Sugestão de leitura: Autobiografia (Agatha Christie)

Para marcar a data do falecimento da Dama do Crime (12/01/1976), vamos relembrar a sua Autobiografia, uma leitura recomendada para os fãs. O livro foi publicado pela primeira vez em novembro de 1977 na Inglaterra e nos EUA, e no Brasil em 1979 pela editora Nova Fronteira com tradução de Maria Helena Trigueiros, a mesma utilizada em outras três editoras [Círculo do Livro, Record e Altaya].

Agatha Christie: Autobiografia já não é mais editada, agora só é possível encontrar exemplares usados em sebos como os da Estante Virtual. A edições da Nova Fronteira e da Record são de capa mole, as da Altaya e Círculo do Livro são capa dura. A da Altaya é dividida em dois volumes, as outras são volume único.

Sinopse
Os fatos mais notáveis da surpreendente carreira de Agatha Christie são muito bem conhecidos. A venda de seus livros só foi superada por Shakespeare e pela Bíblia. Filmes baseados em seus romances – como por exemplo, Assassinato no Expresso Oriente – bateram todos os recordes de bilheteria. Sua peça A Ratoeira, estreada em 1952, ainda hoje lota os teatros. Cada romance seu é presença obrigatória nas listas de best-sellers no mundo inteiro. Em 1971, todos esses feitos foram oficialmente reconhecidos, quando ela recebeu o título de Dame do Império Britânico. Contudo, nem mesmo todos esse sucesso levou-a a romper a privacidade quase absoluta que impôs à sua vida pessoal.

Aqui, enfim, ela narra a história de sua vida, sua infância feliz na pequena cidade de Torquay e no estrangeiro; os devaneios de sua mais remota vida amorosa; seu primeiro casamento com o coronel Christie, que atravessou a primeira guerra e permaneceu feliz até terminar com um desapontamento traumático, os primeiros passos de sua carreira de escritora e do espantoso crescimento de seu sucesso; seu extraordinário segundo casamento com o famoso arqueólogo Max Mallowan e o fascínio que essa nova profissão touxe para sua vida, suas casas e seus jardins, sua família – tudo está aqui.

“Estou satisfeita”, escreveu ao terminar este livro, “fiz o que queria fazer”. Pois, na verdade, essa é a história de alguém que fez exatamente o que queria fazer e o fez excepcionalmente bem.

Hotel Metropole, Las Palmas, Ilhas Canarias

Hotel Metropole como era na época de Agatha Christie

Hotel Metropole como era na época de Agatha Christie

Após o divórcio do primeiro marido, Agatha encontrava-se sem dinheiro e perseguida pela imprensa por causa do episódio do desaparecimento. A escritora então reuniu os contos que se transformaram no livro Os Quatro Grandes e viajou para as Ilhas Canárias, onde hospedou-se no Hotel Metropole, atualmente sede do Ayuntamento de Las Palmas. Durante sua estadia ela escreveu O Mistério do Trem Azul, um livro que ela detestava, vonforme confessou em sua Autobiografia. O conto A Dama de Companhia (The Companion), presente no livro Os Treze Problemas, é ambientado em na ilha Gran Canaria.

Las Palmas é ainda meu lugar ideal para passar os meses de inverno. Parece-me que hoje é local de intenso turismo, e perdeu parte de seu encanto. Nesse tempo, era tranqüilo e calmo. Pouca gente ia para lá, a não ser os que ficavam um mês ou dois, e preferiam aquela ilha à da Madeira. Suas duas praias são perfeitas. A temperatura também: a média gira em torno de vinte e oito graus, o que, na minha opinião, deve ser a temperatura de verão. Durante a maior parte do dia corria uma brisa agradável, e à noite estava sempre quente o bastante para podermos nos sentar ao ar livre, depois do jantar. (Autobiografia, Círculo do Livro)

El edificio donde se alojó Agatha Christie sigue dando argumentos para una novela siete décadas después. El viejo Metropole, hoy transformado en la sede administrativa del Ayuntamiento, mantiene en aquellos pasillos el mismo ambiente de desasosiego que la escritora británica imprimió a sus novelas.

Si Miss Marple tuvo que hacer frente a sus Trece problemas, ahora Jerónimo Saavedra debe afrontar una lista bastante mayor de contratiempos, no sólo externos, sino también internos, que empiezan a sembrar la semilla de la decepción, como reconocen muchos concejales en el ámbito privado, y algunos otros en el público. (Canarias7)

Recuerdo haber leído un relato corto de Agatha Christie en el que situaba uno de sus crímenes en Gran Canaria. Las protagonistas se alojaban en el Hotel Metropole pero el crimen en cuestión tenía lugar en el Puerto de Agaete. Hace siglos que la leí y aunque me acuerdo bien del argumento –que no destriparé, descuiden- no consigo acordarme del título. Quizá alguno de mis amables visitantes tenga a bien refrescarme la memoria. Pero todo esto venía a cuento de una placa colocada en la entrada trasera del Ayuntamiento, en la entrada de los jardines. La placa susodicha recuerda, con un texto socarrón, la visita de Agatha Christie y dice algo así como “los ecos de las intrigas y asechanzas de sus historias aún resuenan por los pasillos de este edificio”. (Blog Canarias Nación)

Nuestra escritora se alojaba en el Hotel Metropol donde hoy están las oficinas Municipales de Las Palmas de Gran Canaria, en el barrio de Ciudad Jardín; ella era asidua de la playa de Las Canteras y practicante pionera del Surf. (Historia de Canarias)

Dois maiores momentos [2/2]

A Rainha do Crime encontra a Rainha

A Rainha do Crime encontra a Rainha

A segunda foi jantar com a rainha, no Buckingham Palace, aproximadamente quarenta anos mais tarde.
Ambos esses acontecimentos pertenciam à categoria dos contos de fadas. Eram coisas que pensara que jamais me aconteceriam, a mim: ter meu próprio carro e jantar com a rainha da Inglaterra!
“Gatinho, gatinho, onde é que você esteve?
Fui a Londres visitar a rainha.”
Era quase tão gostoso como ter nascido Lady Agatha!
“Gatinho, gatinho, o que havia debaixo da cadeira da
[rainha?”
Não tive a sorte de assustar ratinho algum que estivesse debaixo da cadeira da rainha Elizabeth II, mas gostei muito dessa noite. Tão pequena e esbelta, em seu vestido simples de veludo vermelho, com uma única e linda jóia — e sua bondade e simplicidade no falar! Recordo que nos contou a história de uma noite em que estavam conversando numa salinha e tiveram de fugir dela, porque, de repente, caiu pela chaminé abaixo uma enorme crosta de fuligem. É animador saber que os desastres domésticos também ocorrem nos mais altos círculos sociais. (Agatha Christie, Autobiografia, Círculo do Livro)

A Rainha do Crime encontrou-se pessoalmente com a Rainha Elizabeth 2ª em 1971, quando foi nomeada Dame Commander of the Order of the British Empire.

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Flatnose Cowley Morris, fabricado entre 1927 e 1931

Flatnose Cowley Morris, fabricado entre 1927 e 1931

“Comprar um automóvel?” Olhei para ele com espanto. A última coisa com que sonharia era um carro. Ninguém do nosso círculo de amigos possuía um automóvel. Ainda estava imbuída da noção de que um carro era coisa para gente rica. Passavam por nós, velozmente, a trinta, cinqüenta, oitenta quilômetros por hora, transportando pessoas cujos chapéus estavam atados com véus de musseline, correndo para lugares impossíveis. “Um automóvel?”, repeti, com uma voz que lembrava a de uma assombração.
“Por que não?”
Realmente, por que não? Era possível! Eu, Agatha, podia ter um carro, um automóvel meu. Confesso, aqui e agora, que, das duas coisas que mais me empolgaram em toda a minha vida, a primeira foi meu automóvel: meu Morris Cowley cinzento. (Agatha Christie, Autobiografia, Círculo do Livro)

Agatha comprou o carro usando o pagamento que recebeu do Evening News (£500) pelos direitos de publicação de O Homem do Terno Marrom em formato de folhetim, com o título de Anne, a Aventureira.

Fonte da foto: International Aliance of Morris Owners

Treze horas de gravações de Agatha Christie

Foto atual da biblioteca de Greeway House

Foto atual da biblioteca de Greenway House

Terceira de série de notícias sobre as fitas gravadas por Agatha Christie. Na notícia da BBC em português se diz que as fitas foram encontradas na cidade de Torquay, onde Agatha nasceu e passou a infância e adolescência em Ashfield, mas na verdade foram achadas em Greenway House (v. matéria de quarta-feira), Greenway Estate, que também localiza-se no Devon porém na cidade de Galmpton. Greenway será aberta ao público ainda em 2008.

Treze horas de gravações inéditas feitas pela escritora britânica Agatha Christie, uma das mais famosas criadoras de histórias de mistério de todos os tempos, foram divulgadas nesta segunda-feira, quando ela faria aniversário.
As gravações em áudio, feitas há 40 anos, foram descobertas pelo neto da escritora, Matthew Prichard, em uma caixa de papelão no sótão da antiga casa de Christie na cidade de Torquay, no oeste da Inglaterra.

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Ouça Agatha

Grundig Memorette 1968

Grundig Memorette 1968

Esta é a primeira de uma série de matérias publicadas na Internet sobre a descoberta de fitas gravadas pela Rainha o Crime. Há pelo menos dois posts com outros detalhes diferentes do abaixo, programados para amanhã e sexta-feira.

Agatha Christie usou sua avó como modelo para Miss Marple, revelam novas gravações

Encostados por mais de 40 anos, fitas de áudio contendo a voz inconfundível de Agatha Christie foram descobertas, mostrando que ela baseou Miss Marple em sua própria avó.

Seu neto Mathew Prichard tropeçou em 27 fitas de meia hora numa caixa de papelão empoeirado ao limpar um depósito em Greenway, a propriedade em estilo georgiano com vista para o estuário do Dart que Christie chamava de “o lugar mais agradável do mundo”.

As fitas, que ninguém sabia existirem, são o material bruto em que se baseia parte de sua autobiografia.

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Igreja de Todos os Santos

A fonte em que Agatha Christie foi batizada

A fonte em que Agatha Christie foi batizada

Meu pai era homem de coração simples e cristão ortodoxo. Dizia suas orações todas as noites, e ia à igreja todos os domingos. Sua religião era prática e sem as inquietações de minha mãe, mas, se minha mãe gostava de elaborar seus sentimentos religiosos, ele não via por que discordar: meu pai, como já disse, era um homem muito agradável.
Acredito que se sentiu aliviado quando minha mãe regressou à Igreja da Inglaterra a tempo para que eu fosse batizada na igreja da paróquia. Fui chamada Mary, porque era o nome de minha avó; Clarissa, porque era o nome de minha mãe; e Agatha surgiu posteriormente, sugerido já a caminho da igreja por uma amiga de minha mãe, apenas porque o achava bonito. (Agatha Christie, Autobiografia, Círculo do Livro)

Agatha Christie nasceu em 15 de setembro de 1890 em uma casa chamada Ashfield na paróquia de Torre, a cerca de 20 minutos de caminhada da Igreja All Saints. Foi a mais jovem de três crianças, com uma irmã mais velha chamada Margaret (Madge) e um irmão, Monty, que era 10 anos mais velho do que ela. Seu pai era americano, sua mãe inglesa e seus nomes eram Frederick e Clara.

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Por que todo mundo tem carinho por Miss Marple?

Assassinato na casa do pastor saiu em 1930, mas não consigo lembrar onde, quando e como o escrevi, ou por que o escrevi, nem sequer o que me sugeriu a idéia de criar uma nova personagem — Miss Marple, a investigadora da história. Estou certa, porém, de que, nesse tempo, não tinha a menor intenção de continuar com ela para o resto da vida. Não sabia que se tornaria rival de Poirot. (Agatha Christie, Autobiografia, Círculo do Livro)

Mestre do Mistério

Mestra do Mistério

Em artigo publicado nesta sexta-feira, 12, a jornalista Virginia Mason relembra as atrizes que personificaram a “velhinha de todas as velhinhas”, a abelhuda Miss Marple, detetive amadora criada por Agatha Christie; sua motivação vem da espera pela estréia de uma nova Miss Marple em 2009, com Julia McKenzie assumindo o lugar de Geraldine McEwan na série homônima.

Segundo Jennifer Pell, a proprietária da livraria “Fred Wade” em Halifax, a personagem nunca sairá de moda porque sempre há uma nova geração de fãs a descobrir a velha senhora de cabelos brancos e maneiras gentis.

But perhaps it was the BBC TV series featuring the gentle acting of Joan Hickson that best captured the essence of the character. Hickson was a resounding success and allegedly a favourite of Agatha Christie.
The story goes that the two met on the set of Murder She Said, in which Joan Hickson was playing a minor role, when the novelist told her: “Some day I would like you to play my Miss Marple.” (Halifax Courier)

Isokon Flats

Em 1940, “não há necessidade de guardar os tapetes com bolas de naftalina” — isso quando o Almirantado ocupou minha casa: “Não durará até o inverno”. […] Enchemos caixotes e caixotes de maçãs, e enviei-as a todas as pessoas minhas conhecidas que tinham crianças e que poderiam apreciá-las. Não podia imaginar-me regressando ao Lawn Road Flats com duzentas cebolas. Tentei oferecê-las aos hospitais, mas parece que por toda parte havia fartura de cebolas. (Agatha Christie – Autobiografia, Ed. Círculo do Livro)

Edificio Isokon, Lawn Road, Hampstead

Edifício Isokon, Lawn Road, Hampstead

Melita Norwood (em solteira Simis), uma bisavó residente em Londres que se descobriu que era espiã da KGB em 1999, era suspeita de traição anos antes de começar a passar segredos britânicos para Moscou.

“This means that in 1938 MI5 had already opened a personal file on her, and yet she was vetted and allowed to work on the Tube Alloys project [codename for the atomic bomb]. The Russians certainly wanted to keep her active, so somebody must have told them her cover had not been blown.” Norwood had worked since the 1930s as secretary to the director of the British nonferrous metals research association, G L Bailey, who was a consultant to the Tube Alloys project. (Times Online)

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Sinodun Players

Por fim, vimos um anúncio no Times. Foi no outono, pouco mais ou menos uma semana antes de partirmos para a Síria.
“Olhe aqui, Max”, disse eu, “há um anúncio de uma casa em Wallingford. Você se lembra de como gostamos de Wallingford? E se for uma casa junto ao rio? Não havia nenhuma para alugar, quando fomos lá.” Telefonamos ao agente e corremos para Walling­ford. (Agatha Christie, Autobiografia, Círculo do Livro)

Corn Exchange Theatre, Market Place

Corn Exchange Theatre, Market Place

O documentarista Nicholas Brazil, natural de Whitchurch, está para lançar seu documentário sobre a cidade vizinha Wallingford, no Oxfordshire. O título é The Crucible of History: The story of Wallingford. Arthur Tudor, filho mais velho de Henry 7º e primeiro marido de Catarina de Aragão, era o castelão do Castelo de Walligford quando faleceu em 1502 e deixou trono, coroa, castelo e esposa para Henrique 8º. Agatha Christie e seu marido, o arqueologista Max Mallown, foram alguns dos moradores famosos da cidade, cuja história remonta ao tempo dos Saxões. O rei Alfred O Grande fortificou a cidade contra as invasões vikings; esses muros ainda são vistos no centro de Wallingford e são considerados os mais preservados da Inglaterra.

“Agatha Christie lived on the town’s outskirts from the 1930s. She was actually president of the Sinodun Players. They had the great privilege of probably the biggest selling crime author attending their productions,” he said. (Henley on Thames)

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Quando Hollywood foi a Harrogate

Capa do Harrogate Advertiser

Capa do Harrogate Advertiser

O livro Made in Yorkshire, dos autores Tony Earnshaw e Jim Moran, trata de mais de quarenta filmes gravados ou baseados nos cenários de Yorkshire, na Inglaterra, incluindo O Mistério de Agatha, produção dirigida por Michael Apted com Dustin Hoffman e Vanessa Redgrave, no papel da Duquesa da Morte.

Este filme de 1979 retrata o episódio do desaparecimento da escritora Agatha Christie em 1926, quando “desapareceu misteriosamente por 11 dias após o fracasso de seu casamento. Neste relato ficcional em torno do acontecimento, um repórter americano sai em seu encalço e a encontra num sanatório prestes a levar adiante um plano macabro” (sinopse).

The filmmakers noted happily that the Old Swan, where Christie was eventually discovered, having absconded from her Berkshire home, had changed little and required only cosmetic changes to take it back in time.
“The roof was taken down to reveal a splendid glass framework and the room was decorated with hanging lamps, palms and wicker furniture,” Tony notes in the book.
“In an instant the clock was turned back half a century.” (Harrogate Advertiser)

Leia também
O sumiço misterioso – post de 9 de maio de 2008.

Inspirações da vida real

Uma vez, também, tive uma idéia depois de assistir a um espetáculo de que Ruth Draper participava. Estava pensando em como era boa atriz e como eram excelentes suas interpretações das personagens, a forma maravilhosa como se transformava de esposa insuportável em moça camponesa ajoelhada numa catedral. Pensar nela levou-me a escrever o livro A morte de Lorde Edgware. (Autobiografia, Ed. Círculo do Livro, trad. Maria Helena Trigueiros)

Ruth Draper (1884-1956)

Ruth Draper (1884-1956)

Um número de termos aplicou-se a Ruth Draper e à arte que ela exerceu profissionalmente de 1920 a 1956, incluindo monologuista, recitalista e diseuse (monologuista, em francês). Ela preferia ser conhecida como atriz de caracterização. “Meu Deus, como ela é genial!” exclamou Katherine Hepburn para a biógrafa de Draper, Dorothy Warren. “Com a sua essência, seu enorme destaque pessoal. O que me fascinava era ver essa criatura enormemente distinta transformar-se em camponesa, instantaneamente!” Para alguém com o comportamento e o background “enormemente distinto” de Draper, sua carreira como atriz tão inesperada quanto triunfante.

Ruth Draper nasceu em Manhattan em 1884, filha de William H. Draper, um médico proeminente e professor de clínica médica no College of Physicians and Surgeons, e de Ruth Dana Draper, filha de Charles Dana. Dana fez parte do Brook Farm em Massachussets, e mais tarde trabalhou com Horace Greeley no The New York Tribune antes de tornar-se editor do The New York Sun. Ele também trabalhou como secretário assistente de guerra para Abraham Lincoln.

A sétima das oito crianças do Dr. Draper (as duas primeiras foram de um casamento anterior), Ruth cedo demonstrou talento para a mímica. A inspiração para o seu primeiro esquete plenamente executado foi um costureiro judeu que costumava prestar serviço à família Draper. Anos depois, ela o descreveu como “um homem patético e adorável. Posso vê-lo agora. ‘Isto pode ser arrumado’, ele diria. ‘Isto pode ser arrumado. Um pouco de enchimento nos ombros. Botões de pérola aqui. Colarinho de veludo.’ Discutindo seu processo criativo mais tarde, ela reconheceu que sua habilidade para descrever palavras imaginárias era a mesma que ela tinha quando era pequena. “Eu acho que o que eu faço é algo que, desde criança, nunca perdi”, ela disse a Studs Terkel em 1955. “Que é a capacidade das crianças de se atirar completamente no que elas pretextam ser… [e] se você se doa completamente àquilo que você está tentando retratar, convencerá as outras pessoas também.”

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Frases

O jornal britânico Telegraph publicou um artigo sobre mulheres que permanecem visíveis (na mídia) após os 50 anos. Uma frase de Agatha Christie abriu o texto, infelizmente incompleta e com uma informação equivocada: o autor afirma que AC desapareceu logo depois de publicar tal frase… em sua autobiografia.

A citação na íntegra é:

I have enjoyed greatly the second blooming that comes when you finish the life of emotions and of personal relations; and suddenly find – at the age of fifty say – that a whole new life has opened before you, filled with things you can think about, study or read about….. it is as if a fresh sap of ideas and thoughts was rising in you.

Na edição brasileira publicada pelo Círculo do Livro, com tradução de Maria Helena Trigueiros:

Apreciei muito a segunda floração da vida, que chega quando já terminou nosso período de emoções e comprometimento pessoal, e quando de súbito verificamos — vamos dizer, por volta dos cin­qüenta anos — que uma nova era se abre perante nós, cheia de motivos sobre os quais podemos meditar, estudar ou ler.

Gostos e comportamentos

Agatha ChristiePara conhecermos mais nossa Dama do Crime e seus gostos pessoais, um trecho do capítulo VI de sua “Autobiografia”:

O que sei fazer? Bem, sei escrever. Poderia ser uma instrumentista razoável, mas não uma profissional. Sou uma acompanhante competente para cantores. Posso improvisar coisas, quando me encontro em dificuldades — e esse dom me tem sido muito útil. Todo mundo ficaria surpreso se soubesse o que sou capaz de fazer, quando surge um problema doméstico, com grampos de cabelo e alfinetes de segurança! Um dia, fiz uma espécie de bola de pão pegajosa, prendi-a a um grampo de cabelo, colei o grampo com lacre num pedaço de pau e consegui recuperar a dentadura postiça de minha mãe, lá onde ela caíra, no telhado da estufa de plantas! Cloroformizei com êxito um ouriço-cacheiro que se embaraçara na rede de tênis e consegui soltá-lo. Posso orgulhar-me de ser um elemento útil em casa. E assim por diante. É o momento agora de falar sobre aquilo de que gosto e de que não gosto.

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