Hotel Savoy – Londres

Saímos no segundo andar e ela tomou a dianteira no corredor, parando diante de uma porta e entrando num dos apartamentos mais suntuosos do Savoy. (Treze à mesa, Nova Fronteira, pág. 15)

Fachada do Savoy à noite

Fachada do Savoy à noite

O Hotel Savoy foi inaugurado em 1889 (um ano antes do nascimento de Agatha Christie, portanto). Seu proprietário Richard D’Oyly Carte o construiu ao lado do Teatro Savoy, também propriedade sua, na Strand, região central de Londres, no local onde antes encontrava-se o Palácio Savoy e de onde se desfruta de vista panorâmica para o Rio Tâmisa.

Seu gerente mais famoso foi César Ritz, que mais tarde construiria seu próprio hotel de luxo e levaria o então chef de cuisine do Savoy Auguste Escoffier consigo. Foi no restaurante do Savoy que Escoffier criou a sobremesa Pêche Melba e a torrada Melba. A história do Pêche nós já conhecemos (v. post de 2 de abril de 2008 ).

Em 1897, preocupada com suas formas, a soprano Nellie Melba mandou sua torrada de volta à cozinha do Chef Escoffier no Savoy, reclamando que estava fatiada muito grossa. Escoffier então enviou-lhe fatias finíssimas de pão torrado, bem secas e crocantes, e as batizou Melba toasts.

Melba toast is usually made by lightly toasting bread in the normal way. Once the outsides of the bread are slightly firm, it is removed from the toaster and then each slice is cut in half “longitudinally” with a bread knife to make two slices each half the thickness. These two thin slices are then toasted again to make Melba Toast. (Wikipedia)

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Veronal

Poirot não respondeu à pergunta. Em vez disso, retrucou:
– Mandou chamar o médico? O que foi que ele disse?
– Tomou uma dose excessiva de comprimidos para dormir. Oh! Que lástima! Uma moça tão boa. Essas drogas são um perigo… uma coisa horrível. Veronal, ele disse que era isso. (Treze à mesa, Nova Fronteira, 2005, pág. 82)

Estrutura quimica do veronal

Estrutura química do veronal

Veronal (ou Medinal, barbital, barbitone, barbiturato de dietila, dietilmalonilurea) é o nome comercial do primeiro sedativo e sonífero do grupo dos barbitúricos. Foi introduzido no mercado em princípios do século XX. Seus descobridores foram os Prêmios Nobel Emil Fischer e o médico Joseph von Mering. Segundo uma anedota o nome se deve ao fato de von Mering ter tomado uma dose do medicamento num trem e ter despertado somente na cidade de Verona (Itália). O veronal tem propriedades hipnóticas. Seu elevado tempo de semidesintegração no corpo de mais de 100 horas provoca uma ação prolongada que paralisa quase todas as funções corporais. (Wikipedia)

– Veronal é um negócio muito inseguro. Pode-se tomar uma quantidade danada sem risco nenhum e pode-se tomar uma coisinha de nada e era uma vez. Por isso é que é uma droga perigosa. (Treze à mesa, Nova Fronteira, 2005, pág. 90)

O veronal foi considerado uma melhoria em relação aos hipnóticos disponíveis. Seu sabor era levemente amargo, porém melhor do que o gosto forte e desagradável dos brometos comumente utilizados. Seus efeitos colaterais eram poucos. Sua dosagem terapêutica ficava bem abaixo da dosagem fatal. Entretanto, o consumo prolongada provocava tolerância à droga, o que levava a aumentar a dose para obter o efeito desejado. Assim, overdoses fatais não eram incomuns. (Wikipedia)

She died of an overdose of veronal. She’s been taking it lately for sleeplessness. Must have taken too much. — Agatha Christie, The Murder of Roger Ackroyd, Chapter 1.

Sua aplicação prolongada produz dependência. Uma overdose provoca facilmente a morte. Devido a estes efeitos secundários foi substituido a partir dos anos 60 do século XX por outros princípios ativos como as benzodiazepinas. Atualmente não é mais encontrado no mercado.

Foi a droga escolhida pela poeta portuguesa Florbela Espanca para seu suicídio, em 1930.

Leitura complementar
Veronal – 1911 Encyclopedia

Inspirações da vida real

Uma vez, também, tive uma idéia depois de assistir a um espetáculo de que Ruth Draper participava. Estava pensando em como era boa atriz e como eram excelentes suas interpretações das personagens, a forma maravilhosa como se transformava de esposa insuportável em moça camponesa ajoelhada numa catedral. Pensar nela levou-me a escrever o livro A morte de Lorde Edgware. (Autobiografia, Ed. Círculo do Livro, trad. Maria Helena Trigueiros)

Ruth Draper (1884-1956)

Ruth Draper (1884-1956)

Um número de termos aplicou-se a Ruth Draper e à arte que ela exerceu profissionalmente de 1920 a 1956, incluindo monologuista, recitalista e diseuse (monologuista, em francês). Ela preferia ser conhecida como atriz de caracterização. “Meu Deus, como ela é genial!” exclamou Katherine Hepburn para a biógrafa de Draper, Dorothy Warren. “Com a sua essência, seu enorme destaque pessoal. O que me fascinava era ver essa criatura enormemente distinta transformar-se em camponesa, instantaneamente!” Para alguém com o comportamento e o background “enormemente distinto” de Draper, sua carreira como atriz tão inesperada quanto triunfante.

Ruth Draper nasceu em Manhattan em 1884, filha de William H. Draper, um médico proeminente e professor de clínica médica no College of Physicians and Surgeons, e de Ruth Dana Draper, filha de Charles Dana. Dana fez parte do Brook Farm em Massachussets, e mais tarde trabalhou com Horace Greeley no The New York Tribune antes de tornar-se editor do The New York Sun. Ele também trabalhou como secretário assistente de guerra para Abraham Lincoln.

A sétima das oito crianças do Dr. Draper (as duas primeiras foram de um casamento anterior), Ruth cedo demonstrou talento para a mímica. A inspiração para o seu primeiro esquete plenamente executado foi um costureiro judeu que costumava prestar serviço à família Draper. Anos depois, ela o descreveu como “um homem patético e adorável. Posso vê-lo agora. ‘Isto pode ser arrumado’, ele diria. ‘Isto pode ser arrumado. Um pouco de enchimento nos ombros. Botões de pérola aqui. Colarinho de veludo.’ Discutindo seu processo criativo mais tarde, ela reconheceu que sua habilidade para descrever palavras imaginárias era a mesma que ela tinha quando era pequena. “Eu acho que o que eu faço é algo que, desde criança, nunca perdi”, ela disse a Studs Terkel em 1955. “Que é a capacidade das crianças de se atirar completamente no que elas pretextam ser… [e] se você se doa completamente àquilo que você está tentando retratar, convencerá as outras pessoas também.”

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Elizabeth Canning

– Faz pensar no caso de Elizabeth Canning – disse Japp. – Lembra? Uma porção de testemunhas de ambas as partes jurou ter visto a cigana, Mary Squires, em dois lugares diferentes da Inglaterra. E testemunhas de toda a confiança, aliás. E a mulher tinha uma cara tão horrenda que não podia haver outra igual. O mistério nunca ficou esclarecido. (Treze à Mesa, Nova Fronteira, 2005, pág. 66-67)

Elizabeth Canning

Elizabeth Canning

Elizabeth Canning (1734-1773) foi uma mulher pobre, que nasceu e trabalhava em Londres como empregada para o carpinteiro Edward Lyon quando desapareceu em 1º de janeiro de 1753. Testemunhas afirmaram que ela era boa trabalhadora e tinha bom caráter (o que naquela época significava que praticava a castidade).

Quando Elizabeth reapareceu quase um mês depois, na casa de sua mãe, ela disse que havia sido raptada por dois homens que arrancaram parte de suas roupas, a roubaram e bateram em sua cabeça, deixando-a desacordada, mas não a molestaram. Ao recuperar os sentidos, ela estava numa casa estranha.

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Baba au rhum

– Primeiro vamos jantar, Hastings. E só voltaremos a abordar o assunto à hora do café. Quando se trata de comida, o cérebro deve ser escravo do estômago.
Poirot manteve a palavra. Fomos a um pequeno restaurante em Soho, onde era amigo da casa, e comemos uma omelete saborosíssima, filé de peixe, frango e um Baba au Rhum que era uma das paixões de suas paixões. (Treze à Mesa, Nova Fronteira, 2005, pág. 127)

Baba au rhum

Baba au rhum

A origem

Baba vem de babka ou bobka, um bolo típico do leste europeu consumido no domingo de páscoa; a palavra significa “mulher idosa” ou “vovó” nos idiomas eslavos. A invenção do Baba au Rhum é atribuída a Stanislas Leszczynska, rei deposto da Polônia e sogro do rei francês Luís 15. Segundo o dicionário Larrousse Gastronomique isso é improvável, mas talvez ele possa receber o crédito parcial já que tenha partido dele a idéia de embeber um bolo chamado kouglhopf em bebida alcóolica. Gugelhupf ou kugelhupf é o nome alemão do babka.

Outra versão da lenda conta que o rei Stanislas trouxe um baba em uma de suas viagens que chegou ressecado. Seu pasteleiro Nicolas Stohrer resolveu o problema adicionando vinho de Málaga, açafrão, uvas e passas e creme batido. Stohrer fez parte da comitiva que acompanhou a princesa Maria ao palácio de Versalhes, em 1725, quando ela casou-se com o rei francês. Em 1730 ele abriu sua patisserie em Paris. A idéia de usar rum ocorreu a um de seus descendentes em 1835.

O Baba au rhum é feito numa forma cilíndrica; o bolo inspirou a criação de uma versão alternativa, o Savarin (v. post de 28 de maio de 2008 ).

Fonte: Le Guide des Connaisseurs

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Treze à Mesa

Treze à Mesa, Nova Fronteira

Treze à Mesa, Nova Fronteira

Sinopse da quarta capa: Poirot estava presente quando Jane, envaidecida, falara de seu plano para “livrar-se” do marido, de quem estava separada, mas não oficialmente, como ela desejava. Agora o homem estava morto. Mesmo assim, o grande detetive belga não podia deixar de sentir que alguém estava tentando iludi-lo. Afinal, como se explica que Jane tivesse esfaqueado Lord Edgware na biblioteca exatamente na hora em que era vista jantando com amigos? E qual seria o motivo agora, já que o aristocrata finalmente lhe dera o divórcio?

Lord Edgware Dies (ou Thirteen at Dinner, 1933)
(A Morte de Lorde Edgware, em Portugal)

Citações e referências
Referências à vida pessoal, humor e métodos de Hercule Poirot:
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