Os Treze Problemas

Capa da Nova Fronteira

Capa da Nova Fronteira

Sinopse da quarta capa: Com seu profundo conhecimento da natureza humana e uma excepcional capacidade dedutiva, Miss Marple consegue desvendar “doze mistérios insolúveis”, ocorridos em lugares distantes e narrados por seus amigos e vizinhos da pequena localidade de Saint Mary Mead, que criam em torno da adorável anciã o chamado Clube das Terças-Feiras. Mas. um inesperado assassinato ocorrido na própria Saint Mary Mead, torna-se, o décimo-terceiro mistério a desafiar a inteligência de Miss Marple.

The Thirteen Problems (1932)
(Os Treze Enigmas, em Portugal)

Referências

The Tuesday Night Club (O Clube das Terças-Feiras)

A velha sala, com seu teto apoiado em largas vigas antigas, que lhe assentava bem. Daí o olhar de aprovação de Raymond West. Era escritor de profissão e apreciavas as atmosferas impecáveis. A casa de sua tia Jane sempre o agradara como o ambiente adequado à personalidade dela.

O vestido de Miss Marple era de brocado preto, muito justo na cintura. Um arranjo de renda Mechlin descia em cascata na parte dianteira do corpinho. Ela usava mitenas de renda preta e tinha à cabeça uma touca, também de renda da mesma cor, sobre as massas sobrepostas de seus cabelos cor de neve. Estava fazendo um tricô de cor branca e macia. Seus olhos azuis, desbotados, indulgentes e bondosos, examinaram com tranqüilo prazer o sobrinho e os convidados dele. (pág. 7) Mechlin é uma cidade belga, na região do Flandres. Também batiza um tipo de renda desde o século 18.

– Como eu ia dizendo – prosseguiu Sir Henry – os fatos foram muito simples. A morte dessa pessoa foi atribuída a envenenamento por ptomaína. (pág. 11)

– (…) Em conseqüência da autópsia, foi encontrada no cadáver uma dose de arsênico suficiente para deixar perfeitamente claro que a falecida fora envenenada. (pág. 12-13)

Miss Marple, no entanto, sacudiu a cabeça obstinadamente e olhou para Sir Henry, indagando:
– Eu estou com a razão, não estou? Tudo me parece claro. Contém spoiler –> As centenas e milhares e o bolo confeitado, quero dizer, não se pode errar.
(…) As cozinheiras quase sempre colocam “centenas e milhares” nos bolos confeitados, meu querido – disse ela. – São uns confeitos cor-de-rosa e brancos, de açúcar.
<– Fim do spoiler (pág. 18-19) Clique aqui para saber mais.

The Idol House of Astarte (A Casa do Ídolo de Astartéia)

– Hoje nós procederíamos melhor, por causa da difusão dos romances policiais. Qualquer menino sabe que um corpo deve ser deixado onde for encontrado. (pág. 29)

– Não sei quem possa ter sido a não ser (…) – afirmou Miss Marple, arregalando os olhos com uma ligeira expressão de surpresa. – Quero dizer, como Mr. Petherick tão criteriosamente sempre afirma, que a gente deve olhar os fatos e deixar de lado toda aquela atmosfera da deusa, pagã, que eu não acho muito decente. (pág. 33)

Ingots of Gold (As Barras de Ouro)

– Haverá alguma verdade na reencarnação? Eu fico pensando nisso, pensando muito nisso.
– Você é tão romântico, meu querido Raymond – comentou Miss Marple, olhando para ele com benevolência.
– Romântico será a última coisa que sou – declarou Raymond West, meio aborrecido. (pág. 35)

The Blood-Stained Pavement (A Calçada Tinta de Sangue)

– Há uma grande perversidade na vidinha que se leva nas vilas. Eu espero que vocês, meus querido jovens, jamais fiquem sabendo como este mundo é perverso! (pág. 58 )

Motive v. Opportunity (O Móvel do Crime)

– De qualquer maneira, Mr. Petherick, foi uma armadilha – disse ela. – Exatamente como fazem os advogados. (pág. 72)

The Thumb Mark of St. Peter (A Marca do Polegar de São Pedro)

– Bem, meu querido, a natureza humana é a mesma em toda parte. Naturalmente uma pessoa tem oportunidades de observá-la mais de perto, numa vila. (pág. 73)

Por esse motivo, o que foi muito natural, prosseguiu Miss Marple, deixei dinheiro para a alimentação de Clara, depositei num banco minha prataria e o canecão de estanho do Rei Carlos, e parti imediatamente. (pág. 75)

Naquela manhã, tinha ido até a farmácia e comprado um pouco de arsênico. Naturalmente – fora obrigada a assinar um livro por conta disso. E também, naturalmente, o farmacêutico dera com a língua nos dentes. (pág. 78 )

The Blue Geranium (O Gerânio Azul)

Fichu da era vitoriana em linho bordado

Fichu da era vitoriana em linho bordado

Naquela noite, Mrs. Bantry olhou em derredor de sua mesa de jantar (tremendo um pouco enquanto o fazia) porque a sala de jantar, como acontece na maior parte das salas de jantar inglesas, era extremamente fria, e fixou o olhar naquela velha senhora, muito empertigada, que estava sentada ao lado de Mr. Bantry. Miss Marple usava mitenas de renda preta, um antigo fichu lhe descia sobre os ombros, ao passo que outra renda lhe prendia os cabelos brancos. (pág. 89) Mitenas ou mitenes são luvas sem as pontas dos dedos. Fichu é uma peça usada sobre o torso, como um lenço de pescoço ou mantilha.

– Miss Marple – interveio Sir Henry, – a senhora me assusta. Eu espero que nunca deseje me eliminar. Seus planos devem ser bons demais. (pág. 100)

Contém spoiler –> (…) Sempre ouvi dizer que o cianureto não deixa vestígios após o transcurso de um tempo suficientemente longo. (pág. 103)<– Fim do spoiler

The Companion (A Dama de Companhia)

– Eu tenho a impressão – declarou Jane, com um jeito sonhador – que eu gostaria de fartar-me de crimes esta noite.
– Ótimo – declarou o Coronel Bantry, seu anfitrião. – Ótimo. Ótimo. – E desatou numa gostosa gargalhada, muito marcial. (pág. 105)

The Four Suspects (Os Quatro Suspeitos)

– Foi veneno, com certeza – murmurou Jane. – Algum veneno que não deixa vestígios.
O Dr. Lloyd mexeu-se em sua cadeira, impacientemente, e Sir Henry abanou a cabeça, dizendo:
– Não, minha cara senhora. Não foi o veneno secreto das pontas de flechas dos índios da América do Sul. (pág. 127)

Os fatos são os seguintes. Eu não sei, eu não sei… E com todas as probabilidades jamais saberei. Não se trata de punir um assassino. Trata-se do que me parece cem vezes mais importante. Talvez seja a questão de frustrar toda a carreira de um homem honrado… por causa de uma suspeita, de uma suspeita que eu não ouso pôr de lado. (pág. 135)

A Christmas Tragedy (Tragédia de Natal)

– Oh! – exclamou Mrs. Bantry cheia de indignação. – Estou certa de que demos nossa contribuição. Ouvimos as histórias e as apreciamos da maneira mais esclarecida. Revelamos a atitude verdadeira feminina, não querendo nos projetor.
– Excelente desculpa – declarou Sir Henry. – Mas não é válida. Existe um precedente muito bom nas Mil e Uma Noites. Sir Henry refere-se a Scheherazade. (pág. 142)

Lembro-me que minha mãe me ensinou que ma senhora deve sempre ser capaz de controlar-se em público, por mais que possa se entregar às suas emoções quando estiver sozinha. (pág. 153)

– Não tenho paciência com esses modernos escrúpulos humanitários a respeito da pena capital. (pág. 161)

The Herb of Death (A Erva da Morte)

– E agora, Mrs. B. – disse Sir Henry Clithering num tom encorajador.
– Eu já lhe falei. Não quero que me chamem de Mrs. B. Isso não é muito digno.
– Então eu a chamarei de Scheherazade. (pág. 162) Personagem pincipal de As Mil e Uma Noites.

– Ah! O jardim! – exclamou o Dr. Lloyd. – Nós todos sabemos para que lado bate seu coração, Mrs. Bantry. (pág. 162)

– Naturalmente Mr. Badger era um boticário, e também um homem idoso, pouco educado e vulgar, ao passo que Sir Ambrose Bercy era um cavalheiro muito fino, assim disse Mrs. Bantry. Mas apesar disso a natureza humana é muito parecida em toda parte. (pág. 173)

The Affair at the Bungalow (O Caso do Bangalô)

– Aconteceu com uma de minhas amigas – prosseguiu Jane, cuidadosamente.
Todos murmuraram algumas palavras hipócritas mas de estímulo. O Coronel Bantry, Mrs. Bantry, Sir Henry Clithering, o Dr. Lloyd e a velha Miss Marple estavam convencidos de que a amiga de Jane era ela própria. Teria sido incapaz de se lembrar de qualquer coisa que tivesse afetado outra pessoa, ou de se interessar por isso. (pág. 179)

– Que tal se nos disser de que se tratava, querida – sugeriu Miss Marple, de um jeito tão suave que ninguém poderia suspeitar que estaria sendo irônica. (pág. 181)

Death by Drowning (Morte por Afogamento)

– Um nome muito adequado à profissão desse homem – murmurou Sir Henry. – A senhora quer dizer que está simplesmente fazendo seu julgamento com base nos fatos de um caso paralelo.
– Eu conheço a natureza humana – afirmou Miss Marple. – É impossível deixa de conhecer a natureza humana quando se tem vivido numa vila durante todos esses anos. (pág. 200)

Sir Henry estava sentado numa sala em companhia do Coronel Melchett, chefe de polícia do condado, e do Inspetor Drewitt.
O chefe de polícia era um homem de baixa estatura e tinha um porte decididamente marcial. O inspetor era alto, de ombros largos, pessoa muito sensata. (pág. 202)

Dedicatória: Para Leonard e Katharine Woolley

Lista de personagens: Miss Marple
Também: Dolly Bantry, Sir Henry Clithering, Raymond West, Joyce Lempriére & outros.

Observação: As citações e respectivas páginas foram extraídas da edição brasileira de Os Treze Problemas
Ed. Nova Fronteira
Tradução: Thomaz Scott Newlands Neto
Ano: s/d
Ed: 4ª
Páginas: 217

Curiosidade desta edição: Na capa do livro está grafada a inscrição “Um caso de Hercule Poirot” logo abaixo do nome estilizado da autora.

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Um pensamento sobre “Os Treze Problemas

  1. Acabei de reler o livro para assistir ao episódio “The Blue Geranium” da série Agatha Christie’s Marple, com Julia McKenzie. Infelizmente eles fizeram de um conto de poucas páginas um filme de 90 minutos, ou seja, uma catástrofe. No entanto, esse livro é excelente. Miss Marple realmente assusta! É a primeira aparição de Joan West (esposa do Raymond).

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