Assassinato no Expresso do Oriente 2017, por Tommy Beresford

Em minhas resenhas, costumo dizer que vou ao cinema sem quaisquer expectativas, devidamente “zeradas” pelo fato de não ler antecipadamente as críticas, evitar as resenhas dos diversos sites e inclusive fechar os olhos quando percebo que o trailer vai contar demais sobre o filme. Mas no caso de uma produção baseada na obra de Agatha Christie, autora que comecei a ler com 13 anos de idade, cujos livros, dezenas, já li diversas vezes e para a qual dedico há anos centenas de posts como parceiro de um blog criado em 2008 chamado “A Casa Torta” — título de um de seus melhores livros –, não havia possibilidade de ir para a sala escura assistir a “Assassinato no Expresso do Oriente” sem ansiedade. Afinal, como vocês sabem, eu, Tommy Beresford, sou um dos detetives da grande dama do mistério… 🙂

Leia minha resenha completa no Cinema é Magia:
[Resenhas] Assassinato no Expresso do Oriente

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Agatha Christie 120 Anos | Death on the Nile / Morte no Nilo

Logo comemorativo oficial

– Vaidade? Como motivo para um assassinato? – perguntou a Sra. Allerton, duvidosa.
– Os motivos dos crimes são, às vezes, muito triviais, Madame.
– Quais os mas frequentes?
– O dinheiro. Isto é, para obtê-lo mais rapidamente. Em seguida, a vingança… o amor, e a filantropia.
– Monsieur Poirot! [Agatha Christie, Morte no Nilo, trad. Newton Goldman. Rio de Janeiro: Altaya, n/d]

A terceira regra de S. S. Van Dine para escrever histórias de detetives proclama que “Não deve haver interesse amoroso no entrecho. A questão a ser deslindada é a de levar o criminoso ao tribunal e não a de levar um casal ao altar.”

Agatha Christie obedece a maioria das vinte regras estabelecidas por Van Dine em 1928 na maior parte das vezes, mas a terceira regra é a que ela quebra mais constantemente desde O Misterioso Caso de Styles, seu primeiro romance policial. Hercule Poirot, o detetive belga que ela criou, é um solteirão, sim, porém um solteirão pronto a reunir maridos e esposas afastados pela suspeita ou mesmo unir jovens enamorados no decorrer das investigações. Até o casamento do Capitão Arthur Hastings foi arranjado por Poirot em Assassinato no Campo de Golfe!

A escritora inglesa não aprovava o amor excessivo, entretanto. Manifestações muito efusivas de afeto eram creditadas a personagens de sangue latino e devidamente ridicularizadas, e mais de uma vez ela expôs a condição trágica da mulher que idolatra o marido, quase sempre sem retribuição. Para ela, um homem que seja o alvo desse amor se sente aprisionado, sufocado. “Um que ama, um que se deixa ser amado”, como diz Poirot em Morte no Nilo [“Un qui aime et un qui se laisse aimer“].

Neste livro publicado pela primeira vez em 1937 Christie quebrou ainda a regra n. 9: “Cada história deve ter unicamente um detetive”. Além de Hercule Porot, o Coronel Johhny Race do Serviço Secreto Britânico participa das investigações. Essa é a segunda vez que se encontram, a primeira foi em Cartas na Mesa [em que também participaram Ariadne Oliver e o Superintendente Battle].

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Indicando livro(s) de Agatha (ou não)

O Natal de Poirot

O Natal de Poirot

Depois de mais de 50 livros lidos e [por enquanto apenas] 16 nesta nossa tarefa blogueira de tentar ler tudo de novo na ordem em que foram originalmente lançados [ou quase], me deparei com um que nunca tinha lido e passei a considerar um dos melhores livros de Dame Agatha: “O Natal de Poirot”. Desafio os leitores de nosso blog “A Casa Torta” a descobrirem o assassino: um dos mais difíceis.

Outra boa indicação (o primeiro que li na vida): “Um Gato Entre os Pombos”, outro de resolução quase impossível e uma das melhores histórias de Agatha. Isso sem falar em clássicos como “O Assassinato de Roger Ackroyd” (mas este é tão clássico que muita gente acaba revelando o final inadvertidamente — cuidado, portanto, com os spoilers da rede e os linguarudos da vida real), “O Inimigo Secreto” (um de meus preferidos, o primeiro caso de Tommy e Tuppence Beresford), além dos mais populares “O Caso dos Dez Negrinhos”, “Assassinato no Expresso do Oriente” e “Morte No Nilo”, entre tantos outros.

A propósito… Quantos livros (Agatha ou não) você já leu este mês [livros de verdade, em papel, comprados seja novos ou em sebos] ? Deixe suas respostas nos comentários e também suas boas indicações para nossos leitores.

O que é romance policial – Sandra Reimão [3/3]

Capa do livro

Capa do livro

Continuação do post O que é romance policial – Sandra Reimão [2/3].

Agatha Christie foi, sem dúvida, um dos autores de romance enigma a abandonar mais radicalmente o campo do verossímil. Nessa questão, podemos ver, entre outros “Um Destino Ignorado”, narrativa em que os principais cientistas do mundo ocidental são seqüestrados por Contém spolier –> um homem que os mantém em um recinto, ocultado por um sistema de portas blindadas invisíveis a olho nu, numa colônia de leprosos. A coisa toda só consegue ser provada pelo depoimento de um desses cientistas, que colore (por pigmentação) a sua pele e faz e faz inchar seus lábios (com injeção de parafina) e assim se faz passar por criado marroquino e tem contato com autoridades visitantes. Isso tudo acompanhado de pérolas falsas numeradas, luvas que deixam marcas fosforescentes etc. <– Fim dos spoilers

Retornando às obras de Agatha Christie em que Poirot aparece como personagem central, é interessante perceber que Agatha Christie mantém a tradição da presença dos jogos intertextuais.

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