Rui Miguel Tovar: Citando Agatha, entre pênaltis e belgas

Matéria do site português Tvi24 cita Poirot:

Tintim, o personagem de BD de Hergé, é belga. E não existe. Poirot, o detetive de Agatha Christie, é belga. E não existe. Manneken Pis, o menino a fazer xixi no centro de Bruxelas, é belga. E só existe em estátua de bronze. De pessoas propriamente ditas, o único belga de carne e osso famoso é Eddy Merckx, o ciclista mais conhecido como Canibal. Calma lá, até nem é o único. Estamos a esquecer-nos de Rik Coppens, o inventor do penálti a dois toques, aquele lance invariavelmente associado ao Ajax de Johan Cruyff. Pois bem, 25 anos antes do génio holandês, Coppens inaugura esta obra-prima.

A história começa a 7 de junho de 1957, durante um Bélgica-Islândia de qualificação para o Mundial. O jogo é de sentido único (8-3), tal a categoria dos belgas comparada com a falta dela dos nórdicos. Com 6-1 aos 44 minutos, a Bélgica ganha um penálti, apitado pelo luxemburguês Blitgen. Preparado para marcá-lo, Rik Coppens toma balanço, corre e, em vez de rematar para a baliza à guarda de Hermannsson, passa surpreendentemente para o lado, onde surge André Piters. Este, muito placidamente, recebe a bola e devolve-a a Coppens. Com a baliza à sua mercê e os islandeses totalmente atarantados, é golo pela certa. Sete-um, vai buscar. O estádio rejubila com a ideia inovadora e todos os belgas celebram o feito com uma pratada de moules frites – mexilhões com batatas fritas é um (prato) belga e existe. Como Coppens.

Leia o texto completo clicando aqui.

Spoiler: Pecado mortal para livros de mistério

A coluna de Luiz Zanin publicada no Estadão de 17.10.2019 cita Agatha:

A arte da crítica (15): o que é spoiler?
(Luiz Zanin)

Confesso que quando comecei a escrever sobre cinema o termo nem existia e ninguém ligava para isso. Spoiler?

Bem, sempre houve o bom senso de não contar o final da história. Em especial se fosse um thriller ou policial. Quem teria o mau gosto, ou o sadismo, de revelar a identidade do criminoso? Seria a mesma coisa de ler um livro de Agatha Christie e atropelar as conclusões de Poirot ou de Miss Marple.

Mas hoje tudo se tornou mais perigoso. Você pode se tornar um maldito da crítica se revelar inadvertidamente qualquer detalhe da trama. Há leitores mais sensíveis do que outros. Mas é sempre bom tomar cuidado.

Outro dia fui procurar algum texto sobre já não sei qual filme e caí no inglês The Telegraph, que é muito bom. Então vi que, no site, existem duas versões de crítica. Uma integral, para quem já viu o filme. Outra, chamada spoiler free – livre de spoilers. Isso já é chegar a um grau enorme de sofisticação. E nem sei se é o caso para nós.

Faz algum tempo aconteceu o seguinte. Um jornalista tanto tentou evitar spoilers a respeito de Wasp Network que incorreu na ira do autor do livro. Fernando Morais, ao ler o texto do colega, nele viu uma indesejada inflexão política. Quem conhece o livro – e o filme – sabe que a verdade dos personagens só se revela mais ou menos na metade da obra. Portanto, é preciso cuidado para não revelá-la e estragar um dos potenciais prazeres do filme (e do livro). O da descoberta. (…)

A coluna completa está neste link:
https://cultura.estadao.com.br/blogs/luiz-zanin/a-arte-da-critica-15-o-que-e-spoiler/

Cora Rónai: A carta, os trens, os livros… e Agatha

Cora Rónai cita Agatha em sua coluna “A carta, os trens, os livros” em O Globo de 21.08.2019:

Dia desses chegou uma carta. Era comum isso acontecer antigamente, mas hoje é raro e chama a atenção. Uma carta gorda, bem recheada: várias páginas escritas à mão, em folhas pautadas retiradas de um caderno espiral, acompanhadas de uma quantidade de páginas xerocadas de livros, cheias de anotações. Espalhei tudo em cima da mesa, sem saber por onde começar — havia muito carinho e muito trabalho investidos naquela correspondência.

Comecei pelas seis folhas que me pareciam diretamente endereçadas.

“Meu nome é Rosangela e tenho 62 anos. Nesse momento em que escrevo, já não tenho certeza se a minha ideia foi boa. Tenho uns livros, biografias e autobiografias, comprados há décadas em sebos do Centro, que passei a reler. Na autobiografia da Agatha Christie, por exemplo, li uma observação muito interessante: ela conta que viu o brasileiro Santos Dumont voar em Paris.”

O trecho está entre as páginas em xerox, sublinhado com caneta vermelha:

“Em 1911 aconteceu algo que considerei fantástico. Subi num aeroplano! Os aeroplanos eram, é claro, um dos principais temas de conjecturas, discussões, ceticismo e tudo o mais. Quando eu estava no colégio, em Paris, fomos um dia assistir a uma das tentativas de voo de Santos Dumont no Bois de Boulogne. Tanto quanto eu me lembro, o aeroplano subiu, voou alguns metros e depois caiu. De qualquer modo, foi impressionante.”

Há outros trechos, com histórias de Lilli Palmer, David Niven, Lauren Bacall, recolhidos de outros tantos livros. Em alguns casos, como na marcação feita com tinta vermelha, as anotações são recentes; em outros, fazem parte da xerox. Minha correspondente informa que seus livros são todos assim, riscados e anotados.

“Agora estou achando muita pretensão minha, mas tive a ideia de xerocar esses casos — informar uma jornalista muito competente, eis a minha pretensão (aqui entraria aquela carinha sem graça, pedindo desculpas, do WhatsApp) — e enviar, sempre pode ser útil.”

A carta da Rosangela é muito mais do que uma carta: é um pequeno tesouro, na forma de uma conversa em módulos.

“Um dia eu estava num trem de Santa Cruz, lotado, às sete e pouco da manhã, e vi um rapaz meio gordinho, alto, mochila na frente, se equilibrando enquanto lia um livro imenso. Como sempre, procurei ver a capa, e me surpreendi: ‘A divina comédia’, em edição bilíngue. Confesso que hoje me sinto um pouco preconceituosa com a minha reação em ver alguém que mora tão distante com um livro desses. Ele estava no meio do vagão, o que significa que pegou o trem bem antes de Padre Miguel, onde eu moro. Trem lotado, você entra e brinca de estátua, não dá para se mexer, só ser empurrada. Mas desde esse dia eu passei a anotar todos os títulos ou autores que eu conseguia ver no trem ou no metrô.”

Essa lista faz parte do material da carta e hoje está em minhas mãos. Começou a ser feita em 2015 e ocupa 23 páginas de 24 linhas cada. Seu conteúdo é tão variado quanto os leitores que, ao longo desses anos, brincaram de estátua perto do olhar atento de Rosangela Cosme da Silva, afiada observadora do cotidiano.

A coluna pode ser encontrada aqui:
https://oglobo.globo.com/cultura/a-carta-os-trens-os-livros-23893977

Akhenaton: Agatha e o Egito antigo

Texto de Luiz Santiago publicado em 22 de julho de 2019 para o site Plano Crítico fala sobre a peça Akhenaton foi escrita por Agatha Christie no ano de 1937 mas lançada apenas em 1973:

Embora tenha sido publicada apenas em 1973, a peça Akhenaton foi escrita por Agatha Christie no ano de 1937, mais ou menos no mesmo período em que concebia o romance Morte no Nilo. Grande admiradora dos mistérios do Egito Antigo e casada com um arqueólogo (Max Mallowan), a autora conseguiu fazer aqui uma interessantíssima saga dramática e de profundo caráter político, histórico, religioso e social, elencando os principais eventos do reinado de Amenófis IV (que posteriormente mudaria seu nome para Akhenaton) e sua relação com outras duas importantes figuras da História daquele país: a bela rainha Nefertiti eo jovem influenciável Tutancâmon, o Rei Tut.

Aqui — como em qualquer livro ficcional baseado em personalidades ou qualquer tipo de evento histórico — o leitor precisa entender que está diante de uma obra de entretenimento. Trata-se de uma peça de teatro que se baseia em eventos reais ou parcialmente documentados, sobre os quais até hoje existem investigações, hipóteses, questionamentos e descobertas sendo feitas. Com isso em mente, há que se elogiar tremendamente o trabalho de exploração dos bastidores políticos do palácio real de Akhenaton, um dos faraós mais polêmicos e mais odiados de sua dinastia, muitas vezes também apelidado de “O Faraó Louco”.

A peça acompanha a vida do personagem principal, de sua adolescência até a morte, focando primeiramente na sua visão de mundo e na forma como as pessoas olhavam para ele. No 1º Ato da peça temos uma breve introdução marcando as constantes campanhas militares do Egito de Amenófis III ea oposição física e até moral do jovem Amenófis IV frente a Horemheb, um dos nomes fortes do Exército nacional protegidos pelo Sacerdote de Amon. Esta figura musculosa estreitará laços com o futuro faraó e ele próprio se tornará sobreano do Egito, em um plot político que envolve um golpe militar e religioso ao fim da vida de Akhenaton, passando pelos rápidos reinados Semencaré e Tutankhamon para enfim entronar Horemheb, elemento da História que é trabalhado com primazia pela autora como uma dramática história de traição, amizade e visões políticas do que é bom para um país e para as relações pessoais entre as pessoas no poder (considerando o sistema do Egito Antigo). A autora preenche muito bem as brechas históricas, tanto nesse aspecto mais íntimo, quanto nas explicações muito plausíveis para a parcial destruição das pinturas, entalhes e outras artes que mostravam Akhenaton e sua esposa Nefertiti, sempre alimentando certo mistério em relação a destino final dessas figuras.

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Mistério no Mediterrâneo: Comédia com pitadas de Agatha

No site Correio Lageano, por Agnes Samantha:

Para os apaixonados pelas obras de Agatha Christie, o longa “Mistério no Mediterrâneo”, lançado recentemente pela Netflix, é um prato cheio de referências. O título já faz alusão a um dos livros da rainha do crime e a história mostra, de uma forma bem mais cômica, o suspense e o desvendar do mistério, assim como em suas obras.

(…) O filme se baseia na obra de Agatha, mas deixa claro, desde o início, que o enredo é cômico. O casal principal é conhecido por outros longas do gênero e lembrando pela última atuação juntos, em 2011, com “Esposa de Mentirinha”.

Para os críticos, não é possível que Mistério do Mediterrâneo seja uma produção que os surpreenda. Mas pode, sim, divertir. Não é à toa que a produção é uma das mais assistidas na plataforma streaming. E ainda tem um toque especial aos fãs de plantão, com uma referência da Agatha Christie, identificada por eles no grand finale.

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Eslovênia: Com Agatha e sem assassinatos

Em 25.05.2019, a Folha publicou uma matéria com o título “O que faz da Eslovênia um dos países mais seguros do mundo”:

Em 1967, a escritora britânica Agatha Christie (1890-1976) decidiu passar férias na Eslovênia. A ideia era descansar em privacidade. Encantou-se com os lagos de Bled e de Bohinj. Descoberta por jornalistas, foi logo questionada se estava em busca de inspiração para mais um de seus romances policiais, de repente fazendo da região cenário para um enredo.

Conhecida como a dama do crime, a escritora best-seller negou. Respondeu que a Eslovênia era bonita demais para assassinatos.

A história tornou-se conhecida por essas paragens. E, repetida, ganhou contornos de lenda.

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A Eslovênia (português brasileiro — em esloveno Slovenija, pronunciado AFI: [slɔˈʋèːnija]), oficialmente República da Eslovênia é um país do Leste Europeu limitado a norte pela Áustria, a leste pela Hungria, a leste e a sul pela Croácia e a oeste pela Itália e pelo mar Adriático. Ao longo de sua história, o país fez parte do Império Romano, do Império Bizantino, da República de Veneza, do Ducado de Carantânia (o atual norte esloveno), do Sacro Império Romano-Germânico, da Monarquia de Habsburgo, do Império Austríaco (a partir de 1866, Império Austro-Húngaro), do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (depois Reino da Iugoslávia) e da República Socialista Federativa da Iugoslávia de 1945 até finalmente conquistar sua independência em 1991. A capital é Liubliana, mais populosa cidade do país. Faz parte da União Europeia desde 2004, e é também o único ex-país comunista a fazer parte ao mesmo tempo da União Europeia. Seu Índice de Desenvolvimento Humano, da ordem de 0,892, o 21° maior do mundo em 2013, segundo a Organização das Nações Unidas.

Em francês: Agatha Christie et les “fake news”

Por Paul Vacca em 14.02.2019, para treinar o seu francês:

“Dix Petits Nègres” d’Agatha Christie, cela vous dit forcément quelque chose. On se souvient tous de l’intrigue : 10 personnes ne se connaissant pas sont invitées à passer quelques jours dans une villa luxueuse sur une île au large de la côte anglaise qu’une tempête va bientôt isoler. Le piège est parfait : tous trouveront la mort les uns après les autres suivant un mode opératoire inscrit dans une comptine.

La police se révélera incapable de trouver une explication à cette série de meurtres. Il faudra attendre la lettre-confession du coupable, publiée à la fin de l’ouvrage, pour connaître enfin la vérité… Eh bien, oubliez cette lettre ! Cette révélation finale est une fake news. Vous avez bien lu: Agatha Christie s’est trompée et nous a livré un faux coupable.

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