde ela tirou a imaginação a um só tempo macabra, complexa e irônica, é a meta do livro “Agatha Christie – Uma Biografia”, de Janet Morgan, lançamento da editora BestSeller.

(…) Trata-se de um título clássico, publicado em 1986 e só agora no Brasil. A escritora Janet Morgan trabalha em gestão de novas tecnologias na Escócia. Em meados dos anos 1980, foi convidada pelos herdeiros de Agatha para escrever uma “biografia autorizada”: teve acesso exclusivo aos documentos pessoais da escritora e de seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan. Ao mesmo tempo, Morgan foi persuadida a abordar a biografada de forma gentil. Mas o fator politicamente correto não a impediu de avançar sobre um dos enigmas dentro do enigma que foi Agatha Christie: por que e como ela desapareceu entre 3 e 13 de dezembro de 1926, quando já era celebridade, causando um dos casos mais ruidosos cobertos pela imprensa da época. Agatha nunca se pronunciou sobre o assunto.

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Biografia: Ainda o desaparecimento de Agatha em 1926

Matéria de 10 de maio de 2017, no site Zap AEIOU, de Portugal, sugere nova versão para o desaparecimento de Agatha em 1926:

O mistério do desaparecimento de Agatha Christie, durante 11 dias, em 1926, pode finalmente ter sido desvendado. Ou, pelo menos, é isso que acredita o escritor Andrew Wilson, que publicou um livro ficcional onde defende que a escritora se quis suicidar.

O jornal inglês Telegraph divulga a teoria de Andrew Wilson, notando que ele pode ter resolvido “o último grande mistério que Agatha Christie deixou por resolver”.

(…) Christie saiu de casa a 3 de Dezembro daquele ano, quando tinha 36 anos, a conduzir o seu carro, que acabou por ser encontrado vazio, apenas com um casaco de peles e uma carta de condução no seu interior, conta o Telegraph.

(…) o escritor Andrew Wilson avança no livro de ficção “Talento para o Homicídio” (“A Talent For Murder” no título original) uma nova teoria, segundo a qual ela terá saído de casa com a intenção de se suicidar, depois do pedido de divórcio do marido.

A tese do autor baseia-se na análise de documentos da polícia, de entrevistas da escritora, após o famigerado desaparecimento, e do seu romance semi-autobiográfico “Unfinished Portrait”, que publicou em 1934, sob o pseudónimo de Mary Westmacott.

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Tito Prates: Uma nova biografia de Agatha

Uma nova biografia da eterna Rainha do Crime, a escritora inglesa Agatha Christie, é uma das opções literárias no financiamento coletivo do site Catarse:

O projeto foi criado por Tito Prates, autor de Viagem à Terra da Rainha do Crime (Chiado, 2013), e tem como proposta viabilizar a primeira biografia da autora escrita originalmente em português.

Segundo Prates, o livro levou dois anos para ser escrito, contando com pesquisas feitas no Brasil e na Inglaterra. A correta e precisa datação das obras foi uma das maiores dificuldades encontradas pelo autor. “É o desafio maior de todos que escrevem sobre ela. Nem eu, nem o John Curran (autor do livro “Os Diários Secretos de Agatha Christie”) conseguimos precisão. Trocamos muita figurinha e com documentos que eu descobri e como meu livro vai sair depois do dele, acredito que vou ter a mais perfeita time line da obra de Agatha Christie produzida até hoje”, afirma.

Leia mais em
https://literaturapolicial.com/2016/05/25/financiamento-coletivo-busca-publicar-biografia-de-agatha-christie/

Agatha Christie, um ícone feminino

Uma matéria de Claire Cohen no The Telegraph de 14.06.2015 conta as múltiplas atividades, peripécias e “vanguardismos” da Dama do Mistério:

I am sitting on board a Twenties Belmond steam train, chugging into the English countryside.

I could tell you that the hills are rolling and the fields are lush. But the truth is, I hardly notice. Because I’m not here to admire the scenery. I’m here to talk about Agatha Christie.

There could hardly be a more appropriate setting to do so, amid the polished art deco fittings. I keep expecting Hercule Poirot to pop his moustached face round the carriage door.

That he doesn’t is probably something of a relief to my fellow passenger, Dr Anna Farthing, the new director of the International Agatha Christie Festival, which takes place in Torquay from September 11 to 20. Newly backed by the Arts Council, what was once a slightly sad-sounding affair is being transformed into a multi-sensory extravaganza to celebrate the author’s 125th birthday.

Você sabia que Agatha Christie surfava?

Você sabia que Agatha Christie surfava?

And it’s not the only thing getting a makeover. Imagine Christie and you probably call to mind her most famous female character, Miss Marple – a doddery old lady, grey-hair curled neatly around her face.

Agatha Christie as we imagine her (The Christie Archive)
This is the image of Christie that endures. But it is no longer the version that Farthing wants the world to see.

According to this director and academic, it’s high time we rewrote the story of Britain’s most successful female literary export – the most widely published author of all time (her estate claims she’s been outsold only by the Bible and Shakespeare).
Because, when all’s said and done, Agatha Christie was, well, a bit of a goer.

Hers is a life that will resonate with many women. She might have been born into middle-class comfort, but she became a working, single mother who faced sexual betrayal and so many of the heartbreaks and hardships familiar to us today.

Agatha Christie should probably be considered a feminist icon. The “Queen of Crime” might have been born a Victorian in September 1890, but she rarely behaved like one.

A plucky young woman, she threw herself into the war effort – training to be a nurse and enlisting in the VAD (Voluntary Aid Detachment). In Torquay’s makeshift hospital, she tended the wounded and cleaned up after amputations. “I would wash all the blood,” she wrote, “and stick [the limb] in the furnace myself.”

Leia a matéria completa em
http://www.telegraph.co.uk/women/womens-life/11672325/
Agatha-Christie-Feminist-icon-surfer-and-single-mother.html

Come, Tell me How You Live: Mais memórias de Agatha

De acordo com o site da revista Veja, vem aí um “livro esquecido de Agatha”:

Descrito pela editora como “um livro esquecido de Agatha”, o título conta com textos pessoais e trechos de um diário da viagem feita pela autora ao lado do marido, o arqueólogo Max Mallowan, pelas ruinas da Síria e do Iraque depois da Segunda Guerra Mundial. O livro ainda traz mais de 40 fotos feitas pela romancista para documentar os lugares por onde passou com Mallowan.

As viagens da dupla, descritas por Agatha Christie como uma “crônica sinuosa”, segundo o Guardian, aconteceram durante os anos 1930, quando o casal conheceu vários locais históricos, que hoje são alvo de ações extremistas do Estado Islâmico, incluindo a antiga cidade assíria de Nimrud.

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A vida de Agatha Christie em quadrinhos: Realidade ou fantasia?

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No site RTBF:

Agatha : La Vraie Vie D’Agatha Christie – Une biographie en bd qui ne manque ni de réalisme ni d’imagination : une belle réussite !

Um trecho:

Pour raconter l’existence de quelqu’un d’aussi connu –et reconnu- qu’Agatha Christie, on aurait pu se contenter de construire un livre linéaire, en suivant tout simplement une chronologie des faits marquants de sa vie. Anne Martinetti et Guillaume Lebeau, les deux scénaristes complices, en ont décidé autrement. La biographie qu’ils nous offrent a choisi de se balader dans quelques tranches de vie d’Agatha Christie, en pratiquant l’art du flash-back régulièrement, en mêlant aussi à la réalité des éléments qui appartiennent à l’imaginaire, voire même, à certains moments, à une forme de fantastique. Ils n’ont pas romancé cette biographie, ils l’ont, simplement, enluminée, éclairée, mise en évidence.

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A cozinha das escritoras – Stefania Aphel Barzini

Agatha Christie na cozinha de sua casa, na Inglaterra, em 1950. Ela era fã de pratos simples, como pães e omeletes

Agatha Christie na cozinha de sua casa, na Inglaterra, em 1950. Ela era fã de pratos simples, como pães e omeletes


Uma matéria da revista Época comenta o lançamento do livro da jornalista italiana Stefania Aphel Barzini, que analisa oa hábitos e as habilidades culinárias de escritoras e sua relação com a obra literária de cada uma.

Agatha amava cozinhar desde a infância – algo incomum para uma moça classe alta britânica, que cresceu cercada por cozinheiras. Em 1901, quando seu pai morreu, ela tinha apenas 11 anos. Enquanto toda a família foi para o funeral, ela procurou conforto na cozinha. Foi lá que Agatha passou o dia, ajudando a empregada da família a preparar o jantar. A comida também trouxe conforto quando seu primeiro marido pediu o divórcio. Nos primeiros dias após a separação, ela perdeu o apetite. Pouco depois, fez uma viagem à cidade turística de Harrogate e passou dez dias comendo tudo o que pôde. A depressão foi derrotada a golpes de garfo.

Link para a matéria completa aqui
Livro no Submarino aqui

121 anos de Agatha Christie

Hoje comemora-se o nascimento de Agatha Christie (15 de setembro de 1890). Relembre o resumão do ano passado, homenageando os 120 anos…

https://acasatorta.wordpress.com/2010/09/16/agatha-christie-120-anos-resumao/

e aproveite e visite o site da L&PM:

http://www.lpm-agathachristie.com.br/site/default.asp?TroncoID=805280&SecaoID=0&SubsecaoID=0

Agatha Christie’s Murder in the Making – Stories and Secrets from her Archives

Agatha Christie: Murder in the making

Na sequência de Agatha Christie’s Secret Notebooks, o arquivista e especialista na obra de Christie John Curran conduz o leitor através das seis décadas da carreira de Agatha como escritora, revelando algumas pistas extraordinárias para o seu sucesso e alguns trechos dos seus arquivos e contos nunca publicados antes.

Iniciando suas investigações pelos anos 1920, John Curran examina os costumes convencionais dos romances de detetive como eram na época e revela como o editor de Agatha Christie a convenceu a alterar o final do seu primeiro livro, O Misterioso Caso de Styles, uma ação que quase certamente mudou os destinos não apenas da carreira dela mas também do futuro da ficção policial. Pela primeira vez, este livro publica o final original de Agatha, dolorosamente transcrito do rascunho escrito à mão em um de seus cadernos de notas mais antigos.

Assim como revela mais de uma dúzia de ideias de livros não publicados, Agatha Christie’s Murder in the Making contém dois contos nunca vistos dos seus arquivos – The Man Who Knew e um rascunho inicial de Miss Marple, The Case of the Caretaker’s Wife.

[Tradução livre de post no site oficial.]

Post relacionado
Sugestão de leitura | Agatha Christie’s Secret Notebooks: Fifty Years of Mysteries in the Making

O desaparecimento de Agatha Christie

Agatha Christie

“Esta série investiga em detalhes o desaparecimento dos personagens mais famosos do século XX, desde Amelia Earhart até Agatha Christie. Em alguns casos, as explicações surgem através de investigações ou por puro acidente. No entanto, a maioria dos desaparecimentos não tem explicação lógica, e embora grandes quantidades de provas sejam apresentadas, eles continuam sendo um mistério até hoje.”

O documentário de 21 minutos exibido pelo Biography Channel está disponível online no Terra TV [clique aqui para assistir].

Via: Grandes Detetives

Sugestão de leitura | Agatha Christie’s Secret Notebooks: Fifty Years of Mysteries in the Making

Sinopse
Agatha Christie: 66 romances policiais, 20 peças de teatro, 6 romances sob um pseudônimo e mais de 150 contos. Quais são os mistérios que explicam tamanho sucesso?

Em 2004, um incrível legado foi revelado: Descobertos entre outros objetos deixados na casa da família de Christie estavam seus diários – 73 cadernos escritos à mão com notas, listas e desenhos que apresentavam seus planos para diversos livros, peças e contos. Entre essas relíquias, observações, pistas e notas sobre seus famosos livros, que fascinam gerações de leitores.

Repleto de detalhes que a modesta autora jamais revelou, Os Diários Secretos de Agatha Christie inclui dois contos inéditos de Poirot. Imperdível! [Extraído da edição brasileira]

Capa

Quando a escritora inglesa Agatha Christie faleceu, ela deixou sua propriedade Greenway House para a filha Rosalind. Greenway era a casa de verão da família no Devon desde 1938 e após o falecimento de Rosalind passou para o National Trust para ser reformada, entrando no circuito de jardins abertos à visitação pública.

O neto de Agatha então convidou um dos conselheiros da fundação que cuida do legado da autora para um fim de semana na casa, antes da reforma. Num dos quartos-depósitos, John Curran encontrou uma caixa de papelão repleto de cadernos: durante o resto do fim de semana ele só saiu do depósito para dormir [pouco] e comer [arrastado por Mathew Pritchard, seu anfitrião].

Curran trabalhou durante quatro anos nos cadernos de notas [e não “diários”, como aparece em alguns sites e traduções] decifrando, interpretando, organizando e relacionando as anotações ao seu respectivo romance/conto/peça teatral. As duas maiores dificuldades que ele mesmo aponta em seu livro foram decifrar a caligrafia de Agatha Christie e ordenar cada anotação cronologicamente.

O livro traz alguns fac-símiles de páginas dos cadernos de notas e, cara, vou te contar, não é fácil mesmo! Talvez porque os cadernos funcionassem como uma Penseira em que ela despejava suas ideias para analisá-las mais criticamente depois ou porque o pensamento é mais rápido do que a mão, a caligrafia da Dama do Crime parece de médico. Um médico que escreve em pé, sem apoio, entre uma corrida e outra.

Quanto à cronologia, Agatha não seguia os conselhos de sua criação: o detetive Hercule Poirot recomendava trinta e três vezes que a pessoa deve ter ordem e método, mas sua criadora preferia o “método caótico”: ela sempre tinha meia dúzia deles espalhados pelas casas, na bolsa, etc., voltando a usá-los após intervalos de meses ou anos; as ideias para um livro específico podem se espalhar em vários cadernos, variando entre uma linha a vinte páginas, sequenciais ou não; ela raramente datava as entradas.

The best time for planning a book is while you’re doing the dishes.
Agatha Christie

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Sugestão de leitura: Desenterrando o Passado (Agatha Christie)

Além da sua Autobiografia, Agatha Christie publicou um livro de viagens em que registra as expedições arqueológicas que fez com o marido. O título original [“Come, Tell Me How You Live”] é um verso de Lewis Carroll [Alice Através do Espelho] e o livro é uma resposta da autora às pessoas que perguntavam fequentemente:

“Então você faz escavações na Síria, não é? Conte-me tudo a respeito. Como você vive? Numa tenda?” etc, etc. A maioria das pessoas, provavelmente, não está interessada em saber. São só as miudezas da conversa. Mas, volta e meia, há uma ou duas pessoas que estão realmente interessadas.

O título brasileiro também está relacionado com o mesmo poema de Carroll, em seu último verso: “E desenterrar o passado em longínquas colinas!” A escritora publicou o livro com seu nome de casada, Agatha Christie Mallowan – ela o fez apenas uma outra vez, na coletânea Star Over Bethlehem and other stories [poesias e contos religiosos, não publicado no Brasil].

Ela o escreveu durante a Segunda Guerra Mundial enquanto Max Mallowan estava no Egito e ela em Londres, dividindo seu tempo entre o trabalho na farmácia do hospital e novos romances policiais, uma época produtiva para a escritora. Christie o finalizou em junho de 1945 e Desenterrando o Passado foi publicado em novembro de 1946.

Vale lembrar que este é um registro pessoal e que reflete uma visão de época, anterior ao politicamente correto. Porém, como resistir à profunda auto-ironia da autora?

Fazer compras para um clima quente no outono ou no inverno apresenta certas dificuldades. As roupas do verão passado, que, otimisticamente, a gente pensou que iam “dar”, agora que a hora chegou, “não dão”. Por um lado parecem estar (como as deprimentes relações de móveis em mudanças) “Machucadas, Arranhadas e Marcadas”. (E também Encolhidas, Desbotadas, e Estranhas!) Por outro lado — que lástima alguém ter que dizer isso! — estão apertadas por todos os lados.

No Brasil existe apenas a edição da Nova Fronteira desde 1974 [tradução de Cora Rónai Vieira], esgotada e só encontrada em sebos como os da Estante Virtual. Em Portugal a Tinta da China publicou em 2010 com o título Na Síria, e em inglês exstem diversas edições ainda em catálogo.

Sinopse
A autora narra o trabalho do marido, um dos maiores arqueólogos do nosso tempo, Max Mallowan, e suas implicações para a vida de ambos. A história começa alguns anos antes da Segunda Guerra Mundial, quando o casal visita o Iraque e a Síria. Agatha Christie faz uma crônica dessa experiência e relata de forma divertida como se vive enquanto se desenterra o passado do Oriente Médio.

Sugestão de leitura: Autobiografia (Agatha Christie)

Para marcar a data do falecimento da Dama do Crime (12/01/1976), vamos relembrar a sua Autobiografia, uma leitura recomendada para os fãs. O livro foi publicado pela primeira vez em novembro de 1977 na Inglaterra e nos EUA, e no Brasil em 1979 pela editora Nova Fronteira com tradução de Maria Helena Trigueiros, a mesma utilizada em outras três editoras [Círculo do Livro, Record e Altaya].

Agatha Christie: Autobiografia já não é mais editada, agora só é possível encontrar exemplares usados em sebos como os da Estante Virtual. A edições da Nova Fronteira e da Record são de capa mole, as da Altaya e Círculo do Livro são capa dura. A da Altaya é dividida em dois volumes, as outras são volume único.

Sinopse
Os fatos mais notáveis da surpreendente carreira de Agatha Christie são muito bem conhecidos. A venda de seus livros só foi superada por Shakespeare e pela Bíblia. Filmes baseados em seus romances – como por exemplo, Assassinato no Expresso Oriente – bateram todos os recordes de bilheteria. Sua peça A Ratoeira, estreada em 1952, ainda hoje lota os teatros. Cada romance seu é presença obrigatória nas listas de best-sellers no mundo inteiro. Em 1971, todos esses feitos foram oficialmente reconhecidos, quando ela recebeu o título de Dame do Império Britânico. Contudo, nem mesmo todos esse sucesso levou-a a romper a privacidade quase absoluta que impôs à sua vida pessoal.

Aqui, enfim, ela narra a história de sua vida, sua infância feliz na pequena cidade de Torquay e no estrangeiro; os devaneios de sua mais remota vida amorosa; seu primeiro casamento com o coronel Christie, que atravessou a primeira guerra e permaneceu feliz até terminar com um desapontamento traumático, os primeiros passos de sua carreira de escritora e do espantoso crescimento de seu sucesso; seu extraordinário segundo casamento com o famoso arqueólogo Max Mallowan e o fascínio que essa nova profissão touxe para sua vida, suas casas e seus jardins, sua família – tudo está aqui.

“Estou satisfeita”, escreveu ao terminar este livro, “fiz o que queria fazer”. Pois, na verdade, essa é a história de alguém que fez exatamente o que queria fazer e o fez excepcionalmente bem.

4.50 from Paddington / What Mrs. McGillicuddy Saw/ Murder She Said / A Testemunha Ocular do Crime

Agatha Christie em 1957, aos 67 anos

Fui passar um fim de semana com Rosalind, no País de Gales, e voltei a Londres num trem tardio, domingo à noite. Era um desses trens que tivemos que agüentar durante a guerra, frios como geladeiras, e, claro, quando chegávamos à estação de Paddington, não existiam quaisquer meios de locomoção. Tomei outro trem algo complicado, que, finalmente, me deixou numa estação de Hamp­stead, não muito distante do Lawn Road Flats, e da estação fui a pé para casa, carregando alguns peixes defumados e minha mala. [Agatha Christie, Autobiografia, trad. Maria Helena Trigueiros. São Paulo: Círculo do Livro, 1989]

Agatha Christie gostava muito de trens, tanto que mais de uma vez cometeu assassinatos dentro deles ou usou a tabela de horários, estações e baldeações em suas histórias. A associação entre Agatha Christie e trens é tão forte que até o grupo humorístico Monty Python criou um sketch para o tema [v. final do post].

Em Testemunha Ocular do Crime, Mrs. Elspeth McGillicuddy apanha o trem das 4:54 na estação de Paddington, em Londres, rumo a Milchester. Durante parte do percurso, seu trem corre paralelo a um outro comboio e Mrs. McGillicuddy olha pela janela a tempo de testemunhar uma mulher sendo estrangulada por um homem. Abalada, ela chega à casa de sua amiga e conta-lhe tudo. A amiga é Miss Jane Marple.

Miss Marple já está com mais de oitenta anos, reumática, proibida de jardinar – o que a deixa de mal-humor – mas a mente continua afiada. Depois de informar à polícia, que não encontra nenhum cadáver, Miss Marple passa a estudar as possibilidades. O corpo só pode ter sido jogado do trem e há apenas um ponto da ferrovia em que isso poderia ser feito: os terrenos de Rutherford Hall, a propriedade da família Crackenthorpe.

Para ajudá-la a procurar o cadáver, Miss Marple contrata uma ajudante, a maravilhosa Lucy Eyelesbarrow. Lucy tem mestrado em Matemática obtido em Oxford, mas seu espírito prático a fez perceber que uma boa empregada doméstica é mais valiosa e ganha muito mais do que uma acadêmica. Miss Marple a convence a empregar-se em Rutherford Hall e proceder às investigações sob sua orientação.

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Evil Under The Sun / Morte na Praia

Logo comemorativo oficial

There is an evil which I have seen under the sun, and it {is} common among men [Eclesiastes 6.1, Bíblia versão King James]
Vi um mal debaixo do sol, que calca pesadamente o homem. [Eclesiastes 6:1, Bíblia versão católica]

A escritora inglesa Agatha Christie foi batizada na Igreja Anglicana, mas teve contato com o catolicismo, unitarismo, teosofia, zoroastrismo e o espiritismo em sua vida graças à mente avançada de sua mãe. Seu segundo marido, o arqueologista Max Mallowan, era católico romano. Em seus livros a autora costuma apresentar os princípios éticos cristãos ao punir o criminoso, o agente do Mal.

Sua personagem Miss Marple é anglicana, Hercule Poirot é católico; embora a autora defenda a punição do mal supremo que é o homicídio, ela também criticava a severidade exagerada dos fanáticos religiosos que expulsavam jovens grávidas de casa, por exemplo. Para ela, o único pecado imperdoável é tirar a vida de outra pessoa – tanto que se debate em dúvida sobre o que fazer com o criminoso apanhado.

Os romances de Agatha Christie demonstram a gradual mudança de percepção da autora sobre o assunto: se nos primeiros livros o assassino ia diretamente para a forca ou se justificava alguns casos de homicídio, ela passa a dedicar mais atenção à vítima nos livros posteriores.

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Agatha Christie 120 anos: resumão

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Hotsite comemorativo na página oficial da autora, com receita de bolo Delicious Death e promoção para ganhar todos os livros

Lançamento de caixa comemorativa da editora Globo contendo E Não Sobrou Nenhum, Cinco Porquinhos e O Assassinato de Roger Ackroyd

Post O Caso dos Dez Negrinhos / E Não sobrou Nenhum, no blog Rato de Biblioteca [com link para download do filme e legenda]

Post O segredo de Agatha Christie, no blog Alma Carioca

Post Old lady, sobre Miss Marple e um dos meus favoritos [Convite para um homicídio], no blog Quarto Escuro

Post Os 120 anos de Agatha Christie, no blog Happy Batatinha

Post Hoje é dia de Agatha Christie, no blog Bibliophile

Reportagem do The Guardian sobre o logo comemorativo do Google para o aniversário de Agatha Christie

Série de posts no blog da editora L&PM: [1] sobre o desaparecimento da autora em 1926, [2] cartazes de filmes adaptados; [3] Agatha Christie surfista; [4] neto critica Wikipedia por contar final de história

Se você postou uma homenagem também, dê um grito aí na caixa de comentários preu atualizar a lista acima. 🙂

Atualização:

Post 120º aniversário de Agatha Christie, no blog Coleção Negra da editora Record – o blog promete novos posts dedicados à autora durante a semana, fique de olho

Hotsite da editora L&PM

Post 120 anos de Agatha Christie, no blog Diva Alternativa

Post Following Agatha’s Steps: Canary Islands, February 1927, no blog The Game’s Afoot

Blog Agatha Chrstie Reading Challenge Carnival

Post Maçãs na banheira, no Blog do David Coimbra

Agatha Christie 120 Anos | Murder on the Orient Express / Assassinato no Expresso do Oriente

Há muitos, muitos anos atrás, quando eu ia para a Riviera ou para Paris, costumava ficar fascinada pela visão do Orient Express em Calais, e desejava ardentemente viajar nele. Agora, ele já se tornou um amigo velho e familiar, mas a emoção não morreu de todo. Eu vou nele! Eu estou nele! Estou precisamente no carro azul, com uma simples legenda do lado de fora: CALAIS-ISTAMBUL. É, sem dúvida, o meu trem favorito. [Agatha Christie, Desenterrando o Passado, trad. Cora Rónai Vieira. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1976]

Max Mallowan, Agatha Christie e Leonard Woolley em Ur, 1931

Max Mallowan, Agatha Christie e Leonard Woolley em Ur, 1931

Agatha Christie viajou no trem Orient Express pela primeira vez algum tempo depois de separar-se do primeiro marido. O pedido de divórcio feito por Archibald Christie em 1926, logo após a morte da mãe da escritora, levou-a a uma crise nervosa. Agatha desapareceu por onze dias, mobilizando a polícia, a imprensa e o público, e foi localizada num spa com amnésia. O divórcio foi oficializado em 1928.

Ela já era uma autora famosa por seus romances policiais e a viagem pelo Orient Express foi também a primeira viagem desacompanhada em sua vida inteira. No final da parte 7 e em toda a parte 8 de sua autobiografia, ela conta ao leitor como esta viagem foi libertadora psicologicamente, além de narrar todos os percalços por que passou e descrever as pessoas e lugares que conheceu.

Muitas dessas pessoas e lugares foram retratados no romance policial “Murder on the Orient Express”, publicado pela primeira vez em 1933 nos EUA [e apenas em 1934 na Inglaterra] com o título Murder on the Calais Couch. Agatha Christie estava casada desde 1930 com seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan, que ela conheceu na segunda viagem a Istambul. Mallowan participava de escavações na Síria e, em sua lua-de-mel [planejada pelo marido como uma surpresa para a esposa], o casal voltou a viajar pelo Orient Express. Talvez por isso, ela dedicou o livro a Max Mallowan.

A trama tem inspiração em dois fatos verídicos: o primeiro foi uma viagem do Orient Express em 1929 quando o trem foi apanhado no meio de uma nevasca e passou seis dias isolado no meio do trajeto. O segundo foi o Caso do Bebê Lindbergh, o rapto e assassinato do filho do aviador Charles Lindbergh nos EUA em 1932.

Os trens são maravilhosos. Ainda os adoro. Viajar de trem é ter a possibilidade de observar a natureza e os seres humanos, cidades, igrejas e rios — de fato, olhar a vida. [Agatha Christie, Autobiografia, trad. Maria Helena Trigueiros. São Paulo: Círculo do Livro, 1989]

Em Assassinato no Expresso do Oriente, o detetive Hercule Poirot encontra-se a bordo do trem a caminho de Calais depois de solucionar um caso na Síria. Ele encontrara-se com um velho amigo, Monsieur Bouc, que atualmente é um dos diretores da Compagnie Internationale des Wagons Lits, no restaurante do Hotel Toklatian. Foi M. Bouc quem conseguiu uma vaga para Poirot no trem, “excepcionalmente lotado para esta época do ano”, segundo o condutor Pierre Michel.

No vagão-restaurante, Poirot é abordado por Samuel Ratchett, um americano que lhe oferece um serviço. Poirot e Bouc já o haviam avistado antes no restaurante do Hotel Tokatlian e não tiveram uma boa primeira impressão. Ratchett recebeu ameaças de morte e quer que Poirot o proteja dos inimigos, mas o detetive o recusa: “Desculpe a franqueza, senhor Ratchett. O que não me agrada é a sua fisionomia.”

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Frases

“Too much mercy…often resulted in further crimes which were fatal to innocent victims who need not have been victims if justice had been put first and mercy second.”

Tradução livre: “Misericórdia demais … muitas vezes resultou em crimes posteriores que foram fatais para vítimas inocentes que não precisariam ser vítimas se a justiça tivesse sido colocada em primeiro lugar e a misericórdia em segundo.”

Agatha Christie

Fonte: The Free Dictionary

Agatha & Arqueologia: dois artigos interessantes

Max Mallowan, Agatha Christie e Leonard Woolley em Ur, 1931 ( The British Museum)

Max Mallowan, Agatha Christie e Leonard Woolley em Ur, 1931 (The British Museum)

Um artigo publicado no site Greenwich Citizen relata a viagem que o arqueólogo C. Brian Rose realizou recentemente ao sul do Iraque. Entre narrativas da destruição de patrimônio histórico, cultural e arqueológico  feita pelos soldados estrangeiros na ocupação do país, a autora do artigo cita o museu que Rose representa, na Universidade da Pennsylvania.

Part of that exhibit shows a picture of Agatha Christie with her archeologist husband during the British excavation of Ur in the 1920’s. Christie had written “Murder in Mesopotamia,” during that time.[Greenwich Citizen, 25/12/09]

O escritor Arthur Clark publicou um artigo em que revela um pouco da real personalidade de Agatha Christie, através da percepção de pessoas que a acompanharam nas expedições e que tiveram contato direto, em primeira mão, com a autora.

Robert Hamilton, inspetor de escavações em Nimrud: “As estradas no Iraque eram terrivelmente ruins nos anos 1950, mas Agatha nunca resmungou em nenhum de todos os trancos. Ela aguentava qualquer desconforto. Sua resistência à exaustão física era incrível.” “Agatha tinha uma máquina de escrever e datilograva o tempo todo. Ela escrevia quase todos os dias.”

Rosalind Christie Hicks, filha de Agatha que a acompanhou num acampamento na Síria nos anos 1930: “Ela nutria muita simpatia pelos árabes e pelas pessoas com quem tinha contato. Ela compreendia o modo de viver deles e não tentava interferir na vida deles de modo algum.”

E ela foi conselheira médica para a força de 140 trabalhadores turcos, curdos e árabes. Ela prestou serviços como enfermeira e ajudante de farmácia na Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial, treinamento que foi inestimável quando o médico estava a um dia ou mais de distância. [Arthur Clark para a revista Saudi Aramco World, ed. jul/ago 1990 *]

* Tradução livre.

A paixão de Agatha Christie pelos trens

Victoria Station, Londres, 1960

Victoria Station, Londres, 1960

Querida Victoria — portão para o mundo para lá da Inglaterra — como eu gosto da sua plataforma continental! E como eu gosto de trens, de qualquer maneira! Sorvendo em êxtase o cheiro sulfuroso — tão diferente daquele, leve, amorfo e distantemente oleoso de um navio, que sempre me deprime com a sua profecia de nauseosos dias por vir. Mas um trem — grande, barulhento, apressado e amistoso, com sua enorme locomotiva fumacenta soltando nuvens de fumaça, que parece dizer, impacientemente: “Eu tenho que ir, eu tenho que ir, eu tenho que ir!” — é um amigo! Está no mesmo estado de espírito que você, já que você também está dizendo: “Eu estou indo, estou indo, estou indo…” (Agatha Christie, Desenterrando o passado, Nova Fronteira)

Hotel Metropole, Las Palmas, Ilhas Canarias

Hotel Metropole como era na época de Agatha Christie

Hotel Metropole como era na época de Agatha Christie

Após o divórcio do primeiro marido, Agatha encontrava-se sem dinheiro e perseguida pela imprensa por causa do episódio do desaparecimento. A escritora então reuniu os contos que se transformaram no livro Os Quatro Grandes e viajou para as Ilhas Canárias, onde hospedou-se no Hotel Metropole, atualmente sede do Ayuntamento de Las Palmas. Durante sua estadia ela escreveu O Mistério do Trem Azul, um livro que ela detestava, vonforme confessou em sua Autobiografia. O conto A Dama de Companhia (The Companion), presente no livro Os Treze Problemas, é ambientado em na ilha Gran Canaria.

Las Palmas é ainda meu lugar ideal para passar os meses de inverno. Parece-me que hoje é local de intenso turismo, e perdeu parte de seu encanto. Nesse tempo, era tranqüilo e calmo. Pouca gente ia para lá, a não ser os que ficavam um mês ou dois, e preferiam aquela ilha à da Madeira. Suas duas praias são perfeitas. A temperatura também: a média gira em torno de vinte e oito graus, o que, na minha opinião, deve ser a temperatura de verão. Durante a maior parte do dia corria uma brisa agradável, e à noite estava sempre quente o bastante para podermos nos sentar ao ar livre, depois do jantar. (Autobiografia, Círculo do Livro)

El edificio donde se alojó Agatha Christie sigue dando argumentos para una novela siete décadas después. El viejo Metropole, hoy transformado en la sede administrativa del Ayuntamiento, mantiene en aquellos pasillos el mismo ambiente de desasosiego que la escritora británica imprimió a sus novelas.

Si Miss Marple tuvo que hacer frente a sus Trece problemas, ahora Jerónimo Saavedra debe afrontar una lista bastante mayor de contratiempos, no sólo externos, sino también internos, que empiezan a sembrar la semilla de la decepción, como reconocen muchos concejales en el ámbito privado, y algunos otros en el público. (Canarias7)

Recuerdo haber leído un relato corto de Agatha Christie en el que situaba uno de sus crímenes en Gran Canaria. Las protagonistas se alojaban en el Hotel Metropole pero el crimen en cuestión tenía lugar en el Puerto de Agaete. Hace siglos que la leí y aunque me acuerdo bien del argumento –que no destriparé, descuiden- no consigo acordarme del título. Quizá alguno de mis amables visitantes tenga a bien refrescarme la memoria. Pero todo esto venía a cuento de una placa colocada en la entrada trasera del Ayuntamiento, en la entrada de los jardines. La placa susodicha recuerda, con un texto socarrón, la visita de Agatha Christie y dice algo así como “los ecos de las intrigas y asechanzas de sus historias aún resuenan por los pasillos de este edificio”. (Blog Canarias Nación)

Nuestra escritora se alojaba en el Hotel Metropol donde hoy están las oficinas Municipales de Las Palmas de Gran Canaria, en el barrio de Ciudad Jardín; ella era asidua de la playa de Las Canteras y practicante pionera del Surf. (Historia de Canarias)

Graças

Jazigo de Sheikh Adi

Jazigo de Sheikh Adi

Tantas outras coisas para recordar! Caminhar por um tapete de flores até o santuário dos yezidas, em Sheikh Adi… A beleza das grandes mesquitas de azulejos de Isfahan — uma cidade que parece saída de um conto de fadas… Um poente vermelho visto de nossa casa de Nimrod. .. Sair do trem nas Portas Amânicas ao crepús­culo… As árvores de New Forest no outono… Nadar em Torbay com Rosalind… Mathew jogando no torneio entre Eton e Har­row… Max ao voltar da guerra, comendo comigo peixe defumado… Tantas coisas, tão tolas, tão engraçadas — e algumas tam­bém tão belas! Dois cumes de ambição atingidos: jantar com a rainha da Inglaterra (como a nursie teria ficado contente! “Gatinho, gatinho, onde estava você?”) e a orgulhosa posse de um automóvel Morris — um automóvel meu! A mais pungente de minhas expe­riências: Goldie, o canário, pulando da cortina, depois de um dia de desesperada infelicidade.
Uma criança diz: “Graças, meu Deus, por meu bom jantar”.
Que poderia dizer eu, ao fim de setenta e cinco anos de vida? “Graças, meu Deus, por minha vida tão feliz e por todo o amor que me foi dado.”
(Agatha Christie, Autobiografia, Círculo do Livro, última página)

Dois maiores momentos [2/2]

A Rainha do Crime encontra a Rainha

A Rainha do Crime encontra a Rainha

A segunda foi jantar com a rainha, no Buckingham Palace, aproximadamente quarenta anos mais tarde.
Ambos esses acontecimentos pertenciam à categoria dos contos de fadas. Eram coisas que pensara que jamais me aconteceriam, a mim: ter meu próprio carro e jantar com a rainha da Inglaterra!
“Gatinho, gatinho, onde é que você esteve?
Fui a Londres visitar a rainha.”
Era quase tão gostoso como ter nascido Lady Agatha!
“Gatinho, gatinho, o que havia debaixo da cadeira da
[rainha?”
Não tive a sorte de assustar ratinho algum que estivesse debaixo da cadeira da rainha Elizabeth II, mas gostei muito dessa noite. Tão pequena e esbelta, em seu vestido simples de veludo vermelho, com uma única e linda jóia — e sua bondade e simplicidade no falar! Recordo que nos contou a história de uma noite em que estavam conversando numa salinha e tiveram de fugir dela, porque, de repente, caiu pela chaminé abaixo uma enorme crosta de fuligem. É animador saber que os desastres domésticos também ocorrem nos mais altos círculos sociais. (Agatha Christie, Autobiografia, Círculo do Livro)

A Rainha do Crime encontrou-se pessoalmente com a Rainha Elizabeth 2ª em 1971, quando foi nomeada Dame Commander of the Order of the British Empire.

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Flatnose Cowley Morris, fabricado entre 1927 e 1931

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“Comprar um automóvel?” Olhei para ele com espanto. A última coisa com que sonharia era um carro. Ninguém do nosso círculo de amigos possuía um automóvel. Ainda estava imbuída da noção de que um carro era coisa para gente rica. Passavam por nós, velozmente, a trinta, cinqüenta, oitenta quilômetros por hora, transportando pessoas cujos chapéus estavam atados com véus de musseline, correndo para lugares impossíveis. “Um automóvel?”, repeti, com uma voz que lembrava a de uma assombração.
“Por que não?”
Realmente, por que não? Era possível! Eu, Agatha, podia ter um carro, um automóvel meu. Confesso, aqui e agora, que, das duas coisas que mais me empolgaram em toda a minha vida, a primeira foi meu automóvel: meu Morris Cowley cinzento. (Agatha Christie, Autobiografia, Círculo do Livro)

Agatha comprou o carro usando o pagamento que recebeu do Evening News (£500) pelos direitos de publicação de O Homem do Terno Marrom em formato de folhetim, com o título de Anne, a Aventureira.

Fonte da foto: International Aliance of Morris Owners