Citando Agatha – Semana de 02 a 08.04.2012

Este post pertence à nossa série – publicada sempre às terças – de posts que abrangem um resumo (de alguns) dos blogs que citaram Agatha Christie durante a semana anterior, a fim de registrar, periodicamente, parte desta enormidade de sites que falam, por um motivo ou por outro, sobre a Dama do Crime, e também como forma de homenagear e prestigiar os blogueiros que tratam do tema ou citam Agatha em suas memórias de todos os tempos. Neste post, citações de blogs em português de 02 a 08.04.2012.

02.04.2012
Blog: Lembra Daquela História ?
Post: Autores e seus Personagens: Agatha Christie (Bônus)

Quando mencionei Agatha Christie — a “rainha do crime” para os íntimos — logo suponho que seja um nome familiar para leitores de romances policiais e de suspense. Agatha, como ninguém, soube trilhar um caminho que a fez se tornar o que ela é hoje.

05.04.2012
Blog: S2 Ler
Post: LISTAS: TOP 10 – AGATHA CHRISTIE

O feriado está logo aí, e por isso resolvi apresentar um TOP 10 dos meus livros favoritos da AGATHA CHRISTIE. Espero que a lista inspire vocês e que nesse feriado se divirtam tentando descobrir os assassinos dos fantásticos crimes que essa autora criou.

Uma Noite Com Agatha Christie: Nova montagem em Curitiba

O blog Teia Notícias, portal de notícias do curso de Jornalismo da Universidade Positivo, traz um post sobre a peça “Uma noite com Agatha Christie”, sobre a qual já falamos aqui no blog em agosto de 2011 [clique aqui para ver o post de 22.08.2011] e que teve nova estreia na última sexta-feira [30.03.2012], pelo Festival de Teatro de Curitiba, no Clube Curitibano:

Dirigida e escrita por Enéas Lour, o espetáculo é uma grande homenagem às obras da rainha do crime.

Dividida em quatro atos, a peça é cheia de intertextualidade e referências aos romances da autora britânica.

(…) O grupo completou sete anos de existência em 2011 e já encenou peças como “O Corcunda de Notre Dame” e “Arlecchino”. ‘’Esse é o primeiro suspense que a gente faz, e Agatha é um clássico do gênero’’, disse o diretor Enéas Lour. ‘’É uma adaptação de um livro dela, o texto é meu, pegamos a essência das obras e colocamos ali’’, completou.

O espetáculo estreou em agosto de 2011, também no Clube Curitibano. ‘’Passamos muito tempo refazendo cenas e também melhorando algumas para essa reestreia’’, contou a atriz Ana Mary Fortes. ‘’Nosso objetivo é que Curitiba tenha um grupo de teatro profissional’’, disse Fortes.

A peça será apresentada novamente nos dias 31 de março, 01, 06, 07 e 08 de abril. (…)

Leia mais clicando aqui.

No site After Hour:

O texto “Uma Noite com Agatha Christie” é uma adaptação da versão “Quem Matou Agatha Christie?”, escrita e encenada por Enéas Lour em parceria com João Luiz Fiani, em 1999, no Teatro Lala Schneider. Mas nesta nova versão, o dramaturgo adaptou o texto para inserir todos os atores do Grupo de Teatro do Clube Curitibano, que é composto, em sua maioria, por atrizes. Assim foram criadas mais personagens, ampliando o contexto dos “crimes” e a complexidade da narrativa. A própria autora inglesa – Agatha Christie – foi trazida para a cena. É ela que, interpretada pela atriz Dulce Furtado, de seu escritório inglês, instalado na boca de cena, escreve o que se passa no palco e narra a ação de suas personagens.

Na equipe técnica do espetáculo estão nomes importantes do teatro paranaense, como o light-designer Beto Bruel, vencedor de três edições do Prêmio Shell, a maior premiação do teatro brasileiro.

Leia mais clicando aqui.

Assassinato no Expresso do Oriente com bom preço na Saraiva em setembro de 2011

Com capa na cor roxa e o semblante da autora na capa (semelhante a outras da mesma Coleção Saraiva de Bolso, que contém obras de grandes autores, cada uma com a figura do autor na capa), esta edição da Nova Fronteira do clássico de Agatha Christie “Assassinato no Expresso do Oriente” sai por R$ 12,90 nas livrarias Saraiva, segundo a revista de setembro de 2011.

Link para o livro no site:

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3649203/assassinato-no-expresso-do-oriente-col-saraiva-de-bolso/?ID=A14FFC027DB09090A22170414

Foto da página da revista

Foto da página da revista

Portugal: Exposição Agatha Christie e as Plantas

Uma exposição denominada “De St. Mary Mead ao Cairo – Agatha Christie e as Plantas” está à disposição do público em Beja (cidade portuguesa, capital do Distrito de Beja, na região Baixo Alentejo, Portugal), desde 15.06.2011:

O Museu Botânico do Instituto Politécnico de Beja apresenta imagens e objectos (sementes, frutos, folhas) que evocam as plantas utilizadas por Agatha Christie — como veneno (cianeto, estricnina, atropina, etc.) ou apenas plantas típicas dos ambientes onde decorreram as acções dos romances (palmeira-tamareira, palmeira-de-Tebas, fidalguinhos).

Em junho e julho de 2011, o Museu Botânico fica aberto às quartas e quintas-feiras de 9h às 12:30h e das 14h às 17h. Visitas poderão ser marcadas, em outros horários, através dos e-mails:

museu@ipbeja.pt
p.nozes@ipbeja.pt

Ídolos 2011 tem a sua Agatha Christie

Apenas como curiosidade… Se você achava que já tinha visto Agatha Christie por aí, pode estar correto. Nas audições da versão 2011 do programa Ídolos (Rede Record, terças e quintas, 23h15), há uma candidata com o nome da famosa escritora:

http://colocanoidolos.blogspot.com/2011/04/agatha-christie-audicao-idolos-2011.html

Citação de Agatha em nota sobre Paulo Coelho e Pera Palas

Agatha Christie é citada pelo colunista Bruno Astuto, do jornal carioca O Dia, nesta nota de 11.03.2011 sobre a festa organizada pelo também escritor Paulo Coelho em Pera Palas (veja abaixo).

Posts relacionados:
Pera Palace Hotel
Pera Hotel: Reinauguração só em 2010

Site oficial do hotel:
http://www.perapalas.com/

Sugestão de leitura | Agatha Christie’s Secret Notebooks: Fifty Years of Mysteries in the Making

Sinopse
Agatha Christie: 66 romances policiais, 20 peças de teatro, 6 romances sob um pseudônimo e mais de 150 contos. Quais são os mistérios que explicam tamanho sucesso?

Em 2004, um incrível legado foi revelado: Descobertos entre outros objetos deixados na casa da família de Christie estavam seus diários – 73 cadernos escritos à mão com notas, listas e desenhos que apresentavam seus planos para diversos livros, peças e contos. Entre essas relíquias, observações, pistas e notas sobre seus famosos livros, que fascinam gerações de leitores.

Repleto de detalhes que a modesta autora jamais revelou, Os Diários Secretos de Agatha Christie inclui dois contos inéditos de Poirot. Imperdível! [Extraído da edição brasileira]

Capa

Quando a escritora inglesa Agatha Christie faleceu, ela deixou sua propriedade Greenway House para a filha Rosalind. Greenway era a casa de verão da família no Devon desde 1938 e após o falecimento de Rosalind passou para o National Trust para ser reformada, entrando no circuito de jardins abertos à visitação pública.

O neto de Agatha então convidou um dos conselheiros da fundação que cuida do legado da autora para um fim de semana na casa, antes da reforma. Num dos quartos-depósitos, John Curran encontrou uma caixa de papelão repleto de cadernos: durante o resto do fim de semana ele só saiu do depósito para dormir [pouco] e comer [arrastado por Mathew Pritchard, seu anfitrião].

Curran trabalhou durante quatro anos nos cadernos de notas [e não “diários”, como aparece em alguns sites e traduções] decifrando, interpretando, organizando e relacionando as anotações ao seu respectivo romance/conto/peça teatral. As duas maiores dificuldades que ele mesmo aponta em seu livro foram decifrar a caligrafia de Agatha Christie e ordenar cada anotação cronologicamente.

O livro traz alguns fac-símiles de páginas dos cadernos de notas e, cara, vou te contar, não é fácil mesmo! Talvez porque os cadernos funcionassem como uma Penseira em que ela despejava suas ideias para analisá-las mais criticamente depois ou porque o pensamento é mais rápido do que a mão, a caligrafia da Dama do Crime parece de médico. Um médico que escreve em pé, sem apoio, entre uma corrida e outra.

Quanto à cronologia, Agatha não seguia os conselhos de sua criação: o detetive Hercule Poirot recomendava trinta e três vezes que a pessoa deve ter ordem e método, mas sua criadora preferia o “método caótico”: ela sempre tinha meia dúzia deles espalhados pelas casas, na bolsa, etc., voltando a usá-los após intervalos de meses ou anos; as ideias para um livro específico podem se espalhar em vários cadernos, variando entre uma linha a vinte páginas, sequenciais ou não; ela raramente datava as entradas.

The best time for planning a book is while you’re doing the dishes.
Agatha Christie

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Mais sobre os 35 anos sem Agatha Christie

Além do post de hoje [12.01.2011] de Lady Lucy (leia aqui), acabei de ver na Folha Online uma matéria a respeito do aniversário de falecimento da Dama do Mistério:

Há 35 anos o mundo perdia a grande dama do mistério: Agatha Christie. Sua obra se estende ao longo de mais de 50 anos. Divorciada de seu primeiro marido e com uma filha em um internato, no final dos anos 20 iniciou uma viagem pelo Oriente Médio no mítico trem Orient Express, que inspirou um de seus romances: “Assassinato no Orient Express”.

Leia mais e veja vídeo clicando aqui.

Sugestão de leitura: Autobiografia (Agatha Christie)

Para marcar a data do falecimento da Dama do Crime (12/01/1976), vamos relembrar a sua Autobiografia, uma leitura recomendada para os fãs. O livro foi publicado pela primeira vez em novembro de 1977 na Inglaterra e nos EUA, e no Brasil em 1979 pela editora Nova Fronteira com tradução de Maria Helena Trigueiros, a mesma utilizada em outras três editoras [Círculo do Livro, Record e Altaya].

Agatha Christie: Autobiografia já não é mais editada, agora só é possível encontrar exemplares usados em sebos como os da Estante Virtual. A edições da Nova Fronteira e da Record são de capa mole, as da Altaya e Círculo do Livro são capa dura. A da Altaya é dividida em dois volumes, as outras são volume único.

Sinopse
Os fatos mais notáveis da surpreendente carreira de Agatha Christie são muito bem conhecidos. A venda de seus livros só foi superada por Shakespeare e pela Bíblia. Filmes baseados em seus romances – como por exemplo, Assassinato no Expresso Oriente – bateram todos os recordes de bilheteria. Sua peça A Ratoeira, estreada em 1952, ainda hoje lota os teatros. Cada romance seu é presença obrigatória nas listas de best-sellers no mundo inteiro. Em 1971, todos esses feitos foram oficialmente reconhecidos, quando ela recebeu o título de Dame do Império Britânico. Contudo, nem mesmo todos esse sucesso levou-a a romper a privacidade quase absoluta que impôs à sua vida pessoal.

Aqui, enfim, ela narra a história de sua vida, sua infância feliz na pequena cidade de Torquay e no estrangeiro; os devaneios de sua mais remota vida amorosa; seu primeiro casamento com o coronel Christie, que atravessou a primeira guerra e permaneceu feliz até terminar com um desapontamento traumático, os primeiros passos de sua carreira de escritora e do espantoso crescimento de seu sucesso; seu extraordinário segundo casamento com o famoso arqueólogo Max Mallowan e o fascínio que essa nova profissão touxe para sua vida, suas casas e seus jardins, sua família – tudo está aqui.

“Estou satisfeita”, escreveu ao terminar este livro, “fiz o que queria fazer”. Pois, na verdade, essa é a história de alguém que fez exatamente o que queria fazer e o fez excepcionalmente bem.

They Do It With Mirrors / Murder With Mirrors / Um Passe de Mágica

Miss Marple: Helen Hayes, Joan Hickson, Julia Mckenzie

Muitos criticam a postura conservadora e, por vezes, até mesmo preconceituosa demonstrada pela escritora inglesa Agatha Christie em sua obra. Para essas pessoas, o romance policial Um Passe de Mágica [They Do It With Mirrors] deve ser um exemplo perfeito e conjugado do tradicionalismo e da intolerância contra estrangeiros praticados pela autora.

Quanto ao tradicionalismo, não há muito o que argumentar. Na trama do livro, a escritora põe em dúvida a eficácia da abordagem humanista dos métodos de recuperação de delinquentes juvenis praticados na instituição Stonygates, de Lewis e Carrie-Louise Serrocold, uma velha amiga de Miss Marple da época em que eram jovens em turnê pela Itália junto com a irmã de Carrie-Louise, Ruth. As três fizeram o Grand Tour juntas.

Miss Marple critica os métodos de Stonygates e, mais ainda, a condescendência que considerava excessiva na disciplina de jovens infratores, preferindo que a filantropia se dedicasse aos jovens que, passando pelos mesmos problemas, não caíam no crime. Tanto ela quanto Ruth demonstram ter uma visão menos idealista da vida.

As palavras de Mrs. Van Rydock vieram a propósito.
– Carrie Louise sempre viveu completamente fora da realidade – disse. – Não conhece nada do mundo. Talvez seja isso que me preocupe.
– Quem sabe o meio – começou Miss Marple, mas parou logo, sacudindo cabeça. – Não – disse.
– Não, é ela mesma – afirmou Ruth Van Rydock. De nós duas, Carrie Louise sempre foi a que tinha ideais. Lógico que quando éramos moças isso estava na moda – todo mundo tinha ideais, ficava bem ter. Você queria cuidar de leprosos, Jane, e eu ia ser freira. A gente se cura dessas tolices. [Agatha Christie, Um Passe de Mágica, trad. Milton Persson. L&PM Editores, 2006]

Já sobre a intolerância, de fato há menções pouco honrosas contra personagens norte-americanos, italianos e russos, porém a maior parte – se não a totalidade – dos comentários preconceituosos é dita por uma personagem de mentalidade estreita, rancorosa e amargurada, o que retira muito da sua credibilidade.

O próprio talho rígido dos lábios possuía um ascético ar eclesiástico. Personificava a Paciência Cristã e, possivelmente, a Retitude Moral. Mas não, segundo Curry, a Caridade. [idem]

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4.50 from Paddington / What Mrs. McGillicuddy Saw/ Murder She Said / A Testemunha Ocular do Crime

Agatha Christie em 1957, aos 67 anos

Fui passar um fim de semana com Rosalind, no País de Gales, e voltei a Londres num trem tardio, domingo à noite. Era um desses trens que tivemos que agüentar durante a guerra, frios como geladeiras, e, claro, quando chegávamos à estação de Paddington, não existiam quaisquer meios de locomoção. Tomei outro trem algo complicado, que, finalmente, me deixou numa estação de Hamp­stead, não muito distante do Lawn Road Flats, e da estação fui a pé para casa, carregando alguns peixes defumados e minha mala. [Agatha Christie, Autobiografia, trad. Maria Helena Trigueiros. São Paulo: Círculo do Livro, 1989]

Agatha Christie gostava muito de trens, tanto que mais de uma vez cometeu assassinatos dentro deles ou usou a tabela de horários, estações e baldeações em suas histórias. A associação entre Agatha Christie e trens é tão forte que até o grupo humorístico Monty Python criou um sketch para o tema [v. final do post].

Em Testemunha Ocular do Crime, Mrs. Elspeth McGillicuddy apanha o trem das 4:54 na estação de Paddington, em Londres, rumo a Milchester. Durante parte do percurso, seu trem corre paralelo a um outro comboio e Mrs. McGillicuddy olha pela janela a tempo de testemunhar uma mulher sendo estrangulada por um homem. Abalada, ela chega à casa de sua amiga e conta-lhe tudo. A amiga é Miss Jane Marple.

Miss Marple já está com mais de oitenta anos, reumática, proibida de jardinar – o que a deixa de mal-humor – mas a mente continua afiada. Depois de informar à polícia, que não encontra nenhum cadáver, Miss Marple passa a estudar as possibilidades. O corpo só pode ter sido jogado do trem e há apenas um ponto da ferrovia em que isso poderia ser feito: os terrenos de Rutherford Hall, a propriedade da família Crackenthorpe.

Para ajudá-la a procurar o cadáver, Miss Marple contrata uma ajudante, a maravilhosa Lucy Eyelesbarrow. Lucy tem mestrado em Matemática obtido em Oxford, mas seu espírito prático a fez perceber que uma boa empregada doméstica é mais valiosa e ganha muito mais do que uma acadêmica. Miss Marple a convence a empregar-se em Rutherford Hall e proceder às investigações sob sua orientação.

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The Mirror Crack’d from Side to Side / A Maldição do Espelho

Daiquiri

Encha uma coqueteleira com cubos de gelo, adicione duas doses de rum Bacardi [branco], uma colher de sopa de açúcar e o suco de um limão. Agite bem. Coe e despeje sobre gelo raspado ou triturado num copo curto [o de martini serve], que deverá ter sido deixado gelando meia hora antes.

Existem variações feitas com o rum escuro, com licor no lugar do açúcar ou com frutas – morango, maracujá, banana – mas não se recomenda adicionar remédios, drogas ou venenos. Os efeitos colaterais dessa mistura são indesejáveis.

Marina Gregg: Elizabeth Taylor (1980), Claire Bloom (1992) e Lindsay Duncan (2010)

“Fora a teia se abria e esvoaçava;
O espelho quebrou de lado a lado:
‘A maldição se abateu sobre mim’,
gritou a Lady de Shalott.”

Agatha Christie foi educada em casa pela própria mãe, uma mulher que seguia as tendências da época, mas sempre teve contato com os clássicos [Charles Dickens era um de seus autores favoritos]. Além do poema A Lady de Shalott de Alfred Tennyson, que abre o post, a autora faz referência a outras obras culturais e personagens históricos neste livro, como Maria Rainha dos Escoceses, Elizabeth Imperatriz da Áustria, um quadro do pintor renascentista Giacomo Bellini.

O primeiro livro estrelado por Miss Jane Marple foi Assassinato na Casa do Pastor [1930]. Miss Marple já era, então, uma solteirona de cabelos brancos e faces rosadas que entretinha-se tricotando, cuidando do jardim e observando pássaros: passatempos muito úteis para bisbilhotar a vida no povoado de St. Mary Mead onde morava. Seu método de investigação é parecido com o de Hercule Poirot – ouvir e observar – mas ela acrescenta a experiência de vida na solução dos casos.

Miss Marple não poderia ser uma detetive amadora jovem ou mesmo de meia-idade. Seu conhecimento acumulado da natureza humana é que permite estabelecer paralelos entre as espécies de pessoas e os tipos de comportamento e crimes que são propensas a cometer. Segundo ela,  as pessoas tendem a seguir um padrão.

Miss Marple: Angela Lansbury (1980), Joan Hickson (1992), Julia McKenzie (2010

Miss Marple: Angela Lansbury (1980), Joan Hickson (1992), Julia McKenzie (2010

Tinha-se que encarar o fato: St. Mary Mead não era mais o mesmo lugar. Em certo sentido, naturalmente, todas as coisas tinham mudado. Você poderia culpar a guerra (as duas) ou a nova geração, ou as mulheres trabalhando fora, ou a bomba atômica, ou apenas o governo, mas o que realmente fazia sentido era o simples fato de que se estava envelhecendo. [Agatha Christie, A Maldição do Espelho, trad. Ana Maria Mandim. Nova Fronteira, 2005]

Algumas pessoas chegaram a sugerir que Agatha Christie teria se inspirado em si mesma para criar Miss Marple – talvez baseados nas fotos mais divulgadas da escritora, já idosa – mas quando o primeiro livro da velhinha mexeriqueira foi publicado em 1930 Agatha tinha apenas 40 anos. Ela também negou ter se inspirado completamente na figura da avó, embora admita que Miss Marple se parece em alguns pontos com a avó e as amigas dela.

A Maldição do Espelho é o último caso de Miss Marple em St. Mary Mead e se passa de novo em Gossington Hall, a maior propriedade do vilarejo, que já teve um cadáver em Um Corpo na Biblioteca. Dolly Bantry, a antiga dona, vendeu a propriedade após a morte do marido e a atual dona é uma atriz de cinema e seu novo marido diretor, Marina Gregg e Jason Rudd.

O casal oferece uma festa para arrecadar fundos e a secretária da associação beneficiada é envenenada durante a recepção. A essa altura todo mundo se lembra que a escritora trabalhou em dispensários farmacêuticos de hospital durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, ocasiões em que aprendeu muito sobre venenos e drogas, certo?

Agatha Christie com a filha Rosalind (1930)

Assim como aconteceu em Assassinato no Expresso do Oriente, Agatha Christie usou um caso real como pano de fundo na criação da trama, o caso do bebê Daria, filha da atriz Gene Tierney  e do designer de moda Oleg Cassini. E, assim como em Orient Express e outros livros da autora, a vitimologia é importante na solução do caso – a dúvida que fica aqui é saber quem é a vítima.

Miss Marple já “nasceu” velha, conforme comentei acima, e sua carreira transcorreu por mais de 45 anos, então Agatha Christie teve de fazer o tempo andar mais devagar para ela – mas, mesmo lentamente, o tempo não deixava de passar. Em A Maldição do Espelho, Miss Marple medita sobre as mudanças que duas guerras mundiais e a revolução dos costumes provocaram na sociedade e nos hábitos.

A seu modo, Agatha Christie foi uma boa cronista de uma determinada classe social de um determinado lugar em uma determinada época – ela escrevia sobre sua vila.

Este romance policial foi dedicado à atriz Margaret Rutherford, que interpretou Miss Marple em cinco filmes na década de 1960 – sendo que apenas um, Quem Viu Quem Matou? [adaptação de A Testemunha Ocular do Crime], antes do lançamento do livro A Maldição do Espelho.

Miss Marple não era, de modo algum, um retrato de minha avó; era muito mais atarantada e tinha suas manias de solteirona, o que não era o caso de minha avó. Havia entre elas, porém, algo comum: apesar de serem pessoas alegres, esperavam sempre o pior de todo mundo e de tudo, o que, com quase assustadora exatidão, sempre se provava certo. [Agatha Christie, Autobiografia, trad. Maria Helena Trigueiros. São Paulo: Círculo do Livro, 1989]

Madonna and the child, 1980

Madonna with the child, Giacomo Bellini, no filme de 1980 (Kim Novak)

The Mirror Crack’d / A Maldição do Espelho

Essa foi a terceira das quatro adaptações produzidas pelo genro de Lord Mountbatten [as outras foram Assassinato no Expresso Oriente 1974, Morte Sobre o Nilo 1978 e Assassinato num Dia de Sol 1982, todas estreladas por Hercule Poirot]. O roteiro de Jonathan Hales e Barry Sandler é pouco fiel ao livro, muitos nomes de personagens foram modificados, personagens e situações desapareceram. Agatha Christie descreveu Jason Rudd como o homem mais feio que já tinha visto, e o ator escalado para o papel foi o galã Rock Hudson.

Angela Lansbury, que participara de Morte Sobre o Nilo, interpreta uma Miss Marple fumante, segura de si e de suas conclusões, mas o filme é um veículo para Elizabeth Taylor, é ela quem domina o tempo de tela como Marina Gregg. Na verdade, a trama toda é uma batalha entre os famosos olhos de Elizabeth Taylor e os globos não-oculares de Kim Novak, num figurino bastante decotado.

Diz a lenda que o departamento de publicidade dos estúdios EMI cometeu uma falha imperdoável na divulgação do filme ao anunciar que determinada estrela do elenco interpretaria pela primeira vez uma pessoa que comete assassinato.

Esta foi a única vez que Angela Lansbury interpretou Miss Marple, mas a partir de 1984 ela homenageou Jane Marple no papel da escritora de romances policiais e detetive amadora Jessica Fletcher em dois episódios da série Magnum que depois ganhou série própria: Murder, She Wrote [Assassinato por Escrito, no Brasil] – uma brincadeira com o título do livro 4.50 from Paddington, que nos EUA foi lançado com o título Murder, She Said.

[Se tudo der certo, 4.50 from Paddington será o próximo desta série de posts.]

Eu assisti a A Maldição do Espelho pela primeira vez na TV Bandeirantes, dublado, na década de 1980. Em algumas lojas ainda é possível comprar o DVD – com a mesma ausência de material extra e legendas em inglês dos outros filmes lançados pela Universal.

Madonna with the child ou Greek Madonna, Giovanni Bellini, no episódio de 1992

Agatha Christie’s Miss Marple: The Mirror Crack’d from Side to Side

[Rosalind Hicks] kept a firm distance from “merchandise” and, like her mother, disapproved of most film dramatisations, though she felt that David Suchet as Poirot and Joan Hickson as Miss Marple had come closer to the looks and spirit of their characters than any other actors. [Memory Of – Rosalind Hicks (1919-2004)]

O roteiro de T. R. Bowen neste episódio da série da BBC estrelada por Joan Hickson é extremamente fiel ao livro e a mais longa das três adaptações abordadas neste post [1h55min, contra 1h45min em 1980 e 1h20 em 2010]. Para quem leu o livro, chega a ser reconfortante reconhecer tanto os personagens quanto a atmosfera geral com a luz do interior rural.

A atriz Margaret Courtenay interpretou Mrs. Bantry na versão de 1980 e retornou aqui no papel de Miss Knight, a dama de companhia que o escritor Raymond West arranjou para sua Tia Marple, que estava convalescendo de uma doença. O próprio roteirista Bowen apareceu numa ponta como Raymond West.

Barbara Hicks participou dos filmes Morte Sobre o Nilo 1978 e Assassinato num Dia de Sol 1982, e ela repetiu o papel de Miss Hartnell duas vezes na série da BBC.

Este foi o último episódio da série da BBC, que se iniciou em 1984. Das três adaptações deste post, é a que resolveu melhor o conflito ético do final do livro.

Madonna and child 4, Giovanni Bellini, no episódio de 2010

Madonna and child 4, Giovanni Bellini, no episódio de 2010

Agatha Christie’s Marple: The Mirror Crack’d from Side to side

Eu não havia assistido a nenhum episódio da nova fase da série da ITV com a atriz Julia McKenzie no papel de Miss Marple, substituindo Geraldine McEwan. De modo geral, acho que as adaptações da ITV tomam liberdades modernizadoras que não combinam com o gênero cosy da escritora, além de apelar para uma fotografia sombria nos episódios recentes.

Ao assistir a esse episódio [o segundo da quinta temporada], tive a impressão que o roteiro de Kevin Elyot baseou-se mais no filme de 1980 do que no livro em si. Nomes diferentes, foco concentrado em Marina Gregg em vez de Miss Marple, personagens e tramas ignoradas.

Das três adaptações que assisti para escrever este post, foi a mais fraquinha. Vale pela participação de Lindsay Duncan [a Servilia dos Junii da série Roma] e Charlotte Riley [a Cathy da versão 2009 de O Morro dos Ventos Uivantes].

Curiosidade: As duas adaptações também se iniciam do mesmo jeito, usando metalinguagem. Cenas de filme abrem cada adaptação. Em 1980 é “Murder at Midnight” e a cena lembra o dénouement dos trabalhos anteriores em que Poirot reúne todos os suspeitos numa sala e passa a acusar um por um. Em 2010 é uma cena do filme “Marie Antoinette”, estrelado por Marina Gregg. As três versões usam reproduções de Giacomo Bellini [que pintou diversos quadros com o mesmo tema] para a cena da Virgem com a Criança, mas nenhuma parece ser a da Madonna Risonha mencionada no livro.

Comparativo de elenco
Os números após o nome de cada artista x indicam alteração do nome do personagem em relação ao livro.

Personagem 1980 1992 2010
Miss Marple Angela Lansbury Joan Hickson Julia McKenzie
Cherry Baker Wendy Morgan Anna Liland Olivia Darnley
Mrs. Bantry Margaret Courtenay Gwen Wartford Joanna Lumley
Miss Knight não existe Margaret Courtenay não existe
Miss Hartnell não existe Barbara Hicks não existe
Raymond West não existe T. R. Bowen não existe
Reverendo Hawes Charles Lloyd Pack Christopher Good não existe
Dr. Haydock Richard Pearson não existe Neil Stuke
Inspetor Craddock Edward Fox John Castle Hugh Bonneville 1
Superintendente Slack não existe David Horovitch não existe
Sargento Lake não existe Ian Brimble Samuel Barnett 2
Heather Badcock Maureen Bennett 1 Judy Cornwell Caroline Quentin 3
Arthur Badcock não existe Christopher Bancock não existe
Marina Gregg Elizabeth Taylor Claire Bloom Lindsay Duncan
Jason Rudd Rock Hudson Barry Newman Nigel Harman
Ella Zielinsky Geraldine Chaplin Elizabeth Garvie Victoria Smurfit 4
Hailey Preston não existe não creditado Brennan Brown
Giuseppe Charles Gray 2 John Cassady não creditado
Gladys Dixon Carolyn Pickles 3 Rose Keegan Lois Jones 5
Dr. Gilchrist não existe Norman Rodway não existe
Margot Bence Marella Openheim Amanda Elwes Charlotte Rilley
Lola Bewster Kim Novak Glynis Barber Hannah Waddingham
Ardwick Fenn Tony Curtis4 Constantine Gregory Martin Jarvis 6
“Jamie” Pierce Brosnan não existe não existe

1980 [1] Miss Babcock; [2] Bates; [3] Miss Giles; [4] Martin N. Fenn

2010 [1] Inspetor Hewitt; [2] Sargento Tiddler; [3] Miss Badcock; [4] Ella Blunt; [5] Primrose Dixon; [6] Vincent Hogg 

O duelo de palavras entre Marina Gregg e Lola Brewster [1980]:

Link: http://www.youtube.com/watch?v=PudXY9dYvjs

Versão de 2010, completa:

Link: https://www.youtube.com/watch?v=FFirpPvOCQg

 
Veja também:

Verbete na Wikipedia
Quadro Madonna With the Child [presente em 1980 e 1992]

Agradecimentos especiais à @lukytuk e à @ratobiblioteca pelos links.

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Murder on the Orient Express / Assassinato no Expresso do Oriente
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Logo comemorativo oficial

There is an evil which I have seen under the sun, and it {is} common among men [Eclesiastes 6.1, Bíblia versão King James]
Vi um mal debaixo do sol, que calca pesadamente o homem. [Eclesiastes 6:1, Bíblia versão católica]

A escritora inglesa Agatha Christie foi batizada na Igreja Anglicana, mas teve contato com o catolicismo, unitarismo, teosofia, zoroastrismo e o espiritismo em sua vida graças à mente avançada de sua mãe. Seu segundo marido, o arqueologista Max Mallowan, era católico romano. Em seus livros a autora costuma apresentar os princípios éticos cristãos ao punir o criminoso, o agente do Mal.

Sua personagem Miss Marple é anglicana, Hercule Poirot é católico; embora a autora defenda a punição do mal supremo que é o homicídio, ela também criticava a severidade exagerada dos fanáticos religiosos que expulsavam jovens grávidas de casa, por exemplo. Para ela, o único pecado imperdoável é tirar a vida de outra pessoa – tanto que se debate em dúvida sobre o que fazer com o criminoso apanhado.

Os romances de Agatha Christie demonstram a gradual mudança de percepção da autora sobre o assunto: se nos primeiros livros o assassino ia diretamente para a forca ou se justificava alguns casos de homicídio, ela passa a dedicar mais atenção à vítima nos livros posteriores.

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Agatha Christie 120 Anos | Murder on the Orient Express / Assassinato no Expresso do Oriente

Há muitos, muitos anos atrás, quando eu ia para a Riviera ou para Paris, costumava ficar fascinada pela visão do Orient Express em Calais, e desejava ardentemente viajar nele. Agora, ele já se tornou um amigo velho e familiar, mas a emoção não morreu de todo. Eu vou nele! Eu estou nele! Estou precisamente no carro azul, com uma simples legenda do lado de fora: CALAIS-ISTAMBUL. É, sem dúvida, o meu trem favorito. [Agatha Christie, Desenterrando o Passado, trad. Cora Rónai Vieira. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1976]

Max Mallowan, Agatha Christie e Leonard Woolley em Ur, 1931

Max Mallowan, Agatha Christie e Leonard Woolley em Ur, 1931

Agatha Christie viajou no trem Orient Express pela primeira vez algum tempo depois de separar-se do primeiro marido. O pedido de divórcio feito por Archibald Christie em 1926, logo após a morte da mãe da escritora, levou-a a uma crise nervosa. Agatha desapareceu por onze dias, mobilizando a polícia, a imprensa e o público, e foi localizada num spa com amnésia. O divórcio foi oficializado em 1928.

Ela já era uma autora famosa por seus romances policiais e a viagem pelo Orient Express foi também a primeira viagem desacompanhada em sua vida inteira. No final da parte 7 e em toda a parte 8 de sua autobiografia, ela conta ao leitor como esta viagem foi libertadora psicologicamente, além de narrar todos os percalços por que passou e descrever as pessoas e lugares que conheceu.

Muitas dessas pessoas e lugares foram retratados no romance policial “Murder on the Orient Express”, publicado pela primeira vez em 1933 nos EUA [e apenas em 1934 na Inglaterra] com o título Murder on the Calais Couch. Agatha Christie estava casada desde 1930 com seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan, que ela conheceu na segunda viagem a Istambul. Mallowan participava de escavações na Síria e, em sua lua-de-mel [planejada pelo marido como uma surpresa para a esposa], o casal voltou a viajar pelo Orient Express. Talvez por isso, ela dedicou o livro a Max Mallowan.

A trama tem inspiração em dois fatos verídicos: o primeiro foi uma viagem do Orient Express em 1929 quando o trem foi apanhado no meio de uma nevasca e passou seis dias isolado no meio do trajeto. O segundo foi o Caso do Bebê Lindbergh, o rapto e assassinato do filho do aviador Charles Lindbergh nos EUA em 1932.

Os trens são maravilhosos. Ainda os adoro. Viajar de trem é ter a possibilidade de observar a natureza e os seres humanos, cidades, igrejas e rios — de fato, olhar a vida. [Agatha Christie, Autobiografia, trad. Maria Helena Trigueiros. São Paulo: Círculo do Livro, 1989]

Em Assassinato no Expresso do Oriente, o detetive Hercule Poirot encontra-se a bordo do trem a caminho de Calais depois de solucionar um caso na Síria. Ele encontrara-se com um velho amigo, Monsieur Bouc, que atualmente é um dos diretores da Compagnie Internationale des Wagons Lits, no restaurante do Hotel Toklatian. Foi M. Bouc quem conseguiu uma vaga para Poirot no trem, “excepcionalmente lotado para esta época do ano”, segundo o condutor Pierre Michel.

No vagão-restaurante, Poirot é abordado por Samuel Ratchett, um americano que lhe oferece um serviço. Poirot e Bouc já o haviam avistado antes no restaurante do Hotel Tokatlian e não tiveram uma boa primeira impressão. Ratchett recebeu ameaças de morte e quer que Poirot o proteja dos inimigos, mas o detetive o recusa: “Desculpe a franqueza, senhor Ratchett. O que não me agrada é a sua fisionomia.”

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Suspense: Apenas mais (ou menos de) 2 dias…

Menos de 48 horas para a data mais que festejada pelos fãs da autora: em 15.09.2010, os 120 anos de Agatha Christie serão comemorados com post especial aqui no nosso “A Casa Torta”. Aguardem.

Agatha Christie

Agatha Christie

Artur Xexéo, Agatha e o final dos filmes, peças e livros

A coluna de Artur Xexéo de hoje [05.09.2010] no jornal O Globo cita Agatha e fala sobre a impressionante mania que algumas pessoas (e sites) têm de revelar o final de filmes, livros e peças de teatro. Infelizmente, para construir o texto, o colunista não conseguiu se furtar de revelar o segredo do filme “O Sexto Sentido”, esquecendo que há sim pessoas que nunca viram o filme. Portanto, se você ainda não o assistiu (história de M. Night Shyamalan, não de Agatha), melhor não ler…

Segredo a qualquer custo
(Artur Xexéo)

Custei para assistir a “O sexto sentido” nos cinemas. Todo mundo já tinha visto, e eu evitava as conversas sobre o filme, que a propaganda garantia ter um final surpreendente. Eu tinha medo de que qualquer conversa pudesse me revelar o tal final surpreendente, e o filme perder a graça para mim. Uma coisa é assistir a um filme sabendo o final, outra coisa é assistir a um filme de suspense sabendo o final.

Passei incólume pelas conversas sobre “O sexto sentido” uns dois meses. Na véspera do dia programado para, enfim, ir ao cinema, Villas-Bôas Correa entrou na minha sala no jornal. Gelei. Villas adora uma con-
versa sobre vida após morte. Ele estava empolgado.

— Já viu “O sexto sentido”?

Gelei. Algo me dizia que aquele bate-papo não ia acabar bem.

— Não.

Minha negativa não foi um empecilho para o entusiasmo de Villas. Nem teve tempo para o papo não acabar bem. O papo começou mal.

— Eu logo percebi que o Bruce Willis estava morto.

Pronto. Acabou minha surpresa. Não tive coragem de mostrar minha decepção para Villas. Engatei na conversa e ficamos horas discutindo um filme que eu não tinha visto, que eu iria ver no dia seguinte e que já não tinha mais graça para mim.

Ler um livro policial, ver um filme de suspense, assistir a uma peça de teatro de mistério sabendo-se o final é a atividade mais sem graça do mundo. Por isso, entendo a revolta dos fãs de Agatha Christie com o verbete da Wikipedia sobre “A ratoeira”, a peça da escritora de romances policiais que estreou em Londres em 1952 e que permanece em cartaz até hoje. “A ratoeira” é uma peça bem armada. Ela junta numa casa de campo em Londres sete personagens. Um deles é um assassino. Cabe ao espectador descobrir quem é. A revelação é surpreendente. Todas as noites, após a sessão, é solicitado à plateia que não revele o final a ninguém. É o mesmo pedido que foi feito aos espectadores de “Psicose”, quando o filme de Alfred Hitchcock chegou pela primeira vez aos cinemas. É uma maneira de se manter o prazer dos próximos espectadores. Mal ou bem, o segredo de “A ratoeira” tem sido guardado há 58 anos.

A Wikipedia veio estragar a festa. Num verbete muito bem elaborado sobre a peça, ela conta as origens do espetáculo, registra todos os recordes de permanência em cartaz que ela tem batido e faz uma sinopse caprichada. Tão caprichada que não deixa de revelar o nome do assassino.

(Fonte: revista O Globo, 05.09.2010, página 58, e blog de Artur Xexéo)

Meta para breve: Os Diários Secretos de Agatha Christie

Capa do livro

Capa do livro

Mesmo ainda não tendo lido “Os Diários Secretos de Agatha Christie”, de John Curran, não podemos deixar de citar o lançamento, pela editora Leya, desta obra que, segundo conta o site EPTV, revela algumas de suas anotações de trabalho e que seria resultado de uma pesquisa meticulosa nos manuscritos de Agatha, com duas histórias inéditas de Hercule Poirot:

A pesquisa de Curran começou quando o escritor irlandês conheceu Mathew Prichard, neto de Agatha. Da amizade, Curran pode desfrutar do acesso ao material que serviu como objeto de seu trabalho. Ao todo, ele analisou 73 cadernos de anotações com desenhos, fotos, ilustrações, rascunhos de mapas, trechos e capítulos excluídos de outros livros que não chegaram a ser publicados. Agatha Christie produziu 66 novelas policiais, 20 peças teatrais, seis romances e mais de 150 contos, contabilizando cerca de dois bilhões de exemplares vendidos em todo o mundo.

Em “Os Diários Secretos de Agatha Christie”, o autor mostra algumas peculiaridades da vasta obra da inglesa. Há revelações especialmente saborosas para leitores familiarizados com os livros, como o que inspirou a autora criar a reviravolta final em “O assassinato de Roger Ackroyd”. Ou a descoberta de qual das histórias de Poirot foi inicialmente elaborada como uma aventura de Miss Marple.

Leia mais clicando aqui.

Link para o livro no Submarino:
http://www.submarino.com.br/produto/1/21864935/diarios+secretos+de+agatha+christie,+os

Na Saraiva você pode comprar clicando aqui.

Promoção Jornal O Dia: Coleção Agatha Christie para novos assinantes

A propaganda não explica quantos e quais livros são, mas de qualquer maneira fica a dica. Fonte: jornal O Dia de 06.08.2010. Clique na figura para abrir em tamanho maior se necessário.

Agatha Christie em 1000 peças (ou em muitas palavras cruzadas)

Este é de cruzadas

Este é de cruzadas

Que tal um quebra-cabeças de Agatha Christie ? Sim, você pode escolher qualquer um de seus livros. Mas estou falando de um quebra-cabeças de fato, e por coincidência em torno de um excelente livro de Agatha sobre o qual falamos aqui recentemente, “O Natal de Poirot“:

“Murder Mystery Puzzle – Agatha Christie – Poirot’s Christmas”

Se preferir algo mais simples… que tal Palavras Cruzadas ?

Agatha Christie: Crossword Puzzle by Randall Toye

O Natal de Poirot em 1000 peças

O Natal de Poirot em 1000 peças

Sempre viva nos corações: Agatha e seus 119 anos

Agatha Christie, nascida em 15.09.1890

Agatha Christie, nascida em 15.09.1890

Para os fãs, o Wikipedia acaba sendo muito sucinto na introdução de seu artigo sobre a grande dama do mistério e suspense:

Agatha Mary Clarissa Mallowan (Torquay, 15 de Setembro de 1890 – Wallingford, 12 de Janeiro de 1976), mundialmente conhecida como Agatha Christie, foi uma romancista policial britânica e autora de mais de oitenta livros. Seus livros são os mais traduzidos de todo o planeta, superados apenas pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare. É conhecida como Duquesa da Morte, Rainha do Crime, dentre outros títulos.

Criou os famosos personagens Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence Beresford e Parker Pyne.

O fato é que, se viva estivesse, Agatha faria 119 anos neste dia 15 de setembro de 2009. Aos que têm vindo constantemente, obrigado pela parceria, e aos que visitam o site A Casa Torta pela primeira vez, nossas boas vindas e aproveitem para começar seu tour pelo nosso blog nesta data tão especial.

Citando Agatha – Semana de 20 a 26.07.2009

Este post pertence à nossa série – publicada sempre às terças – de posts que abrangem um resumo (de alguns) dos blogs que citaram Agatha Christie durante a semana anterior, a fim de registrar, periodicamente, parte desta enormidade de sites que falam, por um motivo ou por outro, sobre a Dama do Crime, e também como forma de homenagear e prestigiar os blogueiros que tratam do tema ou citam Agatha em suas memórias de todos os tempos. Neste post, citações de blogs em português de 20 a 26.07.2009.

24.07.2009
Blog: Meu Cantinho da Leitura
Post: Um Corpo na Biblioteca – Agatha Christie

Sete da manhã. Ao acordarem, os Bantry encontram o corpo de uma jovem estendido sobre o tapete da biblioteca. Ela está com um vestido de noite e muita maquiagem, que agora mancha seu rosto. Mas quem é ela? Como foi parar ali?

23.07.2009
Blog: Filipe Germano
Post: curiosidades (crepusculo)

Na lista de livros preferidos de Stephenie Meyer estão “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, “Morte no Nilo”, de Agatha Christie, “O Sol é Para Todos”, de Harper Lee e até “As Crônicas de Nárnia” (…)

O prêmio

Livros cedidos pela Ed Record para a premiaçãoLivros da Editora Record cedidos para o 1º Desafio Trívia Casa Torta (clique na foto para ampliar).

5 títulos de Agatha Christie:
– Assassinato no campo de golfe;
– Enquanto houver luz;
– O inimigo secreto;
– O misterioso caso de Styles;
– Poirot investiga.

5 títulos de Mary Higgins Clark:
– A noite é minha hora;
– A filhinha do papai;
– Lar doce lar;
– Na rua que você mora;
– Perigo no hospital.