Portugal: Exposição Agatha Christie e as Plantas

Uma exposição denominada “De St. Mary Mead ao Cairo – Agatha Christie e as Plantas” está à disposição do público em Beja (cidade portuguesa, capital do Distrito de Beja, na região Baixo Alentejo, Portugal), desde 15.06.2011:

O Museu Botânico do Instituto Politécnico de Beja apresenta imagens e objectos (sementes, frutos, folhas) que evocam as plantas utilizadas por Agatha Christie — como veneno (cianeto, estricnina, atropina, etc.) ou apenas plantas típicas dos ambientes onde decorreram as acções dos romances (palmeira-tamareira, palmeira-de-Tebas, fidalguinhos).

Em junho e julho de 2011, o Museu Botânico fica aberto às quartas e quintas-feiras de 9h às 12:30h e das 14h às 17h. Visitas poderão ser marcadas, em outros horários, através dos e-mails:

museu@ipbeja.pt
p.nozes@ipbeja.pt

Guy Fawkes – A Noite da Fogueira

O inspetor-chefe estava acompanhado por um homem maduro, pequeno, de testa larga e grandes bigodes à militar, que agora sorria consigo mesmo.
Très bien, Japp. Meus parabéns. Foi um belo sermão.
– Essa história de pedir dinheiro para fazer o espantalho do Guy Fawkes não passa de uma desculpa esfarrapada para mendigar – disse o inspetor, ainda indignado.
– Uma tradição interessante – refletia Hercule Poirot. Os fogos de artifício continuavam a explodir – bang, bang – , mas o homem e seu crime já foram esquecidos.
O detetive da Scotland Yard concordou.
– A maioria desses garotos nem sabe quem foi Guy Fawkes.
– E a confusão só tende a aumentar. Daqui a pouco vai haver quem não saiba se esses feu d’artifice de 5 de novembro celebram um dia de honra ou a vergonha nacional. Afinal, tentar dinamitar o Parlamento inglês terá sido pecado ou virtude? (Agatha Christie, Assassinato no Beco, Nova Fronteira/2005, pág. 7)

 

Guy Fawkes

Guy Fawkes

 

É engraçado, pensando agora, no quanto eu era desligada na adolescência. Li esse livro da Duquesa da Morte lááá aos 16 anos pela primeira vez. Depois vi mais uma referência em Jane Eyre quando tinha uns 17 ou 18 e não liguei um ao outro. Só muito tempo depois, quando Alan Moore jogou-me na cara em V de Vingança, é que fui me interessar por Guy Fawkes.

Guido ou Guy Fawkes era um católico inglês que participou da Conspiração da Pólvora em 1605, junto com outros 12 jovens. O objetivo era assassinar o rei protestante James 1º [sucessor de Elizabeth 1ª e filho de Mary Stuart ou Mary Rainha da Escócia, católica], ao explodir a Casa dos Lordes durante a Abertura do Parlamento. A Casa dos Lordes e a Câmara dos Comuns funcionam no mesmo local, o Palácio de Westminster.

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Sobrevivente de caso que inspirou Agatha Christie lança livro

Capa d livro

Capa do livro

Atenção: o texto a seguir pode conter spoilers da peça de teatro A Ratoeira/The Mousetrap e do conto Três Ratos Cegos/Three Blind Mice.

O texto é a tradução livre de um artigo publicado no dia 23 de fevereiro no The Independent [leia o original em inglês clicando no link].

“Um livro de não-ficção baseado nos eventos que inspiraram A Ratoeira de Agatha Christie está previsto para ser publicado pela HarperCollins, anunciou o The Bookseller no dia 17 de fevereiro. Escrito por Terrence O’Neill, cuja história e testemunho à corte inspirou a peça de Christie, Someone To Love Us [“Alguém Para Nos Amar”, em tradução livre] será publicado em 4 de março [na Inglaterra; e no dia 1º de abril na Austrália].

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Inspirações da vida real

Hotel Savoy, Mussoorie, India

Hotel Savoy, Mussoorie, India

O jornal Deccan Herald publicou um artigo sobre hotéis mal-assombrados na Índia. O primeiro hotel mencionado foi o próprio hotel Taj Mahal, que recentemente foi alvo de ataque terrorista em Mumbai (antiga Bombaim). Segundo contam, o arquiteto que o projetou cometeu suicídio quando descobriu que seu projeto foi construído ao contrário e seu fantasma assombra a ala antiga do hotel.

O segundo hotel citado é o Savoy de Mussoorie, cuja construção iniciou-se em 1890 (ano de nascimento de Agatha Christie) e foi inaugurado em 1902. Dizem que o fantasma de Lady Garnet Orme (ou Lady Gore Ormsby, ou Lady Ormsby, ou Ormsby Gore, dependendo da fonte consultada) assombra os halls e corredores do hotel. Lady Garnet Orme, proprietária, foi encontrada morta em circunstâncias suspeitas, no início dos anos 1910. Encontraram estricnina em sua garafa de remédio, mas ninguém descobriu como isso foi feito. O crime causou sensação na época e foram executadas leituras de bola de cristal e sessões de levitação de mesa para descobrir o que se passou, já que a vítima era praticante de ocultismo. Mais tarde, seu médico morreu envenenado com estricnina, embora não no hotel.

Um vidente declarou ter descoberto a identidade do criminoso mas nada põde ser provado. O escritor Rudyard Kipling escreveu a Sir Arthur Conan Doyle (adepto do espiritismo) suplicando para que usasse o caso em uma nova aventura de Sherlock Holmes, mas quem aproveitou a trama foi Aagtha Christie, em seu livro de estréia O misterioso caso de Styles.

Situated on a hill above the town is the Savoy Hotel, named after the Savoy in London. Its grounds are so huge that it has its own post office, and it’s the biggest of all hill station hotels in India. It has two large tennis grounds, a beer garden (very unusual for India) and a small park with huge old deodar trees. It is built in the shape of a hoof iron with two long flights of spacious rooms and a large terrace, a bar, a restaurant and conference rooms at the end. The atmosphere is simply wonderful. Built about 100 years ago, the building has remained mostly unchanged, and though some corners have deteriorated the whole place has the flair of an old English upper class hotel from an Agatha Christie novel. And in fact, Agatha Christie used the circumstances of a crime committed here for her first novel, as a certain Lady Garnet Orme was poisoned with strychnine and her ghost is still said to haunt the hotel in the dark hours before dawn.(Blog de viagem de Leon Meyer, 2002)

According to the story, Contém spoilers → the husband who is a serial killer buys this property from his wife’s money and they come here to stay. The husband plots to kill his wife but by the twists and turns of the event is himself killed. ← Fim do spoiler It was an eerie resemblance. (The ghost & Agatha Christie)

The Savoy is famous because it was the inspiration of Agatha Christie’s first book, and the owner, Lady Ormsby, was murdered here via cyanide, and her murderer was never found. Lonely Planet said that the place is still haunted with her ghost. Meeting the ghost of Lady Ormsby at the Mussoorie Savoy)

Fotos er elato de Peter Moss.

Reserve um quarto no Hotel Savoy indiano.

Digitalina

– Sei mais ou menos o que houve – disse Mrs. Bantry. – Envenenamento pela digitalina. Está certo?
O Dr. Lloyd assentiu de cabeça, comentando o seguinte:
– O princípio ativo da chamada erva-dedal, a digital, age sobre o coração. Na realidade, trata-se de uma droga muito valiosa em certas perturbações cardíacas. (Os Treze Problemas, Nova Fronteira)

Dedaleira ou campainha (Digitalis purpurea L.)

Dedaleira ou campainha (Digitalis purpurea L.)

A digitalina é extraída da Digitalis purpurea L., uma planta herbácea em forma de touceira que apresenta flores roxas, amarelas ou brancas em forma de dedal ou campainha, daí seus nomes em português: erva-dedal, dedadelira ou campainha. Em inglês é conhecida pelo nome Foxglove (luva de raposa) devido à antiga crença de que as raposas vestiam as flores nas patas para abafar seus passos e invadir os galinheiros sem acordar as galinhas.

Pertence à família da escrofulária. Na medicina, a digitalina, em pequenas quantidades, pode ser usada para tratar certas deficiências cardíacas.

A dedaleira cresce de 60 cm a 1,20 m de altura. As folhas longas e ovais brotam ao longo dos caules. As de cores mais fortes podem apresentar maior ou menor quantidade de pintas e crescem de um só lado do pendão. As dedaleiras têm, em geral, dois anos de vida. As sementes novas devem ser plantadas anualmente para manter a planta em floração contínua.

O veneno é retirado de todas as partes da planta e bastam apenas três folhas para obter uma dose mortal.

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Pilocarpina

Miss Marple olhou em derredor, adiando seu momento de triunfo:
– Pilocarpina. (…) Eu virei rapidamente as páginas do livro até encontrar a indicada no índice. Contém spoiler –>  Li a respeito da pilocarpina e de seus efeitos sobre a visão e outras coisas, que pareciam não ter qualquer relação com o caso. Finalmente cheguei à frase mais significativa: tem sido experimentada com êxito como antídoto para o envenenamento pela atropina. <– Fim do spoiler (Os treze problemas, Nova Fronteira, pág. 84)

Estrutura quimica da pilocarpina

Estrutura química da pilocarpina

Pilocarpina é um alcalóide extraído das folhas da planta jaborandi (Pilocarpus pennatifolius), uma espécie vegetal disponível somente no Brasil. O jaborandi é conhecido há vários séculos pelos índios tupi-guarani que a chamavam de yaborã-di (planta que faz babar) e indicada sempre que se queira aumentar a produção de suor (gripe, edemas ou hidropisia). Esta planta é um arbusto do gênero Pilocarpus, de ocorrência natural em algumas regiões do norte/nordeste do Brasil, especificamente entre o Maranhão e o Piauí, que tem folhas claras podendo chegar até dois metros de altura. Suas folhas estão repletas de pequenas bolsas secretoras que quando esfregadas soltam um cheiro semelhante ao da laranja.

Efeitos colaterais
Redução da acuidade visual sob iluminação deficiente; espasmo ciliar; irritação ocular; congestão vascular conjuntival; cefaléia temporal ou supra-orbitária e indução de miopia, principalmente em pacientes jovens, que iniciaram recentemente a administração.

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