Nova capa, nova edição: Convite para um Homicídio

A L&PM Editores celebra, com uma edição nova, o excelente “Convite para um Homicídio”:

(…) foi o 50º livro de Agatha Christie e seu lançamento deu origem a uma grande festa de comemoração no Hotel Savoy em Londres, em junho de 1950. Durante o evento, a escritora teria posado feliz para os fotógrafos ao lado de Sir William Collins, da Editora Collins, junto a um bolo cuja cobertura era igual à capa do livro. Convite para um Homicídio é considerado um dos dez melhores romances policiais de Agatha Christie e o melhor dos títulos de Miss Marple.

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Sugestão de leitura: Desenterrando o Passado (Agatha Christie)

Além da sua Autobiografia, Agatha Christie publicou um livro de viagens em que registra as expedições arqueológicas que fez com o marido. O título original [“Come, Tell Me How You Live”] é um verso de Lewis Carroll [Alice Através do Espelho] e o livro é uma resposta da autora às pessoas que perguntavam fequentemente:

“Então você faz escavações na Síria, não é? Conte-me tudo a respeito. Como você vive? Numa tenda?” etc, etc. A maioria das pessoas, provavelmente, não está interessada em saber. São só as miudezas da conversa. Mas, volta e meia, há uma ou duas pessoas que estão realmente interessadas.

O título brasileiro também está relacionado com o mesmo poema de Carroll, em seu último verso: “E desenterrar o passado em longínquas colinas!” A escritora publicou o livro com seu nome de casada, Agatha Christie Mallowan – ela o fez apenas uma outra vez, na coletânea Star Over Bethlehem and other stories [poesias e contos religiosos, não publicado no Brasil].

Ela o escreveu durante a Segunda Guerra Mundial enquanto Max Mallowan estava no Egito e ela em Londres, dividindo seu tempo entre o trabalho na farmácia do hospital e novos romances policiais, uma época produtiva para a escritora. Christie o finalizou em junho de 1945 e Desenterrando o Passado foi publicado em novembro de 1946.

Vale lembrar que este é um registro pessoal e que reflete uma visão de época, anterior ao politicamente correto. Porém, como resistir à profunda auto-ironia da autora?

Fazer compras para um clima quente no outono ou no inverno apresenta certas dificuldades. As roupas do verão passado, que, otimisticamente, a gente pensou que iam “dar”, agora que a hora chegou, “não dão”. Por um lado parecem estar (como as deprimentes relações de móveis em mudanças) “Machucadas, Arranhadas e Marcadas”. (E também Encolhidas, Desbotadas, e Estranhas!) Por outro lado — que lástima alguém ter que dizer isso! — estão apertadas por todos os lados.

No Brasil existe apenas a edição da Nova Fronteira desde 1974 [tradução de Cora Rónai Vieira], esgotada e só encontrada em sebos como os da Estante Virtual. Em Portugal a Tinta da China publicou em 2010 com o título Na Síria, e em inglês exstem diversas edições ainda em catálogo.

Sinopse
A autora narra o trabalho do marido, um dos maiores arqueólogos do nosso tempo, Max Mallowan, e suas implicações para a vida de ambos. A história começa alguns anos antes da Segunda Guerra Mundial, quando o casal visita o Iraque e a Síria. Agatha Christie faz uma crônica dessa experiência e relata de forma divertida como se vive enquanto se desenterra o passado do Oriente Médio.

Sugestão de leitura: Autobiografia (Agatha Christie)

Para marcar a data do falecimento da Dama do Crime (12/01/1976), vamos relembrar a sua Autobiografia, uma leitura recomendada para os fãs. O livro foi publicado pela primeira vez em novembro de 1977 na Inglaterra e nos EUA, e no Brasil em 1979 pela editora Nova Fronteira com tradução de Maria Helena Trigueiros, a mesma utilizada em outras três editoras [Círculo do Livro, Record e Altaya].

Agatha Christie: Autobiografia já não é mais editada, agora só é possível encontrar exemplares usados em sebos como os da Estante Virtual. A edições da Nova Fronteira e da Record são de capa mole, as da Altaya e Círculo do Livro são capa dura. A da Altaya é dividida em dois volumes, as outras são volume único.

Sinopse
Os fatos mais notáveis da surpreendente carreira de Agatha Christie são muito bem conhecidos. A venda de seus livros só foi superada por Shakespeare e pela Bíblia. Filmes baseados em seus romances – como por exemplo, Assassinato no Expresso Oriente – bateram todos os recordes de bilheteria. Sua peça A Ratoeira, estreada em 1952, ainda hoje lota os teatros. Cada romance seu é presença obrigatória nas listas de best-sellers no mundo inteiro. Em 1971, todos esses feitos foram oficialmente reconhecidos, quando ela recebeu o título de Dame do Império Britânico. Contudo, nem mesmo todos esse sucesso levou-a a romper a privacidade quase absoluta que impôs à sua vida pessoal.

Aqui, enfim, ela narra a história de sua vida, sua infância feliz na pequena cidade de Torquay e no estrangeiro; os devaneios de sua mais remota vida amorosa; seu primeiro casamento com o coronel Christie, que atravessou a primeira guerra e permaneceu feliz até terminar com um desapontamento traumático, os primeiros passos de sua carreira de escritora e do espantoso crescimento de seu sucesso; seu extraordinário segundo casamento com o famoso arqueólogo Max Mallowan e o fascínio que essa nova profissão touxe para sua vida, suas casas e seus jardins, sua família – tudo está aqui.

“Estou satisfeita”, escreveu ao terminar este livro, “fiz o que queria fazer”. Pois, na verdade, essa é a história de alguém que fez exatamente o que queria fazer e o fez excepcionalmente bem.

Agatha & Arqueologia: dois artigos interessantes

Max Mallowan, Agatha Christie e Leonard Woolley em Ur, 1931 ( The British Museum)

Max Mallowan, Agatha Christie e Leonard Woolley em Ur, 1931 (The British Museum)

Um artigo publicado no site Greenwich Citizen relata a viagem que o arqueólogo C. Brian Rose realizou recentemente ao sul do Iraque. Entre narrativas da destruição de patrimônio histórico, cultural e arqueológico  feita pelos soldados estrangeiros na ocupação do país, a autora do artigo cita o museu que Rose representa, na Universidade da Pennsylvania.

Part of that exhibit shows a picture of Agatha Christie with her archeologist husband during the British excavation of Ur in the 1920’s. Christie had written “Murder in Mesopotamia,” during that time.[Greenwich Citizen, 25/12/09]

O escritor Arthur Clark publicou um artigo em que revela um pouco da real personalidade de Agatha Christie, através da percepção de pessoas que a acompanharam nas expedições e que tiveram contato direto, em primeira mão, com a autora.

Robert Hamilton, inspetor de escavações em Nimrud: “As estradas no Iraque eram terrivelmente ruins nos anos 1950, mas Agatha nunca resmungou em nenhum de todos os trancos. Ela aguentava qualquer desconforto. Sua resistência à exaustão física era incrível.” “Agatha tinha uma máquina de escrever e datilograva o tempo todo. Ela escrevia quase todos os dias.”

Rosalind Christie Hicks, filha de Agatha que a acompanhou num acampamento na Síria nos anos 1930: “Ela nutria muita simpatia pelos árabes e pelas pessoas com quem tinha contato. Ela compreendia o modo de viver deles e não tentava interferir na vida deles de modo algum.”

E ela foi conselheira médica para a força de 140 trabalhadores turcos, curdos e árabes. Ela prestou serviços como enfermeira e ajudante de farmácia na Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial, treinamento que foi inestimável quando o médico estava a um dia ou mais de distância. [Arthur Clark para a revista Saudi Aramco World, ed. jul/ago 1990 *]

* Tradução livre.

Motivações para o crime… em 1937

A Morte no Nilo, capa do Círculo do Livro

A Morte no Nilo, capa do Círculo do Livro

— Não creio que o sr. Pennington seja capaz de matar alguém. Ele me parece tão seco, tão gelado, como se não tivesse sangue nas veias…

— Creio que ele possui um forte instinto de preservação.

— Pode ser. E que diz da sra. Ottebourne, com seus ridículos turbantes ?

— Por vaidade…

— Vaidade ? Como motivo para um assassinato ? — perguntou a sra. Allerton, duvidando.

— Os motivos dos crimes são, às vezes, muito triviais, madame.

— Quais os mais comuns ?

— O dinheiro é o mais frequente. Isto é, o obtido das mais diferentes formas. E há a vingança… o amor, o medo, o ódio, a filantropia…

— M. Poirot !

— Não se espante, madame. Já vimos casos em que A matou B para que C pudesse lucrar. Se uma pessoa é considerada nociva para a civilização, sempre aparece alguém bem-intencionado para matá-la, esquecendo-se de que a morte e a vida são privilégios do bom Deus — concluiu Poirot, com gravidade.

(Trecho de “A Morte no Nilo” (1937), página 64, edição Círculo do Livro, tradução de Barbara Heliodora)