Bons de garfo: Na Pista das Iguarias, por Ana Paula Laux e Rogério Christofoletti

No aniversário da revista “The President”, matéria de Ana Paula Laux e Rogério Christofoletti citando Poirot, “Treze À Mesa” e “A Aventura do Pudim de Natal”:

https://issuu.com/revistathepresident/docs/tp25

Screenshot_2016-07-19-01-38-36-1

Screenshot_2016-07-19-01-41-07-1

Receita do famoso Pudim de Natal, por Rogério Christofoletti e Ana Paula Laux

Para os fãs de “As Aventurasdo Pudim de Natal”, não custa relembrar a receita do famoso Pudim, este ano a partirde uma matéria no ND Online:

Um pudim de natal, também conhecido como pudim de ameixas – que não é o pudim de leite condensado com que o brasileiro está acostumado e nem com ameixas, mas sim uvas-passas. Essa receita, que aparentemente é confusa, é do pudim mais tradicional consumido na Inglaterra. Ele foi mencionado no livro “A Aventura do Pudim de Natal”, da escritora britânica Agatha Christie, cujos 125 anos de nascimento foram comemorados em 2015.

Rogério Christofoletti, 43, e a mulher, Ana Paula Laux, 38, são jornalistas devoradores assumidos da literatura misteriosa de Agatha. Rogério, por influência de Ana, lê os livros da britânica há mais dez anos, mas Ana começou bem cedo, e por acaso, antes do primeiro vestibular que prestaria na faculdade. “Eu peguei um livro dela para ler e me distrair, e não parei mais. Virei a madrugada e no dia seguinte perdi a primeira prova do vestibular”, lembra Ana, que hoje ri do momento.

Os dois “especialistas” em Agatha toparam o desafio de Natal do caderno Plural e fizeram o pudim do conto da autora adaptando as receitas que encontravam na internet para os ingredientes disponíveis na Grande Florianópolis. O pudim lembra um panetone, pois na receita leva uva-passa escura e clara, maçã, especiarias mistas, canela, noz-moscada e cravo, trazendo o aroma familiar. A parte difícil, além dos inúmeros ingredientes, fica por conta também do tempo de finalização: ele leva 5 horas para fica pronto em banho-maria. “Esse pudim, quando nasce na Inglaterra, eles pensam que é um pudim especial feito para comer durante o Natal. Em algumas receitas, eles usavam 13 ingredientes, porque tinha a ver com os 12 apóstolos e Cristo, mas isso é um pouco de mito”, explica Rogério.

Leia a matéria completa em

http://m.ndonline.com.br/florianopolis/plural/295646-especialistas-em-agatha-christie-ensinam-a-fazer-o-tradicional-pudim-de-natal-ingles.html

A receita:

1ª parte

115g de farinha com fermento
115g de uva-passa escura
115g de uva-passa clara
115g de manteiga ralada (substituindo o SUET)
115g de migalhas de pão preto
1 maçã grande, descascada e picada
115g de açúcar mascavo

Misture todos os ingredientes nesta ordem, até formar uma massa compacta. A seguir, misture a segunda parte dos ingredientes.

2ª parte
Suco de 1 limão
Raspas do limão
1 colher de chá de especiarias mistas
1/2 colher de chá de canela
1/2 colher de chá de noz-moscada ralada
1/2 copo de leite
4 colheres de sopa de rum escuro ou conhaque

COMO FAZER O MIX DE ESPECIARIAS

1 colher de chá de pimenta da Jamaica
2,5cm peça de pau de canela
1 colher de chá de cravo
1 colher de chá de noz-moscada ralada
1 colher de chá de gengibre em pó

Triture a pimenta, canela e cravo em um pó fino e misture os ingredientes. Depois acrescente a noz-moscada e o gengibre ao mix. No final, vai ficar com esse aspecto.

A cozinha das escritoras – Stefania Aphel Barzini

Agatha Christie na cozinha de sua casa, na Inglaterra, em 1950. Ela era fã de pratos simples, como pães e omeletes

Agatha Christie na cozinha de sua casa, na Inglaterra, em 1950. Ela era fã de pratos simples, como pães e omeletes


Uma matéria da revista Época comenta o lançamento do livro da jornalista italiana Stefania Aphel Barzini, que analisa oa hábitos e as habilidades culinárias de escritoras e sua relação com a obra literária de cada uma.

Agatha amava cozinhar desde a infância – algo incomum para uma moça classe alta britânica, que cresceu cercada por cozinheiras. Em 1901, quando seu pai morreu, ela tinha apenas 11 anos. Enquanto toda a família foi para o funeral, ela procurou conforto na cozinha. Foi lá que Agatha passou o dia, ajudando a empregada da família a preparar o jantar. A comida também trouxe conforto quando seu primeiro marido pediu o divórcio. Nos primeiros dias após a separação, ela perdeu o apetite. Pouco depois, fez uma viagem à cidade turística de Harrogate e passou dez dias comendo tudo o que pôde. A depressão foi derrotada a golpes de garfo.

Link para a matéria completa aqui
Livro no Submarino aqui

Bolo de cominho

Caraway seed cake, bolo de cominho

Caraway seed cake, bolo de cominho

Lady Selina engoliu o último pedaço amanteigado e olhou vagamente em redor. Henry logo apareceu. Não rápida nem apressadamente. Parecia ter surgido ali de súbito.
– A senhora deseja mais alguma coisa? – E sugeriu atenciosamente: – Bolo, por exemplo?
– Bolo? – Lady Selina pensou nisso, hesitante.
– Estamos servindo um ótimo bolo de cominho que eu recomendo à senhora.
– Bolo de cominho? Faz anos que eu não como bolo de cominho! É bolo de cominho de verdade?
– É, sim, minha senhora. O cozinheiro usa essa receita há não sei quantos anos. A senhora vai gostar, tenho certeza.
Henry olhou para um dos seus ajudantes, e o rapaz disparou em busca do bolo de cominho.
[Agatha Chirstie, O Caso do Hotel Bertram, trad. Rachel de Queiroz. 7ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2001]

Levanta a mão quem lê livro ou assiste série/filme e fica de olho no que os personagens comem. o/

Antontem eu finalmente terminei de ver a segunda temporada de Poirot, que se encerrou com a adaptação da primeira aventura do detetive de Agatha Christie [O Misterioso Caso de Styles] e é claro que acabei com vontade de comer um dos quitutes mencionados: desta vez foi seed cake, um simples bolo “temperado” com sementes típico não apenas na Inglaterra, mas também na Terra Média, apreciado por humanos, hobbits e anões igualmente.

– Um pouco de cerveja me cairia melhor, se não lhe fizer diferença, meu bom senhor – disse Balin, agitando a barba branca. – Mas eu não recuso um pouco de bolo… bolo de sementes, se você tiver.

– Um monte! – Bilbo se viu respondendo, para sua própria surpresa; e se viu também correndo até a adega para encher uma caneca de cerveja, e depois para a despensa para pegar dois belos e redondos bolos de sementes que fizera aquela tarde para petiscar depois do jantar. [J. R. R. Tolkien, O Hobbit, trad. Lenita Maria Rímoli Esteves, Almiro Pisseta. 2ª Edição. São Paulo: Martins Fontes, 1998]

Continuar lendo

Chá chinês ou indiano?

Camellia sinensis com flor

Camellia sinensis com flor

Tradução do artigo What is chinese tea? de Margaret Studer para o The Exminer.

Quando você lê livros escritos na Inglaterra ou em outras partes do Reino Unido, especialmente romances da Miss Marple de Agatha Christie, pode encontrar uma passagem em que o anfitrião ou a anfitriã, servindo o chá, pergunta aos convidados se preferem China ou Índia. O que eles querem dizer com isso é se você quer chá chinês ou indiano.

Isto porque a maioria dos chás vêm de duas variedades da planta do chá e de onde cada uma vem afeta o sabor do chá. Camellia sinensis variedade sinensis é o chá chinês. Camellia sinensis variedade assamica é o chá indinao. Os nomes indicam a variedade da planta e de onde se originou, não onde atualmente cresce.

Os botões e folhas de ambas as plantas são colhidas para o chá, mas as plantas em si são diferentes. A variedade sinensis é um arbusto com vários troncos e folhas pequenas. O arbusto cresce até 2,75m de altura, resiste ao clima frio e pode viver por até 100 anos.

Continuar lendo

Rollin’ Scones

Aceita um biscoito?
Aceita um biscoito?

No blog Fogon’s Corner, do site espanhol Periodista Digital, uma entrada muito interessante dispõe nova receita do biscoito típico inglês, os scones, mas não se limita a isso. Voê sabia que Agatha Christie utilizou em quase cinqüenta de suas obras chocolate, champagne, maçãs, café e itens de chá da tarde e café da manhã?

Cualquier bocado inocente puede enviar el imprudente goloso ad patres y sólo los pacientes trabajos de Hércules (Poirot), o o las astutas investigaciones de su “armchair detective” (literalmente “detectivo de butaca”), la solterona Miss Marple, delucidarán el apasionante enigma.

Pastelitos de taza

Continuar lendo

Baba au rhum

– Primeiro vamos jantar, Hastings. E só voltaremos a abordar o assunto à hora do café. Quando se trata de comida, o cérebro deve ser escravo do estômago.
Poirot manteve a palavra. Fomos a um pequeno restaurante em Soho, onde era amigo da casa, e comemos uma omelete saborosíssima, filé de peixe, frango e um Baba au Rhum que era uma das paixões de suas paixões. (Treze à Mesa, Nova Fronteira, 2005, pág. 127)

Baba au rhum

Baba au rhum

A origem

Baba vem de babka ou bobka, um bolo típico do leste europeu consumido no domingo de páscoa; a palavra significa “mulher idosa” ou “vovó” nos idiomas eslavos. A invenção do Baba au Rhum é atribuída a Stanislas Leszczynska, rei deposto da Polônia e sogro do rei francês Luís 15. Segundo o dicionário Larrousse Gastronomique isso é improvável, mas talvez ele possa receber o crédito parcial já que tenha partido dele a idéia de embeber um bolo chamado kouglhopf em bebida alcóolica. Gugelhupf ou kugelhupf é o nome alemão do babka.

Outra versão da lenda conta que o rei Stanislas trouxe um baba em uma de suas viagens que chegou ressecado. Seu pasteleiro Nicolas Stohrer resolveu o problema adicionando vinho de Málaga, açafrão, uvas e passas e creme batido. Stohrer fez parte da comitiva que acompanhou a princesa Maria ao palácio de Versalhes, em 1725, quando ela casou-se com o rei francês. Em 1730 ele abriu sua patisserie em Paris. A idéia de usar rum ocorreu a um de seus descendentes em 1835.

O Baba au rhum é feito numa forma cilíndrica; o bolo inspirou a criação de uma versão alternativa, o Savarin (v. post de 28 de maio de 2008 ).

Fonte: Le Guide des Connaisseurs

Continuar lendo

Bolo de café

“Querida Sra. Willett:
Soube que ontem em sua casa foi servido ao chá um bolo de café muito delicioso. Poderia ter a gentileza de me dar a receita? Sei que não se incomodará que lhe peça isto… afinal uma inválida tem tão poucas coisas com que se interessar além de suas refeições. A Srta. Trefusis se ofereceu gentilmente para levar este bilhete, já que o Ronnie está ocupado esta manhã. Essas notícias sobre o preso que fugiu não são bastante inquietantes?
Com os cumprimentos sinceros de
Caroline Percehouse” (O Mistério de Sittaford, Ed. Record, 1987, pág. 122)

Bolo de café

Bolo de café

A maioria das receitas atuais de bolo de café leva chocolate em sua confecção; eu optei por uma sem chocolate, apesar desse livro se passar ainda na época de fartura e não no racionamento pós-guerra de “Convite para um homicídio”, por exemplo, quando manteiga e chocolate eram contrabandeados.

Também optei por levar a expressão “coffee cake” ao pé da letra conforme a tradução do livro. Existe uma outra interpretação possível: coffee cake é qualquer bolo adequado para consumir acompanhado de café ou no café da manhã; neste caso pode ser de qualquer sabor, não obrigatoriamente de café. Esses bolos geralmente têm uma cobertura de farofa doce.

Bolo de café
Continuar lendo

Theodore Blunt almoça com o Prefeito de Polícia de Paris

– Srta. Ganges, vou almoçar aqui amanhã com o Prefeito de Polícia de Paris. Anote o almoço e entregue ao mâitre com a recomendação de reservar minha mesa de sempre. Estou ajudando francesa num caso importante. A taxa – fez uma pausa – é considerável. Está pronta, srta. Ganges?
– Estou – disse Tuppence, caneta na mão.
– Começaremos com uma salada de camarão especial que servem aqui. Então, a seguir, deixe-me ver, a seguir omelete Blitz e talvez dois Tournedos à l’Étranger.
Calou-se e murmurou à guisa de desculpa:
– Espero que não se incomodem. Ah! Sim. Souffle en surprise. Este prato arremata a refeição. Um homem muito interessante, o Prefeito de Polícia. Talvez o senhor o conheça, não? (Sócios no Crime, Ed. Record, 1987, pág. 80)

Salada de camarão

Salada de camarão
Procurei, procurei e não achei a receita original da salada especial de camarão do Ritz. Esta a seguir, de Rufino Casal Trienta, me parece especial o bastante. 😉

INGREDIENTES (2 porções)

– 8 camarões gigantes frescos de 140 g a 150 g cada um
– 8 rodelas de tomate-caqui
– 8 rodelas de palmito
– 8 folhas de alface americana rasgadas em pedaços
– 100 g de cenoura ralada
– 2 tomates-cereja abertos
– 8 tirinhas de pimentão-vermelho
– Suco de limão e óleo extravirgem de oliva a gosto
– Sal a gosto

Continuar lendo

Pilau de homar

– Você e eu vamos ao Blitz, Tuppence. O cego com sua guia. Posso aprender coisas interessantes lá.
– Escute, Tommy, a gente vai se meter em encrenca.
– Não, de jeito nenhum. Vou me comportar como um cavalheiro. Aposto que no fim do almoço vou surpreendê-la.
Reprimidos os protestos, quinze minutos depois Tommy e Tuppence se refestelavam confortavelmente numa mesa de canto do Gold Room do Blitz.
Tommy percorreu o cardápio com os dedos.
– Pilau de homar e galinha grelhada para mim – murmurou ele. (Sócios no Crime, Editora Record, pág. 78 )

Pilau de carneiro

Este é outro caso em que foi necessário consultar a edição original, em inglês, para confirmar o que é o tal pilau de homar. Pilau nem foi tão difícil: trata-se de arroz refogado em gordura ou óleo até o grão ficar transparente, quando então junta-se o caldo para terminar de cozer. Este prato também é chamado pilaf. As primeiras referências ao prato foram encontradas nas histórias de Alexandre o Grande (356 a.C. a 323 a.C.).

A citação em inglês:

“You and I will go to the Blitz, Tuppence. Blind man and his keeper. Some jolly useful tips to be picked up there.”
“I say, Tommy, we shall get into trouble.”
“No, we shan’t. I shall behave quite like the little gentleman. But I bet you that by the end of luncheon I shall be startling you.”
All protests being thus overborne, a quarter of an hour later saw Tommy and Tuppence comfortably ensconced at a corner table in the Gold Room of the Blitz.
Tommy ran his fingers lightly over the Menu.
Pilaff de Homard and Grilled Chicken for me,” he murmured.

A-ha! Agora sim. Homard é lagosta em francês. Pilaff, pilaf, pilau, polov, e mais uma infinidade de nomes parecidos são a mesma coisa.

Como francês não é meu forte (e lagostas não são tão fáceis de encontrar por aqui, nem tão baratas), a receita de hoje usa carneiro no lugar.
Pilau de carneiro

Continuar lendo

Refeição digna de um conde francês

O Comte de la Roche vinha de acabar seu dejéneur, que consistira de um omelette fines herbes, uma entrecôte Bearnaise e um Savarin au Rhum. (O Mistério do Trem Azul, Ed. Abril Cultural, pág. 155)

Omelette aux fines herbes
Segundo o High Beam Encyclopedia, a definição de fines herbs é: mistura de salsinha, estragão, cebolinha, manjerona e agrião picados. Uma omelete perfeita é levemente marrom por fora mas não seca, e levemente úmida por dentro mas não escorrendo. As ervas devem ser frescas, não secas nem desidratadas. Se não tiver todas as ervas à mão use só algumas ou use ervas diferentes.

O chefe Escoffier, do Ritz Hotel de Londres e que já vimos antes na receita de Peche Melba, é incisivo ao avisar que uma omelete feita apenas com salsinha não pode ser chamada de omelette aux fines herbes. A receita a seguir é de autoria de Escoffier.

Continuar lendo

Creme de Devonshire (2)

Também comia creme de leite de Devonshire em grandes quantidades; era muito mais agradável do que óleo de fígado de bacalhau, costumava dizer minha mãe. Às vezes comíamos o creme de leite com fatias de pão, outras, com a colher. Infelizmente, hoje em dia é raro encontrar em Devon o verdadeiro creme de leite de Devonshire – pelo menos, não é como o de antigamente -, escaldado e tirado do leite às camadas, com sua nata amarela em uma tigela de porcelana. Não tenho a menor dúvida: uma das coisas de que mais gostava e pro­vavelmente sempre gostarei é creme de leite. (Autobiografia, Círculo do Livro)

Após publicar o post sobre o creme de Devonshire no final de abril, encontrei outra referência na Autobiografia de Agatha Christie quando ela menciona Devonshire cream como sua sobremesa favorita.

Receita de creme de Devonshire caseiro, extraída da comunidade Agatha Christie Brasil com tradução de ChrisLemon.

“Devonshire Cream” – Um creme espesso produzido inicialmente na Inglaterra ao se deixar o leite descansando por várias horas, até que uma camada grossa de nata se formasse em sua superfície; esta era retirada e levada a cozinhar lentamente em banho maria, até que que se tornasse um creme bem espesso e desenvolvesse uma crosta dourada similar a manteiga.

Continuar lendo

Sidra Devonshire

Depois de trocar algumas palavras com o inspetor, nós três fomos para o White Hart para coisas mais amenas como ovos, toucinho e cidra Devonshire. (Os Quatro Grandes, Ed. Record, pág. 40)

O dicionário Houaiss informa que a palavra cidra, com C, refere-se à fruta da árvore cidreira, da família das toranjas. A bebida fermentada alcoólica feita de suco de maçã, como é o caso aqui, grafa-se sidra com S – mas este erro cometido pela tradutora (ou por seus revisores) é um engano comum já que, no original em inglês, escreve-se cider.

A bebida é fabricada em vários países e em todos os continentes; porém, para o que nos interessa, vamos nos restringir às variedades encontradas no Reino Unido, mais especificamente em Devonshire. Nessa região a sidra é mais conhecida como scrumpy, de “scrump”: maçã pequena ou encolhida.

Segundo o Urban Dictionary, a sidra contém no mínimo 7% de álcool e pode ser consumida em grande quantidade, desde que o bebedor não necessite usar as pernas depois. Já o site Devon Calling explica que o mundo parece um lugar melhor depois de um copo de sidra Devonshire; após dois copos você não se lembra de mais nada.

Strong Scrumpy
Continuar lendo

Ovos poché

– Omelete – disse Lorde Caterham, erguendo uma tampa de cada vez. – Ovos e bacon, rins, caça, peixe, presunto frio, faisão frio. Não gosto de nada disso, Tredwell. Peça à cozinheira para me fazer um ovo poché, sim? (pág. 89)
– Detesto ovos pochés – disse Lorde Caterham irritado. – São tão insípidos. Não gosto nem mesmo de olhar para eles. Leve-os embora, sim, Tredwell? (pág. 90)

Um alimento pode ser valorizado ou destituído de sua característica gourmet pelo método de cozimento. Somente conhecendo as peculiaridades de cada método, você poderá extrair o máximo de um produto. Vamos aprofundar um pouco o método de cozimento chamado “Pochê”.

Pochê vem da palavra francesa “Pocher” que significa cozinhar um alimento por imersão num líquido, seja água, leite, calda, fond, etc., mergulhá-lo e cozinhá-lo lentamente com o líquido apenas começando a borbulhar.

Continuar lendo

Creme de Devonshire

Fatigados pela viagem de trem e pelo estirão de quase 14 quilômetros desde a estação, estávamos tão cansado que fomos diretamente para a cama, depois do jantar de galinha assada, bolo de maçã e creme de Devonshire. (Poirot Investiga, Ed. Record, pág. 146)

Segundo o site Wikipedia, Devonshire cream é um creme amarelo grosso obtido ao ferver leite não pasteurizado de vaca que depois é deixado em panelas rasas durante várias horas. Coágulos de creme gorduroso então sobem à superfície.

Puristas dizem que apenas o creme do leite das vacas da região de Devon e Cornualha pode ser chamado de creme de Devonshire. O creme é composto de 55 a 60% de gordura. Assim lendo só consigo pensar em nata mas, segundo o site Joy of Baking, o sabor é doce, não azedo.

O creme de Devonshire também é acompanhamento do chá da tarde: no próprio chá ou como cobertura de scones. O blog Magia na Cozinha, em português de Portugal, ensina a diferenciar os vários tipos de cremes e derivados de leite e como substitui-los nas receitas.

Refeição digna de um conde italiano (2)

– O pedido foi para três pessoas: soup julienne, filet de sole normande, tournedor e um souflé de arroz. A que horas? Por volta das oito horas. Não, infelizmente todos os pratos e travessas já foram lavados. Estava pensando em impressões digitais, não é mesmo? (Poirot Investiga, Ed. Record, pág. 136)

Apesar da tradução brasileira usar a alternativa tournedor, a exemplo de diversas churrascarias, a palavra francesa correta é tournedos: consta que o compositor Rossini pediu ao garçom do restaurante parisiense Café Anglais que lhe servisse um filé alto com molho Madeira e uma camada de patê de foie-gras no topo.

Continuar lendo

Refeição digna de um conde italiano

– O pedido foi para três pessoas: soup julienne, filet de sole normande, tournedor e um souflé de arroz. A que horas? Por volta das oito horas. Não, infelizmente todos os pratos e travessas já foram lavados. Estava pensando em impressões digitais, não é mesmo? (Poirot Investiga, Ed. Record, pág. 136)

Na semana passada, vimos duas das beberagens que Poirot aprecia. Como este livro traz mais algumas citações de refeições, vou dividir as receitas nas próximas duas semanas. Hoje ficaremos com a Soup Julienne e o Filet de Sole Normande.

Como fazer uma sopa à julienne:
Julienne é a técnica de picar ou cortar vegetais, bem fininho.
Veja um vídeo no site do MSN, em português brasileiro, que ensina passo-a-passo. Existe também um fatiador (mandoline) com várias lâminas que tem essa função.

Continuar lendo

As beberagens de Poirot

Agora podemos dormir em paz. E bem que estou precisando de algum sono. Minha cabeça está doendo terrivelmente. Ah, o quanto eu não daria agora por uma boa tisane!
Como em resposta à sua prece, a abertura da tenda foi empurrada para o lado e Hassan apareceu, trazendo uma xícara fumegante que ofereceu a Poirot. Era chá de camomila, algo que Poirot apreciava particularmente. (Poirot Investiga, Ed. Record, pág. 83)

Camomila (Matricaria Recutita / M.chamomilla L proparte / Chamomilla recutita L Rauscher) é uma planta cujas flores lembram pequenas margaridas. Além do seu valor ornamental, acreditava-se que a planta trazia boa sorte e atraía dinheiro, mas seus benefícios mais conhecidos (e comprovados) são o efeito relaxante da sua infusão, que ainda ajuda a suavizar olheiras e inchaço dos olhos e realçar cabelos claros. Em compressas, também alivia o ardor das queimaduras por exposição prolongada ao sol

Continuar lendo

Pêche Melba

Parte final da série de pratos mencionados no livro O Inimigo Secreto (veja hors-d’oeuvre e os pratos quentes).

Tuppence atacou alegremente o pêche Melba. (pág. 29)

A sobremesa de pera que Tuppence honrou com seu apetite foi criada por Auguste Escoffier, chef do Hotel Ritz de Londres. Ele batizou-a em homenagem à soprano Nellie Melba, que se apresentava no Covent Garden com a ópera Lohengrin, de Richard Wagner.

Curiosidade – A tradução portuguesa da mesma frase ficou assim:

Tuppence agarrou o Peche Melba dela felizmente.

Continuar lendo

Pratos quentes

Continuação da série de refeições do livro O Inimigo Secreto, iniciada na semana passada.

– Recebi tanto dinheiro que o choque foi demais para mim. Para essa forma particular de perturbação mental um médico eminente recomenda quantidades ilimitadas de hors-d’oeuvre, lagosta a l’américaine, galinha Newburg e pêche Melba! Se é assim, vamos a eles! (pág. 28)

A receita de lagosta está disponível em diversos sites, em inglês e francês. A que eu trouxe em português foi adaptada para lagostins, que é mais fácil de encontrar por aqui. Mas nada impede que quem achar uma boa lagosta volte a readaptá-la!

Continuar lendo

Hors-d’oeuvre

O livro O Inimigo Secreto faz referência a muitas refeições que parecem deliciosas e que serão estudadas nas próximas três semanas: antepastos, três pratos quentes e sobremesa. Comecemos com os antepastos, os tais hors-d’oeuvre.

Depois que estavam sentados, cercados pelos muitos hors-d’oeuvres dos sonhos de Tuppence, Tommy não pôde mais conter a curiosidade acumulada:
– E agora me conte tudo, Tuppence! (pág. 28)

Hors-doeuvreHors-d’oeuvre. É o estágio preparatório; em português ou italiano: o antepasto. Do antepasto não se espera que seja particularmente nutritivo, mas que excite o aparelho digestivo, que o torne exigente, e que aguce o apetite. Por isso no antepasto servem-se alimentos de aspecto atraente, que excitam o apetite, que estimulam as glândulas salivares e gástricas: folhas de alface, tomates, limões, fatias de ovos, escargots, pãezinhos, que são precedidos ou acompanhados de pequena dose de aperitivos: caipirinha, Continuar lendo

Charutos de repolho

Victoria começou por beber um grande copo d’água e, em seguida, atacou o arroz, o pão e o repolho, cujas folhas estavam cheias de carne picadinha de gosto bastante peculiar. (Aventura em Bagdá, Ed. Nova Fronteira/2005, pág. 184)

Charutos de repolhoQuando Agatha Christie publicou Aventura em Bagdá, em 1951, ela já era casada há mais de 20 anos com o arqueólogo Max Mallowan e o acompanhava em suas expedições pelo Oriente Médio. Esta iguaria mencionada no livro me parece ser o que no Brasil chamamos de charuto de repolho, um prato típico da culinária árabe. Em alguns sites, o nome original é mehchi mahfuf, com as variantes merchi e malfut ou malfuf. A maioria, porém, concorda que mehchi identifica legumes e verduras recheadas (vide Bazar do Correio da Bahia).

Continuar lendo

Como servir o chá da tarde ao estilo de Miss Marple

Mesa posta para chá da tardeA detetive quintessencialmente inglesa de Agatha Christie, Miss Marple, não apenas tricota e soluciona crimes mas também serve um chá da tarde de morrer! Você pode fazer o mesmo.

Passo-a-passo
. Separe a porcelana mais bonita e delicada que conseguir.
. Tenha certeza que seu faqueiro esteja polido e brilhante. Coloque a mesa com uma toalha rendada ou de linho branca como a neve. E guardanapos combinando.
Continuar lendo

Toddy

Poirot e eu estávamos sentados em frente à lareira, aquecendo-nos às chamas reconfortantes. Do meu lado, sobre a mesa que nos separava, fumegava uma caneca de toddy preparado com carinho. Junto a Poirot uma xícara de chocolate espesso e perfumado, que eu não beberia nem por cem libras. (Os primeiros casos de Poirot, Ed. Record/1989)

Hot toddyQuando li este livro pela primeira vez, exatamente em 1989, me lembro que cheguei a questionar porque Toddy e não Nescau ou Quick ou Ovomaltine. O tempo passou e só agora, quando reli, é que pude pesquisar esta questão, graças à Internet.

É claro que toddy não é leite achocolatado – podia ser se fosse Poirot quem estivesse bebendo, mas era Hastings, e ele expressou sua opinião desabonadora sobre as bebidas doces em várias ocasiões: na mesma frase que abre este post, por exemplo!

Continuar lendo

Torta de rins

Lord Horbury deteve-se junto do aparador e serviu-se distraidamente de rins. (Morte nas nuvens, Ed. Nova Fronteira/2005, pág. 125)

KidneyPieEm vários livros de Agatha Christie vemos esta iguaria servida no café da manhã. Confesso que eu pensava que “rins” fosse uma espécie de apelido, igual a “cupim” (aquela corcova do boi). Mas não, é o órgão que filtra o sangue e excreta urina mesmo!

Os rins são de boi, carneiro ou porco e é claro que devem ser muito bem limpos… O steak & kidney pie leva um recheio de bife e rins num molho espesso, com a camada superior de massa podendo ser totalmente selada ou em tirinhas. Quando a cobertura é substituída por uma massa feita com gordura animal, vira steak & kidney pudding.

Continuar lendo