A Haunting In Venice: Adaptação de Kenneth Branagh para A Noite das Bruxas

De acordo com o portal Terra, a 20th Century Studios vai mesmo produzir a terceira adaptação de Agatha Christie estrelada e dirigida por Kenneth Branagh, após ‘Assassinato no Expresso Oriente’ e ‘Morte no Nilo’:

O estúdio anunciou nesta segunda (10/10) o grandioso elenco de ‘A Haunting In Venice’, que reunirá os atores Jamie Dornan (‘Cinquenta Tons de Liberdade’), Tina Fey (’30 Rock’), Kelly Reilly (‘Yellowstone’), Michelle Yeoh (‘Tudo Em Todo Lugar ao Mesmo Tempo’), Kyle Allen (‘O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas’), Camille Cottin (‘Killing Eve’), Jude Hill (‘Belfast’), Ali Khan (‘Red Rose’), Emma Laird (‘Mayor of Kingstown’) e Riccardo Scamarico (‘O Último Paraíso’) num mistério passado na cidade de Veneza, na Itália.

O filme será uma adaptação do romance ‘A Noite das Bruxas’, lançado em 1969, e que se passa após a 2ª Guerra Mundial.

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No CanalTech:

O filme é adaptado do romance A Noite das Bruxas, de 1969, e é a terceira adaptação de uma obra de Christie para as telas dirigida por Branagh, que se mostrou empolgado em guiar um longa mais assustador e que mostrasse melhor o desenvolvimento do inspetor Poirot:

“Este é um desenvolvimento fantástico do personagem Hercule Poirot, assim como da franquia Agatha Christie. Baseado em um conto complexo e pouco conhecido de mistério ambientado no Halloween em uma cidade pitorescamente arrebatadora, é uma oportunidade incrível para nós, como cineastas, e estamos aproveitando a chance de entregar algo verdadeiramente arrepiante para nosso fiel público de filmes”

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A Morte de Mrs. McGinty: Boa hora para reler

No site da PublishNews, um texto sobre a edição de “A Morte de Mrs. McGinty” da HarperCollins:

Com 80 obras lançadas, Agatha Christie (1890-1976) é uma das maiores vendedoras de livros da história. São poucos trabalhos dela que podem ser considerados fracos, e nenhum é desprezível. Mas vários selos que têm ou já tiveram a escritora no catálogo apresentam uma insistência em focar nos maiores campeões de vendas dela, como Assassinato no Expresso do Oriente ou Morte no Nilo, que podem ser encontrados em inúmeras edições diferentes. Por isso, é interessante ver agora nas livrarias “A Morte de Mrs. McGinty” (HarperCollins, 240 pp, R$ 49,90; Trad.: Stefano Volp). Escrito em 1952, é leitura rara até entre fãs declarados da autora. Tem uma trama intrincada, sobre o assassinato de uma senhora e as suspeitas dirigidas a seu inquilino. É um título que reúne dois personagens recorrentes em seus romances: o famoso detetive belga Hercule Poirot (que aparece em mais de 40 livros) e Ariadne Oliver, uma escritora de romances de mistério que volta e meia ajuda os investigadores principais do universo criado por Agatha Christie.

Veja em
https://www.publishnews.com.br/materias/2022/04/22/uma-agatha-christie-que-ninguem-le-muito

Encontro com a Morte: Relembrando Carrie Fisher

Muita gente se lembra da saudosa Carrie Fisher como a icônica Princesa Leia Organa de “Star Wars”. A atriz, falecida aos 60 anos em 2016…

Carrie Fisher (1956-2016)

… estreou em “Shampoo” (1975) e fez dezenas de outros filmes para cinema e TV. Entre eles, deu vida, em 1988, a Nadine Boynton em “Appointment with Death”, versão cinematográfica de nosso velho conhecido “Encontro com a Morte”, livro lançado por Agatha Christie em 1938 (o filme, no Brasil, foi chamado de “Encontro Marcado com a Morte”).

O elenco era de peso: Peter Ustinov (Hercule Poirot), Lauren Bacall, Piper Laurie, John Gielgud, entre outros.

Ficha do filme no IMDB:
https://www.imdb.com/title/tt0094669/

The Sydney Morning Herald: Mistérios mundo afora (e as influências de Agatha)

Trecho inicial de uma interessante matéria de Benjamin Stevenson no The Sydney Morning Herald em 07.04.2022 com o título “True blue detective: Poirot meets bush noir as COVID rewrites the plot”:

Looking at the Australian bestselling fiction charts, it’s not hard to see that crime fiction is having a moment in the sun. The stratospheric rise of rural Australian noir (or ruro-noir) – written by the likes of Jane Harper, Chris Hammer, Kyle Perry and Candice Fox – has led the charge, but in the past couple of years another style of crime novel has crept up the charts – and that’s thanks to a Brit rather than an Aussie: Agatha Christie.

You won’t see her name on the spines, but she’s there, pulling the strings, as Christie-inspired mystery novels make an energetic comeback. If you don’t know what type of book I’m talking about, let’s play bingo with the following assets: 1) A cast of reprobates; 2) Characters who are trapped somewhere; and 3) A genius detective (a bonus 4 is if the genius detective waxes lyrical about their solution in front of said reprobates in said location).

Recent hits along these lines include the excellent The Guest List by Lucy Foley, the charming Thursday Murder Club by Richard Osman, and the wry modern take in the film Knives Out. Of course, it could be argued that Christie and her Golden Age compatriots inspired much of the modern crime genre anyway – so why the current explosion? Let’s use a time-honoured crime-novel technique to answer that: the flashback.

The Detective (I’ve capitalised here as I’m literally talking about anyone you see when you close your eyes on hearing the word: hat-stand, cigar, moustache – you’ve got it) went out of fashion in the 1990s and early 2000s. Instead of erudite sleuths pacing a library full of suspects, we had down-on-their-luck – alcoholic, divorced – cops chasing serial killers across grungy cities in books such as Along Came A Spider and The Bone Collector or films like Seven and Saw. Crime novels got more and more violent, the body counts rose and the villains were more sadistic.

Then came the birth of the “psychological thriller”, with Gone Girl and The Girl on the Train leading the trend of novels without a firm moral ground to stake the reader’s faith on. The unreliable narrator flourished. Books started, shockingly at the time, having unhappy endings. The killer started getting away.

Saying the world’s changed a lot in the last decade is like saying that the ice-cream machines at McDonald’s are occasionally unreliable: a major understatement. And it’s no coincidence that while it feels like the world is getting darker outside, crime novels are tacking back to being escapist again. Of course, it’s silly to refer to a book in which a murder takes place as light relief, but the tenets of Golden Age mystery fiction – that the victim is often foul, and that the villain will get their comeuppance in the end – are a comfort in a world where the ground keeps shifting underneath us. If we feel unbalanced in the real world, at least we can stake our faith in Poirot or Marple. (…)

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Kenneth Branagh: Mais Poirot na telona em breve

De acordo com matéria do site Omelete, depois de…

Assassinato no Expresso do Oriente [2017]
e
Morte no Nilo [2022]

…Kenneth Branagh continua desejando construir uma filmografia extensa com as obras de Agatha Christie:

De acordo com o presidente da 20th Century Studios Steve Asbell, o roteiro do terceiro filme já está pronto e vai adaptar “um dos livros menos conhecidos” da autora.

“É uma mudança bastante ousada de gênero e de tom. É ambientada em Veneza, no pós-guerra. […] Então acho que vocês verão o bigode de novo”, afirmou ao Hollywood Reporter.

Vale dizer que a referência a um dos traços característicos do detetive Poirot, o protagonista vivido por Branagh, se deve ao desfecho de Morte no Nilo, último lançamento da franquia, e sugere que a nova história será anterior a este mistério.

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The New York Times: Qual o melhor Poirot?

Uma pergunta batida, mas o texto é do The New York Times traduzido por Paulo Migliacci na Folha de São Paulo em 02.03.2022:

“Qual é o melhor Hercule Poirot? Veja versões do detetive de Agatha Christie”
Personagem retorna na visão de Kenneth Branagh em ‘Morte no Nilo’

[02.mar.2022 às 17h00 – THE NEW YORK TIMES]

Hercule Poirot é um daqueles heróis literários, como James Bond ou Sherlock Holmes, cuja imagem brilha intensamente na imaginação popular. Desde sua estreia no romance “O Misterioso Caso de Styles”, de Agatha Christie, em 1920, até sua aparição final em “Cai o Pano”, publicado em 1975, o detetive belga sempre foi uma figura simples e distintiva.

“Um homenzinho pitoresco e engomado”, como escreveu Christie, “com pouco mais de 1,60 metro”, e uma cabeça “com o formato exato de um ovo”, um “nariz de ponta rosada” e “um enorme bigode, curvado para cima” –provavelmente o apêndice capilar mais famoso da literatura inglesa, e que a escritora mais tarde caracterizaria como o mais magnífico bigode da Inglaterra.

Christie escreveu mais de 80 romances e contos sobre Poirot, e quase todos eles foram adaptados para o cinema e televisão. Muitos atores interpretaram o papel ao longo dos anos, cada qual tentando imprimir sua marca pessoal ao personagem, como um ator de teatro buscando um novo ângulo para interpretar o rei Lear.

Tony Randall, em “Os Crimes do Alfabeto”, mistério cômico dirigido por Frank Tashlin em 1965, brincou com o personagem, exagerando o comportamento pomposo de Poirot em busca de risadas. Em contraste, Alfred Molina fez uma versão para a TV de “Assassinato no Expresso do Oriente”, em 2001, com um toque mais sutil e discreto, atenuando a extravagância às vezes quase caricatural do personagem. Hugh Laurie chegou a usar o emblemático bigode, para uma participação especial em “Spice World – O Mundo das Spice Girls”, e deixou que Baby Spice (Emma Bunton) escapasse impune de um assassinato.

Mas das dezenas de versões de Poirot que vimos nos últimos 100 anos, só algumas perduraram de fato e deixaram uma marca permanente no personagem. Essas são as interpretações que as pessoas têm em mente quando pensam sobre Hercule Poirot, e à sua maneira cada uma dessas versões parece definitiva, a seu modo. A chegada de “Morte no Nilo”, de Kenneth Branagh, aos cinemas nos oferece um pretexto para avaliar algumas das versões mais famosas e mais queridas.

— 1931-1934: Austin Trevor

Porque ele era jovem, alto e (imperdoavelmente) glabro, o elegante galã Austin Trevor representa um abandono conspícuo –ou imperdoável, diriam alguns– da descrição original. Ele estrelou em três adaptações das aventuras de Poirot entre 1931 e 1934, das quais apenas uma, “Lord Edgware Dies”, está disponível hoje (no YouTube). O retrato de Trevor, embora agradável dentro de seus limites, diferia o suficiente da descrição de Christie quanto ao protagonista para justificar um editorial desancando os filmes na revista Picturegoer Weekly, com o título “Má Escalação de Elenco”. A mudança mais flagrante foi alterar a nacionalidade de um dos belgas mais famosos do planeta: o Poirot dos filmes era inexplicavelmente parisiense.

“Lord Edgware Dies” tinha por base o romance “Treze à Mesa”, de Christie, e envolve uma atriz e socialite americana endinheirada (Jane Carr), que contrata Poirot para ajudá-la se se divorciar de seu obstinado marido, o lorde Edgware (C.V. France). Edgware não demora a concordar com o divórcio, mas em seguida aparece morto. Poirot, intrigado, investiga o homicídio. Filmes de detetive eram populares no começo da década de 1930, e o Poirot de Trevor parece dever muito a outros dos investigadores charmosos e bem apessoados da era, em particular os interpretados por William Powell em filmes como “A Ceia dos Acusados” e “The Kennel Murder Case”. As adaptações são adequadas, se bem que infiéis, mas é um alivio saber que a criação de Christie viria a ser retratada com mais fidelidade no futuro.

— 1974: Albert Finney

Entre outras virtudes, o retrato de Poirot por Albert Finney em “Assassinato no Expresso do Oriente”, de Sidney Lumet, em 1974, disponível no serviço de streaming Paramount+, é um grande feito de maquiagem e próteses: uma máscara que cobre praticamente todo o rosto de ator com o objetivo de tornar o esbelto Finney, 38, parecido com o robusto Poirot, em plena meia-idade. A adaptação de Lumet para um dos mais célebres livros de Christie é uma carta de amor da nova Hollywood à era dourada do cinema, com Finney comandando um elenco que inclui luminares como Ingrid Bergman e Lauren Bacall. Um drama de câmara que se passa em um trem, estruturado em torno de longas e loquazes cenas de interrogatório, o filme é uma aula de atuação ao modo clássico. (E, incidentalmente, a única interpretação de Poirot que valeu ao ator uma indicação para o Oscar.)

O Poirot de Finney é brusco e rígido, seu sotaque é forte e bruto, e sua voz é rouca. Embora personifique muitas das qualidades que caracterizam o original de Christie –astúcia, persistência, preocupação obsessiva com a própria aparência—, ele é mais sério e veemente, e esquadrinha as provas com severidade e grande intensidade, como um predador encurralando sua presa. O clímax do filme é explosivo, com Finney recitando suas conclusões sobre o caso em rimo frenético e intenso.

— 1978-1988: Peter Ustinov

O ator inglês Peter Ustinov interpretou Poirot meia dúzia de vezes, começando pelo magnífico “Morte no Nilo”, em 1978 (disponível em streaming no Criterion Channel). Seu Poirot é brincalhão, juvenil, até mesmo um pouco fantasioso. Ustinov o imbui de um ar leve e provocante, e encontra motivos de diversão latente até mesmo nos assuntos mais diabólicos. Os fãs que preferem Ustinov no papel tendem a responder ao seu imenso calor humano: ele tem um jeitão de avô que o torna instantaneamente querido, e também serve como uma forma inteligente de ocultar seu brilhantismo e sua perspicácia. O espectador mais ou menos espera que o Poirot de Finney descubra a verdade sobre as coisas, mas com Ustinov as deduções súbitas e penetrantes parecem mais surpreendentes.

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Morte no Nilo 2022, por Tommy Beresford

Durante todos esses anos de siri cascudo nessa indústria vital, uma máxima para mim sempre foi essencial: “Nunca espere que uma adaptação cinematográfica seja fiel à obra literária original”. Bem óbvio: são formas bem distintas de contar a mesma história; ainda assim, “expectativas são criadas”, e muita gente quer ver na telona tuuuudo que leu no livro (please, não façam isso). Em adendo a essa frase fatal, há também outras duas necessárias: “Há adaptações muito fiéis que não se tornam grandes filmes; algumas são um espantoso fiasco” e “Há adaptações não muito fiéis que são excelentes”. Em meio a isso tudo, há excelentes exceções onde tudo deu certo; preciso citar “A Cor Púrpura”, um excelente livro que, em 1985, se tornou um filme maravilhoso nas mãos de Steven Spielberg e Menno Meyjes, bem diferente dos inesquecíveis escritos premiados de Alice Walker; recentemente, se tornou um musical inesquecível através da adaptação para o teatro feita por Tadeu Aguiar e Artur Xexéo em cima da adaptação de Marsha Norman. Três obras incríveis e totalmente diferentes, as três unidas pelo mesmo fio, as mesmas ideias, em mídias e formatos diferentes.

Kenneth Branagh

Nem sempre a conjunção de excelências acontece. Em minha resenha de “Assassinato no Expresso do Oriente”, em dezembro de 2017, deixei clara uma dualidade curiosa: a versão de 2017 de Kenneth Branagh para o clássico de Agatha Christie era um bom filme, mesmo sendo pouco fiel ao original da Dama do Mistério. Como fã de Agatha desde longínquos 1982, eu não poderia deixar de fazer as críticas necessárias, já que algumas situações jamais foram escritas pela autora, e algumas nem sequer eram aceitáveis. Ainda assim, o filme era uma produção caprichada e que não chegava a causar repulsa: leitores menos exigentes e cinéfilos que não conheciam o livro tinham à sua disposição um entretenimento policial de qualidade.

Armie Hammer

Chegou 2020 e veio a ansiedade de todo fã pela nova adaptação de “Death On The Nile”, que já havia inclusive sido anunciada ao final do “Expresso”. Com as filmagens já terminadas, os planos de lançamento foram adiados não somente por conta da pandemia de Covid-19, mas também pela “polêmica canibalesca” envolvendo o protagonista Armie Hammer (de “Me Chame Pelo Seu Nome”). Somente a partir de 10 de fevereiro de 2022, os brasileiros corajosos puderam correr aos cinemas para finalmente conferir a adaptação de Branagh.

Antes de comprar o ingresso, aproveitei e, como me é habitual, reli a obra lançada em 1937 alguns dias antes de assistir ao novo filme na telona. Ingênua e positivamente, fiquei com a esperança de que as principais diferenças fossem apenas uma “questão de tintura”. Logo na primeira página, Agatha descreve Linnet como “uma moça de cabelos dourados e feições autoritárias, muito bonita.”. Poucas páginas depois, aparece Jacqueline como “uma criatura pequena, delgada, de cabelos negros volumosos.”. Afinal, é tão comum e não é pecado inverter as características (Gal Gadot tem cabelos negros e Emma Mackey é quem aparece com os cabelos dourados, ambas lindas por sinal)… Tolinho.

Gal Gadot

Daqui pra frente, spoilers “discretos” são necessários. A primeira sequência é tão patética e inesperada que por algum tempo achei que a sala havia começado e exibir o filme errado. De repente, Poirot aparece e… meu Deus, Deus meu, pra quê aquilo? Por quê? Porcausdiquê essa historinha desnecessária como entrada de “Morte no Nilo”, se o que é mostrado não tem qualquer importância com o que virá?

Daí pra frente, é susto atrás de susto. A sequência logo em seguida, em que Linnet e Simon se encontram pela primeira vez, não reflete como eles se conheceram de fato, e nem havia Poirot presente, nem a cantora que conhecia Linnet e… como assim uma cantora? Como assim uma cantora que conhecia Linnet? Okay, vamos engolir o choro, comer um biscoito por baixo da máscara e seguir adiante…

Russell Brand

Nessas adaptações, sempre é possível nos depararmos com personagens “alterados” e, gato escaldado com a obra anterior de Branagh, já esperava algumas mudanças fortes, só não imaginei que dessa vez fossem tantas e tão sensíveis. No livro original, o personagem vivido no atual filme por Ali Fazal é Andrew Pennington; agora, com novas características e participação bem mais discreta, o advogado e “Tio Andrew” ganhou o sobrenome de… Katchadourian. Já o Dr. Bessner virou Dr. Linus Windlesham, interpretado por Russell Brand, que seria ex-noivo de Linnet… oi? Calma lá que fiquei confuso. No filme, o médico é portanto uma mistura de Bessner com Lorde Windlesham, que no livro era sim pretendente de Linnet, citado nas primeiras páginas mas que, no decorrer da trama literária, nem aparece mais. No filme, o novo Linus Windlesham, além de demorar a ter uma fala e de “acudir mortos e feridos”, nutre sua paixonite ciumenta (e suspeita) por Linnet. Eita… Okay, a essa altura ainda estou bastante paciente, aceitei mais estas alterações, embora não tenha visto necessidade.

Tom Bateman

Mas, pelamor, quem é Monsieur Bouc mesmo? Aí precisamos forçar a memória e lembrar que é um personagem vivido por Tom Bateman no “Assassinato no Expresso do Oriente” de Branagh (Bouc era diretor da Compagnie Internationale des Wagons-Lits) que NÃO EXISTE na história do Nilo… pra quê, gente? Devolvam o Coronel Race (um dos melhores personagens da bibliografia de Agatha e que, este sim, está nas páginas de “Death On The Nile” e com destaque)! Bouc surge no Nilo soltando pipa (oi?) e ainda colocaram Annette Bening como sua mãe, outra personagem que não existe na trama original, para… para… não sabemos para quê… Annette, sempre talentosa, faz uma personagem desnecessária, patética e cujo “tubo de tinta vermelha” entra na trama principal… Affff… tragam de volta os vidros de esmalte!

Ainda assim, a questão do esmalte não é o que estraga a principal cena da história (uma de minhas preferidas de todos os livros de Agatha). No livro, é Jacqueline quem insiste para “ter plateia”; no filme, não. No livro, é Jacqueline quem chuta a arma (ato essencial na trama); no filme, não. O timing da cena é ruim, porque induz o espectador ao erro quanto à permanência de Simon sozinho. E, posteriormente, Simon fica realmente mal, a perna está tão ferida que ele não tem condições de sair da cabine e chega a ter febre; no filme, ele é carregado de um lado para o outro com a melhor cara do mundo. Outra situação crucial na trama é o encontro e a conversa de Simon com Jacqueline depois do tiro que, no livro, é um pedido dele. No filme, é um bilhetinho en passant. Me poupem.

Annette Bening

Esqueçam cleptomania, garrafas jogadas do convés, a história de Joanna Southwood, o “J” escrito a sangue na parede, crucifixo, Mr. Ferguson, Jim Fanthorp, Cornelia Robson, Signor Richetti, Tim Allerton e sua mãe… muitas situações e personagens foram suprimidos. O destino de Louise Bourget é… melhor nem co(me)ntar. A terceira vítima do livro é outra, a original passa ilesa no filme… Até o colar de pérolas vira outra joia… A relação entre Miss Bowers e Miss Van Schuyler surpreenderá muita gente. Aliás, no filme Linnet já conhecia todo mundo anteriormente… ela até paga para que todos a acompanhem em sua lua de mel fluvial, jizuismariajosé… Para citar só mais uma escalafobetice, a aparição de Jacqueline no Karnac é em momento diferente da chegada contada no livro, e quase precedida de uma tempestade de areia… Tá puxado.

Há coisas boas? Claro que sim. Visualmente, é um filme deslumbrante. Bela direção de arte, fotografia arrasadora, uma ótima trilha de Patrick Doyle, a protagonista Gal Gadot como sempre magnetizante e uma direção eficiente de Kenneth Branagh. Mas nada disso é suficiente para um roteiro tão “deturpador” da obra original de Agatha. Afinal, se não bastasse todo o resto, como suportar Poirot apontando arma pra todo mundo, correndo atleticamente por escadas e convés, escapando de tiroteio… epa… tiroteio? Que tiroteio, Branagh? E aquelas cicatrizes gigantes? Pelamor.

Emma Mackey

E há Emma Mackey. A Jacqueline de Bellefort de Emma Mackey (de “Sex Education”) é a personagem mais interessante do filme mas, cataploft, quase some da metade pro fim. Ainda assim, Emma brilha intensamente. Menção também para o Simon de Armie Hammer; pena que Branagh tenha perdido tanto tempo explicando o bigode de Poirot ao invés de apresentar melhor o “homem que troca de noiva”. Uma pena. A Linnet da supracitada magnetizante Gal Gadot é menos poderosa, mais frágil que a do livro, um pouco mais ousada, mas “no conjunto da obra” os três compõem um bom trio. Branagh perde tempo demais com outras tramas inventadas, com escolhas equivocadas que às vezes cansam o espectador. E com Annette Benning: pra quê, meu bem?

Até então, para mim, a versão cinematográfica “definitiva” era a que foi lançada em 1978, Oscar de Melhor Figurino em 1979. No Brasil, esta versão (de John Guilhermin) recebeu o título de “Morte Sobre o Nilo” e, como a atual, também tinha um elenco estelar: Lois Chiles, Mia Farrow, Simon MacCorkindale, Bette Davis, George Kennedy, Olivia Hussey, entre muitos outros, além de duas grandes atrizes que foram indicadas ao BAFTA como coadjuvantes: Angela Lansbury e Maggie Smith (Peter Ustinov, que fazia Poirot, também concorreu ao BAFTA de Melhor Ator pelo filme, e o Coronel Race existia no filme de Guilhermin, sob a batuta do inesquecível David Niven). Há outras versões e, nos últimos anos, qualquer adaptação agathachristiana com David Suchet como Poirot é digna de menção. Continuarei com a de 1978, e tentarei revê-la em breve para superar esta decepção de fã e cinéfilo. O livro de Agatha Christie é um de meus favoritos de sua excepcional obra e é, por muitos, considerado uma de suas melhores histórias. Não basta, porém, capricho na produção e uma fotografia impressionante: falta tudo ao filme de Branagh. Infelizmente.

Tommy Beresford

Publicado originalmente em
https://cinemagia.wordpress.com/2022/02/12/resenhas-morte-no-nilo/

David Suchet: Novo cavaleiro da Ordem do Império Britânico

O ator David Suchet, nosso icônico Poirot, virou cavaleiro da Ordem do Império Britânico em cerimônia em janeiro de 2022. As fotos são do Daily Mail (no link há também um vídeo):

https://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-10439257/
David-Suchet-arrives-Windsor-Castle-knighthood-investiture-ceremony.html

YouTube: Poirot e mais Poirot

Já publicamos aqui, esses anos todos, muitas dicas sobre vídeos dos filmes e séries envolvendo as obras de Agatha, mas muitos deles acabam saindo do ar com o tempo. Vai aqui a dica de um canal com dezenas de episódios da série Poirot, todos disponíveis em vídeos do YouTube:

https://www.youtube.com/playlist?list=PLur-u8joYJPHijJOuPcNgo41KHKzI-hC1

Seis décadas: A passagem do tempo nos livros de Agatha

Uma das características mais fascinantes na obra de Agatha Christie é a da longevidade, não somente dos personagens mas da ambientação de suas histórias. Afinal, seus detetives e assassinos começam a aparecer nos anos 1920, tempos onde não havia por exemplo televisão, o telefone ainda era artigo de luxo para muitos, onde ainda se falava em Gripe Espanhola, Primeira Guerra Mundial… e chegam até aos anos 1970, livro a livro, mostrando as novidades que o mundo recebeu tanto em relação a acontecimentos históricos quando a descobertas científicas e invenções tecnológicas…

No trecho abaixo, de “A Noite Das Bruxas” (de 1969, página 54 da edição L&PM Pocket), o diálogo entre Poirot e Ariadne Oliver fala sobre algo impensável no antológico “O Misterioso Caso de Styles”, de 1920: um computador.

Já este segundo excerto é um trecho de “Passageiro Para Frankfurt” (1970, página 39 da edição HarperCollins de 2021):

Anos 1920.
Anos 1930.
Anos 1940.
Anos 1950.
Anos 1960.
Anos 1970.

Do ditafone ao computador, Agatha sempre foi e sempre será fascinante.

Estadão: Ignácio de Loyola Brandão cita Poirot

Ignácio de Loyola Brandão

Crônica publicada em O Estado de São Paulo em 22.05.2020:

Se eu morrer de Covid-19, saibam que fui assassinado
(Ignácio de Loyola Brandão)

Esta é a crônica mais delirante e real que escrevi nestes meus 27 anos neste jornal. Se eu morrer de covid-19, saibam que fui assassinado. Sei que posso ser morto apesar dos cuidados que tomo. Estou há 50 dias encerrado em casa. Não desço sequer para atender motoboys que trazem medicamentos, compras de supermercados ou refeições. Gastei hectolitros de álcool gel, cheguei ao máximo de, após receber uma ligação, dar um banho no telefone com medo de ser contaminado pelo som. Quando vejo noticiário, desligo se o presidente começa a falar, enraivecido, espalhando perdigotos, tossindo, espirrando, dando a mão, insensível, abusado.

Tenho medo de ser infectado. Aqueles olhos claros que poderiam ser amorosos e cordiais nos fuzilam com chispas de ódio. Como deve sofrer quem vive assim na defensiva. Porque ele é pura defensiva o tempo todo. Segundo os sábios, não podemos olhar nos olhos de uma pessoa que odeia tudo, o mundo, a vida, porque podemos trazer para dentro de nós o que ela tem de maligno. Há o perigo de nos tornarmos como ela, malvada, perversa. Dona Ursulina, senhora sábia, que cozinhava como poucos, avó de um primo querido, diante de gente ruim costumava dizer: “Isso não é gente, isso é o demônio”. E esse presidente se diz religioso, vai a cultos, agrada a fiéis, bispos, pastores, o que for. Quem ele quer enganar?

Mas algum deus está de olho. Os deuses existem, cada um sob uma forma, espírito, sopro divino. Seja o meu Deus, seja Maomé, Jeová, Alá, o Sol, Shiva, Buda, Brahma, Jina, o conquistador, ou Zeus, Júpiter, ou quantos mais houve e os novos, que andam por aí. Bolsonaro me lembra um deus dos maoris, na Nova Zelândia, de nome Whiro, o maléfico, senhor das partes mais escuras da vida. Lendo sobre culturas primitivas, descobri semelhanças interessantes. Diz Joan Rule em Os Foes da Papua-Nova Guiné (As Religiões do Mundo) que, naquele país, na tribo dos foes, “os homens com uma relação com as coisas maléficas e que sabiam os encantamentos devidos eram favorecidos e não seriam incomodados. Porém os que provocassem a ira do espírito ficariam com as pernas ou o estômago inchados”. É ou não é uma definição justa para bolsonarismo, milícias, o gabinete do ódio, redes de fake news, destruição de personalidades, ataques à natureza?

Rule nos revela outra crença que é metáfora perfeita para nossos tempos. Cita a existência dos “Soros, espíritos errantes que andam aqui e acolá, sempre à espreita para prejudicar os humanos”. Esses espíritos estão encarnados naqueles que fazem carreatas contra isolamento, pregam a hidroxicloroquina (nenhum jornal perguntou quem está lucrando com essa história), o fim do Supremo, a volta da ditadura, da tortura, do AI-5, do fechamento do Congresso. Porque essa turma é uma seita com seu deus Bolsonaro, perto de quem os Soros e os Whiros são cândidos e celestiais. Sabemos que todas investigações morrerão nas mãos do procurador Aras. Não nos iludamos e esta minha crônica é propositalmente desestruturada, algo caótica, porque retrata tempos que vivemos, não sabemos onde ir, o que fazer, pensar, para onde ir, de quem esperar.

O que fazer muitos sabem e têm nas mãos os poderes. Mas não fazem. Não querem. O que aconteceu, gente? Estamos anestesiados? Hipnotizados? Amortecidos? Deprimidos? Ou temos fumado muito, mas muito, muito crack? Para finalizar, quero dizer que, se eu morrer de covid-19, saibam que fui assassinado. Não precisam chamar a PF, nem Hercule Poirot, o inspetor Maigret, Phillip Marlowe, Sherlock Holmes, Perry Mason, Arsène Lupin, Nero Wolfe, Kay Scarpetta, Miss Marple, Charlie Chan (ah, os seriados!), inspetor Melo Pimenta (Jô Soares), Ed Mort (Verissimo), Bellini (Tony Bellotto), Mandrake (Rubem Fonseca), doutor Leite (Luis Lopes Coelho), delegado Spinosa (Garcia-Roza). Tenho uma estante cheia deles aqui em casa.

Não, não é necessário gastar cérebros em investigações. Se bem que agora nas séries o crime é descoberto em laboratório, com microscópios, dextetropinas, anfetaminas, insulinas, DNAs e produtos químicos que os atores decoram sem ter a mínima ideia do que se trata. Saibam, caros leitores, que, se eu morrer, fui assassinado pelo presidente com sua interferência na Saúde. Eu e milhares, uma vez que já estamos perto dos 20 mil mortos.

(Ignácio de Loyola Brandão, 22.05.2020)

Fonte:
https://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,se-eu-morrer-saibam-quem-me-matou,70003310425

Albert Finney (1936-2019): Faleceu Poirot

Albert Finney

Albert Finney

De acordo com o portal G1, o ator britânico Albert Finney, cinco vezes indicado ao Oscar, morreu aos 82 anos, segundo a agência Associated Press. Entre outros grandes filmes, Finney foi o Hercule Poirot da primeira versão de “Assassinato no Expresso do Oriente (1974):

A família do ator disse que ele “morreu pacificamente depois de uma doença curta com os mais próximos ao seu lado”. Em 2011, Finney revelou que havia sido diagnosticado com câncer renal. Detalhes sobre a causa da morte não foram divulgados.

Mais informações no Cinema é Magia, clicando aqui.

Post de dezembro de 2008:
[Filme] Murder on the Orient Express

Hercule Poirot: Salvo por…

Uma matéria publicada na Folha Online em 04.01.2019 fala sobre a edição brasileira da versão atualizada de “Agatha Christie – Uma Biografia”, da britânica Janet Morgan, e conta que a biógrafa aponta Miss Marple como a personagem favorita da autora. Morgan revela inclusive que Agatha desejava matar Poirot desde os primeiros livros:

“Miss Marple, sem dúvida. Agatha ficou refém de Poirot e passou a odiá-lo. Numa carta que ela escreve a si mesma, que reproduzo no meu livro, ela desejava matá-lo, mas não podia ‘porque ele é minha principal fonte de renda’. Então ela escreveu nos anos 1940 ‘Cai o Pano’, em que Poirot morre, para ser publicado só após a morte dela.”

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Os Crimes ABC: Natal de 2018 com Poirot

De acordo com o site Literatura Policial, a BBC One confirmou que a série Os Crimes ABC, adaptação de Agatha Christie, vai ser transmitida no Natal de 2018 na Inglaterra:

A história, ambientada na década de 1930, trará John Malkovich como o detetive Hercule Poirot. Ele receberá uma carta o desafiando a solucionar um crime que ainda irá acontecer e, ao investigar a origem da carta, assassinatos começam a acontecer.

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John Malkovich: Um novo Poirot (e com Rupert Grint)

Esta ainda não saiu nem em português: John Malkovich de Poirot? E com Rupert Grint (de Harry Potter) no elenco? Quem viver verá:

John Malkovich and “Harry Potter” star Rupert Grint have signed on for “The ABC Murders”, an Agatha Christie adaptation for the BBC in Britain and Amazon in the U.S. Shooting gets underway in June and will see Malkovich become the latest actor to take on the role of the famously mustachioed Belgian detective.

John Malkovich e Rupert Grint

John Malkovich e Rupert Grint

Kenneth Branagh played the sleuth in the 2017 film adaptation of “Murder on the Orient Express” and is reprising the role in a remake of “Death on the Nile.” David Suchet and Alfred Molina are among those to have played the part on the small screen.

Grint has signed on to play Inspector Crome. The cast also includes Andrew Buchan (“Broadchurch”), Eamon Farren (“Twin Peaks”), Tara Fitzgerald (“Game of Thrones”), Bronwyn James (“Harlots”), and Freya Mavor (“The Sense of an Ending”).

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Nova série: Poirot na Bahia?

Post de Ana Paula Laux no site Literatura Policial conta que a Panorâmica TV, produtora independente no Rio de Janeiro, anunciou um projeto, já em andamento, em que Poirot seria “um metódico investigador morando em Salvador”…

A produtora e Agatha Christie Ltd., responsável pelos direitos de todas as obras da Rainha do Crime, assinaram um acordo exclusivo para desenvolver uma série baseada nos livros da autora. O contrato tem exclusividade para o Brasil e a América Latina. Segunda explica Mara Lobão, diretora executiva da produtora:

“Os executivos da Agatha Christie Ltd. estavam à procura de um projeto que pudesse apresentar a autora para novos leitores, com frescor e originalidade, e nos deram toda a liberdade para buscar algo inovador, e então criamos um projeto que coloca o personagem mais querido da autora, o metódico investigador Hercule Poirot, na cidade de Salvador, Bahia”

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Mistério com espião? Chamem por Poirot!

A matéria é do Globo Online… Agente
neurotóxico? Melhor chamar Poirot…

A Rússia ironizou as acusações feitas pelo Reino Unido de que seu governo teria sido responsável pelo ataque com um agente neurotóxico que deixou um ex-espião em estado crítico, em Salisbury (Sul da Inglaterra), neste mês. A embaixada em Londres afirmou que o caso é um mistério que precisa da atenção de alguém como o detetive fictício Hercule Poirot, da escritora Agatha Christie.

No domingo, a embaixada já havia ironizado que era necessário contar com Poirot (…).

O ex-espião Sergei Skripal e sua filha Yulia estão em estado crítico depois de desmaiarem em um banco em Salisbury em 4 de março.

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Assassinato no Expresso do Oriente 2017, por Tommy Beresford

Em minhas resenhas, costumo dizer que vou ao cinema sem quaisquer expectativas, devidamente “zeradas” pelo fato de não ler antecipadamente as críticas, evitar as resenhas dos diversos sites e inclusive fechar os olhos quando percebo que o trailer vai contar demais sobre o filme. Mas no caso de uma produção baseada na obra de Agatha Christie, autora que comecei a ler com 13 anos de idade, cujos livros, dezenas, já li diversas vezes e para a qual dedico há anos centenas de posts como parceiro de um blog criado em 2008 chamado “A Casa Torta” — título de um de seus melhores livros –, não havia possibilidade de ir para a sala escura assistir a “Assassinato no Expresso do Oriente” sem ansiedade. Afinal, como vocês sabem, eu, Tommy Beresford, sou um dos detetives da grande dama do mistério… 🙂

Leia minha resenha completa no Cinema é Magia:
[Resenhas] Assassinato no Expresso do Oriente